Jar Of Hearts
11 This twisted cat and mouse game.
Notas iniciais

Ao sair do hospital eu pude perceber o quão havia perdido de um dia dentro de um quarto. Não perderia mais dias em uma prisão. Não existe espaço no mundo para incompetentes. Se tudo der errado, eu tenho o plano M de morte. Eu acredito que não seja tão ruim, exceto se você acredita em inferno… Ai é muito ruim. Sorri ao pensar nisso. Paola me observava pelo retrovisor do carro. Eu sei o que passa pela sua cabeça, mas ela não chegava nem tão perto de me decifrar. Ao pararmos na porta do cemitério, eu pude ver a família dela. Nos encontramos uma vez só, ela não era muito conectada a eles. Eles pareciam abalados. Lembrei dos meus pais. Se existia amor em meu coração, ele seria distribuído igualmente por três: Meus pais e a pessoa que mais cuida de mim e se importa comigo. Mas também não consigo dizer se é amor. Não sei se alguém com pensamentos e ações com os meus, se eu experimentei o amor, não saberia dizer. Eu achava que amava o Theo, mas eu acredito que amo mais a vingança que cresce como propósito dia após dia dentro de mim. Paola parou na porta, abaixou até a janela.
—Não vamos colocar algemas aqui. Mas quero informar que tem dois atiradores posicionados, se fizer qualquer movimento que coloca outra vida em risco, eles vão matar você sem pensar duas vezes. Estamos entendidas?
Ela já estava me enchendo o saco.
—Sabe Paola, eu não sei se vocês esta tentando me intimidar ou não, mas deixa eu dizer algo a você. Escute com atenção.
Desci do carro e fiquei muito próxima a ela.
—Eu não sei de onde a sua arrogância está saindo, mas eu vou adorar ver aonde você vai esconder ela, acompanhado de a sua vergonha quando eu sair livre, como uma borboleta que acabou de metamorfosear e exibe suas asas livremente. Sim, eu perdi minha namorada, e há muita coisa em jogo, mas não vou deixar você ferrar a minha mente, para se sentir mais mulher, imagina que vergonha seria seus superiores descobrirem, o que você e o detetive Ferrow faz nas salas da Interpol? Infelizmente vivemos em uma sociedade machista conservadora, uma fofoca, e te convidam a se retirar do caso só para mostrarem que o pau deles tem mais poder, do que nossas palavras. Não jogue comigo, não seja minha adversária… Tudo que começa termina, e as vezes em um processo mais trágico.
—Isso é uma ameaça?
Fechei o rosto em tristeza.
—Isso é a defesa de uma mulher apaixonada que acabou de perder o amor da sua vida.
A frustração na cara dela, sensacional. Mas não pude desfrutar por muito tempo. Quando a mãe da Heiner me viu correu e me abraçou. Fiquei surpresa, pensei que ela seria minha inimiga aquele ponto, não imaginava um abraço maternal.
—Me desculpe, pelo que ela fez. Eu sabia que havia algo muito errado com ela. Tentamos de tudo, até intervenção psiquiatra. Moramos um tempo em Portugal, tivemos problemas lá e depois nos mudamos, algumas vezes para ser mais exata, ai um dia ela resolveu ir morar só. E agora eu perdi minha garotinha…
Espera… Ela disse Portugal? Três anos antes de vir para Irlanda foi noticiado dois desaparecimentos. Os corpos foram encontrados desfigurados, só que foram crimes desleixados na base do ódio. Isso significa que eu não criei o monstro, ele já existia.
—Eu sinto muito Sra. Heiner. Eu… N-não sabia disso. Ela me contou o necessário eu acho. Convivi com ela todos esses anos, mas eu acho que não sabia quem ela era…
—Nós que sentimos, Cecilia. Você entrou no meio do caos e ficamos calados. Ela quase…
—Ela não me faria mal…
Faria sim.
—Sabemos do tiro. Sabemos que ela matou suas colegas.
Paola bufou em desprezo.
—Você zomba de nos? Do nosso sofrimento?
A mãe da Heiner deu uma bofetada na cara de Paola. O oficial que estava conosco se aproximou, mas Paola fez sinal para que ele não se movesse.
—Estamos de luto e você bufa como se soubesse de algo que nos não sabemos? Quem é você?
O Pai da Lizzie, segurou a esposa pelo braço. Eu assistia de camarote, ela fez um pouco do todo que eu tinha vontade de fazer com ela.
—Vamos querida. Vai começar.
Ela passou a mão pelas minhas costas e fomos andando. Olhei para trás para ver a cara de desmoralização que a Paola ficou. Fantástico. Entrei na capela aonde o corpo da Heiner se encontrava. Senti um arrepio ao lembrar do meu sonho. A capela é bem parecida com o lugar que estávamos no sonho. Fiquei pensando se Deus seria capaz de me perdoar. Cheguei a conclusão de que não. Eu já estava com pecados até o pescoço, afundada em lama, ou melhor, sangue. Me aproximei do caixão. Ela estava serena, como se dormisse profundamente. Me abaixei, beijei o local do tiro.
