Jane

5 Adaptação


Notas iniciais
Preciso começar agradecendo imensamente pelo carinho que tanta gente tem demonstrado por essa história. Os comentários e visualizações me comovem. Posso estar enganada, mas senti que muita gente, assim como eu, não quer deixar Jane, Jeller e Blindspot morrerem. Eis que esse capítulo está chegando um pouco mais cedo. Talvez eu falhe no final de semana porque tive uma mudança de agenda aqui. Mas terei mais tempo livre na próxima semana e espero conseguir escrever na terça. Bem, nosso casal está em casa. Jane está melhorando sua compreensão do mundo que a cerca e avança na comunicação. Só para não esquecerem, ela demonstrou se lembrar de algumas palavras em africâner: ja (sim) e nie (não). Boa leitura.

Ao ouvir os gritos dele pela casa chamando por ela, seu coração descompassou no peito. Aquele tom na voz dele diferente de tudo que ela já tinha ouvido antes. Ele parecia muito zangado.

Jane se encolheu contra a pia assustada. Por que tudo ficava confuso tão de repente? Ele e Avery sempre insistiram para que ela comesse. Por que agora isso era errado?

Não! Ninguém ia impedi-la de comer. Não de novo. Ela precisava se fortalecer. E o bebê também! Puxou o ar diversas vezes tentando se acalmar para o enfrentar se preciso.

Então ele apareceu na cozinha. Ali, em pé ao lado dela, parecia tão imponente. Isso fez seu receio aumentar.

Kurt Weller FBI começou a falar. Ele sempre falava com ela, mas não como Avery que disparava palavras sem sequências longas. Era sempre curto, forte, carregado de sentimento. As palavras saíram em tom de desabafo dessa vez como se ele se sentisse aliviado. Por quê?

Sentou-se ao seu lado e sorriu. Isso só a deixava mais confusa. Decidida a se defender, Jane procurou mostrar que estava com fome. Ele compreendeu. Não havia mais qualquer sinal de irritação dele com ela agora. Era tão estranho... mas bom! Se existia espaço para ficarem bem, ela se esforçaria para manter tudo assim. Por isso decidiu oferecer a comida para ele.

Tudo foi tão bom. Kurt Weller FBI sugou seus dedos lambuzados de manteiga de amendoim. Foi tão inesperado e provocou uma mini-explosão dentro dela fazendo a rir o que foi ótimo porque Jane também sentia tantas outras coisas naquele momento. Algumas partes de seu corpo queimavam, o coração saltitava.

E essa mistura louca não passou porque eles continuaram se tocando e trocando olhares que só a incentivavam a sentir mais e mais daquelas sensações.

Depois ele a conduziu até o sofá, a cobriu com uma manta, disse alguma coisa e voltou para a cozinha. Ela ficou ali, o observando. Estava exausta, mas não queria perder a oportunidade de observá-lo. O jeito que ele se movia e franzia a testa quando estava concentrado... Não, não era só quando ele a tocava que as sensações estranhas a dominavam, bastava identificar uma de suas peculiaridades que a onda vinha, menor que na troca de toques e olhares, mas vinha.

Uma vez ou outra, ele olhava em direção à ela fazendo-a engolir seco. Depois baixava o olhar para seus afazeres. Jane se mantinha firme, afinal olhar para ele era tudo que ela podia fazer agora. Mas, numa dessas espiadas, ele olhou firme por mais tempo e sorriu. Então, ela sentiu seu rosto queimando, acenou de leve com a cabeça e desviou o olhar. Droga, agora a onda veio forte outra vez. Esse tal crush ao qual Avery se referiu pode ser um problema.

Ao desviar o olhar, Jane viu a mesa de centro à sua frente. Havia três livros empilhados num canto. Um deles, o último da pilha, chamou sua atenção, despertando uma familiaridade.

Ela segurou a manta como pode e alcançou o livro na mesa. Um lápis soterrado entre as páginas forçou a abertura antes que ela tentasse folheá-lo.

