Jibe Gajima! 2

28 Capítulo 28| Monster - Parte Marina


Notas iniciais
Parte final
OBS:Ficou longo porque foi mais um desabafo do que um capítulo,desculpa gente...Bom agora vocês não podem dizer que não me conhecem LOLOLOLOLOL

"É estranho começar isso com “tudo começou quando eu nasci”?Deve ser meio engraçado não é mesmo?Bom,fazer graça de minha desgraça é o que tenho feito os últimos anos de minha vida.

Tudo começou quando eu nasci,realmente minha infelicidade nasceu junto comigo.Meu parto foi de risco.Prematuro e para piorar minha mãe tinha uns quarenta e poucos anos,ambas podiam ter morrido e mesmo assim estamos vivas e tecnicamente bem.Porém minha nesse parto tão arriscado ninguém foi,mesmo a família de meu pai sendo gigante o único que teve compaixão foi meu avô,que na verdade não teve compaixão,ele era o dono do carro que levou meu pai e minha mãe para o hospital,ficou lá para me ver nascer por pura cortesia.

Minha mãe e meu pai viveram uma história de amor muito bonita,foi a história deles que me fez acreditar na existência do amor.Minha mãe e meu pai se conheceram em uma viajem de férias.Eles eram de estados diferentes e por amor minha mãe deixou toda sua vida e se juntou a meu pai,pobre mulher,mal sabia ela que no futuro ambos se afogariam em dívidas e teriam dois filhos que nunca a dariam orgulho.

A família de meu pai nunca aprovou a relação deles,tratavam minha mãe como lixo,uma mulher forte que já passou fome na vida e que sofreu coisas inimagináveis para uma garota de classe média como eu.Até ai ela suportava,porém passou dos limites quando meu irmão nasceu,todos foram ver seu nascimento porém ele nasceu moreno como minha mãe.Eles tratavam meu irmão de forma inferior a todos os meus primos.

Até que eu nasci,ninguém foi,e eu era um lindo bebê branquinho de olhos claros.Era o que eles queriam,mas era filha da mulher errada.Me tratavam também de forma inferior,e por toda a vida fui submetida a comparações com minha prima mais velha,uma garota que não terminou nem o ensino médio direito e engravidou do primeiro que apareceu.Quando você escuta isso logo imagina alguém de uma comunidade não é mesmo?Pois está enganado,ela era uma linda dançarina de dança do ventre e se você é tão racista como o resto do mundo,não ela não era negra.Acho que descendentes de italianos não costumam ser.

Bom,para resumir tudo isso,fui tentar brincar com minha prima mais nova e sua mãe a tirou de perto de mim,e não foi uma vez,todas as vezes que tentava brincar com ela ou me aproximar sua mãe a distanciava de mim.me acostumei a ficar na cozinha,conversando com minhas tias bêbadas,as mesmas que tratavam minha mãe como lixo,mas o que mais poderia fazer?Elas acabaram me aceitando de certa forma e passei a conviver melhor com a família,engolindo todo o ódio e nojo que sentia deles por terem tratado mal a mulher para qual devo minha vida e tudo mais que tenho.

Com cinco anos eu já tinha apresentado quadros de depressão,mudado de colégios por ser destratada por professoras e fui parar em um colégio onde só consigo lembrar de três cenas totalmente desconexas;

A primeira sou eu,em casa com toda a família e parentada reunida,minha mãe percebera que eu não tinha amigos então resolveu dar um ‘chá de boneca’ na minha casa,eu estava feliz,arrumada e era uma criança bonita apesar do peso que sempre tive a mais.Meus pais gastaram dinheiro comprando comida e tudo mais,dinheiro esse que não estava sobrando.Resultado?Só uma garota foi,e ela não foi por gostar de mim,até hoje não lembro dela como uma amiga mais sim como uma pessoa que parecia ter pena de mim.

A segunda foi quando,voltando da casa de meu avô,passamos em um posto de gasolina e por algum motivo lá eles me deram um saco de pirulitos.Levei para a escola e dei para todos,foi o único dia que todos me trataram de uma forma ‘aceitável’,a partir daquele dia passei a querer levar pirulito todos os dias,mas não pareceu uma boa ideia para os meus pais.

A última é bem confusa.Eu tinha cinco anos então não entendo o porque de tudo aquilo.Mas eu chupei chupeta por um bom tempo e um dia esqueci de tirar de manhã então quando abri a porta da sala de aula todos me viram de chupeta e riram de mim,até mesmo a professora apontou para mim e riu.Depois disso eu não lembro de mais nada.

