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10 Capítulo 9
Notas iniciais
Pov. Narradora
Karina não estava acreditando no que via.
— O que você esta fazendo aqui?— Ela cerrou os punhos.
— Vim treinar, você não me convidou?— Falou cínico.
— Olha moleque, se você não ralar daqui agora eu juro que não falo por mim. — Seus olhos estavam a ponto de saírem faiscas.
— Vocês se conhecem? — Gael perguntou desconfiado.
— Para a minha desgraça sim.— Respondeu Karina.— Olha pai, se você não mandar ele embora quem não fica aqui sou eu. — Ameaçou.
— Karina! Parou.— Repreendeu.— Pensa no dinheiro.— Disse entre dentes.
— Já estou pronto mestre. — Felipe fingiu que nada estava acontecendo.
— Vai se arrumar para treinar. — Gael disse para Karina.
— Eu não mereço isso.— Ela saiu pisando firme.
— Ela tem um gênio forte, não liga não.— Se direcionou a Felipe.
— Sei bem.— Concordou.
— Afinal, como se conheceram?— Perguntou curioso.
— Depois ela te conta, é uma longa história.— Disfarçou, fugindo da responsabilidade.
— Então vamos treinar, porque aqui não tem moleza. Se quer moleza mastiga água. Vamo bora!— Chamou a atenção dos outros.
Karina voltou e foi obrigada a treinar com Felipe.
— E ai, como passou essa noite? — Puxou assunto, mas foi ignorado. — Ai K.— Reclamou quando a loira puxou sua perna ate o alto de uma vez.
— Se for pra ficar com frescura nem vem fazer o treino.— Disse duramente.
— Agora já vi a quem você puxou. — Disse maneando a cabeça até Gael.
— Se quer ficar de conversinha vai pra praça.— Rebateu novamente.
— OK, sargenta Karina. — Brincou e ela rolou os olhos.
Ao fim do treino, Karina seguiu para o banheiro e lá estava Jade.
— Cunhadinha. — Comemorou com a entrada da loira. — Estava querendo falar com você sobre o vestido da madrinha. — Puxou-a para sentar.
— E eu estava tentando fugir desse assunto. — Murmurou.
— Ai Karina, é só por um dia, você não vai morrer. — Rebateu.
— Ai meu saco.— Bufou.
— Voltando ao assunto, lá aonde eu vou comprar o meu vestido tem vários outros lindo, e se você preferir outros modelos tem varias lojas lá perto. Ai você leva a Bianca pra escolher com você. — Sugeri.
— Não! Sem a Bianca.
— Como preferir. — Levantou a mão em rendição. — Mas vai ter que ir provar algum vestido, sem vestido não tem madrinha.— Disse autoritária.
— Ta, eu prometo que hoje mesmo vou lá. — Rolou os olhos.
— Vai ficar tudo lindo. —Comemorou.— Mas agora tenho que ir.— Se despediu.
Karina lavou o rosto e foi falar com seu pai.
— Pai, a Jade veio me cobrar sobre o vestido, então vou lá no centro hoje. Só vou tomar banho antes — Informou.
— Antes de ir passe aqui, vou aproveitar e te dar uma lista de algumas coisas para trazer. — Ordenou a ela, que fez cara de poucos amigos.
A loira foi para casa, tomou um banho e não demorou trocando de roupa, quando retornava para academia lembrou-se de Bianca, então ficou um pouco na praça esperando que os alunos da Ribalta subissem para aula, nem percebeu quando se caiu perdida em pensamentos
— Acorda maluca— Pedro disse na altura da nuca dela e a mesma se assustou. — Não tem lugar melhor pra pensar na vida não.
— Não estava pensando em nada não, só estou esperando a Bianca subir. — Se explicou, meia perdida e ainda de costas para ele.
— Mas eu nem tinha perguntado. — Foi frio.
— E nem é da sua conta mesmo.— Virou-se transtornada e só então percebeu que ele estava com Tainá ao seu lado.
— Você quem começou e me dar explicações. — Provocou. — Mas meu tempo é curto pra ficar perdendo com nada né.— Puxou Taina para si segurando na cintura da moça.
— Você que veio me encher o saco.— Rebateu a loira.
— Porque você esta no meio do caminho.
— Tem um quarteirão imenso pra você passar.
— Mas pra que vou dar a volta sendo que por aqui eu ando menos. — Arqueou a sobrancelha. — Se me der licença. — Empurrou-a delicadamente e deu passagem para Taina segurando a cintura dela por trás.
Karina estava irada de raiva, estava prestes a chutar as coisas quando Dona Dalva interveio.
— Calma menina, não vê que ele só quer te provocar. — Disse o óbvio.
— E esta conseguindo.— Respirou pesadamente.
— Ele quer te ver passando pelo que ele passou com você, mas acho que ele é mais forte nesse requisito. — Sorriu para ela.
— Não começa dona Dalva. — Saiu pisando fundo e entrou na academia enquanto a senhora ficou rindo da situação.
Entrou na academia e foi de encontro com seu pai.
— Me da logo essa droga de lista.— Estendeu a mão com a cara amarrada.
— Isso é jeito de falar comigo garota? — Repreendeu-a.— Que raiva toda é essa?— Questionou.
—Nada.— Tentou ser convincente.— Me da o papel para eu sair antes que a Bianca me veja.
—Toma.— Estragou o papel para ela.
— Tudo isso.— Arregalou os olhos. — Tenho apenas dois braços.
— E é com eles que você vai trazer, agora para de me responder e vai logo pra não voltar muito tarde.
— Saco. — Saiu bufando.
O ônibus não demorou tanto, e quando chegou lá resolveu compra primeiro as coisas de seu pai, e logo em seguida foi em busca do vestido. Porém demorou mais que o esperando e quando viu já estava anoitecendo e muitas lojas estavam abaixando as portas, por isso, provou o último vestido e escolheu um que Bianca com certeza escolheria. Foi para o ponto, mas o ônibus demorou e quando finalmente passou começou a chover.
— Isso é brincadeira comigo, só pode. — Reclamou.
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Gael andava de um lado para o outro com o celular na orelha.
— Droga.— reclamou .
— Meu amor o que esta acontecendo. — Dandara disse vendo o estado do marido.
— A Karina não chegou até essa hora. —Apontou para o relógio.
— Ai Gael para de ser tão grudento com ela.— Se sentou no sofá tentando puxa-lo para junto dela.
— Ela já deveria ter voltado.— Continuou falando.
— Então liga pra ela.— Tentou acalmar os nervos do mestre
— Eu já liguei, mas sempre cai na caixa postal. — Aperto o celular entre seus dedos.
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Karina desceu do ônibus tentando desviar da chuva, mas foi inútil, tentou correr e bem quando passou em frente ao Perfeitão escorregou no chão molhado espalhando as sacolas.
— Você esta bem? — Pedro perguntou saindo do Perfeitão meio desesperando com a queda da garota.
— Não. — Se levantou mal humorada pegando suas sacolas, agradecendo mentalmente por não ter caido nada. — O que ta fazendo?— Perguntou vendo o garoto pegando suas sacolas. Ele saiu pelo meio da chuva, atravessando a rua deixando-a falando sozinha. Ela atravessou a rua sem pressa já estava com a roupa molhada mesmo.
— Obrigada. — Agradeceu quando ele colocou suas coisas na escada. Porém, ele apenas balançou e cabeça e saiu sem dizer uma palavra.
— Maluco.— Suspirou subindo e abrindo a porta.
— Ah, Gracas a Deus. — Gael se levantou indo de encontro a Karina. — Que demora, me deixou preocupado.— Repreendeu-a.
— Claro o senhor me mandou comprar o centro inteiro. — Tentou, numa tentativa inútil, limpar as manchas de suas roupas.
— K, meu amor, o que aconteceu com você? — Dandara se impressionou com o estado da loira.
— Levei um rola na calçada.— Fez careta sentindo o corpo doer.
— Ai meu Deus, e como você está? — A moça preocupou-se. — Machucou muito?— Foi ate a enteada.
— Não sei, mas estou dolorida. — Fez careta.
— Vai lá tomar um banho e depois vou passar uma pomadinha para passar a dor.— Falou Dandara, como sempre, bondosa.
E assim fez a loira e logo após comer foi deitar.
— Karina, quero saber por que não me levou para comprar o vestido com você?— Bianca cruzou os braços na frente da cama da irmã.
— Bianca, por favor, eu estou cansada. — Queixou-se.
— Ta.— Bufou.— Mas cadê o vestido.— Bateu palmas animada.
— Lá no sofá. — Murmurou com o rosto enterrado no travesseiro.
Antes de dormir pode ouvir a empolgação da irmã com o vestido.
====== No Outro Dia ======
Antes de irem para academia, Gael, Bianca e Karina, sentaram-se a mesa para tomarem café.
— Não esqueçam que hoje tem o jantar de oficializado do noivado do Cobra e da Jade. — Lembrou Dandara.
— Vai ter muita gente da Ribalta lá né. — Karina revirou os olhos.
— Dessa vez não, vai ser só familia e padrinhos mesmo. — Explicou Gael olhando no relógio. — Vamos.— Se levantou.
— Então quer dizer que o Pedro vai estar lá.— A loira Fez cara de poucos amigos.
— A menos que o Cobra tenha trocado de Padrinho, sim.— João brincou.
— Depois vocês conversam, agora vamos. — Gael chamou da porta.
Assim desceram para academia, e aos poucos os alunos foram chegando e junto com eles, Felipe, que assim que vou Karina nos armários foi logo falando com ela.
— Oi gata. — Abraçou-a por trás.
— Da próxima vez que fizer isso ficara sem as mãos. — Empurrou as maos dele de sua cintura.
— Deixa de ser tão difícil. — Voltou a se aproximar dela.
— Me deixa em paz, de mim o máximo que você vai conseguir é uns bons socos.— Ameaçou.
— Garota, você ainda vai ser minha. — Segurou nos braços dela.
— Me solta. — Tentou puxar o braço, mas foi em vão.
— Ta tudo bem ai, K?— Duca perguntou olhando de longe.
— Tu...tudo.— Confirmou quando finalmente conseguiu se livrar das mãos de Felipe.
Duca foi ate Gael, que estava olhando os meninos lutando no ringue.
— Mestre, eu acho que esse Felipe esta folgando demais pro lado da K. — Avisou.
— Também estou percebendo alguma coisa estranha nesse garoto. — Concordou.— To de olho, qualquer deslize ele vai se ver comigo.— Ameaçou.
— Eu também. — Concordou Duca.
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À noite todos brigavam para saber que usaria o banheiro primeiro e Cobra estava no meio dessa disputa.
— Ai pai ate a Bianca sair daquele banheiro e o João terminar de se emperiquitar todo já estaremos no dia do casamento. —Disse Karina sarcástica, sem paciência.
— E você quer que eu faça o que? — Gael já estava se irritando com toda aquela confusão.
— Me da a chave da academia. — Pediu.
— Pra que?
— Vou tomar banho lá, vai ser mais rápido pra todo mundo.— Estendeu a mão.
— Quando terminar, não se esqueça de fechar tudo. — Orientou.
A loira pegou as chaves, suas roupas e foi. Quando estava na praça foi surpreendida.
— Eae maluca. — Pedro veio na direção dela todo no terno e gravata, com os cabelos penteados e segundo os pensamentos dela estava sexy.— Fecha a boca pra não babar. — Fez mansão de limpar a boca da garota.
— Por você? Até parece. — Desviou o olhar.
— Seus olhinhos estavam até brilhando quando me viu. — Falou convencido.
— Faça-me rir né moleque, vai cuidar da sua vida e me deixa em paz.— Foi saindo.
— Queria saber se o João esta ai. —,Falou antes de ela se distanciar.
— Sua namoradinha está se produzindo toda.— Fez cara de tédio.
Deixou Pedro falando sozinho, entrou na academia e ascendeu apenas as luzes do banheiro. Se despiu, e entrou debaixo do chuveiro, enquanto passava o sabonete teve a impressão de escutar alguma coisa caindo.
— Tem alguém ai?— Perguntou desligando o chuveiro para escutar melhor. Depois de um tempo sem respostas voltou a liga-lo, estava distraída e escutou novamente um barulho. Desligou o chuveiro de novo e sem dizer nada virou-se para sair, mas se assustou ao ver uma pessoa parada olhando-a.
— O que você esta fazendo aqui? — Disse tentando esconder seu corpo. — Não esta vendo que estou tomando banho?— Procurou sua toalha, mas a viu nas maos dele.
— Ô se to vendo. — Felipe Olhava-a com malícia.
— Seu obsessivo.— Estava nervosa.
— Por você. — Disse e ela pode ver a faca na mao dele.
— Quem ve pensa que é valentão, mas não passa de um franguinha. — Se escondeu atrás da cortina.
— Você acha que é quem pra falar assim comigo. — Pegou-a pelo pescoço e num movimento rápido segurou os braços dela atas do corpo.
— Agora você e todinha minha, sem ninguém pra atrapalhar, e se gritar vai ser pior. — Falou acariciando o rosto dela, beijando seu pescoço.
Karina, completamente vulnerável deixou as lagrimas rolarem pelo seu rosto.
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Bianca ainda estava no banheiro, Cobra havia acabara de entrar e João conversava com Pedro na sala onde estavam Dandara e Gael.
— A Bianca não sai desse banheiro e a Karina esta demorando a voltar. — Reclamou Gael.
— Eu vou lá em baixo apressar a K e você se resolve com a Bianca. — Dandara levantou-se.
— Nada disso, a senhorita não vai fazer esforço. — Interrompeu-a.
— Ai Gael que exagero. — Reclamou.
— Eu vou e você apressa a Bianca. — Se levantou.
— Nada disso, o senhor vai tomar seu banho porque demora mais que eu, então é o próximo. — Dandara interveio.— João, Pedrinho vão ate a academia apressem a K, por favor.
— Eles? Nada disso. — Gael disse elevando a voz.
— Até parece que eles vão entrar se ela estiver tomando banho ne Gael.— A morena revirou os olhos.
— Não duvido muito.
— Tchau pra vocês. — João disse no meio da discussão e fechou a porta atrás de si e do amigo.
— Que moleque desaforado. — disse indignado.
Pedro e João atravessaram a rua, o guitarrista foi adentrando a porta, mas parou quando percebeu que estava sozinho.
— Johnny, vamos. — Chamou o ator que continuou parado.
— Não estou afim de receber uma porradas da sua esquentadinha.
— Depois o frouxo sou eu né.— Rebateu.
— Pode falar o que quiser, mas eu vou ficar aqui.
— Mas você veio para chamar a maluca. — Insistiu.
— Por isso que trouxe você junto.— Deu de ombros.
— Ta brincando né? — Ficou serio.
— Por um lado sim, mas já que você esta aqui chama lá que eu fico por aqui te esperando, pelo menos se você morrer da tempo de eu correr.— Zombou.
— Ra-ra, bobão. — Revirou os olhos e entrou.
Olhou pela extensão da academia e não a viu, por isso, achou melhor chamar para não assusta-la.
— Karina.
Não obteve resposta, mas teve a sensação de escutar movimentação.
— Esquentadinha? — Voltou a chamar, um pouco atordoado com o escuro.
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Felipe já havia amarrado a boca de Karina com a toalha, mas foi interrompido por passos e logo em seguida escutou a voz de Pedro.
— Esse garoto só pode estar de zoação com a minha cara. — Disse nervoso. — Eu já volto, e se gritar já sabe.— Disse mostrando a faca que segurava em suas mãos.
Foi andando devagar no escuro na tentativa de conseguir surpreender o guitarrista. Viu ele de costas meio perdido, então foi lentamente ate ele e num movimento rápido colocou uma das maos na boca de Pedro e a outra, com a faca, no seu pescoço.
— Se gritar não vai ser bom.— Disse em seu ouvido enquanto apertava mais seu pescoço.
Continuaa...
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