Não era um livro, mas um caderno! E estava cheio de desenhos. Jane folheou as páginas curiosa. Avery e Kurt Weller FBI tinham sido retratados ali. E muitos desenhos que reproduziam aqueles que havia em sua pele também!

Isso a deixou muito entusiasmada e a fez folhear mais, a procura de novas descobertas. Mais retratos brotavam em meio aos desenhos: o barbudo falante, o cara sensível, a loura carinhosa, a latina grávida do hospital, um homem negro que ela ainda não reencontrou. De repente, a tristeza a assaltou. Aquela ausência era forte, incomum. Não se tratava simplesmente dele não estar ali.

Morto. Ele se foi. Jane não se lembrava ou entendia, mas sabia. Essa constatação a fez revirar mais páginas a procura de alguém de quem se lembrava bem, muito bem. Não precisou vasculhar muito para encontrar. Roman, seu irmão. Havia vários retratos dele: sorrindo, chorando, ameaçador. Ela correu os dedos por todas aquelas imagens enquanto lutava contra as lágrimas. Como ele lhe fazia falta...

Deixando-se escorregar para o chão para usar a mesa como apoio, Jane buscou uma página em branco. Sentia uma vontade enorme de desenhar para arrancar todos os sentimentos e confusão de dentro de si aprisionando-os naquelas páginas onde poderia controlá-los.

Pegou o lápis na mão esquerda apenas para encaminhá-lo para seu devido lugar: a mão direita. Com cuidado, tentou encaixá-lo entre os dedos, mas mesmo colocando todo seu esforço na tarefa, fracassou. Segunda tentativa: novo fracasso. Terceira tentativa: nada. Quarta tentativa: que merda! A raiva subiu rápido. Sua vontade era arremessar caderno e lápis no chão. Ela chegou a fechá-los juntos e começou o movimento. Mas então se lembro que Kurt Weller FBI estava ali na cozinha, talvez a observando. Resolveu conferir. Droga! Ele estava mesmo olhando em sua direção e sorriu. Ela retribuiu e afastou o caderno tentando controlar seus impulsos.

Pouco depois ele se aproximou e ofereceu ajuda para que ela voltasse ao sofá. Ela aceitou. O cheiro que vinha da cozinha estava maravilhoso. Após acomodá-la, ele foi até a cozinha, pegou uma bandeja sobre o balcão que trouxe e depositou na mesa de centro. Ajeitou uma tigela com sopa quente num pano e ofereceu a ela. Jane aceitou imediatamente.

— Não é tão ruim quente, você vai ver. – Kurt disse sorrindo.

Os dois comeram a sopa acompanhada de torradas e ovos em silêncio. Kurt se sentia um pouco desconfortável em oferecer as proteínas de origem animal pra Jane, mas a nutricionista aconselhou que fosse assim pelo menos por algum tempo para suprir todas as carências que ela acumulara no coma. Quando terminaram, ele recolheu os pratos de volta a bandeja. Então, pegou suas mãos nas dele para chamar sua atenção.

— Jane, preciso falar com você. – disse olhando nos seus olhos. – Por favor, preciso que entenda. A porta, ali. – disse e apontou para porta de entrada. – Você não pode sair sozinha, por favor. – e apontou para ela e gesticulou negativamente com a mão. – Pode ser perigoso sozinha lá fora. Sempre que quiser sair, me chame. Você e eu, nós dois juntos. Ok? – e voltou a gesticular apontando para os dois.

Jane tentou focar a atenção no relato como podia, mas a sequência longa a deixava confusa. Porta, ela, não, ela e Kurt Weller FBI, sim. Era isso? Ficou olhando para ele por um momento e resolveu tranquilizá-lo assentindo com a cabeça.

— Bom, bom. – ele disse. – Mas preciso ter certeza de que você entendeu, Jane. Pode tentar me mostrar?

Jane mordeu o lábio um pouco insegura. Então, puxou o ar e fez o que podia. Mostrou a si mesma e a porta e balançou a cabeça negativamente. Mostrou ele e a porta e voltou a negativar com a cabeça. Por fim, apontou para os dois e a porta e assentiu.

