Jane

19 Warm and Tender


Notas iniciais
Chegou o grande momento. Vem, Chloe! Obs: escolhi como título para o capítulo a canção de Olívia Newton-John para sua filha Chloe. Boa leitura!

Kurt ouviu todas as informações que solicitou da diretora Fergusson já caminhando a passos largos em direção ao elevador. Manter-se calmo e racional era seu plano. Entretanto, suas pernas se moviam guiadas pelas batidas aceleradas do seu coração. Então era isso, tudo se adiantou um pouco, mas não havia razão alguma para temer, repetiu para si mesmo, elas estavam bem e continuariam assim.

— Ei, Weller! – a voz de Tasha soou sobre as demais que circulavam no saguão do SIOC. – A sala da deliciosa reunião que nos aguarda fica para o outro lado.

Ele a aguardou se aproximar um pouco mais. Não queria causar alarde. Tentou sorrir, mas a respiração pesada não deixou. Quando a amiga estava a pouco mais de um passo de distância, disse:

— A bolsa da Jane rompeu.

Surpresa e um largo sorriso inundaram o rosto da latina:

— Ela está bem?

— Sim, sim, está. Sem dor ainda. Está na escola de Bethany.

Estendendo a mão e apertando levemente o braço daquele homem que já foi seu chefe e agora era seu braço direito além de parte de sua família, ela sorriu para autorizar:

— Então vai! Corre até ela, cara!

Nada mais o deteria. No segundo seguinte ao aceno de cabeça no qual ele expressou sua gratidão, Kurt já estava dentro do elevador. Com as portas se fechando, Tasha concluiu:

— E manda notícias pra gente. – e ele sumiu de sua visão enquanto ela ria e balançava a cabeça. Pensou “Uma cria de Weller e Jane... Bora trabalhar, Zapata! O mundo poder estar ficando ainda mais complicado a partir de hoje.” E riu enquanto caminhava em direção à sala de reuniões.

Zapata não chegou dar muitos passos. Sim, ela estava distraída pensando no grande momento que os amigos viveriam, mas ela também tinha certeza absoluta que Rich pisou no seu pé de propósito. Só ele pra estragar esse momento! Respirou fundo pensando que dessa vez teria o prazer da vingança: manteria segredos sobre a grande novidade. Ela quase riu de satisfação. Felizmente se conteve a tempo. Rich perceberia. Então, optou pelo trivial:

— Será que você não pode olhar por onde anda? – forjou a bronca enquanto avaliava a roupa ainda mais peculiar que o convencional que o ex-hacker usava: uma bata indiana com estampas douradas e colares bem chamativos. – E, misericórdia, Rich, que roupa é essa?

Após revirar os olhos, fazendo caras e bocas, ele respondeu:

— Eu estou focado no meu trabalho, não tenho tempo para ficar me preocupando com a assistente de direção do NYO do FBI caminhando pelo saguão como se fosse uma adolescentezinha sonhadora. Quanto à minha roupa, só eu leio os memorandos desse lugar? Número 436/19. Você autorizou. O dia do evento é hoje.

Tasha fechou os olhos e apoiou os dedos na testa fazendo movimentos circulares para tentar se lembrar: Rich, memorando, evento. Droga, a amnésia de Jane devia ser contagiosa. Nada tão singular lhe vinha a mente. Foi então que Afreen se aproximou descontente:

— Diretora Zapata, a senhora autorizou mesmo os donuts?

— É claro que ela autorizou. Estava tudo no memorando. Temos que fazer o trabalho no FBI parecer legal se queremos atrair as novas gerações cheias de potencial. Agora vamos, Afreen, não podemos deixar minha Patsy Patt esperando. – e saiu caminhando sem dar a mínima importância para as duas mulheres.

— Claro, é o dia da vídeo-aula com os meninos da ONG da Patterson! – Tasha refletiu aliviada em voz alta. – Afreen, você conhece o Rich e seu ego descontrolado. Ele vai querer parecer algum tipo de couch budista tecnológico. É só mais um de seus personagens para impressionar os garotos. Fique de olhos nele e não o deixe cometer abusos acima do comum. Quer dizer, acima do comum para o próprio Rich. Eu preciso ir, tenho uma reunião. – e saiu mais que satisfeita. Não podia ser melhor. A aula com os meninos manteria Rich ocupado por um bom tempo e, portanto, bem longe da grande notícia do dia. Isso seria muito divertido.

