Jelsa - I will be
10 Capítulo 10
Notas iniciais
O quarto estava escuro. Mais que o normal, as janelas estavam fechadas, o que era incomum. Eu nunca as fechava já que o gelo que cobria o vidro bloqueava os raios solares o suficiente.
Mas hoje elas estavam fechadas. As arrumadeiras devem ter entrado no quarto e fechado por algum motivo.
A escuridão me acolheu e eu a abracei. Deitei na minha cama gigantesca e fitei o teto escuro.
Fazia uma semana que Jack estava no palácio. Ele simplesmente não ia embora, o que me fez concluir que ele não era príncipe coisíssima nenhuma. Agora, so aproveitava (e às vezes, aturava) sua companhia. Mesmo me irritando às vezes e pregando pegadinhas sem graça (como por o açúcar no saleiro, etc) ele animava os dias no castelo.
Estávamos muito unidos agora e era difícil irmos a algum lugar sem o outro. Talvez por simplesmente gostarmos da companhia um do outro, ou pelo fato de que Breu poderia aparecer a qualquer momento.
Paro de olhar para o teto e volto minha atenção para a porta, marcas de gelo que se espalham pelo chão e vão ate a metade da porta me fazem lembrar quantas vezes chorei ali enquanto ouvia Anna cantar todos os dias, ate ela desistir.
Concluo que é melhor não olhar para a porta e volto a olhar para o teto negro como a noite. Mas então me lembro de algo.
Meu teto é branco.
Mal percebo isso e já me levanto da cama, indo para o meio do quarto para ter uma visão melhor do que diabos esta acontecendo com meu teto.
Mas a verdade me atinge na hora.
–Olá, querida...–Sussurra a voz que nunca vou para de ouvir.
Não. De novo não. Agora não. Não. Não. Não aguento mais isso, não, não.
Olho para as sombras que se movem no teto como morcegos. Elas estão agitadas.
–Achou que eu ia me afastar por muito tempo...?–diz a voz sussurrante.
–Breu, vá embora! -Gritei, implorando.
–A querida, achei que tivesse se acostumado com a minha presença...
Foi tudo tão rápido. Doloroso. Medo. Achei por dois segundos que era o meu fim.
Todas as sombras caíram do teto em cima de mim. Elas corriam em volta de mim, me sufocando. Eu gritava, mas elas não saiam. Eram ásperas como areia e frias.
–Pare! Pare! -Comecei a repetir, gritando desesperada.
–Pare! — Chorei.
–Elsa! Elsa! ELSA!
Acordo com Jack me chacoalhando. Estava suando frio.
–Jack! Esta aqui, esta aqui!
Levanto correndo da cama e olho para o teto. Está branco. Foi um pesadelo.
Volto pra cama e sento do lado de Jack novamente.
–Elsa, o que houve? — Ele pergunta, preocupado.
– Foi um pesadelo. Foi horrível. E muito real.
–Foi com o Breu?
–Sim... — Solto o ar. Tenho medo ate de falar esse nome, parece que ele vai sair de qualquer canto e dizer: "me chamaram?".
– Eu não sei o que ele quer comigo Jack... -Começo a chorar. — Não me conformo... Nem sabia que ele existia antes de aparecer... — A neve começa a se mover mais rápido ao meu redor...
–Shh, eu sei, eu sei. Mas ta tudo bem, ok? Foi um pesadelo. Ele não esta aqui. Eu to aqui com você, ta tudo bem. -Ele repetia pra me acalmar.
Sequei minhas lagrimas e coloquei o cabelo atrás das orelhas. Deito de novo e Jack me abraça.
–Durma ok? Você não vai mais ter pesadelos.
Faço que sim com a cabeça e me aconchego. Eu precisava ouvir isso, "você não vai mais ter pesadelos." repeti em minha mente.
Depois de alguns minutos, já estava começando a dormir, mas estava consciente o suficiente para sentir quando ele levemente encostou seus lábios nos meus.
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Dormi profundamente, acordei quando o sol estava alto no horizonte. Levantei-me e Jack ainda estava dormindo. Olhei para ele e não pude esconder o sorriso depois de lembrar o beijo que ele me deu e nem sabe que eu sei que ele me deu.
Como sempre, fui para meu escritório trabalhar.
Concentrei-me por vários minutos no que estava lendo, mas meus pensamentos ficaram longe do assunto. Acabei percebendo que não sabia absolutamente nada sobre... Breu. Talvez seja melhor pesquisar, para descobrir o que ele quer comigo.
Fui até a biblioteca. O único lugar que era permitido que eu visitasse na época que me escondia do mundo. Eu gostava de lá, era gigante, tinha mais livros do que eu poderia ler na vida e era o único lugar que não era frio ou escuro que eu me sentia bem.
Procurei pela letra "B" esperando achar qualquer livro com a palavra "Breu" escrita na capa. Não tive sucesso. Bicho Papão também não me deu resultados, porém na mesma seção tinha um livro dourado chamado "Os Guardiões".
Ao abrir o livro à primeira coisa com que me deparei foi o nome de minha mãe escrito na primeira pagina, indicando que o livro era dela.
O livro falava sobre diferentes guardiões e a história de cada um deles. Jack era um dos capítulos.
Na verdade ele já tinha me falado que era um guardião e tal, mas não tinha dado muitos detalhes. Achar um livro que contasse um pouco sobre ele seria legal, afinal ele já havia mexericado na minha escrivaninha e no meu caderno de desenhos (o tonto tirou as coisas do lugar e nem se deu o trabalho de por de volta para dar uma disfarçada).
No livro dizia o seguinte:
Diz à lenda que o nome verdadeiro de Jack Frost não é na realidade Jack. Seu nome foi perdido no tempo, já que todos sempre o chamaram de Jack Frost. Ele morava em um pequeno vilarejo com sua família e era conhecido por ser muito brincalhão.
De acordo com a lenda, ele se tornou Jack Frost apos salvar sua irmã de morrer afogada em um lago congelado, onde foram patinar, mas sem cuidar que a neve estava muito fina para tal coisa.
Jack salvou sua irmã afogando-se no lugar dela. A Lua, ao ver tal cena, ficou comovida e decidiu que seu ato de bravura merecia alguma recompensa. Assim, deu ao garoto poderes de gelo, para levar o inverno às crianças.
Todavia, com o tempo a lenda de Jack Frost foi esquecida, mas ele nunca deixou de ser um guardião.
É, informação nova é sempre bem vinda.
Na ultima pagina do livro encontrei o que procurava. Em linhas grandes e escuras estava escrito:
Breu (Bicho Papão)
O livro dizia:
Existiam muitos outros espíritos malignos antigamente, mas os guardiões os deram fim. Porem um restou. Breu era o pai de todos os espíritos e o mais antigo de todos, sendo, portanto mais forte. Ele é alimentado pelo medo e pela escuridão. Assim como todos os guardiões, ele só existira enquanto acreditarem nele, enquanto as pessoas sentirem medo.
Não era muita informação, mas agora, pelo menos sabia o que estava me perseguindo.
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