Jane

15 Transações bancárias


Notas iniciais
Sigo tentando sobreviver. Infelizmente não vejo luz no fim do túnel. Pensar que só me resta suportar mais um ano nessa situação é sufocante. Espero de coração que estejam tento um final de ano melhor que o meu. Ainda assim, tentei atualizar. Esse capítulo é meio que um mosaico construído aos poucos, em diferentes arquivos. Espero ter amarrado tudo de forma minimamente aceitável. Jane segue plena, firme e forte no que sente e deseja. Caí na redundância de testa a suficiência cardíaca de Weller novamente. Perdoem-me. É difícil mostrar Jane sem isso. Boa leitura.

A conversa foi longa. Kurt e Avery se esforçaram em buscar informações nos relatos de Jeremy dando em troca apenas versões possíveis da complicada vida de Jane. Mantiveram a versão de um AVC causando por substância tóxica desconhecida numa missão do FBI. Toda a parte sobre o terrorismo de Shepherd foi cuidadosamente omitida.

Jeremy parecia fascinado com mãe e filha. Nem mesmo a notícia de que agora Remi era Jane e estava casada com Weller o impediram de admirá-la com um olhar devocional. As poucas coisas que lhe contaram só o fizeram encantar-se com ela ainda mais. E Avery tinha muitas das qualidades da mãe: determinada, corajosa, forte e também protetora com os seus.

Jane acompanhou tudo atentamente. Interagiu usando o africâner com facilidade. Simpatizou com Jeremy. Ele parecia ser boa pessoa, sendo assim uma referência importante para Avery. Ela sabia que os pais adotivos da garota tinham falecido e ficava incomodada ao pensar que a fragilidade de seu estado poderia deixar sua filha sozinha no mundo, afinal ela odiava se sentir sozinha mesmo que se esforçasse demais para não demonstrar isso.

Preocupado com a situação, Kurt solicitou que o DNA fosse colhido ali mesmo no hospital do último andar do NYO. Seu humor durante a reunião de orçamento que se arrastou pela tarde toda não estava nada bom. Principalmente porque viu sua esposa e enteada deixarem o prédio na companhia do outro cara. Seu único alento foi ser discretamente arrastado por Jane para um canto do escritório antes de partirem e ouvi-la questionar:

— Kurt, ele... é bom?

Os olhos dela estavam sobre ele confiantes de que a resposta deveria ser acolhida com atenção. Isso sempre o tocava de forma muito especial e por isso esforçou-se em sorrir. Afastou os cabelos dela que brincavam no rosto trazendo para o momento mais intimidade, aquela que só os dois tinham, e disse:

— Tudo com relação a ele passou por uma extensa investigação. Está tudo OK. É um homem honesto. – e viu Jane suspirar mais aliviada. – Mas se você está me questionando sobre isso, é um sinal alerta pra mim. Seus instintos sempre foram mais precisos que os peritos do FBI. O que achou dele? – questionou arqueando a sobrancelha e, inconfessavelmente, esperando qualquer sinal negativo dela.

Jane abriu um amplo sorriso.

— Você... preocupado. – e levou o indicador até as linhas de tensão na testa do marido e depois apertou suavemente os ombros dela colocando um sorriso bobo no rosto daquele homem por ver a facilidade com a qual ela o lia mesmo depois de tantos problemas. – Jeremy parece ... sincero. Ele aqui... é bom. Muito bom... para Avery.

Kurt sorriu xoxo entortando o pescoço para o lado:

— Acho que sim. Vamos torcer para isso. – disse desejando ser capaz de ignorar seus compromissos daquela tarde para seguir com elas e Jeremy nesse passeio pela cidade. Então, estreitou o abraço em torno dela trazendo para mais perto e recostando suas testas. – Eu já te disse que você está linda.

Jane sondou o quão privado era o ambiente do escritório com a porta entreaberta e respondeu:

— Kurt... você disse “aqui não” ...

— Eu sei, eu sei, mas minha esposa está realmente maravilhosa e estamos sozinhos agora. Preciso que ainda esteja usando essa roupa à noite quando eu voltar pra casa.

Jane revirou os olhos e sorriu:

— E se eu... cansada? – e, engrossando a voz para imitá-lo, continuou: — Você diz: não se canse, Jane.

Ele riu, provando de seu próprio remédio.

— Bem, realmente você não deve se cansar. Se voltar pra casa cansada, eu cuido de você. Só não se preocupe. Relaxe. Eu mesmo tirarei sua roupa e te levarei para um banho seguido de massagem. O que acha?

— Hmmm, eu ... cansada hoje à noite, com certeza. – ela respondeu passando os braços ao redor do pescoço do marido que afundou-se em beijos no seu pescoço fazendo a rir.

— Eu amo você. Amo você e Avery. Por favor, cuidem-se.