—Poderíamos ter sido muito mais do que isso. Mas você foi fraca. Por outro lado, serviu ao seu propósito. Obrigada, Elizabeth Heiner.
Beijei seus lábios frios. E recuei com o lenço enxugando as lágrimas forjadas. Foi uma cerimonia linda. Eu aproveitei aquele momento para descansar mente do que viria logo em seguida. Ao sair da capela, abracei a mãe dela. Paola estava no carro, em esperando de uma forma impaciente. Quando nos aproximamos, a Sra. Heiner olhou para ela disse:
—Você deveria deixá-la ir. Existe muito bandido de verdade que precisa ser pego.
—Se ela for inocente Sra. Heiner, certamente ela sairá livre.
Eu ria por dentro. Ela estava começando a ficar desesperada. E eu me deliciava um pouco mais. O caminho que pegamos não era o do hospital. Fomos para a sede da Interpol na Irlanda. Chegando lá eu não vi Ferrow. Fomos para uma sala fechada, iguais as salas que nos vemos nos filmes. Paola se sentou em uma das cadeiras, e o outro homem que ainda não havia se apresentado ficou próximo a porta fumando um cigarro.
—Srta. Tommlison…
Ele começou falando.
—Posso te chamar de Cecilia?
—Eu não me importo.
Falei fitando os dedos.
—Não imagino o que você tenha passado dentro daquele galpão. As últimas 24 horas tem sido muito estressante não é?
—Eu fui quase morta duas vezes, descobrir que minha namorada é uma assassina psicopata e a perdi. Minha vida agora está uma bagunça e vocês me acusam sem ter provas. Estressante seria eufemismo. Me digam por que eu ainda estou aqui?
—Tem algumas coisas que não entram na nossa cabeça Cecilia. Parece tudo muito orquestrado, planejado, alguém que faz isso, não pode simplesmente surtar depois de fazer isso tudo. Qual o objetivo?! Ao que parece, ela surtou por você. Mas porque alguém que se reencontrou, surtaria?
Permaneci em silêncio por alguns segundos.
—Seu nome.
—Perdão?
—Eu não sei o seu nome.
—Detetive Thomas Axel.
—Você esta dizendo que eu mandei e ela obedeceu? Porque é simples assim. Você encontra alguém na rua e pede que ela arranque corações por você?
—Cecilia, Heiner datou cada um dos crimes com detalhes, aonde você estava enquanto ela cometia os crimes?
—Eu não sei, em casa? Ou seja, lá aonde ela tenha cometido os outros crimes? Não morávamos juntas. Eu não ficava 24 horas por dia com ela.
—E a viagem de vocês?
—O que tem? Viajamos muito.
—Em uma de suas viagens, ela matou Lena Cobe.
—Teve uma noite que eu fiquei sozinha no hotel. Alguém pode confirmar.
—E aonde ela foi?
—Ela fazia caminhadas noturnas regulares, pelo menos uma hora ou uma hora e meia ela levava para voltar para casa.
—E você não a questionava?
—Nosso relacionamento era livre de perguntas tóxicas. Nunca privei ela de fazer nada. E ela também não me privava, detetetive.
Ele tinha uma pasta em sua frente, como se checasse cada palavra. A rotina das caminhadas já pertenciam a Heiner, eu só adaptei ao que precisava. Eles repetiam algumas perguntas, a fim de me pegar na mentira. Só que eu fui minuciosa. Eu planejei de forma detalhada. Inúmeras vezes repassei esse dialogo na minha cabeça. Pode ter passado duas ou três horas desde o início do interrogatório. O local do tiro doía, afinal de contas eu não tinha tomado o remédio receitado pelo médico. Certamente uma estrategia da policia. Mas as coisas mudaram em menos de um minuto. Meus pais haviam chegado, junto com o advogado da família.
—Interrogando ela sem a presença do advogado? Se não vai acusar ela formalmente, libere minha cliente antes que eu processe vocês por coerção.
A cara de frustração da Paola me deixava maluca de felicidade, mas eu não podia demonstrar. Sai abraçada por minha mãe e meu pai fomos obrigados a sair pelos fundos para não enfrentar a imprensa, ainda sim, havia muitos cercando todas as dependências do prédio. Fomos para o hotel aonde meus pais estavam. Tomei um longo banho, troquei as bandagens do meu ferimento e tomei a medicação prescrita pelo médico com wisky. Meu pai me abraçou.
—Eu sinto muito filha.
—Eu também, papai. Pra te falar a verdade eu não, sei o que eu to sentindo.
—O luto é assim…
—Não sei se estou de luto pai. Nem sei se eu tenho algum sentimento aqui dentro.
—Todos temos.
—E se eu for diferente?
Ele me olhou, deu um beijo em minha testa.
—Se você for diferente Cecilia, nada vai me impedir de te amar. Você é tudo que nos temos.
Eu encolhi nos braços do meu pai e dormi. Dessa vez eu não tive pesadelos.
Fale com o autor