Os anos se passaram e mudei de escola mais algumas vezes,sempre sendo a gordinha estranha da sala.Não me lembro de ter amigas de verdade,apenas garotas interesseiras me tratando bem por algum motivo desconhecido,já que dinheiro era algo que não tinha.

Finalmente fui para uma escola onde descobrir como ser aceita:Sendo a gorda engraçada.Deus,como odeio esse termo.Ele me salvou da solidão mas me jogou em um lugar que gostaria de nunca ter ido.O fundo do poço.

Eu não fazia brincadeiras porque gostava,fazia porque precisava.Até quando estava triste ou com raiva eu fazia piada da minha tristeza e da minha raiva.E assim foram mais dois anos até que conheci o inferno.

Me mudaram de colégio novamente e mais uma vez eu era a gorda estranha que não falava com ninguém,e um ano passou se arrastando porém sem alterações,só os maus tratos comuns de toda a minha vida.Até que chegou o ano seguinte e conheci a Camilla.

Ela me mostrou o mundo fake,para uma garota desprezada por todos aquilo era o paraíso,até que conheci um garoto,que não consigo ter coragem de pronunciar o nome.Ele arruinou minha vida.

Me apaixonei por ele e ele por mim,nos falávamos todos os dias e isso me fazia feliz,anos se passaram mas eu tinha ele.Até que em um ano ele foi embora,o mesmo ano que eu mudei de turno no colégio.Minha amiga Anne também mudou,porém não teve coragem de mudar para minha sala,pois todos que sempre nos trataram mal estavam lá,eu compreendi,só me magoou saber que ela não fez por mim algo que eu faria por ela,mas eu fiquei bem,sempre fico bem.

Naquele ano todos me odiavam na sala,me tratavam mal de uma forma que eu não tinha sentido a anos,apenas 3 garotas não me odiavam.Me sentia aquela garota de cinco anos de novo.Eu parei de comer,pois a única coisa que eu fazia era dormir.Eu chegava em casa do colégio deitava e dormia até o dia seguinte,essa era minha vida.

No fim de semana usava o computador para falar com pessoas do fake,mas ele não estava mais ao meu lago,e isso estava me enlouquecendo.

Eu precisava encontra-lo outra vez naquele maravilhoso mundo da internet,e para minha tristeza eu consegui.Voltamos a nos falar e eu cometi o maior erro que poderia cometer na minha vida,erro esse que não consigo ter coragem de explicar de forma clara então vou dizer de uma forma que vocês entendam:Eu tenho seios grande e um sutiã rosa bebê.Entenderam?Bom,acho que sim.

Eu sou o ser mais estúpido do mundo e percebi isso quando um dia eu e ele começamos a namorar pela internet e ele vivia bebendo e brigando comigo,sendo um idiota comigo,pior que um namorado na vida real,pois mesmo longe eu conseguia vê-lo bebendo.

Eu resolvi acabar com aquilo e me distanciei.Porém ele começou a me perseguir,consegui fugir por um tempo e vivi um bom ano junto de Isabella,Anne e Hola,até que ele apareceu e a verdade foi revelada.

Ele nunca,nem por um dia sequer me amou,nunca se importou comigo ou quis meu bem,e na verdade não era ele,eram eles.Dois amigos me fazendo de idiota.Um deles parecia ter um bom coração,o outro por sua vez era o que mais me manipulava.Eles sabiam meus maiores medos,maiores segredos e tinham uma foto minha vergonhosa.Eles podiam me destruir a qualquer momento.

Naquela época meu cabelo voltou a cair,minhas crises voltaram(se eu não disse,antes de ir as aulas eu tinha crises onde eu passava mal,tremia,chorava,sentia enjoo,dores de cabeça e tudo mais possível),eu não conseguia dormir,tinha febre e acabava tomando remédios que me faziam dormir o tempo necessário.E eles surgiram com algum tipo de ameaça.Aquilo estava me destruindo de uma forma indescritível,suicídio era a única coisa que se passava na minha mente.

Eu não era capaz de decepcionar minha mãe outra vez.Já era ruim no colégio,não podia ter sido tão burra a ponto de confiar neles.Não podia ter cometido aquele erro.Eu nunca me perdoaria e ela nunca me perdoaria. Até que um dia eles me disseram que não tinham mais a foto,devo admitir que até hoje não acredito totalmente nisso,porém era tudo o que eu tinha,a palavra do rapaz de bom coração.