Kurt riu com a sequência e coçou a nuca:

— É quase isso, Jane. Você não pode sair pela porta sem mim. – e voltou a repetir os gestos. – Mas eu provavelmente vou ter que sair sem você.

Ao ouvir isso, ela ficou séria e gesticulou com a cabeça o questionando. Mesmo sem nenhuma palavra, ele entendeu. Por que ela não podia sair sozinha e ele sim? Era uma resposta que exigia apontar deficiências dela que ele não se sentia confortável abordar.

— Nada. Você está certa. Ficamos assim. Você não sai e eu não saio. Só sairemos juntos. – confirmou considerando que era o melhor para aquele momento.

Jane endireitou a postura e assentiu satisfeita. Kurt se levantou, pegou a bandeja e levou para a pia. Voltou logo e a convidou a voltar ao tapete com ele. Queria tentar explorar mais o desenho já que ela demonstrou interesse por isso a pouco. Puxou o caderno e o abriu numa página em branco. Então ofereceu o lápis para ela. Jane acenou negativamente com a cabeça, apontou a mão direita e suspirou.

— Podemos tentar juntos. – ele disse disposto a fazer tudo que estivesse ao seu alcance para não vê-la mais decepcionada diante de suas novas limitação.

Então ele se ajoelhou e migrou para trás dela, colou seus corpos, braços e mãos direitas. Encaixou o lápis e começou a rabiscar. Ele sempre fora péssimo com desenhos. Até mesmo Bethany com sua pouca idade era melhor. Tentou fazer um boneco palito e uma árvore ou quase...

A primeira sensação de Jane com aquilo foi ser varrida pela onda de sensações que o contato físico lhe causava. Existiam partes dela queimando tanto, e seu coração pulsava tão forte que demorou para dar atenção aos traços que o lápis ia deixando no papel. Quando conseguiu se acostumar um pouco mais com aquela proximidade, observou com atenção. Deus, era horrível, mal dava para distinguir de que desenho se tratava.

— Bom, não é? – Kurt perguntou assumindo o tom de provocação para si mesmo. Queria testar as semelhanças nas reações que ela teria agora com as reações do passado.

Jane revirou os olhos e balançou a cabeça em negação.

— Como não? É quase uma obra de arte.

Ela voltou a revirar os olhos e tomou o lápis da mão que estava sendo guiada pela dele. Posicionou-o na mão esquerda e desenhou o esboço de uma esfera com todas as limitações que sua habilidade nessa lateral tinha. Depois destacou alguns pontos de sombra realçando a luz e dando um certo volume ao desenho. Estava longe de ser considerado um desenho bom. Era algo muito mais próximo de um desenhista principiante. Ainda assim era de um desenhista.

— Nossa, ficou ótimo. – Kurt disse realmente espantado com o rabisco dela. – É acho que é mais vantagem você treinar com a outra mão do que com a minha ajuda. – e fez menção de se afastar.

Ao perceber isso, Jane sentiu o ímpeto de agir. Não queria que ele se afastasse. Pegou o lápis, devolveu na mão direita e, lentamente deslizou o braço até esbarrar na mão dele. Quando Kurt olhou pra ela, seu olhar convidava confiante para uma nova tentativa. Ele levantou só uma sobrancelha para responder:

— Tem certeza? Eu posso ser um aluno difícil.

Jane entortou a cabeça com um sorriso orgulhoso no rosto como quem diz que está confiante do que fará. Apontou para seus olhos, depois para os dele e para o papel.

— Você não desiste nunca, não é mesmo? Vamos lá. Então o segredo está no olhar. Tenho que observar bem o que você desenhou.

Ela concordou. Ele se posicionou ainda mais colocado a ela, seu braço esquerdo abraçando sua cintura, e começou.