O passeio com Jeremy foi tranquilo. Muita conversa para se conhecerem. O homem parecia realmente muito sensível às limitações e gravidez de Jane, mostrando-se sempre atento as necessidades dela. Avery observava isso, disposta a intervir se ele deixasse sua mãe desconfortável. Mas não aconteceu. O carinho dele não parecia ter qualquer conotação sexual. Jeremy demonstrava muito respeito por Jane. Talvez até deixaria antigos sentimentos aflorarem se houvesse espaço para isso, como nada no comportamento dela indicava brechas para isso, ele se manteve dentro dos limites colocados.

Naquela noite, quando Kurt voltou pra casa, as novidades do dia não tiveram espaço nas conversas. Patterson apareceu dizendo que precisavam conversar sobre Bethany. Jane quis participar e Kurt concordou apesar da vontade enorme de poupá-la especialmente após um dia já tão agitado. Ele achava que envolvendo-a por completo na questão, ela perceberia que não era a causa do problema.

— Vou começar salientando que não sou uma profissional da área. Estou lidando com análises baseadas em evidências. Um parecer definitivo precisa de profissionais especializados. Então, tudo que quero é apontar um norte, uma possibilidade que precisa ser investigada.

— Eu entendo isso, Patterson. Pode prosseguir. – Kurt demonstrou sua percepção.

— Kurt, mesmo com um diagnóstico fechado sobre o assunto, você precisa pensar que cada caso tem sua singularidade. Os avanços nos diagnósticos desses tipos de problema evoluíram bastante na última década, mas ainda há muito a descobrir. Bethany é uma criança inteligente, sensível, esperta. Apeguem-se a isso na trajetória que terão pela frente. Também jamais deixem de exigir dela o que ela pode alcançar.

— Agora você está me deixando nervoso, Patterson. O que suas investigações apontaram?

— As ocorrências na escola, a forma como ela grafou as poucas letras que fez, as dificuldades... Kurt, tudo isso indica alguma forma de dislexia.

Kurt sentiu-se afundando num oceano de incertezas. Torceu o pescoço incomodado. Ficou em pé e caminhou quase em círculo aflito. Dislexia. Ele não sabia bem do que se tratava, mas sua reação foi não aceitar. Como aceitar algo que iria impor a sua menina limitações que a acompanharia a vida toda? Não podia ser isso. Seria apenas a falta dele como Allie e a escola sugeriram, algo possível de ser corrigido.

— Não, Patterson. Como você disse, é só uma possibilidade. E não se confirmará. Bethany sempre foi muito inteligente, ativa...

— Sim, é só uma possibilidade. Mas é importante que façam investigações nesse sentido porque um diagnóstico precoce pode fazer toda a diferença no resto da vida dela...

— Não vai se confirmar. – ele repetiu bem nervoso.

— Calma, Kurt. Não é nenhum tipo de doença fatal. – a loura salientou.

— Mas é irreversível. – ele disse batendo a mão na bancada.

— O que é isso? – Jane questionou.

— Dislexia é transtorno específico de aprendizagem de origem neurobiológica. A pessoa tem dificuldade no reconhecimento da escrita das palavras. A leitura não flui como para a maioria das pessoas. Falando de forma bem superficial, a escrita não faz sentido para um disléxico. – Patterson esclareceu.

Kurt passou a mão pelos cabelos, bem nervoso.

— Tem que ser algo que possamos resolver.

— Kurt, dislexia não é uma doença nem deficiência. O caminho dela só será diferente, as portas não estarão se fechando mesmo se esse diagnóstico for confirmado. Ainda mais com pais comprometidos como você e Allie.

Mas o homem parecia decidido em não aceitar aquilo e continuou aflito. Jane se aproximou devagar, cuidando de sentir o espaço que teria para agir. Quando ele demonstrou que queria e também precisava dela, Jane se deixou abraçar, depois tocou o rosto dele, pedindo seu olhar:

— Tudo bem, Kurt. Bethany... vai ficar bem. Eu... também não consigo... lembra? – disse com um lindo sorriso e olhar carregado de carinho.

Kurt sentiu-se sacodido por algo mais forte que um terremoto. “Merda!” pensou assim que constatou a semelhança entre a situação de sua esposa e de sua filha. Ele precisava aprender a aceitar isso. Fechou os olhos e respirou fundo. Aos poucos, uma estranha paz foi o invadindo. O efeito Jane que sempre o retirava dos abismos mais escuros, lançando esperança em sua vida. Se sua Jane era essa mulher incrível mesmo sendo incapaz de ler após o acidente com zip, essa era a maior prova de que nenhum diagnóstico impediria Bethany de também crescer para ser uma pessoa fenomenal. Quando os reabriu, deixou o sorriso invadir seu rosto.

— Você tem razão. Está tudo bem. Todos ficaremos bem, inclusive Bethany. – e a beijou. Depois, virando-se para a amiga, continuou – Patterson, muito obrigado. Vou falar com Allie para investigarmos essa possibilidade.

Patterson se despediu e saiu.

A conversa com Allie logo ficou tensa diante da possibilidade de Bethany ser disléxica. Da mesma forma que Kurt, ela optou pela negação imediata. Mas ele foi enfático ao dizer que queria uma avaliação de um profissional especializado nessa questão. Bethany merecia esse tipo de atenção pelo sim ou pelo não. Sem saída, ela aceitou reafirmando que aquilo não se confirmaria.

