Je t'aime pour toujours ❥
1 Capítulo 1 - O doce veneno do escorpião.
Tinha tudo para ser apenas uma tarde tediosa de domingo. O vento soprava nas janelas, e dava para ouvir o ranger das portas velhas na casa. Eis que eu ouço um barulho que me colocava em transe; meu celular começou a tocar. Ao ler o nome de quem estava me ligando e relacionar com a música tocando, não tive dúvidas de quem era. Apenas tentei recusar, recusar em minha própria cabeça, aliás, era um de meus antigos romances e foi o que mais marcou. O som começou a ficar cansativo, ele não parava de ligar e não aceitava que eu estava recusando-o sem dar nenhuma explicação! Decidi atende-lo, e em um tom bravo e sério comecei a falar:
- Felipe, o que você quer? Não cansa de me ligar? Eu não quero te ver e muito menos, quero ouvir sua voz.
- Se você atendeu minha chamada, é porque de fato, queria relembrar a minha voz, e quem sabe eu possa te ajudar a trazer de volta alguns momentos que conquistamos.
- Não me faça rir, Felipe! – eu falava em um tom alto e com certa raiva demonstrada através da voz — Eu não quero relembrar momento algum, não quero ouvir sua voz, e todas as recordações eu fiz questão de destruir... Eu queria que você apenas sumisse. Mas vejo que isso não será possível.
- Posso passar na sua casa às sete horas? Não se atrase! Prometo reconquistar você a cada segundo.
Felipe então desligou sem deixar que eu respondesse, até porque, de qualquer forma a minha resposta seria não. Eu fiquei sem reação, não queria trazer o passado de volta, para mim aquilo tudo não passava de um simples drama. Ele deve ter sido abandonado e decidiu correr atrás do que perdeu. A raiva tomou conta do meu ser e em um único momento, pude sorrir lembrando-me dos velhos tempos.
Acabei dormindo um pouco e o despertador começou a tocar... Já eram seis horas! Esse despertador era para que eu me arrumasse, pois tinha faculdade de noite. Entrei em conflito com o meu ser: Iria para a faculdade ou ao encontro? Eu não queria satisfazer os desejos sórdidos dele. – repousei minha mão sobre a cabeça, e com os olhos fechados tentei pensar em alguma solução – NÃO! Eu vou para a faculdade. Que se dane essa droga de reconciliação.
Troquei-me rapidamente e peguei meu cigarro do bolso, acendendo e trazendo-o para minha boca. As ruas estavam escuras, sem nenhuma iluminação por onde passava. O caminho que era para ser agradável como de costume, tinha se tornado triste e solitário. Não conseguia tirar da cabeça a voz de Felipe ou até mesmo, não parava de imaginar o quão chateado ele ficaria ao ver a casa escura e sem ninguém.
Logo que cheguei à faculdade, sentei na cadeira de sempre. Era uma que ficava no canto esquerdo da sala, nela tinham meus rabiscos e decoração um tanto quanto vândala. Aquele lugar era bom e aconchegante... Quando eu sentava no mesmo, eu me sentia livre e solitário sem ninguém do lado para me irritar ou ser contra meus pensamentos. Digamos que eu sempre fui um garoto sozinho, nunca gostei de pessoas do lado tentando mostrar algum afeto por mim: Achava aquilo nojento. Coloquei meus pensamentos e emoções para fora, com fins de prestar atenção na aula. Peguei minha apostila e debrucei-me sobre a mesma. Acordei da minha pequena cochilada com meus ouvidos sendo tomados por gritos. Pela minha grande surpresa quem entrou no lugar do professor era o Felipe. Ele estava com um buquê de rosas na mão e um sorriso bobo no rosto. Todos vivenciaram nosso relacionamento, foi fácil descobrir que aquilo era uma armação, e meus próprios amigos e professores estavam ajudando-o.
- João, você achou mesmo que conseguiria escapar? Eu sabia que tentaria fugir e se refugiar em sua escola, só que o que você não sabe, é que eu armei tudo com todos os seus amigos e professores.
