Jardim das Rosas Brancas (editando)
1 Capítulo 1
Notas iniciais
[... Uma casa antiga, com paredes resistentes ao tempo, o telhado necessitava de algumas reformas, mas nada que tirasse a magnitude da construção. Seu rol de entrada dava em uma longa escadaria que circulava toda a sala, adornada por vasos de rosas e estatuetas de anjos em mármore branco. A mais bela das estatuas era sem duvidas a da entrada, logo ao abrir a porta de madeira nobre e passar por seu portal de pedra branca, sendo a primeira visão que se tinha do interior da casa o anjo de longas assas abertas era um convite a adentrar a mansão...].
Já cansado de rodar sem rumo pelas pequenas ruas da cidade, Henry, finalmente resolveu estacionar em frente a uma pequena mansão, desembarcou do carro e atravessou a rua em direção ao belo jardim de rosas brancas, que circulava a casa por traz da grade de ferro ornamental. Ele observará uma mulher trabalhando no jardim pelo vidro de seu carro e como já estava perdido resolveu que o melhor seria pedir informações. Era a primeira vez que visitava Belo Forte, mesmo esta sendo uma pequena cidade do interior, com suas ruas pacatas margeadas por pequenos gramados, calçadas e canteiros de árvores, as ruas eram para ele como um labirinto, decorado e complicado de vagar.
Aproximou-se calmamente da mulher que parecia inerte em um mundo distante, onde retinha sua atenção às rosas que podava, antes de manifestar-se parou para analisa-la, reparou que sob o chapéu de palha claro, com florezinhas como adorno, se encontrava uma mulher jovem de pele clara, com longos cabelos loiros transados, vestindo uma jardineira e calçando luvas de jardinagem. Henry fitou por longos segundos o movimento que ela fazia, ao utilizar uma tesoura de poda para cortar alguns ramos de rosas e então deposita-los em uma sesta ao seu lado, ele teria ficado a observa-la por muito mais tempo, se está, não estivesse parado com seu trabalho, e agora o olhava pelo outro lado da grade.
_ Olá – disse ele constrangido por ter sido pego, mas prosseguiu. – Eu sou novo na cidade, e estou perdido, poderia me dar algumas informações?
Ela sem responder apenas o mirava. Do momento que se sentiu observada, logo parou com o que fazia e levou sua atenção ao homem de pé sobre calçada, este vestia uma calça jeans escura e usava uma camisa social, com as mangas dobradas e com alguns botões abertos no peito, era alto e os seus cabelos castanhos pareciam refletir sobre o sol, junto com a intensidade dos seus olhos verdes.
_ Desculpe, nem me apresentei. – continuou ele, visto que a mulher não esboçava nenhuma reação. – Eu sou Henry, o novo médico da cidade.
_ É um prazer conhece-lo, novo médico. – finalmente respondeu ela, sorrindo levemente ao se levantar – Está não é uma cidade tão grande para se perder. Ia para o consultório?
_ Sim! – respondeu com prontidão, e acrescentou – Para mim esta cidade com ruas iguais e pacatas parece como um labirinto enfeitado e complicado.
Sem segurar o riso alegre que escapou por seus lábios, a mulher fitou o homem a sua frente tendo a certeza que está era mesmo a sua primeira vez naquela cidade.
_ Está é uma visão bem inusitada. – concluiu, e prosseguiu – Está bem longe do consultório, ele fica do outro lado da cidade. Terá que atravessar o labirinto para chegar até lá.
Agora nem ele pode conter o sorriso em seu rosto. Retirou de seu bolso um pequeno mapa que baixara da internet, onde mostrava as ruas e casas da pequena cidade, estendendo a ela pela grade pode levemente rosar em seus dedos quando está pegou o pequeno pedaço de papel. Ele não soube dizer qual foi à sensação de toca-la, apenas sentiu como se uma corrente elétrica percorresse seu corpo tão rápido quando o rosar que tiveram. Algo em seu mais intimo lhe dizia que já a conhecia de algum lugar.