A família jantou mais calada que o convencional, nem o assunto “Jeremy Santoro” animava a conversa. Quando se recolheram no quarto, Kurt sentia seu coração aquecido. Observar Avery preocupada com Bethany mesmo após ter acabado de conhecer seu pai biológico demonstrava que os laços familiares entre eles estavam mais estreitos que nunca. Sentia-se o homem mais sortudo do mundo por ter todas as suas meninas.

O combinado com Jane, na discrição do seu escritório no SIOC, não se concretizou. Mas tomaram banho juntos pela necessidade de estarem ao lado um do outro após esse dia tão cheio de surpresas.

Já na cama, Kurt resolveu pesquisar um pouco sobre dislexia. Ficou ainda mais tranquilo depois de tudo que descobriu. Suas pesquisas apontaram que uma das melhores escolas para crianças com essa dificuldade estava em NYC.

Na tarde seguinte, Allie ligou aflita. Levou Bethany para uma avaliação com uma equipe com diversos profissionais da área neurobiológica, pedagógica e psicológica. Mais testes se seguiriam, mas tudo apontava para uma forma leve de dislexia. Diante disso, Kurt agendou uma visita à famosa escola novaiorquina pra manhã seguinte. Sua ideia era conhecer a instituição e conseguir informações relevantes do avanço dos métodos usados ali para tranquilizar Allie. Jane se prontificou a ir com ele.

O casal foi até a escola sem Avery que estava com Jeremy acertando detalhes de sua mudança para os EUA. Foram bem recebidos. Os esclarecimentos da diretora e da coordenadora da escola foram reconfortantes. Quanto mais descobriam, mais se sentiam seguros sobre como agir com Bethany.

— O trabalho realizado por vocês aqui é muito importante, Diretora Ferguson. Confesso que estava muito inseguro sobre as possibilidades que existiriam para minha filha. Mas agora sei que, com o apoio correto, Bethany pode desenvolver toda sua potencialidade.

— Transtornos de aprendizagem não impedem ninguém de aprender, Sr. Weller. Só exigem métodos diferenciados. Fazemos nossa parte nessa instituição, mas o papel da família é fundamental, tanto no apoio emocional quanto na disposição de acompanhar o processo e atuar em conjunto com a nossa instituição. – a mulher, bem mais jovem do que Kurt esperava, salientou.

— Infelizmente, minha filha mora em Denver com a mãe. Mas já estávamos estudando a possibilidade delas voltarem a NYC. Espero que Allison reconheça o potencial dessa instituição para o futuro de Bethany.

— Espero que possamos trabalhar com sua garotinha. As instituições especializadas no atendimento aos disléxicos têm se multiplicado por todo o país. É realmente uma pena que Denver ainda não tenha uma. Sua pequena não tem feito progressos?

— Nenhum. A escola dela é muito resistente. A única que conseguiu fazê-la realizar algumas atividades foi Jane. – e olhou para a esposa.

— Isso é ótimo. Ter alguém tão próxima que consegue cooperação de Bethany é importante. Você é pedagoga? – a mulher disse dirigindo-se à Jane.

— Não. – Jane respondeu com um sorriso discreto. – Eu... só sei como ela ... se sente e... tentei... fazer pontes...entre o que ela sabia ... e a lição. Eu também ... não sei ler.

A mulher ficou pasma e se interessou pelo caso. Kurt descreveu o que aconteceu e as dificuldades que surgiram após o coma da esposa. A diretora Ferguson, então, os convidou para um passeio e apresentou Jane a alguns profissionais da escola.

Na sala de recursos, a diretora perguntou se Jane concordaria em realizar algumas atividades dos métodos desenvolvidos pela instituição para o casal entender melhor do que se tratava. Ela concordou e começaram.

Mais de duas horas depois, Kurt observava orgulhoso num canto da sala sua esposa rodeada por diversos profissionais. Ela estava totalmente envolvida nas atividades e eles admirados com a forma encontrada por ela para dar conta daquilo.

— O caso dela é muito especial. Sua esposa desenvolveu uma forma de dislexia após o coma, mas é incrível a facilidade com que o cérebro dela faz conexões. Isso torna os avanços mais rápidos e significativos. Somos especializados no atendimento infantil, mas podemos abrir uma exceção para Jane se ela quiser aprender a lidar melhor com os signos escritos. – a diretora Ferguson ofereceu.

— Vou conversar com Jane. Não estamos forçando-a a nada por causa da gravidez e de alguns apagões que ela teve após o coma. Mas ela parece empolgada com as atividades que está realizando. Talvez queira voltar outras vezes não só pelos avanços que pode fazer, mas também para saber lidar melhor com Bethany. Jane é assim, não poupa esforços para ajudar alguém.