- Você é louco, Felipe... – a vergonha que sentia era tremenda, porém, fiquei surpreso com o que ele tinha feito por mim, por nós, e a raiva passou dando espaço para um belo sorriso – Qual o motivo disso?
- Eu só quero você de volta, venha comigo e deixe-me tentar. Não considere isso como um pedido, e sim, como uma ordem!
- E você manda em minhas atitudes?
Felipe então foi ao meu encontro e me puxou pelos braços, olhou-me nos olhos com um sorriso no rosto. Aquilo parecia um encanto, mesmo com o tempo ele continuava charmoso. Eu estava louco para ir com ele sem tentar lutar contra meu ser e então, consumi o ato e deixei a vontade e o desejo falarem mais alto.
Ele então trouxe a mão dele até a minha cintura e me puxou para perto dele, caminhamos desse jeito até chegar ao carro do mesmo. Todo mundo olhava sem saber o que estava acontecendo. Olhares e comentários vinham de toda parte. Será mesmo que Felipe quer algo sério comigo? Quer me reconquistar de novo? – só conseguia pensar nisso e não achava nenhuma resposta – Ele abriu a porta do carro para que eu entrasse, deu um beijo em minha testa e foi ocupar o seu lugar para que dirigisse.
- Para onde vai me levar? Vai me sequestrar?
- E se fosse? O que iria fazer? Eu sei que o sentimento ainda vive dentro de você, isso está lhe consumindo todos os dias! É tão fácil você me aceitar de volta, pare de tentar lutar contra você mesmo.
- Você não sabe nada do que sinto. Já te esqueci faz tempo, tive outros romances depois de nossa separação. Estávamos noivos e você terminou tudo uma semana antes de casarmos? Depois o errado sou eu.
- EU TIVE QUE FAZER AQUILO – o homem falava alto e nervoso – Você não é capaz de entender o que estava enfrentando no momento. Já lhe pedi perdão por tudo que fiz! Não fique preocupado, você vai reconhecer o caminho, apenas aguarde.
As ruas aparentavam tristes, eu podia ouvir o pedido de socorro dos que passavam fome e até mesmo, sentir a dor dos que não tinham abrigo. São Paulo era cinza, totalmente negra, sem nenhuma cor, sem nenhum sorriso e com muitos sofrimentos. A única cor que eu poderia perceber piscava e ofuscava seu brilho por causa de seu desgaste.
Tentei relacionar aquele cenário que passava em meus olhos e percebi que estávamos indo para o apartamento de Felipe. Como eu poderia não recordar... Era um dos locais onde passávamos quase todos os finais de semana e feriados. Fazíamos planos para quando casarmos, e se mudar para esse apartamento era um deles.
Felipe então acenou para o porteiro e estacionou seu carro na vaga desejada. O porteiro que já nos conhecia soltou um sorriso e disse:
- Vocês voltaram? É isso mesmo? Fico muito feliz por vocês estarem juntos novamente.
- Nã... Nã... – Felipe então colocou sua mão em minha boca e deu um sorriso descontraído -
- Sim, voltamos. Obrigado pelas palavras!
Ele sempre queria tomar conta de tudo, aliás, ele era o exemplo vivo de macho alfa da relação. Ao mesmo tempo ele conseguia mesclar sua birra e seu nervosismo com um jeito calmo, meigo e diretamente romântico.
Fomos então até o elevador e pela minha surpresa, presenciei um casal se beijando. O garoto mais baixo se parecia com o Aramel, um amigo de infância. O mais alto e, portanto, mais velho, percebeu que não estavam mas sozinhos. Assim então parou o beijo e olhou dando pequenas risadas para nós. Levou sua mão esquerda até seu cabelo e sorriu um tanto quanto tímido. O menor por sua vez ficou sem reação, suas bochechas ficaram rosadas e sua feição estava paralisada.
- Vocês são novos por aqui? – eu disse para o casal em um tom calmo e divertido – Nunca vi vocês aqui, porém, me recordei de você... Aramel?
