Jessica Thompson - Anos dos Marotos
6 Capítulo 6
Capítulo 6
Algumas semanas se passaram, Jessica estava ficando ainda mais atarefada com a quantidade de deveres que os professores estavam descarregando nos alunos. E tinha também os NIEMs, cada tempo livre que possuía era gasto preparando-se para o teste. A quantidade de coisas era tamanha que o admirador não era mais uma prioridade em seu dia, ela ainda recebia bilhetes de vez em quando e isso a fazia se perguntar quem estava enviando-os, mas ela parou de se preocupar muito com isso.
Os treinos de Quadribol estavam sendo intensos e frequentes. Tiago estava determinado e focado em vencer o campeonato e tinham boas chances de conseguir. Os novos integrantes do time eram habilidosos e a dinâmica do grupo estava em sincronia.
A primeira visita à Hogsmeade estava marcada para o fim de outubro. Na noite anterior, Jessica estava realmente animada, uma pausa nos estudos era exatamente o que estava precisando. Quando acordou na manhã seguinte, ela não se sentia muito bem, a cabeça parecia que ia explodir e cada polegada de seu corpo estava dolorido. Suspeitava que estava com uma gripe forte.
Depois do almoço, ela desceu para a Ala Hospitalar, pensando que Madame Pomfrey arrumaria a situação com um simples tônico, mas estava enganada. Pomfrey a segurou na enfermaria dizendo que Jessica precisava de descanso.
Antes de ir para Hogsmeade, Lily fez questão de trazer alguns livros para Jessica ter o que fazer durante o dia. Foram horas muito longas, e mais uma vez Jessica leu, e leu, e, em seguida só para garantir, leu mais um pouquinho. Ela não podia deixar de pensar que era realmente deprimente e bem diferente do que tinha planejado.
O que gostaria mesmo de fazer era levantar e andar até o vilarejo, não se importando com os protestos da Madame Pomfrey. Mesmo tendo o desejo, permaneceu na cama, incapaz de desobedecer as ordens. No fim do dia, Lily apareceu acompanhada do Tiago e a gangue. A princípio Jessica ficou apreensiva, achando que encrenca estava por vir, mas Lily estava relaxada e feliz, então ela se tranquilizou.
― Você está se sentindo melhor? ― perguntou Lily. ― Trouxemos alguns doces do Dedosdemel para você. ― Lily entregou um saco cheio de doces sortidos.
― Obrigada, isso realmente me faz sentir um pouco melhor ― disse ela mordendo um pedaço de uma barra de chocolate.
― Pensamos que você poderia gostar disso também ― disse Sirius, entregando-lhe um jarro de cerveja amanteigada.
― Ah, vai ajudar muito a minha dor de garganta ― Jessica agradeceu, bebendo um grande gole.
O grupo permaneceu com ela, a distraindo e contado como tinha sido o passeio. Era estranho ver Lily animada contando cada detalhe, como se fosse a coisa mais normal do mundo passar um dia com eles. Mesmo achando esquisito ela escutou, até riu um pouco com eles. Durante a visita, Severo abriu a porta e rapidamente se retirou sem ser notado.
Quando Pomfrey liberou Jessica, com a condição de que ela fosse direto para a cama, eles caminharam juntos até o Salão Comunal, disseram boa noite e cada um foi para seu dormitório. Jessica não via a hora de estar sozinha com a Lily, pois precisava saber o que tinha acontecido.
― Fiquei surpresa em vê-la chegando com Tiago e companhia. O que aconteceu em Hogsmeade? ― Jessica perguntou enquanto se arrumavam para ir dormir.
― Eu estava sozinha, seria esquisito falar com as meninas da nossa idade porque não tenho costume de ficar com elas, saberiam que só estava com elas pois você não estava comigo. Tiago me viu e convidou para passar o dia com eles. Foi muito legal, eles são divertidos e o Tiago não tentou dar em cima de mim, o que foi um alívio. Estou começando a pensar que estávamos enganadas sobre eles ― disse ela com cautela.
― Não, nós estávamos certas sobre eles ― disse Jessica na mesma hora. ― Mas notei que eles mudaram um pouco, eles estão diferentes. Quero dizer, você notou que eles não têm aterrorizado Severo desde que chegamos em Hogwarts?
― Sim, notei, e eles não estão tentando nos incomodar como antes. E Tiago... ― Lily parou de falar, e essa pausa fez o corpo de Jessica congelar. ― Bem, ele não é tão ruim quanto eu pensava. Ele é muito bondoso e sincero.