No retorno para casa, Jane falou o tempo todo dentro do carro. As atividades desenvolvidas pareciam tê-la ajudando ainda mais também com a fala. Kurt estava realizado, sentindo que estava no caminho certo tanto com sua filha quanto com sua esposa. Logo deixaram a conversa migrar para o flerte. E se permitiram deixar a alegria se transformar em beijos no elevador. Entraram no apartamento agarradinhos e rindo.

— Que bom que chegaram! Vocês demoraram. – Avery disse vindo ao encontro dos dois.

— Essas entrevistas em escolas podem ser tão exaustivas. Estávamos preocupados se Jane ficaria muito cansada. – Jeremy parecia preocupado.

— Estou bem. A escola é ótima. – Jane os tranquilizou fazendo pai e filha se entreolharem enquanto Kurt estreitava o abraço ao redor de sua cintura.

— Ah, que bom que gostaram. Tomara que Allie aceite trazer a pirralhinha pra mais perto de nós. – Avery parecia empolgada. – Mas essa fala fluente assim é outra surpresa boa, hein, Dona Jane.

A tatuada encolheu os ombros demonstrando que não sabia explicar aquela mudança.

— Jane fez algumas atividades da escola e parece que isso ajudou ainda mais sua fala. Ela já vinha fazendo progressos significativos desde que você chegou e acho que hoje foi o pontapé que faltava.

Assim que adentraram a sala, Jane se jogou no sofá e descansou as pernas sobre a mesa de centro. Entretanto, mal se acomodou e já vez menção de se levantar.

— Não! – os três disseram em coro.

— Diga o que você precisa e pegamos pra você. – Avery disse solícita ao lado da mãe.

— Água. — Jane disse meio constrangida.

— Eu pego! – Kurt tratou de dizer já caminhando para a cozinha decidido a não deixar Jeremy ter essa vantagem.

Péssima escolha. Ao retornar à sala, Avery e Jeremy estavam sentados um de cada lado de Jane, sussurrando e com as mãos na barriga dela.

— Ah, que pena que ela parou. Estava se movendo tanto. – Jeremy lamentou.

— Eu já senti várias vezes. – Avery se gabou. – Ela adora a Big Sis, não é, meu amor. – e beijou a barriga da mãe fazendo o coração de Kurt pular uma batida com medo de Jeremy fazer o mesmo.

— É realmente um grande milagre. – Jeremy suspirou. – É a vida explodindo e nos lembrando que não podemos deixar a peteca cair. Olha pra mim, há alguns dias atrás eu me sentia massacrado pelo destino: um casamento fracassado, longe dos meus filhos, acusado de crimes que não cometi, isso tudo sem contar a tristeza e a culpa pela minha falta de coragem na adolescência. Agora estou aqui, vivendo tudo isso. Kurt provou minha inocência, reencontrei vocês. E essa garotinha aqui está me mostrando que nunca devo desistir. É tão fantástico. Kurt, você pode contar comigo sempre. Vou cuidar de Jane, Avery e também dessa pequena por toda a vida.

Kurt tentou sorrir, mas um aceno com a cabeça foi tudo que conseguiu. Ele sabia que Jeremy não era má pessoa e que não agia por mal, mas ainda assim seu estômago retorcia com a proximidade que o cara estava tendo com suas meninas. Deveria ser ele ajudando Avery com a transferência de faculdade e mudança de país. Jane era sua esposa e aquela bebezinha ali se movendo no ventre materno era sua filha.

Respirando fundo, ele entregou o copo d’água a Jane e depositou um beijo na cabeça da esposa.

Como ela estava sorridente. Era isso que importava. Quantas vezes teve a chance de vê-la feliz assim desde que se conheceram? Droga, talvez fosse possível contar nos dedos das mãos esses momentos. Então, ele pensou em quantas vezes Jane acompanhou situações semelhantes entre ele e Allie. Seu estômago se contorceu ainda com mais força ao considerar que seria praticamente insuportável pra ele se aquela bebê fosse de Jeremy e não sua. Inferno, se Jane foi capaz de apoiá-lo com tanto carinho por todos esses anos, ele seria capaz de fazer o mesmo por ela.

Encarou o fato: Jeremy Santoro passaria a fazer parte da vida da família com muito mais frequência do que desejava. Ele parecia disposto a recuperar o tempo perdido com Avery e compensar Jane por tê-la abandonado na adolescência. Kurt considerou que isso também seria bom para a esposa. Olhou para Avery. Jane era muito mais jovem que ela quando engravidou e enfrentou tudo sozinha. Esse tipo de coisa deixa marcas. Reencontrar o pai da garota, saber que ele não a deixou por vontade própria, ver o empenho do homem em conquistar a filha devia ser reconfortante. Talvez aquele momento tocando a barriga dela restaurasse coisas que se quebraram no passado, colocando algumas coisas de volta em seu lugar, ajudando-a a se sentir menos desprezível ao ponto de se trancar numa sala com zip ou não tomar um antídoto pra “salvar o mundo”, salvar o mundo dele. Jane tinha tanto brilho próprio. Já era hora dela deixar de orbitar ao redor dele.