Ao receber o mapa o mesmo efeito foi sentido por ela, que no mesmo instante dirigiu seus olhos para as esmeraldas a sua frente sendo retribuída com o mesmo olhar da parte dele, algo que a fez corar minimamente.
_ Seu mapa está certo, não vejo como possa ter se desviado tanto de seu percurso. – disse ela, voltando a entregar o mapa, desta vez sem toca-lo. – Aqui é onde você está. – prosseguiu ao apontar no mapa, que ele segurava aberto, uma casa mais afastada das outras. – Siga por aqui, e depois vire à direita e siga em frente, passara por uma praça e então vire à esquerda – dizia ela enquanto apontava as ruas e curvas. Ele, ao qual deveria deter sua atenção a explicação do caminho, não conseguia desviar seus olhos do rosto a sua frente, a mulher havia chegado bem perto da grade passado um dos braços por ela para apontar o mapa, enquanto o outro ficara abrasado a está segurando as luvas retiradas antes.
Henry não podendo deixar de pensar que, se não fosse pela barreira de ferro que a cerca formava entre eles, estaria a centímetros de distancia da boca dela, a qual seus lábios poderiam romper em segundos. Deu alguns passos para traz, antes que fizesse algo impensado, mas não pudera conter sua imaginação, apenas de cogitar beija-la já o deixava extremamente inquieto. Ao fazer isso assustou levemente à mulher, que o olhou confusa, pelo súbito movimento que o médico fizera.
_ Desculpe, mas acho que eu não estava entendendo. – disse rapidamente sem querer demonstrar a verdade por trás de sua ação. – Poderia explicar novamente? – questionou ele voltando para o lugar onde estava.
_ Claro. – assentiu ela, que mesmo estranhando as ações do rapaz resolveu prosseguir. – Como eu dizia, é só seguir por aqui... – Depois de ter feito a moça explicar mais três vezes o caminho, Henry finalmente entendeu como chegar ao consultório de cidade.
_ Obrigada por me explicar o caminho, mais vezes que o educado. – agradeceu ele com um sorriso nos lábios. — Acho que agora conseguirei atravessar o labirinto.
_ Sem problemas, que bom que pude ajuda-lo – disse ela rindo suavemente. – Se precisar de algo, não deixa de pedir, todos aqui são muito gentis com pessoas novas. – concluiu. O medico não pode deixar de notar como uma sombra passou pelos olhos risonhos da mulher, enquanto ditava a ultima frase, como se algo pesasse em seu interior. Isso o incomodou de uma forma que não soube identificar, apenas não queria vem àquela face manchada por outro sentimento que não felicidade.
Depois de se despedirem ele rumou para seu carro, ao qual abriu a porta sentando-se no banco colocando o sinto de segurança, voltou a olha-la pela janela antes de dar a partida no automóvel. Reparou que ao em vez de voltar ao que fazia, a moça pegará a sesta com as rosas e agora rumava para dentro de sua casa. Pode reparar então que era uma construção muito bela, e maior do que pensara antes.
Esperou a mulher sumir pela porta de entrada, então deu partida, seguindo as instruções que ela lhe passara. Depois de virar a direita na primeira curva, seguiu até passar a praça, esta muito delicada a seu ver, retinha grandes árvores folhosas e ornamentais, que se complementavam com os canteiros de flores coloridas e a calçada de pedra que seguia pela extensão da praça, sob os bancos de madeira.
Depois de percorrer toda a cidade para chegar ao seu destino, Henry finalmente estacional em uma vaga na frente deste. Apeou do carro após fechar os botões da camisa e arrumar as mangas desta, pegou sua parta no banco ao lado, deixando sobre este apenas a folha com o mapa que usará, seguiu em direção à entrada do consultório, o qual a primeira vista se parecia muito com as outras casas da vizinhança, certamente se confundiria com o endereço se não fosse pela placa – Consultório Médico: R&C Associados – que ficava ao lado do portão baixo de madeira, que levava a uma pequena calçada, e esta a porta de entrada que o rapaz logo abriu.