Uma, duas, três, quatro tentativas de rabiscos desformes. Jane ria e tentava orientá-lo apontando detalhes do seu desenho. Vê-la tão descontraída, o fez continuar e se esforçar. O último resultado a fez rir alto.

— Não tem jeito. Não dá. – ele falou rindo quase ao pé do ouvido dela na posição em que estavam.

Ela insistiu em mais uma tentativa.

— Não dá, não dá. – ele repetia enquanto ela ria.

Seguiram teimando. Ele negando. Ela insistindo e rindo, quando de repente:

— Ja ja – ela soltou num impulso.

Silêncio. Os dois estavam impactados demais. Então, Kurt se afastou um pouco e pegou nos ombros dela para se entreolharem:

— Você falou! – ele estava tomado de emoção, seus olhos brilhavam.

Jane sorriu com ele e se concentrou pra repetir:

— Ja. – e suspirou.

— Uou, Jane. Isso é ótimo! Fantástico. Consegue dizer mais alguma coisa?

Ela respirou e focou em diversas palavras, mas nenhuma delas encontrava caminho para seus lábios. Um sentimento estranho foi se formando, um receio de ver o sorriso no rosto dele desaparecer enquanto sabia que deveria assumir que ela ainda não era capaz. Então, balançou a cabeça em negação, mantendo o olhar, agora triste, preso ao dele.

— Não tem problema. – Kurt falou tomando seu rosto entre as mãos. — Vai acontecer com o tempo. O importante é que você falou, não é mesmo!

Ela sorriu sem ter noção do que ele dizia. Sua atenção estava no quanto se sentia conectada a ele naquele momento. Seus olhos vagavam pelos olhos e lábios de Kurt fazendo-a salivar.

Tomado pela emoção do momento e pela forma como Jane o olhava, Kurt sentiu-se tentado a beijá-la. Estava tão feliz e a forma como trocaram olhares a tarde toda parecia um flerte. Ele quase se deixou levar. Mas o receio de ser invasivo demais pra ela o deteve. Meio sem graça, ele a soltou e se afastou, deixando Jane ainda mais confusa sobre tudo que acontecia entre eles.

Como o leve cochilo no início da manhã não tinha sido suficiente para nenhum dos dois, Kurt a convidou para irem ao quarto após lavar a louça do almoço.

O apartamento deles não era exatamente o mesmo. Kurt tinha conseguido trazer os móveis de volta, mas boa parte da decoração ainda estava encaixotada. Madeline tinha mandado desmantelar o local quando os acusou de terrorismo. Mas ele encontrou duas fotos que colocou sobre a cômoda perpendicular à cama.

Assim que entraram, Jane foi até o móvel e ficou observando as fotos. Então pegou um dos porta-retratos que tinha ela e Avery e mostrou a Kurt sorrindo.

— Sim, é Avery. Achei que você ia gostar. – e se aproximou do móvel apontando para o outro porta-retrato – Aqui sou eu com Bethany, minha filha.

Jane devolveu o porta-retrato com Avery e observou atentamente a imagem de Bethany. Havia algo familiar naquela garotinha que aquecia seu coração. Ela roçou o dedo levemente sobre a foto.

— Você se lembra dela, Jane? – ele questionou.

Ela negou com a cabeça, mas colocou a mão no peito tentando mostrar que sentia algo bom ao ver a foto da garotinha. Kurt entendeu.

— Tudo bem. Você vai gostar dela, tenho certeza. Olha só – disse chamando a atenção dela e apontando para os porta-retrato – Avery é sua filha. – e apontou pra Jane. – Bethany é minha filha. – e apontou para si mesmo. – Sou o pai de Bethany e você é a mãe de Avery. – e fez uma breve pausa antes de continuar. — Mas temos essa garotinha aqui... – e apontou para a barriga de Jane. – Sou o pai dela e você é a mãe. Essa é nossa!

A informação era nova, mas não a surpreendeu. Havia algo forte entre eles, ela sempre soube. Ter a certeza de que Kurt Weller FBI era o pai da sua bebê lhe trazia muita paz. Mas ainda assim era algo mais a processar.