— Essa é uma família de mulheres realmente especiais. – Kurt disse roçando os dedos sobre a barriga da esposa. A reação da bebê veio imediatamente, se movendo ao reconhecer a voz e o toque do pai deixando-o quase explodindo de orgulho.

Mais tarde, na privacidade do quarto, Kurt se avaliou no espelho. A vida insana dos últimos anos se fazia sentir as linhas marcantes de seu rosto e na falta de definição dos músculos. Ele pensou no peitoral de Jeremy se fazendo perceptível mesmo coberto pela camiseta colada ao corpo. Agora que sua vida parecia estar voltando aos eixos, talvez fosse tempo de voltar a malhar...

De repente a imagem de Jane apareceu atrás dele, o envolvendo e beijando seu pescoço. Ela continuava empolgada e sorridente. E também muito carinhosa. Ainda mais que o normal.

— Você parece feliz. – ele disse se virando e olhando nos olhos dela.

— Muito! – ela respondeu acariciando o rosto dele. — Eu... tenho uma família... Nossa família. Nós estamos...bem. Vamos... ficar bem... cuidando uns dos outros. E eu amo você, Kurt Weller FBI, meu crush.

Os lábios dele se curvaram naquele riso torto tão especial. Como era bom vê-la assim.

— Nós estamos construindo isso juntos, Jane. E você merece essa família. Grande parte disso tudo só aconteceu por você. – e acariciou seu rosto pensando no quanto era reconfortante pensar que ela estava tão feliz e não se via mais como portadora do caos.

Amá-la naquela noite foi realmente especial. Poder beijá-la, tocá-la, ouvi-la sussurrando seu nome enquanto estava dentro dela, ah era como tocar o paraíso. E, quando ela se aninhou em seus braços entrelaçando as pernas as suas para adormecer, ele inalou o doce aroma que só ela tinha e deslizou a mão para acariciar sua barriga. Ele era um cara de sorte. Admitindo o próprio egoísmo, se permitiu dedicar seu último pensando antes de adormecer à uma frase vulgar: “Chupa, Jeremy Santoro!”.

Dois dias depois

Era o último dia de Avery na cidade. Depois disso, ela voltaria a Alemanha para acertar os últimos detalhes de sua mudança definitiva para os EUA. Só retornaria na semana seguinte. Kurt foi bem cedo para o escritório. Queria adiantar o trabalho para voltar a casa no meio da tarde e curtir o resto do dia com suas meninas.

Enquanto isso, Jane e Avery passariam a manhã com Jeremy. Já conheciam sua editora, naquele dia visitariam um museu da cidade. Estavam no carro quando ele recebeu um telefone. Era algo da empresa. Acertos exigiriam uma transação bancária urgente. As duas concordaram em acompanhá-lo até a agência central. Ele insistiu para que entrassem com ele, não queria Jane desconfortável no carro caso a coisa se prolongasse.

Dentro da agência, enquanto o gerente o atendia, serviram suco e frutas para elas numa mesa ao lado. Mãe e filha aproveitaram o tempo para conversarem sobre coisas banais, ambas fingindo não ter um ouvido na conversa entre o gerente e Jeremy sondando a realidade da situação financeira da editora. Felizmente tudo estava bem.

Ele já tinha apertado a mão do homem que o atendeu e elas se levantaram para acompanhá-lo para fora da agência quando tudo aconteceu. Foi rápido e impactante, deixando todos sem reação, respiração pesada, sangue pulsando forte pelo corpo todo.

Três homens armados invadiram a agência e anunciaram o assalto. Estavam mascarados e dispostos a não poupar vidas para alcançar seu propósito. Clientes e a maioria dos funcionários, inclusive os seguranças, forma reunidos no chão de um canto do salão principal, vigiados por um dos homens enquanto o gerente e o tesoureiro eram conduzidos pelos outros dois homens para o cofre. A ordem era clara: ninguém deveria se mexer ou falar.

Jane observava tudo de forma discreta, sondando ações e reações dos assaltantes e de seus reféns. Esses últimos a preocupavam mais que os homens armados pois estavam muito instáveis. Alguns hiperventilavam, outros choravam e uma senhora repetia incessantemente uma oração.

Avery e Jeremy tinham sua atenção em Jane, preocupados com ela. De repente, ele falou:

— Por favor, ela está numa gravidez de risco.

— Eu mandei ficarem calados! – o homem rosnou.

Jane colocou a mão no joelho de Jeremy e apertou esperando que ele entendesse. Associou a isso um “shshshsh” marcando que ele deveria manter o silêncio. Mas ele parecia disposto a não silenciar seu lado protetor:

— Ela não pode ficar sentada nesse chão frio, Senhor. Só quero pegar uma cadeira pra ela, é só isso que eu peço.

— Cale a boca! – o homem rosnou ainda mais alto.

Aproveitando-se da distração da conversa, um outro refém bem jovem, provavelmente estagiário do banco, correu em direção à mesa próxima fingindo tentar alcançar uma bombinha de asma que estava sobre o móvel e bateu a mão no botão de alarme.

