Jared Lilly: Aventuras no Colegial!!
6 Capítulo 1 - Primeiro Dia de "Jaula" (Parte 05)
Depois que o meu irmão foi para a sua aula na quadra 01, eu acho que consegui relaxar um pouco mais. Pelo amor de Deus, eu não tinha condições de permanecer tensa do jeito que eu estava – por mais que a principal razão para isso continuasse ali, do meu lado, prestes a me provocar um colapso nervoso com tantos cuidados. Mas o fato de Jared estar presente não contribuía muito para qualquer tipo de evolução da minha parte. Fiz uns exercícios de respiração e isso ajudou aos poucos o meu coração a alcançar um ritmo tolerável. Seth tinha que saber que eu ainda era uma pessoa equilibrada e racional. Eu tinha que direcionar o meu interesse a outra coisa, e depressa.
A aula seguinte, no entanto, não foi eficaz em cativar nem o meu interesse, nem o de mais ninguém na nossa classe: Geografia. A professora Müller parecia uma daquelas generais nazistas, com seu porte alto, gordo e retesado do quadril pra cima, fino e em guarda do quadril pra baixo. A roupa social verde-musgo estava completamente atochada no corpo e o cabelo desbotado estava preso em coque, como o das mulheres alemãs nos filmes de segunda guerra mundial. A impressão que eu tive foi a de que qualquer um que interrompesse a sua explanação, mesmo que com uma dúvida, seria enxotado da sua aula direto para a sala da diretoria.
Por sorte, ela decidiu exibir um filme sobre atualidades globais à turma, ao invés de gastar todo o seu tempo discursando. Todas as luzes foram apagadas e ela se dirigiu para o fundo, possivelmente para ter uma visão mais geral – ou tirar um cochilo com um pouco de privacidade.
O conteúdo do filme não agradou tão pouco, então decidi recostar a cabeça sobre a mesa. Que tristeza... meu primeiro dia de aula perfeito se tornou monótono e inquietante – basicamente, dois dos principais aspectos na argumentação feroz do meu irmão contra a idéia de virarmos estudantes. E o pior foi que ele até me pareceu estar se divertindo em alguns momentos. Tão injusto...!
Na escuridão da sala, uma mão quente inconfundível veio então afagar a minha orelha e, em seguida, se delongou na minha cabeça. Lá estava o Seth de novo, insistindo em ser o cavalheiro da redoma de ouro de sempre. Insistindo em me comprovar o quanto eu era incompetente na arte do autocontrole. Mas eu tinha que fazer isso... se não por mim, então por ele. Devia ser terrível estar... apaixonado... por alguém com um temperamento igual ao meu. Ai, Deus... era exatamente esse tipo de pensamento que eu tinha que evitar agora, pra não enlouquecer de vez! Respira, Lilly, respira!
Atrás de nós, percebi as emoções femininas se alterando freneticamente. Pra mim, estava na cara que eu havia me tornado a inimiga número 1 das garotas do 1º ano. Seth, provavelmente, era o cara mais bonito naquela sala em milhas, e ele parecia não enxergar outra coisa, a não ser “euzinha”, o tempo todo. Era preciso dar um desconto e ser compreensiva com a mentalidade das minhas coleguinhas então. Isso devia ser uma coisa muito dura pra elas encararem.
Dois segundos depois – assim eu imaginei –, a mão, antes na minha cabeça, passou a acariciar de leve o meu ombro. Só que de um jeito um pouco mais urgente dessa vez, apesar de extremamente delicado. Percebi que tudo ao redor só estava escuro ainda pelo fato de eu estar de olhos fechados, e não mais por conta das luzes apagadas.
Eu havia cochilado durante a aula toda. Seth, me fazendo carinho daquele jeito, não contribuiria mesmo para outra coisa! Ele estava agora tentando me acordar para irmos embora – minha mochila já pendurada junto com a dele em suas costas.
– Vamos Lilly, nós somos os únicos que ainda estamos aqui na sala, princesinha! – ele anunciou, o que me fez de repente dar um salto automático da carteira.
