Janelas da Morte

1 Janelas da Morte


Sei lá... De uns tempos para cá tem sido difícil apreciar a vida. Parece que a mesma não tem valor algum para as pessoas. Sempre fui alguém que exalta o ato de estar vivo, de que devemos agradecer a alguma entidade por nos proporcionar respirar, sabe? No entanto, o que tem acontecido é algo fora do comum. Pessoas estão se matando com muita frequência... Diria que tenho visto muitas mortes e de alguma forma me sinto culpada.

— Você deveria parar de documentar todos os dias da sua vida, pois poderá ser interpretado de formas diferentes e quem sabe você pode ir parar na cadeia.

— Ou isso pode ajudar a livrar meu rabo dela.

— Não sei. Não parece tão simples, Gina.

Afonso era um grande amigo. Ele sabia das coisas que tinham acontecido, até porque ele mesmo presenciou algumas delas.

— Bom, tenho que ir, Alf.

— Você sabe que odeio esse apelido... Faz com que eu pareça um extraterrestre, Gina.

— Tá, tá. – Dei um tapa nas costas de Afonso.

— De qualquer forma, vamos sair outro dia? Estar com você é algo que favorece ao meu bom humor.

— Tudo bem, mas agora preciso ir. Até mais, querido!

Resolvi sair de casa. Era interessante escrever, eu amo. Às vezes. É uma relação complicada e não tão fácil de colocar em palavras. Entretanto, consigo descrever muito do que acontece na minha vida, por isso mantenho um diário e garanto que tenho coisas interessantes para contar. Aposto que ao chegar na rua já terei algo. Eu deveria ser uma jornalista... Ganharia dinheiro fácil com notícias trágicas de primeira mão.

Reparei que o dia estava nublado, mas isso não significa absolutamente nada. Os outros dias estavam ensolarados ou chuvosos, cada um com sua beleza própria e mesmo assim tive que presenciar cenas horríveis. Outro dia um cara com uma tatuagem de um corvo na panturrilha esquerda simplesmente foi assaltar uma pessoa e, ao apontar a arma calibre 38 para a suposta vítima, teve um ataque cardíaco e faleceu no local. Eu vi tudo e lembro de cada detalhe.

— Cuidado, não vá por aí.

Era uma voz familiar, porém sem atribuições físicas. Eu não sabia quem era ou onde estava, mas essa voz geralmente me salvava de algumas enrascadas.

— Tudo bem, misterioso. Irei pelo outro lado, tá?!

Assim ele ficou quieto. Não sou uma pessoa curiosa, então não fiz questão de dar a volta e procurar o que estava me esperando. Apenas fui para o meu trabalho. Ao chegar lá, cumprimentei a todos e sentei no meu local de trabalho que era composto de uma mesa discreta que eu dividia com uma pessoa bem rabugenta e ainda por cima não tinha ar condicionado. Era complicado sentir calor todo dia, isso estressava muita gente.

— Você está invadindo meu espaço.

E lá vem o cara rabugento outra vez. Bob era uma pessoa difícil. Gostava de futebol, bebidas e ir ao banheiro para lavar as mãos. O pior é que eu tinha esbarrado sem querer nele ao colocar minhas coisas na mesa.

— Bob, vamos dar uma chance para a paz.

— Vou dar uma chance para que você tire suas coisas do meu lado da mesa.

Ele não sabia argumentar bem, não sabia ser gentil... Não sabia muitas coisas. Nem sei o motivo dele estar vivo, talvez fosse melhor que ele, sei lá, sumisse, pois a vida não deve ser interessante para ele mesmo. Resolvi pegar um café ou qualquer outra coisa, só queria mesmo sair dali para não me estressar também. Esse tipo de coisa é contagiosa.

O café estava delicioso. Nem mesmo eu que odeio café poderia reclamar. Tomei uns goles e joguei o restante fora, afinal pessoas não mudam de gosto da noite para o dia. Caminhei lentamente para a minha mesa de trabalho, não estava com muita vontade de dar dinheiro para os outros.