Enquanto isso, na garagem do NYO, Kurt subia numa das viaturas sem o menor remorso. Alguns anos antes consideraria isso um abuso da sua parte, mas não agora, não hoje. Eles passaram por tanta coisa. Jane fez tanto por aquela agência e pelo país que parecia justo usar a viatura pra chegar até ela o quanto antes ao invés de ficar aguardando um táxi. Ele riu enquanto dava partida e ganhava a rua. Por Deus, ele até ligaria a sirene se preciso. Talvez devesse mesmo fazer isso. “Jane está em trabalho de parto ela é sempre imprevisível” pensou sentindo o orgulho encher seu peito. Aspirou o ar deixando a gratidão fluir: ainda hoje eles teriam sua bebê. Não num parto no qual perderia sua esposa para todo o sempre. Não de forma tão prematura que poderia dar poucas chances de vida à sua filha. Dessa vez, o destino conspirou a favor dele. Eram praticamente um casal normal, num hospital normal se tornando da forma mais normal possível uma família.

A conversa com a Dra. Palmer foi breve e o tranquilizou bastante. Assim que encerrou a ligação, traçou um cronograma de ação rapidamente. Apertou os lábios e entortou o pescoço satisfeito. Ele estava no controle dessa operação e não falharia. Seria ainda melhor com sua família do que foi como agente especial do FBI. “Pegar Jane na escola e tranquilizá-la. Uma breve parada em casa para pegarmos as malas e hospital! Dra. Palmer já estará nos esperando. Uma vez lá, no máximo em uma hora teremos Chloe nos braços. Final feliz!” e socou levemente o volante precisando extravasar sua euforia.

Até a escola pareceu mais linda e colorida pra ele ao avistá-la quando dobrou a esquina. Estacionou calmamente, era preciso treinar, logo teria um bebê no carro. Mal desceu do carro e a viu caminhando em sua direção. Ela estava tão diferente e ainda tão igual, tão incomum, tão ela. A roupa despojada sem grande preocupação com algo que valorizasse suas curvas combinavam a calça e blusa confortáveis com sua tradicional jaqueta de couro preta. Os tons escuros dialogando com a feição forte nos traços do seu rosto. Aqueles cabelos levemente encaracolados brincando rebeldes sobre os ombros. Ela era fogo e força a cada passo que trocava vindo em sua direção. Céus, como ele amava essa mulher. E os olhos dela o atingiram como nem um tiro seria capaz. Seu sorriso tímido rasgou o peito dele com mais violência que a barra de aço transpassou sua perna naquele acidente em Washington. Jane derrubava todas as suas barreiras e o fazia queimar de amor por ela. As mãos dela docemente pousadas sobre a barriga era o detalhe que faltava para colocá-lo totalmente aos seus pés.

Ele não foi capaz de se conter mais. E para quê? Em dois passos a alcançou. Talvez até com um pouco de euforia demais, tomou seu rosto entre as mãos e a beijou entre risos. Foi um beijo breve porque ele precisava do contato visual.

— Oi, meu amor. Então, chegou a hora. Como você está? – disse ainda sem conseguir tirar o sorriso do rosto e deixando seu lado protetor transparecer.

— Bem. – ela respondeu rápido, ansiosa por acalmá-lo. – Um pouco... ansiosa.

— Eu falei com a Dra. Palmer. Ela disse que tudo bem a bolsa ter rompido. Disse também que temos tempo e podemos passar em casa pegar suas coisas e da bebê antes de irmos para o hospital. — continuou a envolvendo pela cintura e se colocando atrás dela para conduzi-la enquanto beijava seu pescoço. – Vamos conhecê-la em breve. Ainda hoje. Isso é tão incrível!

— Kurt! Não aqui. – ela tentou repreender tanta demonstração de carinho em frente à escola.

— Preciso que você se acostume. Vai ter que amamentá-la enquanto eu te beijo assim e repito que te amo, te amo, te amo e te amo.

Jane balançou a cabeça negativamente dando-se por vencida. Kurt parecia decididamente fora de controle. Ela não se lembrava de tê-lo visto assim antes... ou melhor, já o vira assim num vídeo, no dia do casamento deles. Ele estava realmente feliz. Feliz demais para que ela deixasse qualquer coisa estragar esse momento. Melhor seguir o roteiro que ele traçou, afinal a dor forte que sentiu minutos antes dele chegar desapareceu.

— Bethany ainda está na escola. – ela se lembrou de salientar, preocupada com a enteada.

— Vou mandar uma mensagem para Allie buscá-la no final da tarde. Afinal, estaremos bastante ocupados. – Kurt propôs já digitando no celular sem parar de sorrir.

Assim que terminou, Kurt abriu a porta do carro e Jane foi rápida ao entra temendo que ele a pegasse no colo para colocá-la lá dentro. Pegaram a rua de forma descompromissada. Kurt ao volante ria e falava sem parar. Jane apenas o admirava interagindo quando solicitada. Era tão bom vê-lo assim.

Não tinham rodado nem três quarteirões à frente quando a dor veio de novo, bem mais forte dessa vez. Por instinto, ela inspirou e se agarrou ao assento do banco concentrando-se na sua própria respiração. Também foi mais longa dessa vez. Com seus olhos vidrados no marido que continuava falando e sorrindo enquanto mantinha-se atento à rua na sua frente, Jane simplesmente esperou sem saber como compartilhar o que sentia. Passou. Simplesmente desapareceu como se nunca tivesse acontecido. Então, ela respirou mais e mais. O apartamento não era longe. A parada lá seria rápida e depois poderiam ir para o hospital. Sorriu para ele e deixou que seguissem.