- Si... Si... – o menino nem ao menos conseguia falar de tão tímido que estava – Isso mesmo, mas pode me chamar de Ay. Mudamos-nos para esse apartamento recentemente, aliás, prazer em revê-los.
Ay, assim chamado, ainda estava um pouco tímido e recuado. Não falava nada e muito menos demonstrava algo. Seu parceiro puxou-o pela cintura e abraçou-lhe forte, encostando sua cabeça sobre a do garoto. Ay ficou um pouco nervoso e tenso com a situação, mas logo se acolheu aos braços de seu amado.
- Vocês formam um casal bonito! Desejo toda a sorte do mundo para vocês. Aproveitem cada segundo de suas vidas e nunca esqueçam o amor que uniu vocês.
Felipe tinha entendido o recado e então deu um beijo em minha cabeça, após isso encostou seu corpo na parede do elevador e ficou pensativo.
- Obrigado pelas palavras. – o garoto mais velho falava em um tom calmo e descontraído – Nós somos jovens, porém, temos a certeza que nosso amor só se fortalecerá.
O elevador então tinha chego ao andar de Ay, e seu amado. Eles deram um breve sorriso para nós e acenaram com as mãos, porém, o jeito atrapalhado de Ay veio à tona e eles por um segundo entrelaçaram suas pernas. Era engraçada a cena que acontecia na minha frente, os dois caídos no chão, um em cima do outro rindo da situação e a porta do elevador fechando para levar-nos até nosso andar.
Chegando ao apartamento de Felipe, percebi que o mesmo estava todo bagunçado. Acho que Felipe nunca mais tentou manter a ordem do mesmo. Talvez realmente fosse difícil para ele ir ao local onde nos encontrávamos.
- Nossa, continua bagunçado! Não aprendeu nada mesmo. Desde que nos separamos você não cuidou mais desse apartamento?
- Sempre reclamando... Eu não tenho tempo e você sabe muito bem disso. Era o nosso apartamento, não existia meu, e sim, nosso. Não senti nenhuma vontade de voltar aqui sem você.
- Hm, tudo bem.
Felipe me puxou pelos braços e me deu um abraço forte. Deitou-se na cama e me puxou trazendo minha cabeça ao seu peito. Repousei minha cabeça no peito do homem e juntei meu corpo ao dele. Felipe levou sua mão até minha cabeça, fazendo caricias nela e recitando algumas poesias que me agradava.
Levantei meu rosto na mesma altura que o rosto de meu amado. Não consegui segurar a vontade e o desejo daqueles lábios carnudos.
Inclinei meu rosto em direção ao rosto dele; comecei a passar minha língua sobre os lábios de Felipe. Felipe cerrou seus dentes em minha língua, dando uma pequena mordida terminando em um grande chupão. Comecei a brincar levando minha língua junto com a dele e fazendo alguns movimentos circulares, foi quando fechei meus olhos e comecei a sorrir durante o beijo. Felipe trouxe a mão dele até meu cabelo, dando leves puxões facilitando-o de morder meu pescoço. O mesmo passava sua língua no meu pescoço, mordia-o e voltava a selar nossos lábios úmidos e quentes. Eu começava a dar pequenas mordidas em seus lábios carnudos e liberava alguns gemidos baixos.
Aquela cena era incrível! Eu estava completamente apaixonado por tudo aquilo que estava acontecendo, e as recordações do passado estavam voltando para o presente.
- Eu te amo, eu quero me casar com você e de fato, construir minha família. Você é a única pessoa que consegue tomar conta do meu ser e me deixar um bobo.
- Eu também te amo, Felipe. E sim, aceito seu pedido de casamento, porém, se me magoar de novo eu juro que lhe mato.
Começamos a rir daquela breve conversa boba. Tudo aquilo parecia com um acontecimento de um ano atrás, quando conversávamos sobre casamento. É, parece que dessa vez eu realmente iria ser feliz... Parece que dessa vez tudo iria dar certo e conseguiríamos construir nossa grande família.
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