Jiban End
25 A conexão passada das famílias Tamura e Igarashi

- A Ayumi nunca soube que era adotada, porque seus pais achavam que ainda não era o momento certo para contar, mas pretendiam fazer isso quando ela fosse mais velha. – começou Yanagida. – Há cerca de dez anos, quando o Dr. Igarashi e eu começamos a trabalhar para o Serviço Secreto do Setor de Segurança, fomos enviados para uma cidade no interior, pois havia denúncias de inúmeros moradores desaparecendo sem deixar vestígios.
“Isso já havia acontecido antes em outros lugares e sabíamos que poderia ser obra de uma organização criminosa muito perigosa que começava a agir sorrateiramente. Como as outras pessoas das outras cidades nunca foram encontradas, corremos contra o tempo, não somente para ver se teríamos mais sorte com aquelas, mas também, havia uma chance de conseguirmos ficar cara a cara com os inimigos, e finalmente conhecermos contra quem estávamos lutando, para dessa forma, criarmos armas mais eficientes para combatê-los.”
“A polícia havia recebido uma denúncia de que elas poderiam estar sendo mantidas prisioneiras em um galpão e nós os acompanhamos até lá, só que quando chegamos, não havia ninguém, mas nem tudo foi em vão. Dentro do galpão, escutamos um choro de criança e encontramos uma garotinha escondida. Ela certamente havia sido protegida pelos pais. Nunca soubemos o que de fato aconteceu com eles, mas sempre imaginamos que deveriam se tratar de pessoas muito corajosas, que provavelmente haviam se sacrificado para proteger a filha.”
“A única identificação da garotinha, era o nome Ayumi, escrito em sua roupa, e com pena dela, o Dr. Igarashi a levou para casa. Ele esperou para ver se a família viria à sua procura, mas as semanas se passaram e ninguém apareceu, então seu filho e sua nora, que já estavam casados há alguns anos, mas não tinham sido abençoados com filhos, decidiram adotar a menina. Em honra aos seus pais biológicos, o casal manteve o nome escolhido por eles, e assim nasceu Ayumi Igarashi e o doutor ganhou uma neta. Durante todos esses anos ela foi criada e amada por eles incondicionalmente, sem sabermos de fato de onde ela vinha.”
Naoto ouviu todo o relato de Yanagida em silêncio, mas suas lágrimas desciam sem que ele pudesse controlá-las. Tudo se encaixava. Agora tudo fazia sentido. A história do desaparecimento misterioso de toda a família Tamura durante uma inocente viagem ao interior, finalmente parecia ter tido uma explicação. Yanagida sabia que Naoto procurava pela família, mas o rapaz jamais lhe contou os detalhes da história, por isso ele nunca havia cogitado a hipótese de que pudesse haver alguma ligação entre os fatos.
Naoto tinha passado praticamente metade de sua vida tentando encontrar os pais, mas sabia, em seu íntimo, que se eles não haviam voltado para a casa, era porque algo muito sério os tinha impedido e já há algum tempo, havia se conformado de que a possibilidade de que eles e a irmã ainda estivessem vivos era praticamente nula, embora ele ainda desejasse uma resposta.
Naquele momento, ele descobriu que Biolon era responsável por todo o seu sofrimento, mesmo antes que ele tomasse ciência de sua existência. Entretanto, parecia que o próprio destino havia se encarregado de lhe dar a chance de se vingar, colocando o Dr. Igarashi em seu caminho.
Aquele homem, aquele bondoso cientista, que havia operado um verdadeiro milagre o trazendo de volta a vida ainda mais poderoso, também havia, vários anos antes, salvado a vida de sua única irmã e lhe proporcionado uma infância feliz com uma família que a amava de verdade.
Ele havia sofrido por dez longos anos na incerteza, mas saber que a irmã estava viva e que não tinha passado por necessidades longe dele, de certa forma acalentou seu coração e lhe deu um novo ânimo. Ali, ele decidiu esquecer toda a dor que seu corpo ainda sentia e foi tomado por uma nova onda de determinação. Ele exterminaria Biolon da face de Terra de uma vez por todas e traria Ayumi de volta, mas agora, como sua irmã. A hora de retribuir a bondade do Dr. Kenzo Igarashi havia chegado.
- Maldito, Biolon! Eu juro que mais nenhuma família vai chorar por causa de vocês! Hoje vai ser o seu fim!
Seichi se surpreendeu ao ouvir aquelas palavras tão duras saindo da boca do certinho Sr. Tamura, mas também se animou.
- É isso aí, Naoto. Vamos acabar com a raça daqueles desgraçados de uma vez por todas!
Enquanto os dois acendiam o fogo da justiça em seus corações, o comunicador de Naoto tocou novamente. Era Halley.
- Naoto, acho que descobrimos onde fica o esconderijo de Biolon!
Naoto não respondeu à declaração de Halley, mas no mesmo instante, seu corpo se iluminou, ofuscando as vistas de Seichi e Yanagida e segundos depois, o Policial de Aço Jiban surgiu na frente deles.
Os olhos de Seichi brilharam de animação com a cena. Apesar de nunca ter tratado Naoto com a consideração que ele merecia antes de saber da verdade, ele era o fã número um de Jiban. Descobrir que os dois eram a mesma pessoa tinha sido um choque tremendo, mas só de ver seu herói ali na sua frente, ele esquecia de tudo e sorria como uma criança.
- Mande as coordenadas para o Lezon, Halley!
- É para já!
- Eu estou indo para lá. Vocês fiquem aqui. É muito perigoso.
- Nananinanão! – negou-se veementemente Seichi. – Você está completamente maluco se acha que eu vou te deixar ir até lá sozinho. Eu falei que vou te ajudar a acabar com eles, e vou mesmo!
Naoto sorriu, por baixo da máscara de ferro.
- Então está certo, Chefe. Vamos salvar a Yoko e a Ayumi e acabar com eles de uma vez por todas!
Seichi quase chorou de emoção ao ouvir Jiban chamá-lo de “chefe”. Naoto lhe chamava assim o tempo todo, mas Jiban fazer o mesmo, era algo totalmente diferente. O policial fanfarrão se sentiu muito honrado e importante.
- Vamos lá! Mas primeiro, vamos passar no arsenal da polícia, porque eu não sou doido de invadir o esconderijo de um bando de criminosos só com uma pistolinha vagabunda, mesmo com você do meu lado.
- Então, boa sorte para vocês. – desejou Yanagida. – Eu vou voltar à base, para ajudar o Halley a conseguir mais informações.
- Está certo, Sr. Yanagida. Não temos tempo a perder! – concordou Jiban. – Vamos, Seichi!
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