Ela já conseguia ver o prédio a poucos metros de distância quando aconteceu de novo. Foi forte e longa parecendo pior que a anterior. Apesar dela não ser capaz de raciocinar plenamente durante aquilo, Jane teve a certeza que não deveria manter Kurt alheio do que estava acontecendo. Sua mão voou do assento para a perna dele. Instantaneamente sentiu a mão dele cobrindo a sua.

— Jane? O que houve? – questionou tentando dividir sua visão entre uma avaliação rápida dela e a rua em busca de um lugar pra estacionar.

Ela puxou o ar duas vezes antes de conseguir dizer:

— Hospital... melhor não pararmos em casa.

O carro fez a curva na rua pacata cantando os pneus.

— É a primeira vez que você sentiu isso?

— Terceira. – ela respondeu já se recuperando da dor.

— Bem, era esperado já que a bolsa rompeu. Uma hora as contrações começariam. Vamos para o hospital e tudo ficará bem. – disse tentando sorrir mas já sem a autenticidade de antes e puxando a mão dela para um beijo. Secretamente, tentava afastar todas as possibilidades e riscos que aquelas contrações representavam diante da fragilidade da parede uterina dela.

O hospital não era muito perto. Nenhum hospital ficava próximo do bairro residencial onde moravam. Para trazer um pouco de consolo, também não era tão afastado assim. As grandes avenidas garantiriam um trânsito rápido pelo caminho.

Um olho na rua e outro em Jane, Kurt acompanhou aflito quando a próxima contração veio. Tentou falar com ela, passar segurança. Quando a viu finalmente relaxando, considerou que poderia sobreviver a isso até chegarem ao hospital, mas nem um minuto mais. Mudou de ideia quando a próxima contração chegou. O gemido baixo e rouco que ela soltou entre uma respiração e outra era sinal de que aquilo não estava sendo nada fácil. Ele sabia que sua Jane seria capaz de se manter catatônica durante uma sessão de tortura apenas para não premiar seu torturador. Então, ela seria capaz de suportar muito mais para simplesmente deixá-lo tranquilo por mais que ele odiasse isso. Se não conseguiu conter esse gemido era porque estava enfrentando uma dor realmente muito forte. Ele queria abraçá-la e não podia. Pensou em pousar a mão sobre a perna dela e dar um suave aperto, mas temeu que até isso representasse um incômodo a mais no que ela passava.

— Respire, ok? Acho que é isso que sempre dizem nos filmes. – disse no pior riso falso de sua vida.

Jane respirou e riu internamente. Kurt era admiravelmente um péssimo mentiroso nesse seu riso falso e isso aquecia seu coração.

— Ok. – disse quando tudo passou para tranquilizá-lo.

Kurt diminuiu. A fila de carros a sua frente estava bem grande. Merda! Ele odiava a quantidade enorme de semáforos dessa avenida.

A próxima contração veio. Com o carro parado, ele pode dar mais atenção a ela agora. Inferno, ele se sentia ainda mais inútil ali sem poder diminuir a dor que ela sentia nem dirigir em direção ao hospital.

— Passou? – perguntou aflito vendo-a relaxar.

— Kurt... vamos, por favor. – ela pediu cansada.

— Sim, sim. Vamos. – disse reassumindo seu posto. Por um segundo se deu conta que o sinal já deveria ter aberto e eles continuavam ali parados.

Mas não havia buzinas tocando ao seu redor por sua distração. Nenhum carro se movia pela rua. Só então ele se deu conta que não havia semáforo imediatamente a frente, mas um grande congestionamento de veículos que agora já se aglomerava dos lados e atrás deles.

— Ah, não! – ele disse soltando o volante e passando as mãos pelos cabelos. – Não, não, não... — repetiu enquanto pegava o celular para verificar o trânsito.

Um acidente envolvendo vários veículos e com pessoas presas nas ferragens estava causando um dos maiores congestionamento de NYC nos últimos anos.

— O que foi? – Jane perguntou também sem consciência total do seu redor.

— Estamos presos aqui. – ele confessou sentindo-se esmagado pela realidade.

ONG da Patterson

— Voltando para a questão de programação que foi colocada, Rich... – e a loira deu ênfase no nome do amigo.

— Eu já ia falar sobre isso. Só achei que os meninos gostariam de saber mais sobre minhas aventuras exóticas no Sirilanka. – Rich disse mordendo mais um donuts.

— Tenho certeza que os meninos estão mais interessados na programação. – Patterson insistiu.

***Cochichos paralelos ***

— Ei, vocês acham que eles acham esse teatrinho divertido? – Big Joe cochichou para os amigos.