— Onde está o Bob? Foi ao banheiro de novo?

Ninguém respondeu, ninguém se importava. Era muito estranho todo esse modo de tratar o Bob, pois não entendo como um ser humano não pode ser gentil com o outro, já que somos todos semelhantes. Resolvi checar o banheiro. Não tinha medo de entrar no masculino, às vezes fazia isso só para ver a reação dos rapazes. Geralmente eles falavam umas besteiras.

— Bob? – Abri a porta lentamente.

Ninguém respondeu, mas estranhei o fato de não ter ninguém. Como eu tinha chegado atrasada, já era pós-almoço e geralmente essa é a hora que os indivíduos tiram para estragar o vaso sanitário.

Chamei novamente.

— Pode falar, seja quem for, só estou procurando aquele idiota do Bob.

Nada. Nem um sinal. Dei de ombros e fui andando em direção ao estacionamento do trabalho. Lembrei que tinha um banheiro lá. Ao chegar lá disseram que algo tinha acontecido lá dentro.

— Certamente aquele porco não deu descarga. – Reclamei.

Notei que as expressões no rosto de um dos funcionários era de aflição, parecia ter visto uma cena bem terrível. Arrisquei perguntar o que houve.

— Amigo, pode explicar o que houve aqui, por favor?!

— Um homem muito rabugento entrou no banheiro e pouco tempo depois ouvi um grito. Vim correndo para ver o que era e tinha um corpo caído bem no meio do chão com os olhos saltados.

Essa explicação. Por quê? Sei que disse que não era curiosa, mas resolvi dar uma olhada rápida lá dentro do banheiro. Era Bob. Fiquei chateada, mas confesso que não por muito tempo. Apenas virei e saí dali o mais rápido possível. Não aguentava mais ver algo tão valioso como a vida evaporar na minha frente. Depois desse acontecimento muita coisa rolou lá. Foi um dia e tanto. Quando cheguei em casa já era tarde da noite.

— Cheguei, pessoal!

Eu falava isso, mas morava sozinha. Só gostava de achar que tinha alguma companhia.

— Que bom! Está atrasada.

Afonso?!

— Soube que houve um assassinato no seu trabalho. Como a janela estava aberta resolvi esperar aqui dentro.

— Não faça mais isso, senão haverá um assassinato dentro da minha casa da próxima vez.

— Ui, poderosa. Entendido. Escuta só, você precisa parar de matar pessoas.

— Do que diabos está falando?! Eu, mais do que todos, odeio ver gente morrer.

— Mas está demais. É praticamente um por dia.

— Não tenho culpa, o que você quer que eu faça?!

— Procure alguma ajuda. Ouvi falar de uma pessoa que fala com fantasmas e coisas parecidas...

— Não brinca com isso.

De fato eu precisava de ajuda, mas o que eu iria dizer? Que vejo gente morta o tempo todo e depois eu iria descobrir que meu amigo na verdade também está morto? Eu precisava de algo mais, alguma explicação convincente para toda essa merda. Expulsei Afonso e fui dormir, ou pelo menos pensava que iria dormir.

— Você pode me procurar, sabe.

Essa voz de novo.

— O que você quer comigo?! Que saco! Apareça!

— Estou bem aqui.

Quando direcionei meus olhos em direção à voz, notei que havia uma pessoa sentada em uma cadeira no meu quarto. Pensei em me assustar, mas já tinha visto de tudo ultimamente.

— Então é você. Até que és bonito.

— São seus olhos. Vim para lhe explicar tudo que está acontecendo.

Agora viria aquela história toda que faria minha cabeça explodir. Não podia aguentar de ansiosidade.

— Manda ver ser misterioso invasor de quartos.

— Você é uma Deusa da Morte. Sabe do que se trata?

— Sei. São ceifadores, buscam pessoas na hora certa de morrer e toda aquela lenda que conhecemos.

— Estou dizendo que você é uma, porém há um detalhe importante. Você não faz ideia de como dominar seus poderes.

