Jigoku no Hoshi

2 Basuke Kurabu - Clube de Basquete


Notas iniciais
A fic tb está sendo postada no Social Spirit. MAntenham em mente que eu não pretendo atualizar a fic com tanta frequencia já que nao é meu projeto principal. Meus projetos principais são minha fic de Zumbis e Dragon Souls esse é um for fun que eu faço quando eu tenho bloqueio nessas duas, e sem flar que eu estou sem beta reader

Chiharu não costumava ter pesadelos, geralmente suas noites eram vazias e tranquilas. As poucas vezes que tivera pesadelos foram sobre seu pai, que não estava presente em sua vida a partir dos dois anos de idade. Sua mãe dizia que ele era um homem bom e gentil, que foi pego pelo injusto destino, sofreu um acidente e não resistiu aos ferimentos. E ainda que não houvesse motivos, Chiharu achava que ainda havia coisas nessa história que estavam ocultas.

Entretanto, naquela noite, ela teve um sonho terrível. Lá estava Kaouru correndo desesperada pelos corredores da escola, fugindo de algo ou alguém e Chiharu resolveu a seguir para ver o que estava acontecendo. Foi só Kaouru sumir alguns segundos após dobrar numa esquina que a cena mudou. Como se não aguentasse mais a pressão de estar sendo seguida, a menina decidiu pular da janela, indo com a cabeça contra o chão, três andares abaixo, fazendo um barulho horrível.

Chiharu não conseguia tirar seu sonho da cabeça. Sentiu um arrepio de repente e olhou para os lados. Era apenas Yume, que havia passado o dedo em sua nuca.

– Chiharu-chan, você está muito pensativa hoje.

– Verdade, nem respondeu à chamada. – Disse Ichigo concordando. – Eu pus presença, mas eu gostaria que você respondesse. Se eu ficar te mimando, a Yume-chan vai ficar com ciúmes. – Mostrou a língua para Yume.

– Ah, sabia, estava só esperando aparecer essa brincadeirinha. – Falou Yume, se levantando do banco.

Era o almoço, as meninas gostavam de ficar no pátio longe dos outros, onde poderiam conversar sem serem perturbadas por ninguém. Mesmo que tenha sido apenas um sonho, Chiharu não conseguia fazer contato visual com Kaouru, nem com Yume. Apesar de o brilho intenso e alegre nos olhos de Yume, a semelhança era sempre grande de mais para ignorar, claro.

– Ainda bem que não vamos ter que voltar para a sala, já estava ficando cansada das aulas. – Ichigo disse, se espreguiçando.

– Como assim não voltar para a sala? – Chiharu questionou

– Ichi-chan não te contou? – Kaouru disse, fazendo Chiharu ficar imóvel. — Hoje acontecerão os jogos masculinos durante a tarde. Então não vai ter aula. Você não trouxe sua mochila quando desceu, não foi? Não tem problema, nós podemos subir e pegar assim que você terminar de comer o seu... Pudim... — A voz dela foi diminuindo enquanto ela abaixava a cabeça.

– Chiharu-chaaaaan, amiiiiga. – Ichigo pôs-se ao seu lado – Pudim engorda, sabia? Pode deixar que eu me livro dele pra você.

– Hara Ichigo! Que coisa feia! – Yume puxou seus cabelos ruivos, a fazendo soltar uma risada.

– Pode pegar. – Chiharu estendeu o potinho com uma colher para Ichigo.

– Sério? – Os olhos de Ichigo brilhavam.

– Você não precisa, ela falou de brincadeira. – Yume fez questão de puxar um pouco mais os cabelos da outra.

– Eu não iria comer, mesmo, já estava sem fome antes de começar.

– Chiharu-san... Aconteceu algo? – Kaouru acomodou-se mais perto dela com um sorriso gentil.

– Não chegue- Quero dizer... Não se preocupe... Eu só... Bem... Vou pegar minha mochila. – E saiu dali com passadas rápidas.