— Deixa eles encenarem. Adultos tem ideias estranhas sobre o que nós curtimos. – Malcom T. defendeu, ele se divertia com a coisa patética da discussão.

— Quando foi que vocês pegaram que tudo era encenação? Eu peguei quando ele começou a história da Coreia. Fala sério, quem acredita em um assassino chamado Acadian. – Tito ressaltou.

— Vocês estão de zoeira, né? Eu matei assim que ele entrou na live com essa roupa esquisita. – Sal tentou se mostrar melhor que os colegas.

***voltando à conversa principal***

— A minha vida é um exemplo que incentiva muito mais que qualquer programação, Patsy Patt. Se fosse algo sem graça como o que Jane passou na África do Sul ou como ela ganhou as tatuagens.

— Você conhece a Jane? – Sal já perguntou animado.

— Conta pra gente a parte das tatuagens. – Big Joe foi bem direto.

— O que aconteceu com ela na África do Sul? – Tito acrescentou.

Rich se viu numa saia justa enquanto Patterson o fuzilava com os olhos.

Nesse momento, Tasha entrou no laboratório aflita:

— Rich, eu preciso tirar um carro do congestionamento da Quinta Avenida agora!

— Ei, ei, calma diretora-assistente Zapata. Diga um oi para nossos convidados de hoje. – e acenou com um tchauzinho para os meninos. Voltando a se dirigir a ela cochichando – Estou no meio de uma aula voluntariada para incentivar jovens talentos a ingressarem no FBI. Dá pra pedir pro político que se perdeu no trânsito esperar quinze minutos?

— Não é um político, Rich. Jane está naquele carro com contrações ritmadas a cada três minutos. Precisamos tirá-la de lá e levá-la pra um hospital antes que o pior aconteça e eu não estou falando sobre a Chloe nascer ali! – disse também cochichando, mas o áudio da transmissão garantiu que todos na sala de aula da ONG soubesse o que estava acontecendo.

— Mas é claro que a minha deusa nórdica Jane *que coincidência mórbida ela ter o nome da sem sal da Jane Foster e não da Lady Sif* está parindo no meio de um congestionamento na Quinta Avenida. E lá vou eu salvar o dia outra vez! – Ele refletiu já digitando os dados necessários.

— Por favor, sem referências nerds. Só tire ela de lá e coloque num hospital. – Tasha tentava se mostrar forte, mas já tinha os olhos cheios de lágrimas.

— As avenidas paralelas mais próximas estão com o trânsito muito lento também. – Patterson disse diante dos dados que levantou em seu laptop.

— Precisamos buscar as possibilidades mais loucas como naquele jogo Highway Getaway! – Tito sugeriu.

E os meninos começaram a levantar possibilidades de trajetos em conjunto com Patterson e Rich, cada um em seu computador na sala da ONG. A tarefa também exigia relocar muitos carros de seus lugares como num jogo de tetris para abrir passagem. Juntos, em quinze minutos tinham uma possibilidade real que informaram a Kurt.

— Agora é com você, Kurt! – Tasha disse ao mandar todas as informações pra ele.

Kurt deixou-se tomar totalmente por seus instintos. Deu um beijo em Jane, ligou a sirene do veículo e desceu do carro. Depois subiu no capô chamando a atenção de todos:

— Eu tenho uma mulher em trabalho de parto aqui que precisa chegar rapidamente ao hospital. – disse alto, firme e forte deixando todo seu potencial de líder comandar. — Ela precisa de uma cesariana com urgência. Alguns amigos traçaram uma possibilidade pra sairmos daqui, mas eu preciso que vocês me ajudem. – e precisou parar para respirar porque estava tomado pela emoção. – Por favor, me ajudem.

As pessoas rapidamente se mobilizaram. Os dados da equipe foram sendo transmitidos de celular em celular. Muitos também deixaram seus veículos indo até as janelas dos carros próximos solicitando colaboração. Uma grande rede de solidariedade se formou e, aos poucos, as peças daquele enorme tangram começaram a se mover mudando completamente a configuração do destino. Alguns carros subiram nas calçadas e Kurt conseguiu passar, virando a esquina, vencendo os trechos de lentidão.

Para completar o sucesso do trajeto, Rich formou um corredor de semáforos abertos que os conduziam direto até o hospital, uma sugestão de Boston que já fizera isso quando guiou Remi até Shepherd. Ele acompanhava tudo pelo celular enquanto se dirigia ao apartamento do casal para pegar as malas deixadas pra trás.

— Ei, a programação certa consegue fazer isso? – Big Joe comentou admirado.

— Se você estiver trabalhando dentro do firewall de uma das agências de segurança sim! – Patterson concluiu.

— Nossa, o cara é mesmo do FBI. Irado! – Tito esta perplexo.