Ela sorriu e assentiu demonstrando sua satisfação. Depois se desviou dele precisando de um pouco de espaço.

Foi então que Kurt sugeriu um banho. Jane aceitou. Ele preparou tudo que ela precisava e saiu do banheiro dando-lhe privacidade.

Jane se despiu e sentou-se no vaso. Sua cabeça começou vagar entre as lembranças de tudo que tinha acontecido desde que deixara o hospital. Tudo foi tão rápido e, ao mesmo tempo, parecia uma eternidade. Ela precisava tentar organizar aquilo de alguma forma dentro de si mesma. Ficou ali, perdida em proto-pensamentos esquecendo-se do tempo.

Do lado de fora, Kurt estava calmo nos primeiros minutos, mas a demora em ouvir o chuveiro logo lhe chamou a atenção. No hospital ela tinha as enfermeiras, agora estava sozinha lá dentro. Esperou mais um pouco. Nada. Droga, por que ela estava demorando tanto? Ele ensinou como fazia antes de deixá-la sozinha. Será que ela estava com dificuldade? Ou será que que não estava se sentindo bem?

Aflito, foi até a porta do banheiro e escutou. Silêncio. Isso quase o fez abrir a porta, estava sem a tranca, um detalhe que ele cuidou por precaução.

— Jane! – chamou não muito alto e não ouviu resposta. – Está tudo bem aí? – insistiu, esquecendo-se por um instante de que ela não falava. – Jane! – insistiu dando algumas batidas na porta. Sem ouvir nada, virou a maçanete para abrir a porta.

Jane retornou de seus pensamentos no primeiro chamado, mas não sabia o que fazer. Kurt chamou rápido demais para ela ter tempo de organizar novos pensamentos fora da sequência que vinha fazendo. Ela estava nua e sabia que precisava fazer algo rápido quando viu a maçaneta da porta girando e a porta se abrindo.

— Nie! Nie! – ela falou alto.

O movimento da porta parou. Kurt congelou por um instante do lado de fora. Depois perguntou ainda aflito:

— Você está querendo dizer que não está bem, é isso?

— Nie. – veio firme e mais baixo a resposta dela.

Droga! Essa comunicação verbal não estava ajudando... ele precisava pensar em algum outro tipo de pergunta.

— Eu posso entrar?

— Nie. – agora ela falou calma.

— Você está bem?

— Ja.

— Entendi. Me desculpe. Eu não ouvi o chuveiro... fique à vontade. – ele finalizou voltando pra cama.

Pouco depois ouviu o chuveiro. O banho dela não foi rápido, mas também não demorou tudo que a ansiedade dele mostrou. Quando o barulho do chuveiro parou, logo ela abriu a porta e voltou para o quarto.

Cabelos molhados, roupas nas mãos, enrolada na toalha. Ao se deparar com ela assim, Kurt sentiu seu corpo todo estremecer. E ela estava tão cheirosa. Era sua Jane de novo, o mesmo cheiro, o mesmo riso, o mesmo olhar. Ele ficou paralisado olhando pra ela, partes do seu corpo lutarem contra o jeans da sua calça. Por que ela não se vestiu? O que ele fazia agora?

— Você precisa de ajuda? – ele questionou já pensando que ele mesmo é quem precisaria de ajuda se ela respondesse sim.

— Nie. – ela respondeu com um sorriso maroto olhando pra ele e se divertindo com seu desconforto. Depois apontou para o banheiro indicando que ele poderia entrar.

Então foi isso, ela achou que ele tinha pressa em usar o banheiro e decidiu se vestir no quarto.

— Ah, sim. Já vou. – ele falou pegando seu pijama e entrando no banheiro.

Assim que fechou a porta atrás de si, encostou-se na parede buscando apoio.

A imagem dela envolta na toalha não saía de seus pensamentos. O cheiro dela ainda o cercava. Seu corpo parecia que ia explodir em desejo de voltar ao quarto e beijá-la, acariciá-la de todas as formas possíveis e se fundir a ela como tantas vezes no passado matando a saudade que só agora se deu conta que estava gigantesca.