Irritado, o assaltante atirou atingindo em cheio a cabeça do rapaz. O pânico dos reféns aumentou. Jane fechou os olhos prevendo o quanto a situação se complicaria depois disso. A polícia estaria ali em minutos após o alarme e o som de tiro. As negociações se prolongariam. Talvez liberassem algumas dessas pessoas após algumas horas. Mas o prognóstico não era bom. Outras vidas poderiam se perder facilmente diante da instabilidade que reféns e assaltantes assumiam.

Como ela previu, logo as luzes e sirenes da NYPD podiam ser vistas do lado de fora do prédio. Os outros dois assaltantes retornaram com o gerente e o tesoureiro. Os três se reuniram reformulando estratégias. Jane conseguiu fazer uma leitura labial parcial do que conversaram. Nada consistente. Estavam encurralados e usariam os reféns como escudo humano na tentativa de escaparem. Tão amadores...

O tempo foi passando e tudo se tornando mais tenso. Um refém vomitou, outra quase desmaiou. As negociações não avançavam e Jane não via mobilizações eficazes lá fora. Ela se questionou se o caso já tinha chegado ao conhecimento do FBI. Riu internamente. Há mais de duas horas que nenhum deles entrava em contato com Kurt, isso era o suficiente para que ele já tivesse chegado até o assalto com reféns no banco. Ela conhecia muito bem seu marido.

E estava certa. Após uma hora e meia de tentativas frustradas de contato, Kurt já começou a sondar possibilidades sobre o que estaria errado. Quando soube do assalto com reféns no Banco Central, não hesitou em colocar Rich na busca do carro de Jeremy e bingo! O carro estava estacionado no prédio em questão. E ele começou a buscar espaço para assumir o caso.

O estopim final não demorou a chegar. Um dos assaltantes chamou Jane e a colocou numa cadeira como Jeremy havia solicitado. Depois a fotografou e enviou a foto ao agente da polícia com quem negociava. Ela percebeu que seu estado seria utilizado para sensibilizar a polícia a ceder em algum ponto. Talvez até a soltassem depois disso. Péssima ideia. Ela não queria sair dali, deixando Avery e tantas outras pessoas vulneráveis para trás.

Logo a notícia de que uma mulher tatuada numa gravidez de risco estava passando mal dentro do banco estava nos noticiários da TV. O NYO inteiro se agitou. Kurt que já estava na frente do prédio, reivindicou a liderança das negociações apoiado num argumento incontestável: era sua esposa e filha lá dentro. Tasha foi para o SIOC e assumiu a liderança remota do caso com Maya a acompanhando. Sabia que Kurt não era racional quando se tratava de Jane e precisaria de apoio. Patterson e Boston se juntaram à Rich no laboratório traçando estratégias para uma possível invasão do prédio.

Mais um bom tempo sem nenhum avanços significativos. Jane sentia-se grata por isso. Ainda estava ao lado da filha com quem se comunicava pelo olhar e estavam calmas. Jeremy também finalmente atendera aos olhares frios dela, permanecendo calado. Ela percebeu também que outra pessoa assumira as negociações, alguém mais experiente e muito persuasivo. Isso deixou os assaltantes mais estáveis.

Levaram ela ao banheiro, onde ela não encontrou nada útil para ajudá-la a reverter a situação. Ao retornar, a sentaram numa poltrona do outro lado do salão e trouxeram Avery e Jeremy para ficar com ela. Isso fez Jane ter a certeza que era Kurt do outro lado da linha negociando com aqueles homens. Na terceira ligação entre eles, veio mais uma evidência de que Kurt liderava o caso. A conversa entre eles ficou tão persuasiva que o assaltante deixou a arma sobre a mesa para se concentrar nas negociações.

Ela observou atentamente a situação. Um assaltante estava de costas pra ela, empunhando uma arma pesada vigiando os reféns a cerca de dez passos de distância. O segundo deles tinha um revolve menor e estava bem ao seu lado, um olho no grupo ao redor dela e outro no comparsa que negociava ao telefone. O terceiro conversava distraidamente com Kurt. Seria agora ou nunca. Olhou firme para Avery exigindo atenção e ação. A garota acenou positivamente com a cabeça, mesmo sem saber do que se tratava.

— Á...gua... á...gua. – ela disse baixo se dirigindo ao assaltante ao seu lado e reforçou usa dificuldade de fala propositalmente dessa vez e deixou a respiração descompassada para sensibilizá-lo.

— Eu posso buscar? – Avery e Jeremy indagaram juntos.

— Nada disso! – o homem rosnou insatisfeito. – Fiquem aqui. Eu pego a água. – e começou a caminhar em direção ao bebedouro.

Jane calculava a distância. Precisava que ele estivesse de dois a três passos após a mesa para ter tempo suficiente para executar seu plano. Quando o homem atingiu o final do móvel de madeira, olhou para trás para se certificar que aqueles três reféns estavam quietos em seus lugares. Ela olhou para ele suplicante e ofegou um pouco mais. Bufando, ele voltou a dar as costas para o grupo e colocou sua arma no canto da mesa querendo as mãos livres para a pegar a água no bebedouro. Era bom demais para ser verdade.