— É mais que isso. Programação pode salvar vidas. Está salvando a Jane e é isso que importa. – Sal disse emocionado.

Os meninos se levantaram e trocaram apertos de mão e abraços pelo sucesso na sua primeira missão junto ao FBI.

Quando chegaram ao hospital, esperança e gratidão os comoviam. A equipe de enfermagem já os aguardava do lado de fora com uma cadeira de rodas e a Dra. Palmer.

— Que sufoco, não? – a obstetra disse ao recepcioná-los. — Seus amigos me enviaram um aplicativo e acompanhei aflita todo o caminho de vocês. Se as contrações de Jane atingissem o próximo nível, já tínhamos uma ambulância pronta para alcançá-los. Mas agora, já para o centro cirúrgico, mocinha. É hora de conhecer seu pequeno pacote de felicidade.

Jane concentrava-se apenas em respirar, siando de uma nova contração. Também estava muito apreensiva com tudo e ansiosa garantir segurança à Chloe. Então, apenas balançou a cabeça em concordância.

Kurt seguiu empolgado empurrando a cadeira de rodas com Jane até o elevador enquanto ela segurava sua mão. Quando a porta já estava se fechando, um segurança correu até eles:

— Senhor, a recepcionista precisa que faça a ficha de internação.

— Mas eu não posso deixar minha esposa sozinha. – Kurt rosnou franzindo a testa.

— Sinto muito, Sr. Weller, são as regras do hospital. Mas fique tranquilo. Jane estará comigo. Vou prepará-la para a cirurgia enquanto o senhor faz a ficha. Assim que você chegar, faremos o parto.

— Vamos ficar bem, Kurt. Faça o que é preciso. – ela disse sorrindo para encorajá-lo.

— Estarei lá em um minuto, Honey. Eu prometo! – disse dando um novo beijo nela

Contrariado, mas dando-se por vencido, deixou o elevador e foi até o balcão da recepção.

Aquelas malditas fichas de informações pareciam não ter mais fim. Quantas mais ele preenchia, novas surgiam do nada. Quando finalmente terminou, correu literalmente para o elevador. Na sala de preparação se vestiu rápido, mas com todo o cuidado exigido.

Dentro do centro cirúrgico, Jane lutava contra muitos fantasmas. O cheiro do lugar não trazia sensações boas. Ver-se sozinha também não. Ainda assim, ela respirou e pensou em Chloe. Queria passar segurança e paz para sua garotinha num momento tão especial.

Obedeceu a cada comando da Dra. Palmer que era sempre tão doce com ela. Deixou-se anestesiar, deitou na maca como recomendado. Então se viu ali, perdendo completamente as sensações em grande parte do seu corpo, braços imobilizados, luzes ofuscantes brilhando acima dela, sozinha. A sensação de que tudo estava completamente fora do seu controle começou a sufocá-la. Ela respirou fundo uma, duas vezes...

— Jane!

A voz de Kurt soou urgente e doce do outro lado da sala. E logo ela o viu vindo em sua direção. Tudo dentro dela se acalmou. E ela sorriu para ele com todo o amor que sentia.

Ele ocupou seu lugar, falou e sorriu para ela o tempo todo, beijando sua testa vez ou outra.

Cravados seis minutos se passaram. Então, o choro ecoou pela sala. Forte até para uma recém-nascida a termo, surpreendeu a todos ainda mais por ela ser um pouco prematura. Mas foi o som mais lindo que eles já tinham ouvido. Jane e Kurt riam e choravam sem nem ao menos ter visto o rosto da filha.

— Aqui está a autora desse milagre todo! – A Dra. Palmer disse mostrando a pequena acima do pano cirúrgico.

Testa franzida, ainda chorando forte e sacudindo os bracinhos, a mamãe avaliou encantada:

— É determinada!

— E linda como você! – Kurt completou beijando a esposa eufórico.

A pediatra levou Chloe para os primeiros cuidados no bercinho aquecido que ficava do outro lado da sala.

— Vai com ela. – Jane pediu. Não queria que a filha se sentisse sozinha por um minuto sequer.

Kurt obedeceu. Pai babão, acompanhou a pesagem e as medidas, encantado com cada característica da filha. Lembrou-se de quando Bethany nasceu. O amor era proporcional, mas tudo agora foi tão diferente. Ele amava Chloe por ser sua filha assim como amou sua primogênita. Ele amava Chloe por ser quem ela era e já ter vencido tantas batalhas antes mesmo de nascer. Ele amava Chloe por ter mantido sua mãe viva quando ninguém mais tinha qualquer fé nisso. E ele amava Chloe ainda mais por ser filha de Jane.

Ele acariciou sua cabecinha tão pequena e macia enquanto ela chorava cada vez mais forte. Beijou sua mãozinha e depois seu pezinho tentando acalmá-la sem sucesso algum.