“Egoísmo, Weller! Muito egoísmo da sua parte ficar com esse tipo de pensamento. Não tem nem 24 horas que ela voltou pra casa... Ela está só reaprendendo a estar viva!” repreendeu a si mesmo, mas seu corpo não lhe obedecia pulsando ainda com mais vontade. “E se ela não conseguir se vestir? Talvez tenha dificuldade ou o braço direito não a ajude.” Inferno, isso não estava o ajudando! Pensar na possibilidade de tocá-la enquanto estava nesse estado o fez desejar e temer o que poderia acontecer. “Não, eu preciso dar um jeito nisso.”

Ligou o chuveiro e entrou embaixo do jato de água quente. Permitiu-se lembra dela tendo apenas aquela toalha sobre seu corpo, deixou o cheiro dela que inundava o banheiro invadir suas fantasias, foi mais longe e relembrou os dois ali naquele lugar, juntos, a pele dela roçando a sua, os lábios dela nos seus...e a mão dela fazendo os movimentos que ele precisava agora e não a sua.

Seu corpo respondeu rápido fazendo o jorrar embaixo da água que escorria por usa pele. Ele arfou cansado, mas sem se sentir totalmente saciado. Pelo menos tinha recobrado um pouco do controle para quando retornasse ao quarto.

Encontrou Jane já na cama, olhos bem abertos e fixos na porta do banheiro aguardando seu retorno. Ela estava vestida, mas não era um dos seus pijamas convencionais. Tasha e Patterson foram às comprar por ele. Roupas para uma grávida, foi o que pediu. Mas esse pijama de seda, apesar de adequado ao estado dela, era... sensual, muito sensual.

“Tasha, você me paga!” ele pensou.

Deitou-se na cama e se virou para ela que o recebeu com um sorriso. Isso inundou sua alma de paz. Desde que voltaram ao apartamento, ela sorriu mais que todo o tempo no hospital. Merda! Ela sorriu mais do que todo o tempo no bunker também.

Jane alcançou as mãos dele e entrelaçou as suas, olhos vagando pelos olhos e lábios dele. Salivando, ela engoliu e precisou umedecer os lábios discretamente com a língua.

Kurt sorriu paralisando. “Deus, será que é o desejo que me faz vê-la flertando comigo?” pensou e pegou um dos travesseiros colocando no meio das pernas para evitar que qualquer reação do seu corpo a assustasse.

Jane o observou por algum tempo, depois pegou uma das mãos de Kurt e levou até sua barriga. Sentindo que tinha permissão para isso, ele deixou sua mão correr por toda a extensão dando conta do formato e do tamanho. Depois repousou-a num único lugar e ficou roçando com o polegar tentando acariciar sua mini- Jane, como ele gostava de se referir a nova filha que já se mostrara tão forte e teimosa quanto a mãe.

Aos poucos, o cansaço começou cobrar seu preço. Jane adormeceu primeiro. Ele ainda se segurou, aproveitando para deixar fluir a gratidão por ter mãe e filha vivas e sob o toque de suas mãos. Acordaram várias horas depois, ainda na mesma posição, praticamente abraçados um ao outro.

Notas finais
O que eu faço com esses dois além de morrer de amor por eles? Espero que tenham gostado. Eu precisava escapar para esse universo tão lindo hoje porque estão se completando dez anos da morte do meu filho e, enfim, chorar já nem ajuda mais. Por favor, se quiserem compartilhar qualquer impressão que tenham sobre essa história comigo, ficarei muito feliz em poder responder a cada um de vocês. Mais uma vez, mesmo sabendo que serei redundante, quero agradecer por todos vocês que estão acompanhando essa história. Por favor, não se esqueçam de adicionar aos favoritos se gostarem do que estão lendo e marcarem o capítulo como lido. Um forte abraço no coração de cada um e força pra suportar essa quarentena.