Um passo. Dois. E Jane não decidiu esperar o terceiro passo do assaltante sabendo que a confiança do cara o traiu. Saltou rápido e pegou a arma maior que estava ao seu alcance na mesa. Armou e atirou rápido. O primeiro tiro atingiu o assaltante que vigiava os reféns na cabeça. O segundo transpassou o joelho direito daquele que ia em direção ao bebedouro. Avery não esperava esse tipo de atitude, mas compreendeu seu lugar no plano da mãe. Deslizou por baixo da mesa rapidamente, alcançando a arma que estava do outro lado. Mãe e filha, com armas em punho, apontaram para o terceiro assaltante que levantou os braços se rendendo.

Os reféns reagiram de formas diversas. Alguns apenas se encolheram chorando. Muitos correram em direção da porta gritando assim que o tiro atingiu o primeiro assaltante. Dois seguranças do banco foram em direção à Jane prestar apoio, rendendo o assaltante baleado que estava no chão e derrubando o que restou.

Ao ouvir os tiros pelo telefone, Kurt teve um breve momento de paralisia. Sua segunda reação foi gritar o nome dela já rompendo o cerco de segurança e correndo em direção à porta do banco.

— Jane! Jane! – ele continuou gritando enquanto tentava ultrapassar a barreira humana que se formou a sua frente com reféns saindo chorando e cobrindo as cabeças buscando salvar suas vidas.

Enquanto isso, Jane sentiu as consequências dos movimentos rápidos aos quais seu corpo agora estava desabituado. Sua visão periférica começou a escurecer e a cabeça a ficou zonza. Percebendo que os seguranças tinham os assaltantes sob controle, ela chamou:

— Jeremy, eu... – e não concluiu a frase puxando o ar para tentar estabilizar o mal estar.

Ele foi rápido. Pegou-a nos braços e Avery se aproximou rápido para ajudar.

Nesse momento, Kurt conseguiu entrar no prédio e viu de relance a cena: Jane nos braços de Jeremy. Um frio percorreu sua espinha de alto a baixo. Ele precisava chegar até eles e ajudar a socorrê-la. Ela precisava ficar bem.

Mas antes que pudesse correr até o final do salão onde Jane estava, sentiu alguém segurando seus braços.

— Por favor, me ajude, senhor! Me ajude. – a voz desesperada de uma velha senhora, cabelos brancos, gordinha, suplicava aos prantos.

Ele olhou para ela querendo afastá-la de seu caminho, mas foi incapaz.

— Está tudo bem, senhora. Temos tudo sob controle. – e sentiu um aperto no peito porque sabia que, para ele, nada estava bem. Sua esposa grávida devia estar ferida, provavelmente por um tiro. – Sente-se aqui e aguarde. Os paramédicos vão atendê-la em minutos. – e conduziu a velhinha até uma cadeira próxima, acenando para alguns agentes assumirem o caso.

Então, com passos largos, venceu a distância curta e, ao mesmo tempo, imensa até chegar onde Jane estava.

— Ela está ferida? Onde? – já chegou questionando Jeremy e Avery.

— Não. – foi Avery quem respondeu. – Ela teve um mal-estar. Levantou-se muito rápido para pegar a arma e atirou nos assaltantes.

— Kurt... – ela chamou ainda zonza e assim que ele se aproximou, se jogou nos braços dele.

— Descanse, Honey. Eu estou aqui. Vai ficar tudo bem. – ele disse a recebendo e aconchegando em seus braços.

Meia hora depois, Avery recebia os amigos no corredor do hospital.

— Viemos o mais rápido que conseguimos. – Boston disse bufando.

— Como ela está? – Patterson parecia aflita.

— Ela está bem. Foi só uma indisposição mesmo. Fizeram um ultrassom e a bebê está ótima. Já vão liberá-la pra voltar para casa. Abrandar o mau humor do Kurt é que não está sendo fácil. Até desisti e saí do quarto.

Os amigos respiraram aliviados.

— Você agiu certo, Avery. Só Jane tem o super poder que resolve o mau humor de Weller. Acredite, todos nós tentamos por anos, mas só ela consegue acalmar a fera. – Tasha disse rindo.

— Então, existe a chance de entrarmos e flagar os dois num momento mais íntimo? O que estamos esperando? E ainda num quarto de hospital. Santo fetiche. – Rich disse já com a mão na maçaneta da porta.

Todos abanaram a cabeça desistindo de esperar qualquer reação normal do ex-hacker e o seguiram para dentro do quarto.

Jane já estava vestida, mas forçadamente deitada na cama enquanto Kurt se mantinha protetoramente ao seu lado, segurando sua mão com cara de poucos amigos. Ao ver os amigos, ela sorriu largo.

— Ei! – disse animada recebendo os amigos.

— Como está a gravidinha mais badass dessa cidade? – Boston perguntou.