Eles surgiram com ameaças estranhas e de uma vez por todas eu cortei contato com eles.Apesar de hoje ainda perder o sono quando lembro disso me sinto livre e a cada dia que passa isso me assusta menos.Porém minha confiança nos seres humanos nunca mais foi a mesma e o amor para mim nunca existirá.

Ao fim daqueles dois anos percebi o que havia me tornado.Uma garota fria,manipuladora e com o belo ‘dom’ de entender as pessoas,eu conseguia fazer uma pessoa se tornar previsível com uma semana de convivência,talvez fosse por isso que me sentia tão entediada.Nesses dois anos foi essa garota manipuladora e fria que me manteve sã,foi por saber o que as pessoas faziam que eu evitava até fazer barulho ao respirar,pois se eu fizesse algum barulho estaria sujeita a algum comentário cruel.

Por esse motivo me apeguei a Isabella,Anne e Hola.Eles não eram previsíveis,sempre me surpreendiam.E foi uma grande surpresa quando eu e Anne passamos para o ensino médio e Isabella e Hola não.

Hola estava chorando e discutindo com seus pais,então Anne e eu tentávamos ligar para ele,mas meu coração estava com Isabella.Ela nunca sofria de forma visível,só quando se machucava.E eu sabia que ela estava fazendo aquilo de novo,sabia que ela estava ferindo seu corpo afim de aliviar sua alma de alguma forma.

Anne acalmou Hola e eu nada pude fazer,Isabella já estava machucada tanto por dentro quanto por fora.Ela esteve ao meu lado,e eu onde estava quando ela precisou?Comemorando minha formatura no fundamental,grande merda que eu sou não é mesmo?

Naquele dia eu prometi que estaria lá para a Isabella sempre,prometi a mim mesma que a faria feliz,não importando o motivo.Espero eu estar cumprindo essa promessa,se não estiver,porran eu não sirvo pra nada mesmo.

O primeiro ano do ensino médio ia bem,até que minha mãe resolveu que eu faria aulas de luta defensiva ou algo do tipo.Minhas crises voltaram.Descobrir que meus amigos do grupo antigo não gostavam do meu comportamento frio,realista e franco.Voltei a dormir o dia inteiro.E fui ‘traída’ por uma de minhas novas amigas.Perdi novamente a confiança e tudo mais que tinha reconquistado.

Eu percebi que não conseguiria mais viver daquele jeito,precisava daquelas pessoas,com eles eu havia voltado a ser a gorda engraçada,mas pelo menos eu me sentia útil,me sentia bem fazendo as pessoas que eu gostava felizes.Eu resolvi mudar e passei a ser uma pessoa mais agradável,aparentemente agradável demais.

Um dia,esperando a aula de reforço fui para o play de um amigo meu.Eu,ele e um outro amigo nosso.Esse outro ‘amigo’ vivia fazendo coisas como apertar meu peito e brincadeiras assim,mas já que eu ria de nervoso ele continuava fazendo.Uma hora perdi a paciência e entrei em uma casinha no play e ele foi atrás.

Por meia hora ele tentou várias coisas,de me beijar a abrir meu sutiã e coisas desse nível.E meu outro amigo?Aquele cara que eu confiava?O que ele fez?Ficou do outro lado rindo,e quando eu gritei pedindo para ele tirar o garoto de cima de mim ele apenas me jogou meu celular e disse “Liga pra sua amiga.”Até hoje penso que ele queria que ela fosse apenas para ele poder se divertir também.Eu nunca tive tanto nojo de alguém como tive dele.

O tempo passou e aquelas imagens ficaram na minha mente.Quando descobri que o garoto que tentou fazer coisas comigo estava namorando tive vontade de contar para a namorada dele,porém o que aquilo era?Apenas uma tentativa.Todos os dias eu repetia para mim mesma “Foi uma brincadeira.”,”Não foi nada demais.”,”Você está exagerando.”,”Ele não conseguiu fazer nada.” E coisas do tipo.Mas eu percebi que era sim algo relevante quando eu e minha ‘filha’ do ensino médio,uma benção que apareceu na minha vida depois de Anne e Isabella,quando desabafando sobre ser chamada de sapatão mais uma vez pela minha mãe,que dizia “o que você quer para seu futuro?Porque o que sapatão faz?Fica chupando buceta o dia inteiro.”,foi quando ela disse isso que percebi que meu comportamento era mais masculino para me proteger,sendo masculina eu não seria uma opção,não seria vista como uma mulher,como uma garota,mas sim como um dos manos...Foi para me proteger que me fechei aos mesmo ambientes,e foi também para me proteger e para me consolar que deixei meu corpo chegar aos 100 kg aos 16 anos.E chorando com minha filha,que também chorava enquanto dizia que eu era uma ‘menina linda’ eu decidi que contaria para a coordenadora o que me aconteceu,com a esperança dela falar com minha mãe.

