Aguardo ansioso a noite chegar. Pois nela jaz minha felicidade. Nos véus dos meus sonhos jaz ela. Ela é tão primorosa que talvez eu não possa descrevê-la com exatidão. Seu nome: Marielly. Como sei? Ela me disse certa noite. Sua voz é tão angelical que talvez você nem possa imaginar.

Meus olhos se fecharam. Lá estou novamente. No mais perfeito lugar que qualquer um poderia jazer.

No mundo feliz dos meus sonhos.

Meus pés acariciavam o chão coberto por um gramado verde vívido. Uma paisagem surgiu a minha volta. Árvores negras tenebrosas me cercaram ameaçadoras. Perguntei a uma delas:

— Onde jaz ela?

— Ela quem? – Murmurou uma das árvores com voz ríspida.

— A mais bela de todas!

— Branca de neve não jaz nesse lugar... – Respondeu a árvore com impaciência.

— Não falei dessa tal de Branca... – Murmurei com veemência. – Falei de Marielly!

— Marielly?! – Caçoou a árvore. – Desde quando ela é bela?

— DESDE SEMPRE!

A árvore, com ar de agastamento total, apontou um de seus galhos em direção a um campo de flores cor-de-rosa. Não agradeci àquela árvore grosseira. Corri. Deslizei dentre as árvores, estando finalmente no campo florido. No chão jaziam-se diversas rosas brancas e cor-de-rosa, culpadas pelo perfume sublime que adentrava minha narina.

Meus olhos se abismaram quando a focalizaram. Lá estava ela, sentada dentre as rosas perfumadas. Seus cabelos castanhos se esvoaçando a brisa. Uma de suas mãos delicadas segurava uma rosa branca. Gritei o mais alto que pude para que ela me escutasse. Ela me ignorou. A presença dela me causava felicidade, mas de repente meu coração apertou meu peito. Corri. Mas ela sempre parecia estar mais longe.

Corri, corri, corri.

Parei ofegante, mas ela continuava fora do meu insignificante alcance. Gritei por ela em prantos. Lágrimas prateadas escorrendo pelo meu rosto. Ao longe, ela virou seu rosto em minha direção. Meu coração parou, pensei por breves segundos que eu estava tendo um catastrófico ataque cardíaco. No entanto, era apenas a paixão fincando suas garras dolorosas no meu indigente coração. Ele sangrava de amor.

Pisquei por poucos segundos. Sem explicação precedente, ela surgiu a minha frente. Meu coração praticamente deflagrou em meu peito. Ela deitou seu delicado dedo indicador nos meus tremulantes lábios, me pedindo silêncio.

— Eu estou morta de amor por você! – Sussurrou ela com sua voz demasiadamente angelical.

Uma dor atingiu meu peito. Uma fenda sangrenta substituiu meu coração. Nas alvas mãos delicadas de Marielly jazia meu escarlate coração palpitante, sangrando paixão, fluindo sangue ao chão.

— Seu coração me pertence! – Sussurrou ela.

Acordei. Meus olhos escorrendo, mas não era de tristeza. Uma surpresa me esperava. Abri meus olhos. No meio do meu quarto bagunçado jazia ela, um sorriso confortante enfeitando seu rosto luminoso. Ela me mirou com seus penetrantes olhos castanhos, capazes de visualizar até minha alma.

Levantei-me e caminhei na direção daquele ser angelical. Ela segurou uma de minhas mãos, suas mãos eram docemente macias. Caminhamos até a janela para apreciar a visão que somente o quarto andar oferecia. O céu estava excessivamente brilhante, via-se até o manto branco da via láctea. Ela estava me convidando a pular a janela junto a ela. Saltamos em direção ao chão, em direção ao infinito.

Acordei no meu mundo feliz, abraçado calorosamente por ela. A mais bela de todas; a mais majestosa de todas. Tudo que irei precisar por toda a eternidade.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!