Janela Para o Inconsciente
1 Prefácio
Os sonhos são a janela para o nosso inconsciente. Durante os sonhos, podemos fazer tudo o que está e não está ao nosso alcance. Podemos experimentar de diversas sensações e estados de espíritos enquanto estamos apanhados em um sonho cinematográfico. Talvez tenha sido um pesadelo que lhe permitiu suar frio e fez seu coração bater mais rápido do que o normal, ou, se você tiver sorte, uma tarde com uma estrela de cinema. Sigmund Freud dizia que os sonhos são a caracterização dos seus maiores medos e desejos. Não há limite para o que a mente pode experimentar durante um sonho e realmente nenhuma rima ou razão para o que você acaba sonhando.
O sonho acontece durante o sono profundo, quando seus olhos estão se movendo rapidamente, porém fechados, sua frequência cardíaca e respiração tornam-se inconsistentes e a paralisia dos músculos esqueléticos ocorre. Isso com a maioria esmagadora das pessoas. Comigo, o sonho acontece a cada instante, me fazendo perder a cabeça com as situações mais banais e rotineiras que podem existir. Não estou segura em nenhum momento, pois posso cair de um prédio ou ser atropelada por um trator a qualquer instante, tanto quanto posso pensar estar caindo de um prédio, no próximo minuto, estar lendo um livro.
Nem os psicólogos e neurologistas melhor formados e famosos conseguiram decifrar minha mente; mas nunca confie nas afirmações que faço, posso ter sonhado uma consulta com muitos deles, tanto quanto posso ter passado dias em terapia.
Nunca levei uma vida normal ou monótona, por mais que esse seja meu maior desejo. Estudei em casa devido ao meu déficit de atenção e nunca pude me formar, pois a cada instante uma reviravolta – seja ela imaginária ou real – acontece. Perdi meu pai aos sete anos de idade, e minha mãe aos dez. Fui criada pela minha avó até os catorze, quando ela foi diagnosticada esquizofrênica e transferida para uma casa de repouso especial. Desde então vivo com meu tio Matthew, um psiquiatra viúvo calvo e ranzinza. Hoje tenho vinte anos, mas não posso morar sozinha, dirigir, cozinhar ou fazer qualquer outra coisa com a qual eu possa correr riscos mais sérios.
Mas esse distúrbio também me deu coisas boas, por mais difícil que possa ser de acreditar nisso. Mesmo jovem, já conheço diversas sensações que muitas pessoas morreriam sem conhecer. Vivi, ou pelo menos pensei viver, situações – boas e ruins – únicas e, muitas vezes imprescindíveis para se ter histórias para contar, que me vieram de repente. Nunca conheci outros países, mas Londres é uma cidade ótima para se viver quando não se pode fazer nada. De vez em quando, após uma psicanálise do tio Matt, eu saio do quarto e visito o apartamento ao lado, de Louis e Meg, um casal de comediantes. E raramente saio do prédio e vou á praça ver o sol cair no horizonte e os velhinhos jogarem xadrez. E quando tia Annie vem me visitar, vamos ao shopping. Qualquer um pensaria que é uma rotina entediante, mas os sonhos e pesadelos acontecem nos trezentos e sessenta e três outros dias, quando estou trancada no quarto apertado, lendo livros que nunca comprei e ouvindo músicas que não existem.
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