― Você comeu ou bebeu alguma coisa diferente hoje? ― Jessica ficou alarmada.
― Não estou sob a influência de nenhuma poção do amor ― Lily rolou os olhos. ― Ele parou de tentar isso anos atrás, só está mais maduro, é isso.
― E esse fato simplesmente anula anos de mau comportamento? ― Jessica insistiu. ― Só para ser clara, estamos falando do Tiago Potter? Até ontem odiávamos o garoto.
― Ai Jess, é complicado, não sei como explicar ― Lily se rendeu. ― Estou um pouco cansada agora, será que podemos continuar essa conversa outra hora?
― Tudo bem, boa noite ― disse Jessica, um pouco contrariada.
Como ela conseguiria dormir com esse assunto pairando no ar? Inacabado? Tiago sempre foi gamado na Lily e agora ela estava começando a gostar dele. Quanto tempo levaria para eles começarem a namorar?
Agora mais do que nunca, ela queria saber quem era seu admirador. O pensamento que ela seria a única garota que nunca namorou ninguém em Hogwarts era muito cruel. Não conseguiu ficar muito tempo deitada. Jessica deixou sua cama e desceu para o Sala Comunal, gostava de olhar para a lareira quando estava com insônia, não acontecia com frequência, mas quando não conseguia dormir o fogo sempre a fazia ficar sonolenta.
A sala estava totalmente vazia, ela pegou um cobertor e deitou no sofá que ficava mais perto da lareira, relaxando na mesma hora. Um tempo passou, e então ouviu passos descendo as escadas, decidiu continuar imóvel, com esperança que quem estivesse vindo não percebesse que ela estava lá, mas as pegadas chegaram cada vez mais perto e pararam logo atrás do sofá que ela estava deitada.
― Não consegue dormir? ― a voz de Sirius alcançou os ouvidos dela.
― Não, e a lareira sempre me dá sono ― disse Jessica, sentando dando espaço para Sirius se sentar.
― Então podemos fazer companhia um ao outro até o sono chegar ― Sirius sentou no sofá. ― Tem alguém muito animadinho no meu quarto, impossível ficar lá sem se irritar.
― Imagino ― Jessica pensou no estado eufórico em que o Tiago estaria no momento, ela soltou metade do cobertor, liberando-o para o Sirius.
― Obrigado ― ele disse, mas Jessica não olhou para ele, estava concentrada, assistindo o fogo queimar. ― Você já se recuperou da gripe?
― Estava melhor uma hora depois de tomar o tônico ― contou Jessica. ― Foi muito injusto me segurar lá o dia todo.
― Foi uma pena que só descobrimos que você tinha ficado para trás quando já estávamos lá. Teríamos encontrado uma maneira de te tirar do castelo ― Sirius disse mudando de posição no sofá, ficando mais confortável. Sua nova posição o deixou mais próximo de Jessica, ele tinha tomado banho e o cheiro de pele limpa mexeu com Jessica de uma maneira indesejada.
― Tudo bem, eu precisava mesmo descansar ― Jessica falou para se distrair, ele parecia não notar que ela estava desconfortável. ― Só esperava outro tipo de descanso.
― Posso te levar na vila a hora que você quiser ― ele ofereceu.
Jessica teve vontade de voltar para o quarto, mas manteve-se firme. Ficou com raiva do comentário dele. Sabia que eles sempre escapavam da escola, mas o que o fez pensar que ela faria o mesmo? E como podia sentir tanta raiva e mesmo assim sentir atração pela fragrância da pele dele? Era ridículo.
Ninguém falou depois disso, e por sorte Jessica começou a ficar sonolenta e depois de pouco tempo, conseguiu adormecer.
―Jessica ... Jessica ... ― ela ouviu alguém chamá-la à distância. Ela abriu os olhos e viu a luz do dia, já havia amanhecido e as cinzas na lareira denunciaram que ela não tinha voltado para a cama na noite anterior. E isso não era a única coisa estranha, percebeu que estava deitada no ombro de Sirius, e braço dele estava ao redor dela. Com um grande susto, ela saltou para cima.
― O que aconteceu? ― ela perguntou em choque.
― Não é óbvio? Adormecemos ― disse Sirius tranquilo, fazendo Jessica ficar furiosa, como achava a situação normal?
― Será que alguém nos viu? ― ela perguntou.
― Não sei, acho que não. Estão todos dormindo ainda ―disse ele olhando para o cômodo vazio.