Logo que passou pela porta, se deparou com uma sala com cadeiras e sofás, onde duas pessoas esperavam para serem atendidas, entre os moveis da sala, estava uma pequena mesa de centro contendo algumas revistas e um pequeno arranjo de flores, na parede atrás do sofá via-se um quadro de uma paisagem com cores sutis, a esquerda deste, entre o sofá e uma cadeira, estava um vaso de folhas verdes e a direita seguia um corredor com algumas portas, que Henry pensará serem as salas para consulta.
Do outro lado da sala, havia um balcão sob uma janela, onde acima desta uma plaquinha com o dizer: RECEPÇÃO, escrito em vermelho, indicava para onde o médico deveria seguir. Ao se aproximar da recepção viu, por detrás do balcão de madeira marrom, uma mulher sentada que retinha um crachá com o nome de Noêmia e a informação de que era a enfermeira.
_ Boa tarde. – cumprimentou a mulher, que deveria ter em torno de uns quarenta e cinco á cinquenta anos. – Eu sou o Dr. Henry Oswald foi contratado para ficar no lugar do Dr. Carter.
A mulher que antes digitava algo no computador, sobre a mesa atrás do balcão, levantou sou olhar para o jovem médico que se apresentava. Certamente as coisas iriam mudar por ali, pensou ela ao analisar o rapaz.
_ Boa tarde. – tornou o comprimento que recebera. – Eu sou Noêmia, enfermeira e secretaria do consultório. – e prosseguiu após arrumar seus óculos, e visualizar as horas no relógio de parede que ficava ao lado da porta de entrada. – Esta atrasada, o Dr. Thomas foi atender um chamado, mas o receberá quando retornar.
Henry se desculpou pelo atraso e agradeceu a mulher, que lhe lançara alguns sorrisos, indo então sentar-se no sofá ao lado esquerdo, visto que uma mulher, que carregava uma avantajada barriga de gravida sentava-se do outro lado. Cumprimentou-a e também ao senhor que estava na cadeira ao lado da porta.
Vinte minutos depois que sentou para esperar, Dr. Thomas entrou apresado pela parta, segurando sua maleta preta, que continha o necessario no atendimento que prestou. Tinha sido chamado a casa de repouso para idosos da cidade, pois uma das senhoras que lá morava estava com uma virose e se recusava a ir até o consultório para ser atendida. Depois de falar rapidamente com enfermeira, o doutor seguiu para a primeira porta do corredor e entrou por esta, logo em seguida chamando o nome da mulher que estava gravida, que levantou e também entrou na sala. Depois da consulta da mulher, foi à vez do senhor, quando este foi embora se despedindo da enfermeira e de Henry, já aviam se passado mais de uma hora.
_ Dr. Henry, desculpe a demora em vir lhe receber. Mas os pacientes vêm em primeiro lugar. – disse o medico mais velho estendendo ao rapaz a mão direita em comprimento.
Logo que foi retirado dos devaneios, sobre o encontro com a mulher no jardim de rosas brancas, que começaram assim que sentará no sofá e seguiram por mais de uma hora, sem que ele houvesse percebido, Henry levantou e com um aperto de mão forte cumprimentou o senhor a sua frente.
_ É um prazer conhece-lo. – ditou educadamente. – Não precisa se desculpar, concordo plenamente com o senhor, o paciente deve sempre vir em primeiro.