— Grande merda, nem quero. Podemos desligar isso?

— Não. Você é de uma linhagem especial...

O interrompi imediatamente.

— Olha aqui. Não quero saber de nada disso, ok? Pensei que queria uma explicação convincente, mas no fim quero mesmo é acabar com esse pesadelo.

O ser misterioso ficou em silêncio por alguns segundos.

— Meu nome é Phil. Desculpe por não ter me apresentado antes. Tenho o péssimo hábito de ficar escondido das ceifadoras que estou responsável, são todas imaturas e dão muito trabalho nesse começo, mas vou te dizer algo que é a verdade absoluta. Administre bem o que vou dizer.

— Nada pode piorar agora.

— Você possui duas opções: Ou você aprende a controlar isso e leva somente as pessoas que estão no momento de morrer ou continua assim, causando mortes desnecessárias e desequilíbrio no mundo dos mortos. Sabia que toda morte precipitada nós temos que restaurar essa vida em outro ser humano e atribuir o que restava para esta nova alma? Vamos supor que Bob, aquele mesmo do seu trabalho, tivesse ainda vinte anos de vida restantes, mas por um descuido seu ele morreu agora. Estes exato vinte anos acabaram de ser implantados em uma nova alma, de um bebê recém-nascido que infelizmente só viverá vinte anos. O pior é que este bebê será exatamente como Bob era nos primeiros anos de vida.

— Meu Deus, estou criando monstros.

Fiquei sem reação. Se tudo que Phil dizia fosse verdade, eu seria um verdadeiro monstro. Teria que tomar uma atitude.

— Phil, me ensine a controlar essa coisa de morte.

Ele sorriu levemente.

— Tudo que posso fazer é lhe ensinar o básico, mas lembre-se que sua estadia na terra como pessoa física está no fim. Você irá abandonar seu corpo e vagará por aí em forma espiritual.

— Isso é bem diferente, mas acho que posso me acostumar. Só sentirei falta de alguns amigos, embora eu seja essencialmente sozinha.

— Muito bem. Amanhã mesmo virei busca-la para iniciarmos o treinamento.

— Mal posso esperar.

E realmente ele apareceu. Aproveitei para me despedir de Afonso, que aproveitou para mandar eu sumir da vida dele de vez, e de algumas outras pessoas não citadas até então. O mais engraçado da despedida é que eu disse que iria viajar por uns meses e isso sempre funciona.

Foram meses ao lado de Phil. Até que com o tempo a gente passa a gostar dele.

— Gina, vou lhe explicar sobre o mundo espiritual e qual a real função de um ceifador. Creio que você já saiba mais ou menos, mas irei deixar bem claro e resumido qual é o foco.

— Certo.

— Temos poucas regras neste mundo e todas elas visam o bem da humanidade e o ciclo de vida. Cada pessoa nasce já com uma idade estimada para sua morte, salvo raras exceções não vemos a data da morte mudar. A função do ceifador é apenas de facilitar a travessia entre o mundo dos vivos para o mundo dos mortos, onde saberá exatamente onde levar cada alma.

— Continue.

— É sempre tão seca assim, Gina?

— Não, só quando o assunto é chato mesmo, aí concordo o máximo possível para ver se acaba logo.

— De qualquer forma, continuando. O mundo espiritual possui diversos meios de manutenção do mundo das almas, então você pode presumir que possuímos leis, estruturas e pessoal voltados para tudo isso. Temos escolas de treinamento tanto para ceifador quanto para os recrutadores como eu, áreas destinadas às almas perdidas, áreas de reencarnação e muito mais. Como vejo na sua cara o tédio desenhado, irei parar por aqui.

— Obrigado! Estou louca para buscar minha primeira alma.