E hoje escrevendo isso,torço para que ao fim do final de semana minha mãe vá para o meu colégio e finalmente veja que todas as vezes que choro por coisas bobas não é porque sou fresca ou por drama,mas sim porque meu coração guarda imagens e cenas que tentam a cada vez que respiro me transformar em um monstro.

A única coisa que me impediu de acabar com minha vida tirando meus valiosos amigos foi a música.Foi a BIGBANG,estando do meu lado em todos os momentos.

Foram as músicas de Jiyong que me fizeram continuar respirando,por mais difícil que fosse.Foram as letras de Jiyong que me fizeram ver que mais alguém no mundo sofria tanto quanto eu.Foram as dificuldade que ele passou que me fizeram sentir uma garota forte o suficiente para continuar.Foi o olhar triste dele junto de um sorriso que tentava transparecer uma felicidade inexistente que me ensinou a fingir que estava feliz.

E pelo Jiyong que continuo escrevendo,pois eu posso não ser a melhor nisso,posso nunca ser uma escritora famosa,mas eu não vou desistir enquanto minhas palavras sinceras não alcançarem seu coração de alguma forma.Preciso mostrar para Jiyong que ele não está sozinho quando se trata de infelicidade.

Preciso mostrar para Jiyong que ele não está sozinho.”

Jiyong não chorava mais,estava paralisado,só ouvindo Isabella contar a história da vida de seu amor.

-Sabe quantos anos ela tinha quando escreveu isso?16 anos.-Isabella chorava pelo sofrimento de sua amiga,como se as dores fossem suas.-Entendeu porque ela aceitou o contrato do Big Boss?Entendeu porque nem mesmo seus xingamentos funcionaram contra ela?Ela SEMPRE TE AMOU!E o amor dela de fã sempre foi diferente.Ela não te via como um futuro marido,ela te via como a única razão de estar viva.A ÚNICA COISA QUE ELA QUERIA ERA TE FAZER FELIZ,NEM QUE FOSSE APENAS UMA VEZ.NÃO VAI FALAR NADA?FALE ALGUMA COISA!

-Por que ela me escondeu tudo o que aconteceu com ela?Por que todos vocês esconderam?

-Pena é um sentimento que nenhum de nós aprecia...Não tanto quanto você.-Isabella respirou e um olhar sério tomou o lugar de suas lágrimas.-Nós fomos destruídos de dentro para fora e passamos anos nos reconstruindo,finalmente achamos nosso lugar e é com vocês.Você nunca vai entender pois nunca conseguiu se reconstruir...Você não sabe o que é se sentir um monstro.-Isabella abaixou a cabeça e voltou a chorar.-EU ESTOU CANSADA DISSO JIYONG,NÃO SOMOS MONSTROS,NUNCA FOMOS!-Isabella olhou para o rapaz com os olhos vermelhos.- SE UM DIA NOS PORTAMOS COMO MONSTROS É PORQUE A SOCIEDADE NOS OBRIGOU.É PORQUE GRAÇAS AS PESSOAS QUE DEVERIAM NOS ACOLHER E NOS AMAR NOS TRATARAM COMO LIXO!MAS NÓS NÃO SOMOS MONSTROS!TEMOS SENTIMENTOS E ESTAMOS CANSADOS DE FINGIR O CONTRÁRIO!ENTÃO PARE DE SE FAZER DE COITADO E VIVA A SUA VIDA,VÁ ATRÁS DA MARINA E SEJA FELIZ COM ELA POIS MAIS NINGUÉM NO MUNDO TE AMA TANTO QUANTO ELA TE AMA.

-Eu não consigo Isabella...Não consigo acreditar.

-Então pense Jiyong,você vai encontrar a resposta,você é mais inteligente que eu,tenho certeza que vai conseguir perceber o que até eu percebi.

Isabella juntou os vários diários e deixou sob o criado mudo de Jiyong uma foto do grupo,na época que Isabella tinha o cabelo oleoso e odiava sua altura,Hola tinha cara de marginal asiático,Anne tinha a pele cheia de espinhas e tremia de forma incontrolável e Marina,sua amada,era gorda,tinha uma aparência largada e mesmo assim todos tinham o mesmo brilho especial no olhar.