Sentia-se uma idiota por estar se comportando daquela maneira com as gêmeas, mas aquela cena repassava várias vezes em sua cabeça. Ela nunca soube lidar com pesadelos, achava muito bom quando eles pararam, anos atrás. Agora esse novo a havia abalado.

Ainda assim Chiharu tentava por na cabeça que não era nada de mais.

Ela pegou sua mochila e demorou a sair da sala. Ela passou a mão por debaixo da carteira, apenas para ter certeza que não havia esquecido nada e sentiu as letras em baixo relevo feitas na capa de um caderno. Momo.

Lembrou das palavras de Kaouru na segunda. Apesar de ter se passado quase uma semana, a garota não havia falado mais nada com Chiharu até poucos minutos atrás. Chiharu conseguia ver os sentimentos de todos os alunos por conta daquela morte, todos eles sentiam uma grande tristeza sempre que algo os fazia lembrar da menina. Porém, Kaouru parecia um pouco forçada, ou talvez culpada, ela não sabia ao certo.

Então decidiu olhar dentro do caderno.

Até o momento, nada de mais. um simples caderno com contas de matemática que não cabiam nas apostilas. Grande parte errada, Chiharu notou. Quando estava prestes a pôr o caderno de volta no lugar, ela notou uma palavra escrita bem pequena que havia sido apagada na parte inferior esquerda de uma das páginas.

"seguida"

Aquilo não fazia sentido nenhum. Chiharu chegou o caderno bem próximo aos olhos para ter certeza do que lia, então passou a ponta do indicador por cima da palavra para sentir seus traços.

O mundo ao seu redor se transformou em luz pura enquanto a menina sentia suas pernas perderem a força. Todas as palavras se distorciam e apagavam até atingirem a cor branca. Um sentimento de vazio tomou conta de seu ser. Então ela pôde ver uma garota de cabelos longos e loiros à sua frente, segurando um lápis e um caderno. Antes de cair sentada na cadeira, Chiharu conseguiu ler o nome escrito na sua capa.

"Hirano Momo"

A queda fez Chiharu perder o fôlego e voltar à consciência. Ela se sentia tonta e desnorteada. Ela apoiou os cotovelos nos joelhos e segurou a cabeça com ambas as mãos, tentando fazer o mundo parar de girar.

"O que foi isso?" Ela pensou ao abrir os olhos e encarar o caderno que agora estava aos seus pés.

Com bastante cuidado para não tocar mais que o nececssário, ela se esticou, pegou o caderno e examinou as primeiras três páginas, constatando que ali também haviam palavras que foram apagadas, na primeira e na terceira.

– Chiharu-chan~! — Uma voz chamou do corredor.

Rapidamente a menina guardou o caderno na mochila e se pôs de pé.

– Você demorou muito, pensei que tivesse se perdido, ou sei lá. — Ichigo entrou na sala, sendo seguida por Yume e Kaouru. — Já vai começar o jogo dos meninos.

– Desculpem. Eu não queria demorar tanto, eu me distraí.

– Sem problemas, agora, vamos ver os meninos — Ichigo disse dando um soco no ar

– Nada disso. — Yume a segurou pelo pulso. — Nós temos assuntos mais importantes para tratar: a iniciação da Chiharu-san.

– I... Iniciação...? — Chiharu se viu na quadra vazia da escola, rodeada de garotas.

– Sim, vamos ver como você se sai com os arremessos de dois pontos. — Yume disse ao jogar uma bola de basquete para Chiharu.

Kaouru, Ichigo, Sayuri e mais algumas meninas estavam lá. Elas formavam um semi círculo atrás de Chiharu, todas elas seguravam bolas de basquete.

– Pode começar.

Chiharu lançou a bola, que passou pelo aro, fazendo uma cesta. Então uma por uma, as bolas eram entregues à Chiharu pelas meninas, sendo Kaouru a última.