— Apesar da gestação estar entrando ainda na 36ª semana, ela está ótima, Sr. Weller. – a pediatra informou. – Só não parece nada feliz por ter sido tirada da barriga da mamãe.

Ele sorriu orgulhoso da filha:

— Ela é determinada como a mãe. E as duas ainda precisam muito uma da outra. Por favor, já posso levá-la de volta. Jane nem pode beijá-la ou sentir seu cheirinho...

— A cirurgia já está terminando. Assim que acabar, as duas poderão ficar juntinhas.

Não foi nada fácil para Jane vencer aqueles minutos de separação. Sentia-se um pouco zonza, tomada por uma estranha sensação de perda. O som do choro da filha agora mais distante trazia o medo de nunca mais poder ter sua pequena junto de si novamente. Ela procurou ser forte, lutou com tudo que tinha contra a sensação de impotência que parecia sugar tudo dela. Jane sabia onde esse conjunto de fatores a conduziam: tudo se apagaria em breve e ela não podia aceitar isso.

— Minha filha...ela está bem? – disse reunindo forçar para se manter conectada à realidade.

— Ela está ótima, Jane. E você também. Os danos na parede uterina eram bem menores do que imaginávamos. E depois desse reparo, ficará imperceptível.

— Por favor, eu posso vê-la mais um pouco? – pediu com coragem determinada colocar um final das ausências que sempre a derrotavam.

A Dra. Palmer acenou para a pediatra que trouxe Chloe. Então a enfermeira soltou um dos braços de Jane e ela pode acariciar a filha que finalmente parou de chorar. Os olhos das duas se encontraram numa conexão transcendental.

— Oi, meu amor. Como você é linda! Está tudo bem. O pior já passou. Estamos aqui com você. – disse para a filha sentindo todo o medo de minutos atrás de dissipar.

Poucos depois, a família deixava o centro cirúrgico. Chloe confortavelmente colada pele à pele com o peito da mãe.

No quarto, Kurt logo percebeu que Jane estava diferente, protetoramente grudada à filha. Isso não o incomodou. Apesar de sentir uma vontade enorme de também ter a pequena nos braços, poder ver as duas ali, na sua frente, vivas e tão bem, lhe trouxe uma nova forma de felicidade ainda desconhecida. O sentimento de gratidão era imenso demais para ser perturbado por qualquer outra sensação menor.

Sentado em frente a cama, cotovelos apoiados no braço da poltrona, observava maravilhado e feliz suas meninas. Era incrível como toda a força de Jane parecia ainda mais latente enquanto ela envolvia a filha nos braços, mas se convertia numa delicadeza extrema ao tocar Chloe. Ela acariciava seu rostinho fino e corria os dedos pelos cabelinhos pretos. Pareciam envoltas numa bolha de amor que as protegia do mundo.

Observar aquilo fez Kurt pensar no quanto devia ter sido terrível para ela perder Avery na adolescência. E considerou que os instintos a colocavam totalmente em alerta agora para evitar que aquilo se repetisse. Então, ele teve a certeza de que poderia esperar dias se fosse preciso até que ela se sentisse segura para ceder a criança aos braços de outra pessoa, mesmo que fossem os seus.

Após muito tempo, os olhos de Jane alcançaram o marido.

— Ei, o que houve? – perguntou sem entender o quanto ele estava deslumbrado.

— Eu... só estou aqui olhando pra vocês e pensando... – e sorriu ainda mais amplo. – Nos últimos anos, achei que tinha mais do que poderia desejar: você, Bethany. Só agora sinto que eu precisava de muito mais. Eu precisava de Chloe, precisava viver tudo isso com você, nós dois unidos assim nesse milagre que essa garotinha é. Ela mal nasceu e já está me ensinando que preciso conhecer melhor a mim mesmo.

— Acho que entendo... é tão grande o que estou sentindo agora. – disse olhando pra filha. – Com certeza, eu precisava muito dela também. – e beijou a filha. Depois olhou novamente para o marido. – Você quer segurá-la?

Kurt sorriu e suspirou. Não esperava essa oferta tão cedo. Mas é claro que o amor de Jane se colocaria acima de qualquer insegurança. A lista das coisas que ele mais amava nela crescia mais e mais nos últimos meses.

— Quero muito. Mas não agora. Ficar aqui olhando vocês duas juntas é minha nova coisa favorita na vida. É perfeito.

Jane sorriu e balançou a cabeça deixando-se inundar pelo amor que sentia por Kurt. Então, com um pouco de esforço, se afastou para o lado da cama e o convidou:

— E que tal ficar junto de nós?

Proposta irrecusável. Ele se juntou a elas na cama com cuidado. Juntos, ficaram admirando a filha recém-nascida e trocando carinho.

Não demorou muito até Jane ter a oportunidade perfeita para colocar Chloe nos braços do pai. Ele se emocionou. Com um braço protetoramente embalando a filha e o outro ao redor da esposa, Kurt se permitiu chorar de felicidade, deixando todos os seus medos irem embora para sempre.

— Eu amo você. E amo ter filhos com você. – disse rindo meio bobo.

Jane se esforçou para alcançar o rosto do marido que estava um pouco atrás e acima dela. Secou as lágrimas que escorriam também emocionada:

— Eu também te amo. Ter vocês é muito mais do que eu ousaria sonhar pra mim. E agora é real, está aqui. Fizemos isso juntos. E somos muito bons em fazer uma bebê linda e perfeita.

— Somos os melhores. Talvez até melhor do que fomos quando agentes do FBI. E olhe que eu acha isso insuperável.

— Hmm. Eu não me lembro dessa parte. Nós resolvíamos muitos casos com sucesso?

— Com certeza. – e ele disse e beijou o cabelo dela. – Foram muitos casos resolvidos com sucesso.

— Wow. Então, isso quer dizer que esse pode ser apenas o começou de uma longa lista de bebês agora que sabemos que somos bons nisso?

Kurt riu diante da comparação chacoalhando Jane com ele que fechou os olhos incomodada com a dor na cirurgia.

— Desculpe, querida. Mas pensei que poderíamos nos tornar um problema contribuindo demais para o aumento da população mundial se nos reproduzirmos na mesma proporção da nossa eficiência dentro do FBI.

— Isso é grande. Mas acho que, no momento, devemos nos concentrar só nessa bebê aqui.

— É tudo que eu quero. Está perfeito pra mim assim.

No final da tarde, os amigos apareceram para uma visita. Tentaram não chamar muito a atenção, mas a quantidade de balões e presentes acabou com seus planos. Kurt tentou discretamente demonstrar que Jane ainda não estava muito disposta a compartilhar a cria. Os amigos entenderam.

— Ah, Jane. Ela é linda. Parabéns! – Patterson disse beijando a testa da amiga.

— Ela é tão perfeita. Tudo está tão perfeito. Eu nem sei dizer o que estou sentindo. – Jane confessou.

— Então não diga, apenas sinta. – Zapata reafirmou cercando a amiga pelo outro lado e passando o braço ao redor das suas costas. – Esse momento é totalmente de vocês. Aproveite e descanse. Você passou por uma cirurgia e não queremos sequelas dessa vez, hein.

— Não tenho palavras para agradecer tudo que fizeram por nós hoje, pessoal. – Kurt disse emocionado.

— Um bom começo teria sido não deixar no celular no carro para fotografar o parto e nos enviar fotos. – Rich disse entregando o celular à Weller e mostrando-se inconformado por não haver registros do nascimento de Chloe.

— Rich! – Boston repreendeu o companheiro. – Não ligue pra ele. Estamos felizes por vocês. Mas, agora que você está com o celular, muitas fotos serão sempre bem vindas.

— Não queremos agradecimentos. Temos certeza da gratidão de vocês e que teriam feito o mesmo por qualquer um de nós. – Tasha reforçou.

— Somos uma família e estamos muito felizes por vocês estarem bem. Essa é a melhor recompensa que poderíamos desejar. – Patterson concluiu. – Mas, mudando de assunto, Bethany já veio conhecer a irmã?

— Eu ainda não falei com Allie. Estava sem o celular – Kurt confessou sem jeito enquanto coçava o pescoço. – Mas vou pedir para ela aguardar um pouco mais. Quero que Avery conheça Chloe primeiro. Ela queria tanto estar conosco. Acho justo que seja a primeira a conhecer a irmã. E, falando nisso, também não avisei Avery ainda.

— Avery ainda não sabe? Eu conto a ela! – Rich disse já pegando o celular.

— Rich não! – os amigos disseram em couro.

— Já ficamos demais por aqui. Vamos saindo para que Jane possa falar com Avery e descansar. Entendeu, Rich? – Zapata sabia fazer sua voz parecer muito ameaçadora.

Assim que todos saíram, Jane falou com Avery que estava determinada a viajar naquela mesma noite para estar com a mãe. Bethany conheceu a irmãzinha por uma vídeo-chamada.

À noite, Kurt percebeu que o apego de Jane à bebê podia ser um problema. Ela ainda não tinha dormido e continuava agarrada à bebê. Novamente se lembrando do que aconteceu em seu primeiro parto, ele concluiu que dormir podia representar um risco. E ela parecia muito cansada. Então resolveu apostar nos instintos dela ligados à sua profissão.

— Agora que Chloe está aqui, precisamos de estratégias para as noites. – disse tentando aparentar naturalidade.

— Se você está cansado, pode dormir. Eu fico com ela.

— Você também precisa descansar, Jane. A Dra. Palmer ressaltou isso na visita a pouco. Talvez a nossa vasta experiência como agentes do FBI possa nos ajudar agora.

— Eu não sei... sequer me lembro do tempo que fiz parte do team.

