Notas iniciais
Tive tempo, e então aí um capítulo, saído mais cedo do que o planejado!. Mas não prometo nada do próximo.

Novembro entrou, e o tempo, que já estava ruim em outubro, piorou. As serras em torno da escola viraram cinza-gelo e o lago parecia metal congelado. Toda a manhã o chão se cobria de geada. Hagrid era visto das janelas dos andares superiores do castelo degelando vassouras no campo de Quadribol enrolado num casacão de pele de toupeira, com luvas de coelho e enormes botas de castor.

Começara a temporada de Quadribol. No sábado, James estaria jogando sua primeira partida do ano.

Grifinória contra Lufa-Lufa.

*** *** *** *** *** *** ***

James entrou no campo sob aplausos. O time da Lufa-lufa, vestidos em um tom amarelo canário, dirigia-se da outra ponta para o centro do campo também.

Madame Hooch puxou um silvo forte no seu apito de prata. