Jasey Rae
1 Capítulo Único
Notas iniciais
É uma song, então seria melhor se acompanhassem com a música. (Jasey Rae - All Time Low)
The lights out,I still hear the rain,These images that fill my head,Now keep my fingers from making mistakes,Tell my voice what it takes,To speak up,Speak up,and keep my conscience clear when I wakeAbriu os olhos e se deparou com o quarto desconhecido do hotel. Rolou na cama de casal para achar seu celular. Nenhuma mensagem, nenhuma ligação perdida e o visor indicava que já passava das dez da manhã.
O barulho de chuva lá fora lembrava Alex que estava em Londres, sozinho em sua viagem para esquecer Jack.Se bem que não funcionou muito.Estava em Helsinque há duas semanas, finalmente conhecendo a Finlândia que tanto queria, quando resolveu que ficaria na Europa por mais tempo. Conseguiu negociar a venda da sua casa em Maryland por Internet, mas tinha que voltar para realizar os detalhes finais. Coisa rápida, só precisaria de um dia lá, então comprou passagens Helsinque/Baltimore e Baltimore/Londres num espaço de aproximadamente 36h.Sua noite nos Estados Unidos ficou livre e acabou aparecendo na casa de Jack, que implorou para que não voltasse para a Europa. Alex chegou a comprar uma passagem para que fosse junto, mas o mais novo não chegou a embarcar. Tinha que trabalhar, alegava, mas sabia que não enganava Alex. Por mais que o amasse, ainda tinha Oliver e também o amava.Se não fosse devastador para Alex, esse amor seria até bonito. Por isso realmente fora para Londres, para deixar que se amassem sem ninguém para impedi-los. Até porque sua consciência não o deixava dormir.Passou as mãos pelo tronco nu ao fechar os olhos e deixou que as lembranças das mãos de Jack, que percorriam o mesmo local há menos de vinte e quatro horas atrás, voltassem.Don\'t make this easy,I want you to mean it,Jasey. (Say you mean it)You\'re dressed to kill,I\'m calling you out, don\'t waste your time on me.Fechou o ultimo botão da sua blusa de flanela e olhou-se no espelho. Uma vez disse que, se Jack fosse algo seu, seria sua camisa de flanela, então quando sentia saudades, a usava para voltar a se sentir completo. E ainda tinha a corrente com a chave que havia ganhado dele na última vez que se viram. Mas nada parecia ajudar no momento.Não abriu as cortinas porque não precisava olhar para fora para saber como estava o tempo. Apenas outro dia cinzento na chuvosa Londres. Alex parecia se identificar cada vez mais com a cidade.Os sentimentos por Jack nunca fizeram parte do plano. Ele era apenas mais um na enorme lista de caras bonitos e pegáveis de Alex. Nem no topo da lista estava! Mas ele se tornou um desafio, depois se tornou prazeroso e, quando deu por si, estava desejando-o toda hora. Lembrou-se do amor, sentimento esquecido por Alex há anos e viu-se na situação mais complexa da sua vida.A voz de Jack sussurrando em seu ouvindo tarde passada ecoava em sua cabeça. Você já sabe que eu te amo e que eu vou congelar esse sentimento até você voltar definitivamente para mim. Mas você também sabe que esse sentimento vai continuar queimando no meu peito. O mais velho mordeu o lábio inferior para repreender a si mesmo para não chorar e não o fez, apenas apertou-se contra os braços do outro e murmurou de volta. Não gaste seu tempo comigo.Now there\'s an aching in my back;a stabbing pain that says I lack,the common sense and confidence,to bring an end to promises,that I make in times of desperate conversation,hoping my night could be better than theirs in the end.Just say when.Virou outra dose de tequila quando olhou para o lado e viu um garoto loiro, bebendo cerveja. Notou que estava sendo observado e sorriu para o desconhecido.- Não é proibido vender bebida alcoólica e cigarros para menores de idade? – Alex perguntou, sorrindo.- Carteiras de identidade falsas fazem milagre – apagou o cigarro no cinzeiro à sua frente e piscou.O garoto estendeu a mão para Alex, virando-se de frente para ele.- Pode me chamar de Dougie.- Gosto da rápida intimidade. Alex. – Apertou a mão dele, olhando em seus belos olhos. Magníficos, pensou. – O que faz sozinho em um pub, em plena terça à noite?Dougie deu de ombros, bebericando a cerveja antes de falar em um tom monótono.- Apenas procurando estrangeiros para seduzi-los e arrancar seus órgãos para vendê-los no mercado negro. – Soltou uma gargalhada divertida. – Brincadeira.- Que humor negro o seu. – Alex pousou a mão na coxa do outro, rindo junto.- Mas falando sério, vim tentar melhorar minha noite. Quer me acompanhar?Alex deu um sorriso de lado, cheio de malícia e encarou os lábios do outro.- Só se você me prometer que corro o risco de ser preso por pedofilia.I\'ve never told a lie,and that makes me a liar,I\'ve never made a bet,but we gamble with desire,I\'ve never lit a match,with intent to start a fire,but recently the flames,are getting out of control.Acordou na cama de Dougie com a cabeça doendo e o garoto dormindo silenciosamente em seus braços. Reparou que até dos roncos de Jack sentia falta!Abriu um sorriso ao ver livros escolares numa escrivaninha encostada na parede pintada de verde-musgo. Dormindo com colegiais realmente poderia ser acusado de pedofilia. O pensamento o fez rir, acordando Dougie, que dormia tranquilamente.
- Bom dia. – O dono dos olhos claros disse abrindo um sorriso. – O que o faz rir?- Livros escolares. – Indicou com a cabeça, depois beijando os lábios do mais novo, que corou violentamente.Passou a sair com Dougie diariamente, para passear por Londres, aproveitando que o mais novo estava de férias e seus pais estavam viajando.Era uma ótima companhia. O garoto tinha um ótimo senso de humor, o que o distraía e animava, mas pelo seu jeito meio bobo lembrava Jack.Pubs eram os locais favoritos do casal, que passava a maior parte do tempo rindo da desgraça alheia e provocando pessoas. Sentados em uma mesa lá no fundo, de onde podiam observar todos e ainda ficarem à vontade, Dougie tirou uma caneta do bolso e começou a escrever em um guardanapo, despertando a curiosidade de Alex.Aja normalmente, não olhe para os lados, nem para trás. Mas fomos seguidos por um cara o dia inteiro. Ele está sentado junto ao balcão, tem mechas loiras e o nariz estranho. Vire-se para chamar o garçom e olhe.Alex não precisou virar-se para saber que era o amado que estava por perto.Call me a name,Kill me with words,Forget about me,It\'s what I deserve,I was your chance,to get out of this town,but I ditched the car,and left you to –Alex olhou para trás mesmo assim e seu olhar apreensivo encontrou o de Jack, que demonstrava surpresa e decepção.Virou-se rapidamente para Dougie, sussurrando um Já volto incrivelmente perturbado, e depois levantou-se e andou ao encontro de Jack em passos vacilantes.- Parece que o ar inglês está te fazendo muito bem. – A voz baixa e irônica do mais novo era cortante e séria, de uma maneira que Alex nunca havia visto.- Não me diga que está com ciúmes, gracinha. Por que você pode ficar com quantos quiser e eu não posso tentar te esquecer com um colegial conterrâneo? — Revidou rapidamente, logo depois se arrependendo por ter sido tão duro com Jack.- Porque você fez com que eu me sentisse culpado em deixá-lo embarcar sozinho para cá, mas vejo que já arranjou companhia. – Indicou Dougie com a cabeça e mordeu o lábio inferior. – Será que um colegial é menos bobo que eu, Alex? Eu posso crescer, se quiser.Alex olhou para trás rapidamente, para ver Dougie, que tinha uma expressão preocupada, mas continuava calmo, analisando a garrafa de Stella Artois a sua frente. Voltou-se para Jack e acariciou seus cabelos com a ponta dos dedos.- Não mude por mim, Jack, porque não vale a pena você mudar. Vou acabar decepcionando você por eu mesmo ainda não ter crescido. – Recolheu a mão, colocando-a no bolso traseiro da calça. Olhou nos olhos do outro e deu-lhe um sorriso fraco. – Volte para Oliver e esqueça qualquer coisa que tivemos, porque isso acabou antes mesmo de começar. – Girou nos calcanhares, voltando para a mesa.Wait outside,I hope the air will serve to remind you,that my heart is as cold as the clouds of your breath,and my words are as timed as the beating in my chest.Não olhou para trás durante todo o longo percurso de volta para a mesa. Olhava para Dougie e, de certa forma, seus olhos eram reconfortantes.Ao sentar-se, esperou ser bombardeado com perguntas, mas o comportamento incrivelmente adulto do adolescente se revelou mais uma vez.- Você vai ficar bem. – Foi tudo o que disse, abrindo um sorriso caloroso.- Como sabe que não estou bem? – Alex segurou a mão do outro, por cima da mesa.- Sua voz está trêmula.Dougie apertou levemente sua mão, oferecendo, de novo, tamanho reconforto. Alex sentiu que podia falar e contou sua história com Jack para o outro, que ouviu tudo em silêncio, completamente concentrado.- E ele veio até Londres atrás de você e você dispensou ele? Por que fez isso?- Porque ele não podia quebrar promessas. – Suspirou. – Hey Doug, vamos andar por aí?Andaram juntos debaixo de uma fina garoa que caía sobre a cidade. Os braços entrelaçados e os passos sincronizados, Alex e Dougie era tão meant to be e eles mesmos não percebiam isso.Gaskarth amava Jack, estava certo disso, e não o esqueceria nunca, mas não podia correr o risco de perder tudo o que tinha – que, no momento, era Dougie – para se decepcionar no final. Teria ao colegial em Londres e sabia que ficaria bem.Um dia, que sabe, Alex voltaria para encontrar Jack. Mas, por enquanto, o ar fresco manteria apenas as memórias por perto.Fim.
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