Jenna
1 Carta 1
Querida Jenna, ultimamente tenho pensado muito sobre quando ainda éramos amigas, no nosso primeiro ano do colegial. Eu sei que as coisas mudaram, nós mudamos, agora você tem um namorado que segura sua mão mesmo quando o dia está quente de mais. Me pergunto como deve ser a sensação.
É estranho que eu pense tanto nas suas mãos?
Eu me lembro daquela noite no meu quarto, uma das últimas que realmente nos falamos, eu apertei tão forte sua mão naquela noite e você apertou de volta. Você sempre achou meu quarto pequeno de mais e isso era meio rude de se dizer, mas naquela noite, enquanto Grease passava na tevê e você, deitada na minha cama como se fosse sua, usando shorts de pijama pequenos de mais para uma adolescente, eu me senti sufocada pelas minhas quatro paredes. Lembro que foi você quem deslizou a mão pelo meu pescoço, o que é estranho de se pensar sendo que também foi você quem parou de falar comigo e o que é mais estranho ainda por você ter arrumado um namorado 4 dias depois.
Acho que foi a última coisa que você disse para mim. Lia, eu tenho um namorado. E você desceu as escadas correndo para os testes de líder de torcida. Eu não entendi muito bem o que aquilo significava, você já tinha namorado outros caras antes. Mas eu entendi quando você parou de responder qualquer mensagem que eu mandava e entendi ainda mais quando sua foto sumiu dos meus contatos. Eu apertei o celular tão forte no peito e essa foi a segunda vez que senti as paredes do meu quarto se fechando contra mim, deitada na mesma cama que era minha mas ainda tinha seu cheiro.
E eu só estou escrevendo isso agora porque voltei a pensar naquela noite, depois de quase um ano.
Eu tive um sonho estranho semana passada, parecia mais uma memória. Uma memória do que fizemos. Do que você queria que fizéssemos.
Sua mão deslizou pelo meu pescoço e seus dedos entraram no meu cabelo e suas unhas rasparam minha nuca e minhas pernas ficaram dormentes e eu agradeci por isso porque você sabe que eu odeio Grease.
Uma coisa que eu sei que fiz foi te beijar. E eu sinto muito se você decidiu não ter gostado disso no dia seguinte, mas você estava em cima de mim, então eu continuei. E juro que teria feito só isso mas você deslizou o nariz pelo meu pescoço e disse com a voz tão quente o quanto queria sentir meu gosto. Talvez eu não devesse ter inclinado minha cabeça para trás, nem ter aberto minhas pernas tão vulgarmente, mas a escolha foi sua de passar suas mãos pelo meu corpo, tirar minha roupa, mesmo que com minha ajuda, de beijar minha pele enquanto eu olhava para o teto e lacrimejava em satisfação por seus dedos entrarem tão fundo na minha carne e sua língua parecer mais quente que minha pele e depois tão suave dentro de mim. E eu apertei tão forte sua mão e você apertou de volta. E eu gemi seu nome e você pareceu gostar, e eu tremi na sua boca e você chupou e lambeu e agora a única coisa que consigo pensar quando não consigo dormir é em como você ficou linda debaixo da luz roxa do meu quarto, com o rosto molhado e o cabelo bagunçado. E você me beijou. E eu senti meu próprio gosto invés de sentir o seu.
Então eu deito na minha cama, que deveria ser nossa, e deslizo minha mão por dentro do short que você nunca deveria ter esquecido aqui e imito os mesmo movimentos que você, mas nada se compara a ter suas mãos em mim, nem em sentir sua língua, mas eu gozo mesmo assim.
Eu sei que não é a mesma coisa para você, nem teria como ser, você tem um namorado agora e espero que ele esteja feliz com suas mãos e sua língua e você esteja feliz com qualquer parte masculina dele. Mas ainda mais eu espero que ele nunca tenha sentido nem suas mãos, nem sua língua e que você não tenha visto nenhuma parte masculina dele. E que enquanto você está na sua cama, no seu quarto que não deve te sufocar, você também deslize sua mão por algum outro short tão minúsculo quanto e faça os movimentos que eu gostaria de fazer dentro de você e pense no meu gosto e nos meus gemidos e saiba que talvez não seja tão bom quanto eu faria, mas que você goze mesmo assim.
E eu escrevo isso não para lembrar de algo que eu sei o quanto você tenta esquecer, mas para ter a oportunidade de dizer minhas últimas palavras para você.
Jenna, eu não tenho um namorado. E espero nunca ter.
Lia.
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