— Bem. Nunca me senti melhor. – ela respondeu animada.

— Essa é você, vejam só. E ainda falando fluente desse jeito. – Patterson disse se aproximando da cama e abraçando a amiga.

— Render três assaltantes armados num banco cheio de reféns me faz até sentir saudade do trabalho de campo, Jane. Golpe baixo, hein! – Tasha cumprimentando a amiga.

— Tasha, pessoas boas impedem pessoas ruins. Eu fiz isso! – Jane respondeu orgulhosa, compartilhando suas considerações com a amiga.

— Ah, meu Deus, você se lembra disso. – a latina falou boquiaberta.

— Então foi você quem disse isso pra ela? – Kurt não parecia nada feliz.

— Fui eu, mas isso foi há muito tempo. Logo que nos conhecemos. – e, virando-se pra Jane, continuou. — E parece que você dava mais ouvidos ao que eu dizia do que eu imaginava. Hoje você salvou muitas vidas. Isso foi incrível. – e observou Jane olhando para Kurt orgulhosa. – Mas lembre-se de se cuidar porque a sua vida é muito importante para todos nós. Quanto ao que define pessoas boas e pessoas ruins, bem é longa história. Minha concepção mudou muito desde que te disse isso. Por hoje, você deve estar louca para voltar pra casa. Então, vamos deixar essa conversa para outro dia. Você precisa descansar.

Conversaram por mais algum tempo e a liberação médica finalmente deixou a família voltar pra casa.

Já de volta ao apartamento, Jane tomou um banho e foi se deitar. Ela não estava realmente cansada, mas queria agradar Kurt que continuava irritado. Pouco depois ele entrou no quarto trazendo uma bandeja com iogurte, frutas e suco. Ela começou a devorar tudo. Estava faminta. Sentado na beirada da cama, ele mantinha os olhos longe do rosto dela.

Percebendo que a situação não estava evoluindo bem, Jane resolveu agir.

— Kurt, olha pra mim. – pediu com a voz carregada de carinho.

Ele resmungou e deu à ela apenas um olhar rápido.

— Eu só queria ajudar... aquelas pessoas. Não queria te deixar triste. Por favor, me desculpe...

— Você não precisa se desculpar. Mas quando eu penso no que poderia ter acontecido se eles tivessem reagido mais rápido que você...

— Eu observei, Kurt. Sabia que estavam... desprevenidos.

— Mas não dá pra ter cem porcento de certeza, Jane. Você deveria ter aguardado as negociações. Eu ia te tirar de lá.

— Ou não. Não dá pra ter cem porcento de certeza, Kurt. E você ajudou... distraiu um deles pra eu agir. Somos uma equipe. Eu e você. Deu tudo certo.

Ele finalmente se deu por vencido. Afinal, sentia falta de tê-la ao seu lado do SIOC, sua partner in crime, acordando nas decisões mais difíceis. Estendendo a mão, apertou a dela.

— Você foi ótima hoje. – disse finalmente sorrindo. – É até meio egoísta da minha parte, mas a verdade é que se for pra você salvar o mundo, mas eu te perder, prefiro que o mundo se dane.

— OK. Dane-se o mundo, eu vou voltar para você. Porque eu te amo.

O sorriso dele se alargou.

— Você é a mentirosa mais linda do mundo, sabia?

Jane olhou para o alto fingindo não compreender o que o marido dizia. Depois pegou um morango e ofereceu a ele:

— Morango?

Ele riu e se acomodou ao lado dela para lancharem juntos.

Pouco depois o telefone tocou. Ele atendeu. A conversa foi curta. Assim que desligou, ele compartilhou:

— Bethany estará aqui no final da semana que vem. Allie quer conhecer a escola que visitamos. – ele parecia otimista.

— Vai dar certo, Kurt. A escola é ótima. Ter Bee aqui também. – ela enfatizou apertando a mão dele.

— Com certeza. A família estará reunida. Será uma ótima oportunidade para escolher o nome da bebê. – e mordeu um pedaço de kiwi empolgado.

— Avery e Bee aqui para escolher seu nome. – Jane disse acariciando a barriga e a bebê se remexeu provocando ondulações visíveis até sob o tecido de sua camisola.

Kurt aproveitou para retirar a bandeja e beijar a barriga da esposa.

— Não falta muito agora. Logo teremos ela aqui nos nossos braços também. – disse feliz.

Assim que ele voltou a sentar ao lado dela, Jane se acomodou em seus braços. Ele a acolheu.

— Isso tudo... é tão... perfeito, Kurt.

— Sim, com certeza é. Agora descanse, Honey. Foi um longo dia. – e beijou seu cabelos sorrindo por relembrar os acontecimentos daquele dia, felizmente, agora atípico na rotina deles.

Os próximos dias prometiam completar a paz que os dois tanto ansiavam.

Notas finais
Sei que esperavam mais. É triste não ter mais a oferecer. Sinto-me tão vazia. Tenham um ótimo começo de ano. E deixem um comentário se assim desejarem. Muito obrigada pela leitura.