— É uma estratégia de vigília. Podemos fazer turnos de duas horas. Você dorme e eu fico acordado com Chloe. Depois te acordo e entrego ela, então será minha vez de dormir. E revezaremos assim até quando for necessário o que pode significar alguns meses a frente.

— Parece eficiente. – ela disse bocejando.

— Então, vamos por em prática. Posso pegar Chloe para você descansar. Te acordo em duas horas. – ele voltou a insistir na naturalidade, mas já esperando colher resistências da parte dela.

Para sua surpresa, Jane deixou que ele pegasse Chloe e ajeitou na cama fechando os olhos. Em minutos, a respiração compassada entregou que ela adormecera. A bebê também dormia. Então, ele se acomodou na poltrona determinado a manter-se firme na vigília.

Foram longas horas, mas ele se sentia completamente satisfeito e orgulhoso em cumprir sua função. Na verdade, teve tempo de repensar as estratégias. Por um lado, temia não acordá-la ao final do tempo combinado e perder sua confiança. Por outro, era tentador deixá-la descansar mais.

Faltavam dez minutos para o tempo se esgotar e ele ainda não tinha certeza do que faria. Foi quando Chloe começou a se remexer e resmungar. Um minuto mais e a bebê chorou com força, determinada a mostrar que precisava ser alimentada.

— Bem, parece que eu não considerei que vocês eram duas agora.

Jane acordou prontamente apesar de ainda parecer cansada. Tomou a filha nos braços e a levou ao peito. Uma enfermeira entrou para os cuidados noturnos.

— Parece que tem mais leite agora. – Jane comentou bocejando.

— Você descansou um pouco e isso sempre ajuda na lactação. – a enfermeira informou. – Dormir bem é importante se quiser amamentar.

O casal agradeceu a informação e assim que a enfermeira saiu, Jane disse:

— Será que você conseguiria ficar um pouco mais acordado com ela?

— Com certeza posso. – Kurt garantiu já se aproximando da cama para pegar a filha.

As duas dormiram duas horas e meia seguidas. E, no próximo turno, Jane ficou acordada para ele descansar. Assim passaram a primeira noite.

Já era quase hora do almoço quando Avery chegou. A alegria de Jane era visível. A garota tentou parecer indiferente até mesmo quando parabenizou o casal.

— Você quer pegá-la no colo? – Jane perguntou.

— Ah, não. Eu nem sei pegar um bebê dessa idade. Vamos esperar ela crescer um pouco mais.

— E que tal se sentar aqui conosco? – Jane tentou, disposta a conseguir que a filha mais velha cedesse.

— Ok. – Avery disse sem demonstrar muita emoção.

Assim que a garota ocupou o lugar junto delas na cama, Jane a envolveu com um dos braços deixando suas duas filhas bem próximas e praticamente no seu colo. Avery se aconchegou ao peito da mãe e começou uma série de perguntas sobre os acontecimentos do dia anterior. Jane foi paciente com as respostas. Logo a garota se arriscou tocar a mãozinha da irmã.

— É tão pequena e macia.

— Sim, exatamente como a sua era. Aqui, sinta o cabelinho. É tão delicado. Diferente de tudo que você já tocou.

A garota obedeceu e começou a se divertir vasculhando as características da irmãzinha. Quando chegou ao pezinho, não conteve o comentário:

— Olha isso, o pé dela é feio igual ao seu. – e não resistiu beijando e se divertindo com Chloe encolhendo os dedinhos. – e tem cócegas.

— OK. Deixei passar o detalhe do pé. Ainda bem que não fiz o mesmo com você.

Minutos depois Avery pediu para pegar a irmã. Assim que se sentiu segura com Chloe nos braços, se levantou e começou a andar pelo quarto a embalando e cantarolando. Kurt aproveitou para ajudar Jane a caminhar pelo quarto também. O casal acabou abraçados observando as meninas próximas à janela, a mais velha completamente encantada pela recém-nascida.

— Então, existia mesmo um final feliz reservado para nós. Nem acredito que chegamos até aqui. – ele disse estreitando o abraço ao redor dela.

— É perfeito. Mas não quero o final, Kurt. Ainda não as vimos as três juntas. Sinto falta de Bethany. Além disso, quero ver Chloe crescendo, Avery se formando... Eu quero mais. Quero usar tudo que sou e sei para ajudar o mundo a se tornar um lugar melhor por elas e para elas. Mas sem missões suicidas. Porque eu quero e preciso de vida, preciso de muita vida pela frente.

— Que seja assim.

Notas finais
Quem ficou querendo conhecer a música é só acessar: https://www.youtube.com/watch?v=ABpoY2gqPIs O que acharam desse capítulo? Sei que aguardavam ansiosos por esse momento. Valeu a pena ler até aqui? Por favor, compartilhem suas impressões comigo deixando um comentário. E vamos para o desfecho. Que venha a despedida. Muito obrigada pela leitura.