– Esse arremeço é pela Shi-chan. — Ela entregou a bola a outra e encostou a ponta dos dedos de leve no braço dela, a desejando boa sorte. Porém, para Chiharu, soou como um deboche.

Chiharu ficou nervosa. Ao lançar a bola, ela viu um vulto pelo canto do olho, o que tirou sua atenção e a fez errar. Todas as meninas bateram palmas mesmo assim. Ichigo disse que ela havia se saído muito bem e que já quase estava no time. Ela só precisava jogar.

Ali haviam meninas que não eram do time de basquete. Sayuri e mais algumas eram do time de vôlei. Então elas decidiram se dividir em grupos de seis para jogar um pouco do esporte das outras, já que elas estavam participando mi. Ichigo ficou no time de Megume, a levantadora do time e as gêmeas ficaram no time de Sayuri junto de Chiharu. Em algum momento no fim jogo, um saque de Megume fez com que Kaouru e Chiharu dessem um encontrão ao tentarem recepcionar. As duas bateram de lado e caíram sentadas. Chiharu sentiu tudo novamente, a angústia, o medo e dessa vez sentiu um cheiro forte e estranho. Ao olhar para Kaouru rapidamente ela poderia jurar ter visto seus olhos com a íris vermelha. Ao olhar novamente, ela estava normal, então Chiharu julgou ser apenas sua imaginação, já que esta estava lhe pregando peças desde o pesadelo. Ela via algumas sombras pelos cantos dos olhos desde que se pusera fora da cama.

– Chiharu-chan? – Sayuri chamou pondo uma mão na cabeça de Chiharu e a outra em seu queixo, a fazendo olhar para ela. – Você está bem?

– Sim. – Ela deu um sorriso pequeno. – Eu estava pensando só. Me distraí.

– A Haru-chan é uma pensadora. – Ichigo disse.

– “Haru”? – Yume se apoiou no ombro de Ichigo. – Já estamos com intimidade o suficiente para esse tipo de coisa?

– Não se preocupe, Yu-chan, não vou roubar ela de você, eu não estragaria esse amor. – Chiharu riu se levantando.

– Mais uma não! – Yume se encondeu atrás do próprio braço, rindo com as outras.

Longe dali, uma reunião terminava.

A garota que aparentava ter seus quinze anos de idade saia de dentro da casa sendo seguida por outros adolescentes e adultos, todos vestidos de preto, cada um no seu estilo. Mulheres vestidas como se tivessem saído de enterro e garotos como se estivessem saindo de uma balada gótica.

A menina usava saia preta e uma blusinha da mesma cor. Seus cabelos negros como a noite desciam lisos até o meio de suas costas.

– Até logo, Usagi-chan. – O garoto desarrumou a franja dela e saiu correndo com seu skate.

Ela nada mais fez do que levantar os olhos para o encarar antes dele sumir na próxima esquina.

– Sem senso de humor ainda. – Uma mulher muito bem vestida se pôs ao seu lado – Vamos, garota, não é como se fosse o fim do mundo. É uma nova vida e, cá entre nós, não é como se você não gostasse disso. Você foi promovida, isso quer dizer que está fazendo um bom trabalho. Se anime.

– Claro, claro, nee-san. – Ela seguiu em direção oposta ao sol, como ela odiava aquela bola gigante de fogo nos céus. Definitivamente era a noite que ela preferia.

E no caminho de casa reparou em cada olhar torto que recebia. Tentou ver se não havia nada errado com suas vestimentas, algo sujo no rosto, mas não descobriu o que era até se olhar contra o vidro do trem. Seus olhos. Estavam da cor errada. Claro, suas lentes de contato. as havia esquecido dentro da casa. Não havia como buscar.

Bem, melhor os olhos que a pele.

Notas finais
E não se esqueça de deixar seu comentário. O que gostou? O que não gostou? O que falta? Reclamações? Aceito todo comentário e crítica construtiva. Se gostou não se esqueça de favoritar Até a proxima
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.