Jiban End
24 Uma descoberta chocante

Jiban conduzia Lezon apressadamente pelas ruas da movimentada Tóquio, que nem durante a madrugada, se tornava uma cidade completamente tranquila.
Com a sirene ligada, ele acelerava e ultrapassava os demais veículos, até que finalmente se aproximou do imponente prédio do Departamento de Polícia Metropolitana de Tóquio. Ele pretendia entrar no lugar como Naoto, então decidiu estacionar a algumas quadras de lá para poder se destransformar e seguir caminhando para o seu local de trabalho juntamente de Yanagida.
Já dentro do edifício, o policial se esforçava para não deixar transparecer a dor que ainda sentia, afinal seus colegas de trabalho não faziam ideia da gravidade de seu ferimento. Todos estavam preocupados com seu estado de saúde, pois sabiam que ele havia sofrido um “pequeno acidente”, (história inventada por Yoko e Seichi para justificar seu afastamento repentino), mas não imaginavam que ele tinha tido seu corpo atravessado por uma espada.
Naoto fez questão de retribuir com sorrisos, acenos e apertos de mãos, a todos os cumprimentos que recebia dos colegas que o encontravam pelo caminho e depois de cruzar o saguão, na companhia de Yanagida, eles tomaram o elevador. Poucos minutos depois já estavam junto de Seichi.
- Até que enfim você chegou! – animou-se Seichi com a presença do subordinado. Ficou tão feliz ao vê-lo, que até esqueceu que o colega ainda não estava completamente recuperado e lhe deu um forte abraço, que quase o derrubou. – Opa, foi mal. Acho que me empolguei um pouquinho.
- Tudo bem, Chefe. Eu também estou feliz por estar de volta. Mas cadê o resto do pessoal? – estranhou Naoto, ao ver a sala completamente vazia. Mesmo sendo de madrugada, deveria ter mais algumas pessoas de plantão por lá.
- Eles estão por aí. Eu mandei eles ajudarem em outros setores por um tempo para podermos conversar sem bisbilhoteiros. Nós temos alguns segredinhos que não queremos que ninguém mais saiba, não é “senhor enganador de colegas”?
- Tá bom, Seichi. Já entendi e já pedi desculpas por isso. Agora vamos ao que interessa: o que sabemos do paradeiro da Yoko e da Ayumi?
- Não muito. O Hayakawa acordou por alguns instantes enquanto eu estava lá e sussurrou algumas palavras. Pelo que eu entendi, o esconderijo de Biolon pode ficar em alguma caverna nas redondezas.
- Faz sentido. Tem várias cavernas nas montanhas, não muito longe daqui, que dariam um ótimo esconderijo. Temos que começar a investigar imediatamente. – animou-se Naoto.
Dito isso, ele pegou seu comunicador de dentro do bolso do paletó e chamou por Halley.
- Pois não, Naoto?
- Halley, eu preciso que você, o Spyras e o Bican façam uma varredura das cavernas que existem próximas daqui. Analisem e investiguem quais delas teriam uma estrutura capaz de abrigar o esconderijo de Biolon. Existe uma grande possibilidade de que o covil deles fique em uma delas.
- Pode deixar, Naoto. Já vamos começar. E aproveitando, eu queria falar sobre o que eu descobri a respeito do anel da Ayumi.
- Que anel da Ayumi? – perguntou Naoto, confuso. Yanagida ainda não tinha tido a oportunidade de conversar com ele sobre o assunto.
- Ah, sim, Naoto. Com tudo o que aconteceu, acabei não te contando sobre isso. – desculpou-se Yanagida. – Depois que tivemos aquela conversa sobre como a Ayumi parecia diferente, eu pedi ao Halley para que investigasse as imagens dos últimos encontros que vocês tiveram e ele acabou encontrando algo interessante. Halley, mostra para ele.
- Sim, senhor.
Quase que imediatamente após a confirmação do robozinho, uma imagem de Ayumi exibindo um anel de pedra vermelha surgiu na pequena tela do comunicador.
- Depois do reaparecimento da Ayumi, em todas as imagens que consegui reunir, ela está usando esse anel. – explicou Halley.
