Jigoku Red Sora

2 O despertar de Red


Dentro de cavernas obscuras, Sora caminhou por dias e dias, até encontrar um imenso lago ao interno de uma delas. Lá, descansou e se alojou por tempo suficiente para recuperar as energias e desenvolver novas habilidades. Seus cabelos logo estavam bem longos, mesmo se sua barba ainda não houvesse crescido nem meio centímetro.

Havia uma saída ali perto, aonde ele costumava visitar os campos nos quais a luz do sol resplandecia. Caçava algum animal e voltava para se alimentar na gruta.

Uma vez, em meio ao período de caça, encontrou uma cidadela que parecia, à distância, abandonada. Foi só se aproximar que percebeu que, na verdade, era populada, sim, por alguns cidadãos de várias idades. Agrupavam-se como uma grande família.

Um dos anciões, de relance, olhou para o sembrante do guerreiro que se aproximava a passos moderados.

—O que quer em nossa vizinhança? Por acaso és o guerreiro que vem nos trazendo escassez de alimentos? Os javalis da região andam morrendo com maior frequência.

—Eles são meu alimento. Tenho treinado bastante nas cavernas, são apenas o suficiente para saciar minha fome.

O senhor percebeu que o que falava fazia sentido. O guerreiro, realmente, não passava um caráter arrogante. Pelo contrário, parecia ser um jovem valente. De uma certa forma, ainda aparentava mais, só que o senhor ainda estava tentando adivinhar o que era...

—Não é que, por acaso...

—O quê?

Um vento soprou com uma força sobrenatural, arrastando uma casa consigo.

—Ah! Socorro!

Uma mulher e uma criança corriam na direção dos senhores e de Sora. Seguravam cenouras na mão. A criança tropeça e a mãe para para ajudá-la.

—Vamos! Temos que ir!

CLING!

—Tomem mais cuidado, da próxima vez. -disse Sora, parando com a lâmina de sua espada o machado do guerreiro reptiliano que, logo atrás, havia tentado acertar a mulher.

—Gwark! Aw rak tor ramulk sazend grujdunk molorn... Nekka!

—Não entendo uma só palavra do que diz. Está por acaso dizendo que quer morrer?

—Ramulk sazend grujdunk!

Os olhos do reptiliano começaram a brilhar com uma luz branca. Sua corporatura parecia aumentar cada vez mais e seus músculos, cada vez mais potencializados. A lâmina de Sora titubeava com o metal começando a ricochetear.

—Tsc...

Neste momento, o pequeno rubi que se encontrava em seu bolso brilhou, flutuou suspenso no ar e se encaixou na guarda da espada.

—Jigoku!

A luz vermelha do rubi brilhou mais forte. Fundiam-se a pedra, o humano e sua espada.

No lugar de Sora se encontrava um guerreiro cibernético reluzente em cor salmão. De sua cabeça saiam dois chifres. De suas costas, o balançar de suas duas asas metálicas permitiam com que o ser pairasse no ar. Suas duas mãos estavam livres.

—Molorn...

—Me chamo Red. — disse, ao pegar impulso no ar com grande velocidade, deslocando-se até aonde a casa estava para cair. Com a mão direita, segurou o edifício, puxando-o com a mão direita e levando-o até o lugar aonde estava anteriormente. — Ei, lagarto. Quer virar sopa?

A mão direita entrou em seu antebraço, que estava apontado para o peitoral escamoso do réptil.

—Jigoku Red Sky Beam!

A onda energética na velocidade da luz não demorou para reduzir o lagartóide em carne de churrasco.

—Mãe! Mãe! O lagarto virou comida! E nossa casa ainda está ali! — a criança pulava de alegria.

Os senhores estavam abismados, alguns riam, alguns perplexos de medo.

—Não se preocupem, eu vou... hã? — com o brilhar das asas, Red assumiu novamente a forma de Sora. — É, o que foi que aconteceu mesmo?

—Obrigado, guerreiro! Obrigado por nos salvar! Hoje o jantar foi por sua conta!

Os habitantes daquela cidade tiveram um banquete farto de carne de reptiliano ao lado de seu salvador, Jigoku Red Sora, o futurístico guerreiro cibernético dracônico de outra dimensão.