Jantar a três
1 Jantar a três
Notas iniciais
Tudo se passa nas semanas de calmaria em Storybrooke.
- Não se esqueça de colocar ele para dormir só depois das oito, se não ele vai acordar fora de horário durante a noite. – Disse Branca enquanto anotava fervorosamente alguns recados importantes em um pequeno papel.
- Mãe, até parece que eu nunca cuidei de um bebê antes.
- E você nunca cuidou, pelo menos não de verdade.
- Acho que minhas lembranças de cuidar do Henry servem perfeitamente. Não tem com que se preocupar. E eu não vou estar sozinha...
Encantado, que se encontrava encostado na escada observando divertido a situação, se mexeu desconfortável ao ouvir a última frase da filha. Por mais que concordasse com o relacionamento de Emma e Gancho, nunca fora muito a favor de deixá-los sozinhos por tantas horas, ainda mais em seu próprio apartamento.
- Ele precisa mesmo vir? Acho que você consegue se virar sozinha... – Disse David tentando parecer tranquilo.
- Não começa. Já está decidido desde ontem. Killian vai jantar aqui hoje, e nada que você diga me fará mudar de ideia. – Cortou Emma antes que aquilo virasse uma nova discussão. – Agora vão logo ou perderão o horário do restaurante.
Emma pegou o cachecol da mãe que estava sobre a mesa e enrolou de qualquer jeito ao pescoço da mesma. Enquanto Encantado abria a porta do apartamento, a filha já estava levando Branca para a saída.
Um barulho no corredor chamou a atenção deles e os três viraram o rosto em direção as escadas. Parado no meio do caminho estava Killian surpreso. Pela expressão do seu rosto o jovem vinha subindo as escadas distraído quando a porta se abriu de repente. Tinha consigo um pequeno embrulho, cujo qual escondeu rapidamente atrás das costas.
- Killian! Já chegou? – Disse Emma surpresa.
- É, eu já estava no meio do caminho e achei que já tivessem ido a uma hora dessas...
- Claro, já estávamos de saída. – Branca interrompeu o silêncio enquanto puxava o marido pelo braço escada abaixo. – Até mais tarde.
- Até. – Respondeu Emma à mãe enquanto mantinha os olhos no embrulho que Killian tentava inutilmente esconder.
Quando os últimos paços de David e Branca foram ouvidos Killian saiu de sua posição inicial e se aproximou de sua garota com um sorriso. Estava preparado para cumprimenta-la com um beijo, mas parou no instante em que percebeu o olhar desconfiado de Emma.
- O que foi?
- O que está escondendo aí?
- Ah, isso? Vinho. – Respondeu ele enquanto tirava a garrafa do esconderijo – Para variar.
- Bebida, Killian? Como é possível manter minha mãe calma quanto a isso, se você traz bebida para cuidar de um bebê?
- Ele não vai ficar acordado a noite toda, vai? – Disse killian entrando no apartamento logo após roubar um breve beijo de Emma.
- Ok, mas isso não é uma festa. Comporte-se.
Como se pressentisse a partida da mãe, Neal, que até então brincava distraidamente com as próprias mãos, resmungou algumas palavras incompreensíveis e começou a chorar baixinho.
- Pode olhar o Neal para mim um instante? Preciso ficar de olho na panela. – Disse Emma apontando para o berço.
Killian levantou uma das sobrancelhas e olhou confuso para Emma. Sabia que ambos estavam ali para cuidar do pequeno, mas em nenhum momento lhe passou pela cabeça que ELE teria que cuidar da criança.
- Está falando sério?
- killian, eu não posso cuidar do jantar e segurá-lo ao mesmo tempo. A menos que você tenha dotes culinários, vai precisar fazer isso por mim.
- Mas eu nunca...
Por alguns segundos apenas o choro de Neal podia ser ouvido enquanto um silêncio constrangedor pairava entre os dois.
- Você nunca segurou um bebê? – Debochou Emma.
- Não sei se você sabe, mas não temos muitos bebês em navios piratas! – Respondeu bruscamente.
Emma riu da situação e foi até o berço consolar o irmão. Agora que parava para pensar, era obvio. Um pirata como ele nunca tivera tempo de brincar de casinha, muito menos de estar próximo de bebês.