Naoto foi passando as várias imagens de encontros diferentes que eles haviam tido nos últimos dois meses e viu que o robozinho tinha razão. Em todos eles, a menina exibia a tal joia enigmática.
- Se você continuar olhando as imagens, Naoto, vai ver que nas fotos antigas que temos da Ayumi, de antes de seu sequestro, ela nunca havia usado esse anel antes. – continuou Halley. – E após algumas análises, não tenho mais dúvidas de que este não é um simples anel. Ele é um artefato criado por Biolon e colocado em seu dedo, muito provavelmente contra a sua vontade. Ele parece conter algum tipo de explosivo…
- Explosivo?! – exclamaram os três em uníssono ao ouvir a revelação.
- Sim. Exatamente. Mas mesmo diante de todas as análises que realizei, apenas pelas imagens, não fui capaz de descobrir qual seria o sistema de detonação. Provavelmente a detonação não depende nem da vontade de Ayumi, nem de Biolon, ou então acho que já teriam detonado ele.
- Sim. Biolon certamente tem algum propósito mais elaborado para esse anel, mas de qualquer forma, não podemos deixar que a Ayumi continue andando com isso no dedo. É muito perig…
Repentinamente, Naoto parou a frase pela metade, deixando a todos curiosos. Seichi e Yanagida olharam para ele, e se surpreenderam com suas feições. Seus olhos estavam arregalados e repletos de incredulidade. Ele estava perplexo. Ele ainda olhava as fotos mais antigas de Ayumi no comunicador, enquanto falava com os colegas, quando algo que ele viu nelas o deixou naquele estado.
- O que foi, Naoto? – perguntou Yanagida, sem entender o motivo daquela mudança repentina. – Está tudo bem?
Ele não respondeu à pergunta do cientista, mas fez uma outra pergunta a Halley.
- Halley… Essa foto… Esse bebê com os Igarashi… é a Ayumi?
- Sim. A foto é de pouco tempo depois de ela ter sido adotada pela família Igarashi.
- A-adotada? – perguntou o rapaz, gaguejando. Sua voz quase não saiu. Suas mãos começaram a tremer e suas pernas fraquejaram. Ele precisou se sentar. Seichi e Yanagida ficaram ainda mais preocupados com sua reação. Os olhos de Naoto se encheram de lágrimas.
- O que foi, Naoto? – perguntou Seichi. – Pelo amor de Deus, fala alguma coisa, homem! Está passando mal?
Naoto não conseguiu responder. Com as mãos ainda trêmulas, ele pegou a carteira de dentro do bolso da calça. De dentro dela, tirou uma foto e a entregou a Seichi, junto com o comunicador.
Yanagida se aproximou também para ver de que se tratava. Ele entendeu imediatamente o motivo do choque de Naoto, mas Seichi, não. O policial ficou apenas confuso e intrigado. Cada foto exibia uma família diferente, porém, havia algo em comum entre elas: um bebê, uma menininha. As duas eram exatamente iguais.
- Essa é a sua família, Naoto? – perguntou Seichi enquanto olhava para a foto retirada da carteira.
- Sim.
- E quem é essa bebezinha? É sua irmã? Não sabia que você também tinha uma irmã… Você nunca falou sobre ela...
Naoto balançou a cabeça afirmativamente. Ele realmente nunca havia falado sobre a família com Seichi, apenas, vagamente, com Yoko.
- Eu tinha. – revelou com pesar. – Mas ela e os meus pais desapareceram há 10 anos sem deixar vestígios e até hoje eu me pergunto o que aconteceu com eles. Descobrir o que houve naquele dia foi um dos motivos que me levaram a entrar para a polícia.
Não poderia ser uma simples coincidência, porque as duas meninas não eram apenas parecidas, elas eram idênticas. Não havia dúvidas de que se tratava da mesma criança nas duas fotos, tiradas, provavelmente, com apenas alguns meses de diferença.
- Sr. Yanagida… – continuou Naoto, com dificuldade para conseguir articular as palavras como gostaria. – Será que existe a possibilidade de que... a Ayumi seja mesmo a “minha” Ayumi?
- Bom… Pensando bem... Eu acho que… sim. – respondeu o homem, igualmente chocado.
- Mas… como?
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