Jellyfish

1 Capítulo 1 - O despertar


Notas iniciais
Mais uma fic. Nesta eu estou voltando as minhas origens de escrever fantasia, espero que seja do agrado de vocês. A ideia surgiu à alguns dias apenas. Nos vemos nas notas finais. Boa leitura.

Na parte mais obscura daquela cidade, em um beco, para ser mais preciso, estava ocorrendo um crime. Após ser roubado, aquele pobre homem agora estava sendo esfaqueado na barriga. Sangue vertia pelo corte ao mesmo tempo em que era cuspido. Ele terminou por cair de joelhos diante do seu agressor. Seus olhos perdiam o brilho conforme sua vida se esvaia. O assaltante apenas o olhou com desdém, murmurou a palavra “lixo” e foi embora, levando o seu relógio e carteira. A vítima então tombou. Seus olhos se fecharam lentamente, a cada segundo o seu corpo se tornava menos rígido. Seu último suspiro fora dado. Alguns segundos se passaram e com grande velocidade os seus olhos se abriram. As iris que outrora estavam opacas, agora ardiam com uma fúria amarela. Ele estava vivo. De alguma forma, ele estava vivo!

O assassino andava apressadamente até o final daquele beco, a faca já havia sido guardada. Quem o visse não poderia dizer, com certeza, que ele havia cometido um crime. A carteira já estava em seu bolso e o relógio em seu pulso. Um sorriso de satisfação começava a se desenhar em seu rosto, mas logo fora desmanchado. Um homem surgiu ao seu lado esquerdo e colocou o braço direito sobre os seus ombros. Aquela pessoa. Ele conhecia aquela pessoa. O assassino olhou horrorizado para aquela face conhecida. Os cabelos dourados ainda estavam tingidos de sangue fresco. Mas como podia ainda estar vivo? Ele não havia sido ferido mortalmente?

— Sabe, você me fez um favor — o homem loiro falou para o seu agressor, que tentou dizer algo, mas apenas conseguia gaguejar. O horror estava estampado em seu rosto. — Eu estava preso a este corpo. Mas você me libertou. Devo isso a você, mas sabe... isso não te salvará da morte! — O loiro sorriu malignamente, em seguida segurou a cabeça do assaltante com ambas as mãos e a girou, até que seu pescoço se quebrasse. — Quem é mesmo o lixo? — ele indagou para o corpo sem vida ao segurá-lo e jogá-lo até o outro lado do beco, onde caiu sobre as latas de lixo. — Esse é o seu lugar...

Aqueles olhos dourados de pupilas fendidas ardiam com fúria. Não uma fúria mundana, mas sim, algo antigo. Lá havia um ódio tão velho quando a própria humanidade.

— Eu preciso achá-los... e eu vou...

Sob a lua cheia, um jovem se encontrava no terraço de um dos edifícios daquela metrópole. O vento soprava com uma força moderada, fazendo seus cabelos cinzentos esvoaçarem. Seus olhos focavam-se nas pessoas que andavam apressadas pelas ruas. “Elas nem imaginam o que está para acontecer”, ele pensou. E de fato será melhor que continue assim. Afinal...

— A raposa despertou... preciso encontrá-los.

Uma forte chuva começou a cair. Lavando todas as pessoas que estavam sob os céus escuros daquela noite. A água limpava o sangue daquele beco, mas não a angústia de Jiraiya. Ele precisava agir e rápido se quisesse evitar uma catástrofe.

— Onde estão vocês? — Com os olhos fechados o homem de cabelos dourados, que agora vestia um sobretudo vermelho de couro murmurou. — Onde estão vocês? Será que eu posso encontrá-los? Será que eu posso encontrá-los? Onde estão vocês? Onde estão vocês? Será que eu posso senti-los? Será que eu posso senti-los? — Ele fazia uma espécie de encanto.

O que estava fazendo era um mistério, mas conseguiu atingir nove pessoas. Elas puderam ouvir a sua voz. Isso as encheu de medo e desespero, pois sabiam exatamente do que se tratava. Desde pequeno era-lhes ensinado que a Raposa estava presa, mas que quando ela se libertasse a sua voz poderia ser ouvida. Por gerações a Raposa permaneceu adormecida, mas o seu despertar aconteceu. E agora ela iria atrás do que era dela por direito.

O jovem de cabelos cinzentos estava sentado em sua cama no escuro. O seu celular tocou, prontamente ele atendeu. Já sabia quem era, então nem precisou confirmar olhando para a tela. Quem mais poderia ligar naquele horário e naquela situação?

— Sim, pode falar — falou ao deitar-se.

— É verdade? — foi o que um rapaz que estava do outro lado da linha perguntou.

— É, sim.

— Bem, aparentemente alguém não cumpriu o seu trabalho.

— Aparentemente alguém está morto.

— O quê?! — O espanto na sua voz foi claro.

— O Guardião da Raposa foi morto. Encontrei ele com três facas cravadas no peito.

— Mas quê poderia...?

— Essa é a pergunta que eu te faço. Tente descobrir isso.

— E você fará o que?

— Por hora, descansarei um pouco, logo pela manhã começarei à encontrá-los.

— Como pode descansar sabendo do que pode acontecer?

— Fique calmo, homem. Sabemos onde todos estão. Ele não chegará até eles antes de nós.

— Assim espero.

— Agora tente descobrir quem foi o assassino do Guardião. Pretendo vingá-lo. Também avisa àquela família que eles perderam o seu filho — Jiraiya findou e desligou o telefone. Estava exausto. Queria apenas dormir.