― Que bom, posso voltar para cama e ninguém vai notar que saí ― disse Jessica caminhando para o dormitório. ―Ah, por favor, não conte a ninguém sobre isso.
― É claro ― ele concordou e voltou a deitar no sofá.
Jessica pulou na cama e não conseguiu voltar a dormir, ficou esperando Lily acordar para lhe contar o que tinha acontecido na noite anterior, mas Lily dormiu até muito tarde. As garotas levantaram e saíram para o café da manhã e Jessica continuou esperando. Lily acordou depois de uma eternidade e sentou-se na cama.
― Bom dia, Lily ― Jessica saudou com entusiasmo.
― Bom dia... ― a garota mal tinha aberto os olhos.
― Lily, eu preciso...
― Que horas são? ― Lily interrompeu.
― Dez e meia.
― Dez e meia? Ah não, eu prometi que iria encontrar com o Tiago às dez ― Ela pulou da cama e começou a se trocar
― Para quê? ― Jessica perguntou desconfiada.
― Ele precisa de ajuda com a matéria nova ― disse ela vestindo a primeira blusa que viu pela frente.
― É domingo! ― Jessica exclamou incrédula.
― Sim, eu sei. Realmente tenho que ir agora ― ela disse e saiu.
Jessica ficou congelada no mesmo lugar, parte dela estava chocada e a outra com raiva. Não conseguia entender como as coisas mudaram com tanta rapidez. Respirando fundo, decidiu que não deixaria isso abalar seu dia. Pulou o desjejum, pegou um romance e foi para os jardins. Estava um pouco frio do lado de fora, mas o dia estava bonito, com céu ensolarado azul anil. Escolheu uma árvore e se ajeitou debaixo dela.
Perto do lago, notou uma garota do primeiro ano praticando alguns encantamentos. Sorriu ao ver a cena, lembrava bem como foi chegar numa escola de magia sem ter contato nenhum com mágica. Estava automaticamente atrasada em relação aos outros alunos, anos atrás seria ela na beira do lago praticando magia. Ela abriu o livro e começou a lê-lo.
Um tempo depois, ela escutou um riso e voltou a atenção para a menina e percebeu que ela não estava mais sozinha. Sirius havia se juntado a ela e estava ajudando, eles estavam se revezando com os feitiços. Sirius lhe dava dicas de como mover a varinha e dizer o encantamento corretamente. Jessica sabia que precisava desviar o olhar, mas não conseguiu. Ficou um bom tempo observando a cena, achando toda a situação muito meiga. Ficou um pouco assustada quando percebeu que tinha ficado olhando por mais tempo que precisava ou queria.
Não viu Lily em lugar nenhum a manhã toda, depois do almoço resolveu passar um tempo com Severo, ele parecia infeliz, mas ela não conseguiu descobrir o motivo. No meio da tarde, ele saiu para fazer a lição de casa com Pedro e isso só fez o mau humor aumentar. A única coisa que restou foi procurar Remo, tinha esperança que ele ajudaria ela a se distrair dos pensamentos que insistiam em vagar por territórios proibidos. Em sua busca, voltou para o Salão Comunal e encontrou Sirius.
― Você viu o Remo? ― ela perguntou a ele.
― Ele não está aqui, está doente, então o diretor decidiu enviá-lo para casa por alguns dias ― ele respondeu.
― Obrigada ― ela não queria falar com Sirius, então começou a se retirar.
― Jessica, eu quero que você saiba que eu não contaria a ninguém sobre a noite passada, mesmo se você não tivesse pedido ― ele acrescentou.
― Obrigada novamente.
Como uma grande covarde, Jessica passou o resto da tarde em sua cama. Nunca ouviu falar de alguém ir para casa porque estava doente, tudo era muito confuso. Não queria pensar em Sirius, mas por mais que tentasse se distrair o resultado era o mesmo: Sirius. Consultou seus sentimentos com mais profundidade e percebeu que ainda o odiava, não aceitava que seu corpo não atendia ao pedido de se afastar. Tinha sentido atração na noite anterior e isso parecia improvável e impossível, mas estava acontecendo.
Lembrou do seu admirador e ficou angustiada da possibilidade de magoar alguém. E se fosse o Remo? Estragaria a amizade deles? Não gostava nem de pensar no assunto. A decisão que tomou foi cortar o mal pela a raiz e parar de vez com essa intoxicação ridícula.
O dia, que era para ser tranquilo, tinha a esgotado emocionalmente. O fato de Lily não estar presente para ajudar tornou-o ainda pior.
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