O quê?! Eu e ele, ali sozinhos?! Não... era demais para mim! Tínhamos que permanecer o maior período de tempo possível na companhia de outras pessoas. Ele, ultimamente, estava mantendo uma atitude diferente também – que o fazia parecer estar apenas aguardando por uma oportunidade para me dizer “algumas coisas”! E eu nem sequer conseguia pensar a respeito dessa possibilidade sem começar a suar frio.
Saí em disparada porta afora. Ele me alcançou tranquilamente já no corredor. Seu humor, pra minha sorte, estava ótimo como sempre, e ele parecia se divertir com cada uma dessas minhas trapalhadas bizarras.
“Lillian” – a voz do meu irmão chamou por mim, e eu antecipei outra das suas idiotices tiviais.
Mas sua voz estava enfraquecida... me pareceu que ele estava com problemas. Freei no final do corredor, para esperar que ele completasse a fala.
– O que foi, Lilly?! – Seth estranhou minha atitude, mantendo a porta da saída aberta para mim.
– Jared quis falar alguma coisa, mas de repente ele ficou mudo de novo. Me pareceu indeciso...
– Será que está com algum problema? – ele cogitou, mas sem uma preocupação demasiada na voz.
– Não sei... Deixa eu ver se ele fala comigo outra vez.
Três segundos depois:
“Lilian... Por favor, venha até o vestiário masculino com uma muda de roupas.” – ele pediu, parecendo bastante deprimido.
Alguma coisa séria havia acontecido, para ele estar pedindo pela minha ajuda assim. Céus, o que seria desse garoto sem mim?!
– Jared está me pedindo pra ir até o vestiário masculino com uma muda de roupas pra ele.
– Estranho... o que será que aconteceu?
– Não faço idéia. Vamos lá comigo, ele pode estar com problemas.
Essa era uma possibilidade realmente digna de preocupação. Se alguém como ele estava precisando de qualquer tipo de ajuda, é por que algo de realmente grave havia acontecido. Tio Emmett deveria ter alguma roupa masculina sobrando para fins de urgência. Fomos em busca dele o mais depressa possível.
“Agüenta aí, Jad. Já estamos chegando!” – disse, sabendo que ele não poderia me ouvir.
~~
Mas por que diabos Lillian estava demorando tanto a chegar?! Estava um frio de lascar ali dentro, com o aquecedor desligado e meu corpo úmido recebendo toda a frieza do vestiário vazio. Não quero nem saber... só tomaria banho dali pra frente na segurança do meu banheiro! Que ódio! Eu estava sentindo agora um ódio louco, capaz de me fazer derrubar todas as paredes daquele lugar.
Ao que parecia, eu estava completamente sozinho em um raio de, pelo menos, 150 metros. Emmett já devia ter saído para se encontrar com os outros no estacionamento, por que eu gritei feito um louco por alguém, mas ninguém veio ver o que estava acontecendo. Um corredor de uns 10 metros separava a quadra do interior do vestiário azul piscina – esse lugar que eu detestaria pelo resto da minha vida nas minhas lembranças, muito provavelmente. Mas eu nunca teria coragem de me locomover no sentido da saída, nas condições em que eu me encontrava. Não sei o que eu estava pensando ao me misturar com os idiotas da minha turma, sabendo que eles todos haviam virado meus inimigos depois da minha declaração arrogante ao líder deles, na sala de aula! Eu, provavelmente, pedi por isso que tinha acontecido...
Os babacas se aproveitaram da minha distração e deram sumiço em todos os meus pertences – incluindo as roupas penduradas na porta do meu chuveiro. Isso porque eu supus que seria melhor aguardar ali dentro, até que todos eles saíssem e eu pudesse ter o vestiário só pra mim de novo. Bem, no final das contas, eu consegui! Que ódio! Eu tinha coisas no meu Ipad que ainda não tinha colocado no backup do computador, e eu provavelmente nunca mais o veria, nem à minha mochila e caderno.
Demorou, pelo menos, uns 20 minutos desde o meu apelo à Lilly para que o meu socorro chegasse. A voz de Seth se anunciou no corredor de acesso ao vestiário, e logo depois ele apareceu com uma muda de roupas brancas nas mãos.
