Jared Lilly: Aventuras no Colegial!!
2 Capítulo 1 - Primeiro Dia de "Jaula" (Parte 01)
CAPÍTULO UM – PRIMEIRO DIA DE “JAULA”
Sabe qual é a parte mais legal em se começar na escola nova, dentro da minha realidade?! Entrar tão bem acompanhada por pessoas que já viveram essa experiência por tempo suficiente para não me deixarem cometer gafes. Uma a uma, eu fui vendo as minhas dúvidas sobre como agir, ou o que falar, desaparecendo em meio ao nosso papo descontraído durante o caminho. Ah sim, eu pedi para seguir no carro do meu avô Edward, ao invés de ir no dos meus pais. Não estava com estômago para aturar a presença irritante e lamuriosa de Jared por mais dois segundos que fossem... Ele estava pra me extinguir a paciência!
\\t\\t Então, agora, minha avó Bella, juntamente com o vovô e... Seth... estavam discutindo a síndrome do popularismo entre os gêneros de estudantes mais detestáveis que eu enfrentaria dali pra frente. Fui advertida sobre pessoas e sobre comportamentos que eu não tinha ciência e, num dado momento da nossa conversa, comecei a ter a impressão de que estávamos para entrar em uma savana, ao invés de numa instituição civilizada.
– Essa é uma boa definição para o colegial, Lilly! – vovô comentou em voz alta – Muito embora as savanas ainda sejam atrações turísticas com algum teor cultural...
\\t\\t Vovó riu ao entender a fala dele, e o carinha do meu lado também. Ainda não conseguia acreditar em como o meu coração estava frenético pelo simples fato de eu estar ali, perto dele... tensa feito uma foragida da justiça! Talvez tivesse sido mesmo melhor eu ter seguido no outro carro. Ignorar a existência do pedante do meu irmão certamente teria sido muito mais fácil do que ignorar aquelas olhadas que eu estava recebendo agora por parte do passageiro ao lado, enquanto eu fingia interesse no confronto “Nerds versus Atletas” que os dois da frente comentavam – mas, na verdade, estava a beira de morrer por insuficiência neurológica!
“Eu agradeço pela oportunidade de me divertir com o seu confronto sentimental...” – A droga da voz enjoativa de Jared me deu outro susto daqueles e eu pulei sobre o acento.
– Sai da minha cabeça, porcaria! – choraminguei, ciente de que ele não poderia me ouvir dessa vez. Acho que o meu apelo foi, na verdade, para que alguma força divina da natureza me socorresse.
– Qual o problema, Lilly?! – Seth perguntou. E não só isso... também encostou sua mão macia e quentinha no meu braço ao fazer a pergunta. Consegui, de algum modo, encontrar uma posição ainda mais retesada do que a de antes, cravando as unhas no banco.
– Nenhum! – resposta curta e grossa, pra não deixar escapar nenhuma das bobagens que eu estava pensando. Já foi um milagre eu ter conseguido me concentrar na ordem das palavras que ele falou.
\\t\\t Minha avó olhou pra trás para avaliar a minha cara, em seguida se virou de volta e suspirou.
– Lá vamos nós outra vez! – meu avô disse, de um jeito maliciosamente frustrado, sem se desconcentrar da direção.
\\t\\t Ah, o que eu não daria para ser normal nessas horas...
~~
\\t\\t Como sempre, estava caindo o maior toró em Forks. Mas nem teria graça se eu atribuísse aquilo a um prenúncio ruim... Chover nessa cidade era apenas inevitável, assim como o destino que todos haviam maquinado pra mim. Meus pais estavam na maior animação no banco da frente, esfregando na minha cara todas as supostas maravilhas da vida acadêmica. No meu estado, seria mais fácil sentir prazer com o ruído repetitivo do pára-brisas, esfregando os vidros a frente e atrás de nós, do que com qualquer assunto que começasse com as palavras “primeiro período” ou “aulas de campo”. Só pra não dizer que eu estava sendo injusto com aquela história toda de colégio, havia sim duas coisas que eu considerava maravilhosas na vida de estudante: o intervalo entre as aulas e as férias escolares! Mas, mesmo assim, ambas implicavam no fato de eu ter que freqüentar as aulas, então... tanto faz.