- Bem, eu preciso de você. Então espero que aprenda rápido.
Sem pensar duas vezes Emma estendeu o irmão na direção dele. Esperou pacientemente até que Killian conseguisse domar os próprios braços e se ajeitar com o menino no colo. Ainda rindo da cara assustada do namorado Emma se afastou em direção ao fogão.
- Ei, O que eu faço para ele parar de chorar? – Disse Killian levemente irritado.
- Tente balançar o corpo, eles gostam...
Killian um pouco desajeitado começou a balanças o menino de leve enquanto tentava ignorar o sorriso vitorioso de Emma. Ela adorava quando achava uma situação em que ele ficasse desconfortável e consequentemente perdia a pose.
De tempo em tempo Emma olhava na direção da sala. Hora encontrava Killian lutando contra as mãos de Neal tentando agarrar a corrente que tinha no pescoço, hora observava-os conversando em uma língua desconhecida. Até que depois de alguns minutos tudo ficou em silencio, e curiosa, Emma deixou de lado seu posto de cozinheira.
- O jantar está quase pronto... – Disse Emma se aproximando da sala — E por aqui, como vamos?
- Acho que ele dormiu.
- Veja só, o pirata tem jeito com crianças.
- É, não foi tão ruim quanto eu pensei.
Emma sorriu e se sentou ao lado de Killian. Apoiando o braço direito no encosto do sofá, acariciou com a mão livre a bochecha do irmão. Depois de alguns segundos pensativa, disse cautelosa:
- Bem... Você tem mais de 200 anos Killian, é até difícil de imaginar que nunca teve um...
- ... Bebê? Não que eu saiba. – Completou Killian com um sorriso brincalhão. Emma surpresa com a resposta parecia não saber se deveria rir ou se preocupar. Era como se ele já imaginasse que esse assunto surgiria, e como sempre, tinha algum comentário sarcástico na ponta da língua. – Como disse antes Emma, não temos muitos bebês em navios piratas.
Ao perceber que o comentário não passava de uma piada Emma sorriu de volta. Ficaram ali os dois em silencio, observando Neal adormecido nos braços de Killian. Tudo parecia perfeitamente certo e por alguns segundos Emma se perdeu em um pensamento. Ali, naquele momento aconchegante, imaginou nos braços de Killian, não seu irmão, mas o seu próprio bebê. Se admirou com a ideia de um pequenino com aqueles olhos azuis que tanto lhe faziam bem, com certeza ele seria lindo, como o pai. Killian estava distraído, mas um sorriso que nunca havia visto no rosto de Emma lhe chamou a atenção.
- O que foi?
- Hum? – A voz firme de Killian a fez voltar a realidade e no momento em que percebeu até onde sua imaginação tinha ido, não conseguiu conter a vergonha e seu rosto ficou completamente vermelho.
- Por que está ficando vermelha?
- Eu, eh...
De repente uma das panelas que estava no fogo começou a se agitar e ambos pularam de susto. Emma respirou fundo e viu a oportunidade perfeita de fugir do assunto. Continuar ali seria arriscado demais.
- Ops, quase esqueci do jantar. – Disse Emma rindo forçadamente enquanto corria para desligar o fogo. – Acho que já podemos comer...
Killian ficou observando a reação de Emma desconfiado, enquanto a loira se perdia no preparo dos pratos o pirata revivia os últimos minutos em sua mente. De repente Neal se mexeu no sono e com um resmungo chamou a atenção de Emma para a sala.
Como que num passe de mágica os olhos verdes se encontraram aos azuis, e com o que Killian viu refletido neles, tudo fez sentido.
- Pode ficar aí, eu me viro sozinha... – Disse Emma tentando impedi-lo de se aproximar.
Porém Killian estava decidido. Antes que ela tivesse tempo de fugir novamente o pirata já estava ao seu lado. Encostou-se na pia da cozinha e sussurrou para ela:
- Não precisa ter vergonha, eu sei que sou irresistível em muitos aspectos...
Emma ficou parada, sem reação. Um pensamento assustador lhe consumia a alma:
“Como ele sabe?”
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