– O que aconteceu?! Por que você está aqui sozinho, nesse frio?! – ele perguntou, ao me ver naquele estado, sentado nu num banco e tremendo feito uma vara verde.
Eu suspirei e estendi a mão para que ele me atirasse logo a roupa. Ele fez isso, e eu percebi que se tratava de um uniforme extra do time de basquete. Ótimo, eu me sentiria bastante “confortável” naquela joça folgada...
– Emmet não conseguiu encontrar outra coisa. Desculpe. – ele noticiou, percebendo o meu descontentamento ao examinar as peças.
– Tudo bem, não tem problema... – menti. Eu ficaria muito atraente com as minhas partes íntimas frouxas naquele calção branco sem forro, nem suporte. Ainda bem que, a essa altura, o colégio já deveria estar praticamente despovoado.
Eu bem que poderia ter me vingado dos panacas que me fizeram isso, me transformando em pantera e os perseguido até o limite da exaustão deles. Mas isso seria uma idiotice ainda maior que a primeira... poria em xeque a segurança da escola – da cidade toda, na verdade – e a mesma poderia até ser interditada. Seria um tumulto grande demais por uma coisa tão inútil. Eu, sozinho, não seria capaz de mudar um sistema com séculos de existência, como era o das panelinhas influentes de atletas estúpidos. A melhor coisa a fazer seria nunca pôr os pés naquela escola outra vez. Achar, mesmo que por um segundo, que eu teria algum tipo de diversão ali dentro foi o meu pior engano. E daí se eles pensassem que haviam me derrotado?! No começo, eu já estava mesmo em busca de qualquer pretexto para me livrar dessa palhaçada... ninguém poderia me forçar a voltar, depois de algo assim ter acontecido, e eu não estava nem aí sobre como ficaria a minha imagem naquele lugarzinho insignificante! Com um pouquinho de chantagem emocional, eu conseguiria liberação para voltar a ser apenas o Jared Black de antes.
– Foram aqueles garotos da nossa turma que fizeram isso, não é?! – Seth não precisou do meu feedback para tirar as conclusões corretas.
Suspirei de novo e confirmei com a cabeça.
– Você não precisa se preocupar com isso. Amanhã, Emmett pode resolver esse assunto na diretoria!
– Eu agradeço a sua preocupação, Seth, mas isso não será necessário! Eu não tenho pretensão nenhuma de voltar para cá, depois de hoje! – anunciei, depois que terminei de me colocar naquele uniforme embaraçoso.
Ele não se dignou a contestar a minha decisão, mas não deixou de me lançar um olhar de preocupação. Por mais esquisito que isso fosse, ele sempre se preocuparia um pouco comigo do mesmo modo com que se preocupava com Lilly. E não era pra menos: ele nos viu nascer – literalmente.
– Jared, Seth – a voz de Emmett chegou do corredor até nós – andem logo! Edward já chegou e todo mundo está lá fora, esperando. Eu preciso trancar a quadra de novo!
A essa distância, meu avô já conseguia ler os meus pensamentos, se informar sobre o que havia acontecido e agora todos já deviam estar cientes dos fatos também. Isso não era, de um todo, ruim... Me pouparia o trabalho de ter que prestar os esclarecimentos eu mesmo! Me ergui sem vontade do banco e nós dois seguimos para a saída daquele lugar podre.
No meio do corredor, a minha raiva atingiu um nível tão alto, que se materializou em um soco na parede, que estilhaçou vários azulejinhos azuis. Aquela foi uma atitude bastante incomum à minha natureza – eu tinha uma tendência maior a reprimir sentimentos como raiva e indignação, transformando-os em descaso. Eu devo até ter assustado Seth com aquela grosseria. Quer prova maior do mal que aquela escola estava me fazendo?! Continuamos caminhando e ele só me deu um tapinha complacente no ombro, tentando enfeitar o momento e fazer parecer que o meu vandalismo não teria grandes conseqüências. Naquele primeiro e último dia da minha vida escolar, eu tinha mesmo que deixar a minha marca de alguma forma.
Aténuncamais, Forks High School!
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