_ Venha, vamos conversar em minha sala. – indicou o doutor a porta aperta. Assim que passou pelo vau da porta, Henry avistou uma grande mesa de madeira do outro lado desta, com uma cadeira atrás e duas na frente, ao que indicava qual era a do doutor e quais as dos pacientes, olhou em volta depois de se sentar diante a mesa, constatando que aquele era um típico escritório medico, possuía estantes com livros em uma das paredes e em outra os diplomas e certificados de medicina, enquadrados na parede, entre outros objetos e moveis que não deu atenção, pois esta se voltava ao senhor sentado a sua frente. – Estamos muito felizes por termos um medico tão jovem querendo trabalhar em nosso pequeno consultório.
_ Eu é que fico feliz por poder trabalhar aqui, desde que me formei visava clinicar em um lugar assim. – disse Henry sem esconder a alegria que continha. – Sinto ter chegado atrasado, mas me perdi e acabei do outro lado da cidade.
_ Não se preocupe como viu também me atrasei. – disse o senhor de forma gentil. – Mas como se perdeu? Esta é uma cidade pequena para errar o caminho.
_ Sinto dizer, mas sou péssimo com localização e as ruas da cidade me pareciam todas iguais, da mesma forma que as casas. – disse o rapaz com um sorriso envergonhado. – Se não fosse pela ajuda de uma mulher creio que não chegaria aqui hoje.
_ Que bom que chegou. – disse o Dr. Thomas rindo alto. – O povo da cidade é muito gentil com pessoas novas por aqui. – seguia contando o senhor, o mesmo que a jovem o havia dito. – Como é o nome da mulher que lhe ajudou? Sendo uma cidade pequena tenho certeza que a conheço. – concluiu.
_ É... – pigarreou o rapaz. – Sinto não ter perguntado o seu nome, mas ela morra em uma mansão um pouco afastada, do outro lado da cidade, tem um belo jardim de rosas brancas que circula a casa. – dizia o rapaz, mas parou quando a expressão do doutor mudava de sorridente para uma cara seria. – Algum problema? – perguntou em sua ignorância.
_ Não nenhum problema. – respondeu prontamente o doutor voltando a sua expressão de entes, algo que fez o rapaz se indagar internamente do porque da mudança do outro enquanto falava da moça que o ajudará. – Bom deixando isso de lado, gostaria de conhecer o consultório? Temos ao fundo uma clinica que trata de alguns casos de internação na cidade. – perguntou Dr. Thomas, se levantando se sua cadeira e seguindo em direção à porta da sala, o rapaz prontamente seguiu o mais velho, que ainda estava incomodado com o fato do mais jovem ter conhecido aquela moça justo em seu primeiro dia na cidade, claro que não deixava seu aborrecimento transparecer ao outro.
Henry seguiu o doutor por todo o consultório e a clinica, este ia à frente relatando tudo ao rapaz, desde o funcionamento á como eram realizados os atendimentos. Depois de terem visitado cada sala e andar da construção, Henry constatou que está era maior do que aparentava e retinha mais funcionários do que ele imaginava. Pararam a visita em um dos consultórios com acesso pelo corredor que virá ao chegar.
_ Acho que lhe disse o essencial para trabalhar aqui. Caso fique em duvida em algo fale com Noêmia, ela o ajudará. – começou a concluir Dr, Thomas. – Este será seu escritório, pertencia ao Dr. Carter que se aposentou, pode mudar a decoração se quiser.
_ Obrigado Dr. Thomas por me mostras tudo, estou ansioso para começar. – respondeu sincero o jovem medico, que agora olhava em volta a nova sala na qual trabalharia, constatou que a decoração era semelhante a do consultório do Dr. Thomas, só tirando os objetos pessoais.
Dr. Thomas se despediu de Henry deixando este à vontade para explorar o lugar. Depois que foi deixado sozinho, Henry caminhou em torno da mesa de madeira, e puxou a cadeira atrás desta para sentar, constatou que teria que comprar uma cadeira nova, mas fora isso estava feliz de estar ali.
_ Certamente será ótimo trabalhar aqui. – disse para si mesmo enquanto olhava tudo a sua volta.
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