E eu realmente estava. Tudo seria melhor que estar ali treinando infinitamente. Eu já sabia tudo de teoria, sabia o momento certo de buscar alguém... E finalmente havia entendido o motivo de ver constantemente pessoas morrendo perto de mim. Lembro até hoje da primeira vez que vi a morte de perto. Como poderia esquecer? Foram meus tios. Eles cuidavam de mim e eu cuidava deles, pois eram brincalhões e irresponsáveis.

— Lembre-se do que acontece quando você não faz o seu trabalho! – Disse Phil.

Mal ele sabia que eu já estava lembrando disso. As pessoas morrem perto de um ceifador por dois motivos: Quando ele tem a intenção de levar a alma da pessoa por estar na hora ou quando não está na hora e ele ativa sua foice sem perceber. Sim, nós temos uma foice e das mais legais possíveis. O problema é que eu não sabia que a carregava e ela meio que encostava espiritualmente nas pessoas em algum momento.

— Tenho uma pergunta idiota, Phil.

— Diga! Nada é idiota quando se trata de aprender!

— Desde quando eu tenho essa função de ceifador?

— Na verdade, foi um grande erro meu ter escolhido você e não te avisado. Faz algum tempo já e coincide com a morte dos seus tios.

— Você ainda tem a cara de pau de ficar me lembrando de coisas que são culpa sua. Apenas.

Era uma noite qualquer e eu estava assistindo televisão com os meus tios. Minha tia foi buscar cerveja para ela mesma, já que meu tio só bebia suco. Entretanto ela estava demorando mais que o normal e eu fui lá ver se ela precisava de ajuda. Não precisava... Ela estava apenas sendo lerda mesmo. Ao voltarmos percebemos que meu tio estava apagado no sofá e logo imaginamos que poderia ser apenas mais um dos seus cochilos repentinos, mas estávamos errados. Ele estava morto. Bem morto e sem explicação. Parecia ter infartado, só que até hoje não tivemos a conclusão desta história. Fiquei sem chão.

Dias depois era a vez da minha tia, desta vez estávamos no shopping e foi ainda mais aterrorizante. Eu não merecia mais viver como um ser humano normal. Já tirei tantas vidas preciosas que o mínimo que posso fazer é evitar que as pessoas morram antes do tempo e por isso preciso ir logo para a terra.

— Acho que você está pronta. Vamos para a terra! – Disse Phil.

Ao chegarmos lá não achei ninguém de imediato.

— Cadê?

— Cadê o quê?

— A pessoa que irá morrer!

— Ah, não é uma pessoa... É aquele gato ali. É de rua.

Olhei, forcei os olhos e pude enxergar. Ele estava em um cantinho da rua de um parque abandonado, encolhido e sem vontade de viver. Muito provavelmente estava sem comer há tempos e também aquele lugar não parecia ter muita gente por perto para sequer se comover com a situação dele.

— Posso pegar comida para ele?!

— Gina... Seu trabalho não é esse. É preciso esperar, apenas.

— Você acha que vou ficar aqui parada assistindo um pobre gato morrer? O que acha que eu sou? Irei chamar ajuda.

Logo saí correndo em busca de alguém. Avistei uma garotinha um pouco longe do local e tentei chamar a atenção dela. Sem sucesso. Eu não conseguia encostar em pessoas já que estava na forma espiritual, então foi muito frustrante. Muito. Eu sabia que era a única pessoa capaz de ajudar aquele felino e ao mesmo tempo era a pessoa mais inútil daquele lugar.

— Phil... Eu lhe imploro...!

— Não dá. Falta pouco, vá lá busca-lo.

— E se eu me recusar?

— O gato irá viver mais algum tempo, mas...

— Por que não falou antes?! Vou embora daqui.

Agi por impulso e corri dali. Fui visitar Afonso, precisava muito vê-lo. Fazia algum tempo e ele provavelmente deve ter feito muita merda sem os meus conselhos.

— Afonso! Afonso! – Gritei ao chegar na casa dele. Novamente esqueci que não podia ter contato com humanos. Fiquei sentada na beira da calçada, com a cabeça entre as pernas.

— Foi por isso que não queria te recrutar tão cedo, só que me aconselharam a fazê-lo e deu no que deu. – Disse Phil.

— Saia de perto. Não quero vê-lo agora. – Eu disse, em voz baixa.

— A garotinha acabou de ser atropelada e morreu. Tentei te explicar, porém você saiu correndo. Se te consola o gato está vivo ainda... Por enquanto.

Eu mal conseguia ouvir as palavras de Phil após a notícia da garota estar morta. Era tudo minha culpa. Tudo que eu queria era fazer as coisas do jeito certo, mas parece que não tenho cabeça para isso ainda. Fiquei em silêncio.

— Quando uma pessoa ou animal é datada, se não for levada sua alma em até poucos minutos, a sua morte é anulada e transferida para a pessoa ou animal mais próximo. Vejo que foi só uma questão de estar no lugar errado, na hora errada. Pobre garotinha. Bom, ela irá renascer e terá bastante tempo de vida, só que...

— Cale-se, Phil. Não aguento mais ver você defecar pela boca! – Esbravejei.

— Vou deixar você sozinha um pouco para refletir. Voltarei amanhã, pois teremos outra alma para coletar. Adeus.

Acho que eu não queria mais errar, não queria fazer cagadas. Gosto de pensar que meu papel no mundo é muito importante agora. Darei o meu melhor, pois sempre achei que a vida não seria feita para apenas viver. Nós temos que provar nossa existência o quanto antes, senão seremos feitos de papel, não é mesmo?

O outro dia chegou e eu ainda estava muito triste pelo acontecimento do dia anterior, porém determinada a não errar mais.

— Ali está o nosso próximo alvo. Espero que seja forte o bastante desta vez.

— Pode deixar, mestre, farei o possível-

Fiquei em silêncio ao ver um rosto conhecido na minha frente. Como era a única pessoa daquela praia deserta onde estávamos, ficou claro que seria ele. Não esperava que fosse acontecer tão cedo, mas quem disse que a vida é fácil e autoexplicativa?

— Afonso.

— Gina?

Fiquei confusa, ele podia me ver. Por quê? Olhei para Phil e ele piscou para mim antes de desaparecer.

— Afonso! Que surpresa te encontrar por aqui.

— Digo o mesmo, Gina. Estou feliz por te ver.

Ele não ficaria se soubesse o que sou agora. A voz de Phil sussurrou no meu ouvido.

— Sabe aquele tapa que você deu nas costas dele? Tive que mexer uns pauzinhos para que ele não morresse naquela época, mas não consegui adiar por muito tempo. Você precisa leva-lo.

Era muita pressão psicológica. Já sabia o que fazer, só que não era fácil levar seu melhor amigo para outro mundo.

— Gina, você está me devendo uma saída. Sorte sua que sou bonzinho e irei considerar este encontro repentino. Vou ali correndo comprar uma bebida, espera um pouco!

Assisti o mesmo dar uma corrida desengonçada e ir parando aos poucos.

— Gina... Estou sentindo uma dor no peito. Será gases?

Fiquei em silêncio.

— Gina... Por que não consigo respirar direito? Será que a felicidade em te ver me deixou assim?

Ele sorriu com o canto da boca.

— Gina...

— Afonso. Desculpe-me...

— Gina, sua... boba...

Afonso caiu antes que eu pudesse pegá-lo. O abracei com força e só pude perceber o quanto as pessoas eram frágeis ao refletir que se eu não tomasse cuidado com os meus poderes, muitos amigos poderiam ser separados à força. Eu tinha acabado de perder o meu e já estava pensando no próximo desastre que iria acontecer em minha vida. Estava apenas começando e já sentia que era a pior ceifadora já existente.

Antes eu achava difícil apreciar a vida, mas agora eu sou uma grande defensora dela. Mesmo que eu tenha de levar algumas, irei fazer o possível para outras não sofram consequências mortais. A vida é uma só, mas no meu caso... São várias.

Fim

Notas finais
Sem continuação existente, embora seja totalmente aberto a isso.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!