– Desemburra essa cara, Jared! – Emmett desdenhou do meu estado – Parece que você está indo para a forca.
\\t\\t Olhei pra ele, sem nenhuma emoção:
– Acho que eu nunca compreendi tão bem essa expressão como agora, tio.
– Ah, filho, fale sério! Eu aposto que, no fundo no fundo, você está ansioso para saber como é uma vida de estudante. – meu pobre pai pronunciou a sua avaliação iludida sobre o caso.
– Não é necessário enfiar o dedo na tomada, pra saber que a eletricidade dá choque... Não é preciso colocar a mão no fogo, pra saber que ele queima... Estou esquecendo de mais alguma outra?! – debochei
– Deixe estar, meu amor... – mamãe disse a ele – uma hora ele vai se cansar de bancar o durão e admitir que só está nervoso!
– Só se for pelo fato de eu estar para perder de vez a minha liberdade!
– Não seja tão ranzinza, Jad...Pense positivo! – Emmett não desistiria de tentar algo comprovadamente inútil: me animar.
– Eu vou ficar satisfeito se, ao final do dia, eu ainda estiver conseguindo pensar!
– Sinto te informar, filho, mas esse seu mau humor está começando a se tornar apenas um detalhe humorístico no nosso dia! – minha mãe disse, depois sorriu ao ver que estava certa: todos riram de mim.
\\t\\t Já estávamos bem próximos da “ilustríssima” Forks High School. Do seu canteiro florido. Da sua placa deprimente!
Abri o zíper lateral da mochila e catei meus fones de ouvido. Queria já sair do nosso veículo alheio a aquele universo medonho... Livre de me contaminar com a energia degradante da confraternização dos alunos.
\\t\\t Porém, mesmo do lado de fora dos muros, eu já consegui ter um vislumbre da avalanche de emoções que me aguardavam lá dentro para as próximas sete horas. Era exatamente o tipo de atmosfera asquerosa com a qual eu estive tentando não me misturar por toda a minha vida: as gargalhadas altas e ceninhas públicas, que na verdade encobriam teatrinhos fajutos de aceitação; conversas sem conteúdo proveitoso à humanidade, mas bastante úteis à promoção das guerrinhas ridículas por popularidade e rótulos – ao invés de por amizades sinceras; emoções dos mais frágeis condicionadas às vontades alheias, se alterando secretamente em uma freqüência detestável; a maioria se deixando comandar, a troco das migalhas da fama de uma minoria que estava em destaque – justamente por serem os exemplares mais estúpidos dentre a multidão; ressentimentos, egos feridos, aparências... sentimentos tão mesquinhos e misturados, que inevitavelmente me embrulharam o estômago. Mas foram coisas que eu previ desde o início. Pra mim, não era nenhuma novidade o fato de que no colégio, as pessoas só aprendem é a piorar o mundo! Já me senti idiota só por ter que me importar em detestar aquilo tudo. Mas, no meu caso, ou era isso ou eu me tornaria, na melhor das hipóteses, conivente com eles. E isso já era ruim, mesmo que só na minha cabeça.
\\t\\t Fizemos uma curva para entrar no estacionamento. O movimento do lado de dentro era mesmo massacrante. Guarda-chuvas... galochas e All Stars, chapinhando nas poças sobre o asfalto... mochilas de todas as cores, com bottons e penduricalhos... moletons coloridos... cabelos coloridos (aliás, tudo era epilepticamente colorido ali!)... Se abraçando. Se espremendo. Comemorando os reencontros, como se uma guerra os tivesse separado por 20 anos. Gritando os nomes uns dos outros, pra que o mundo inteiro sentisse interesse em saber quem ia sendo acrescentando às suas preciosas panelinhas. Status quo! Mediocridade total! E aqueles ainda eram os 10 segundos iniciais! Um começo nada promissor, eu já era capaz de dizer só por aí...
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