O homem loiro abriu os seus olhos, a primeira coisa que viu foi uma mulher de cabelos azulados. Ela tinha quase a metade do seu tamanho. Ele não sabia quem era, mas sabia que havia algo de diferente nela. Ele sentia vontade de matar humanos o tempo todo, mas ao olhar para ela não sentiu essa vontade.

— Olá, meu mestre — ela o saudou ao curvar-se.

— N-não pode ser...

— Sim, pode. Sou eu Kyuubi-sama. Sua leal serva, Misaki.

— Misaki! — ele falou animadamente ao abraçá-la. — Misaki, você não sabe como é bom vê-la. Eu pensei que você já estava morta a muitos séculos. — Kyuubi a afastou um pouco para que pudesse olhar para o seu rosto.

— Obrigada, mestre. É sempre bom vê-lo também. Eu fugi, abri meu ventre com uma faca e me transferi para uma pessoa. Assim como fizeram com eles.

— Entendo. Então os séculos se passaram, mas a gente continua aqui, neste mundo.

— Sim, eles ficarão horrorizados quando descobrirem.

— Mas temos um problema — a face de Kyuubi perdeu toda a alegria. — Eu não sei onde minhas caudas estão. Se nos acharem antes disso, poderemos ter problemas.

— Não se preocupe com isso, meu mestre. Eu cuidei de tudo antes de despertá-lo. Eu sei a localização de todos. Nós o acharemos e você retomará o seu poder.

— Excelente! — Kyuubi gritou em meio a gargalhadas. — Então foi você que me despertou.

— Digamos que eu tive a ver com isso. Havia um guardião que o protegia, evitando que despertasse. Então eu o matei e paguei alguém para matá-lo.

— Eu devo tudo a você. Sem sua ajuda eu não estaria aqui e talvez nunca mais estivesse.

— Não diga isso, meu mestre. Só fiz a obrigação de uma leal serva. Nada além disso — enquanto falava, as bochechas de Misaki ruborizavam.

— Nenhum servo é mais leal do que você, Misaki. Eu te devo mais do que agradecimentos. Você me ama não é?

— M-mas do que você está falando, meu mestre? — ela virou-se para que ele não visse o seu rosto corado.

— Do que acha que estou falando, Misaki? — ele a segurou pelo braço e a virou, queria poder olhar para ela. — Eu sei dos seus sentimentos por mim, Misaki.

— Eu não tenho dúvidas, meu mestre. Isso me deixa muito feliz. Não se preocupe comigo, eu ficarei bem. Eu entendo que não consegue amar os humanos. E eu infelizmente pertenço a esta raça.

— Na verdade, Misaki, não eram só os humanos, mas sim qualquer coisa. Eu não nasci com um coração capaz de amar. Ou talvez o tenha perdido, mas eu era incapaz. Mas agora tenho um coração humano como o seu o que me faz...

— Capaz de amar?

— Sim. Agora sou capaz de amá-la, Misaki.

— Oh, isso é fantástico, meu mestre! — A garota sorria enquanto lágrimas escorriam por sua face. — Você conseguirá me amar. Tantos séculos se passaram e este dia que eu pensei que nunca presenciaria chegou junto com o seu despertar.

— Misaki... — ele aproximou o seu rosto do dela. — Acredito que tenha valido a espera. — E então a beijou.

O coração de Misaki disparou. Seus lábios tocavam os do seu amado mestre. Ela, que desde os treze anos de idade havia decidido servi-lo. Que nunca havia conhecido outra pessoa pela qual se interessasse. Que nunca havia recebido amor, apenas dado. Ela o amou quando ele possuía a forma de uma raposa gigante. Mesmo sabendo que era algo impossível, nunca desistiu. Agora tê-lo ao seu lado, retribuindo tudo aquilo que ela fez por ele, era incrível. Ela estava nas nuvens.

— Meu amado mestre — ela murmurou o olhando nos olhos.

— Não chore mais, minha bela e pequena Misaki. Agora estamos juntos. Todo o seu esforço valeu a pena. Eu te devo mais do que palavras. Então a partir de hoje não serei mais o seu mestre.

— Huh?! — Os olhos da garota arregalaram-se. — Está me abandonando, meu mestre? — ela falava com dificuldade. Estava lutando para engolir o choro.

— Não, de forma alguma — ele dizia docemente enquanto tirava os cabelos da garota da frente do seu rosto. — Estou dizendo que não seremos mais mestre e serva, e sim, companheiros.

— Quê? Está dizendo...?

— Sim, Misaki. Eu a quero do meu lado. Você não é mais uma subordinada.

— Mestre o que aconteceu com você? — ela perguntou sorrindo. Lágrimas de felicidade transbordavam.

— Eu despertei com outros olhos, Misaki. Por um momento pensei que estivesse morta, mas quando a vi, eu prometi a mim mesmo que nunca a abandonaria. Eu a quero do meu lado, para sempre.

— Oh, mestre. Digo... vai demorar até me acostumar.

Misaki colocou seus braços ao redor da Raposa e o beijou com amor. Com a fúria de um amor tão antigo quanto as lendas que falam sobre eles. A chuva continuava caindo, molhando os seus corpos, mas os dois não pareciam se importar, porque desta vez estavam juntos e nada podia separá-los.

— Vamos indo, Misaki. Você tem muito o que me contar. E ainda precisamos por nosso plano em prática. Vamos encontrar as minhas nove caudas.

Notas finais
Bem, o que acharam? Eu abordei a Raposa de Nove caldas de uma maneira diferente, mais humana. Isso será uma característica importante. Desenvolverei a história tanto do lado do vilão, quanto dos heróis.
Espero que tenham gostado. Deixe o seu comentário, ele é muito importante.
Obrigado por ler. Até a próxima!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.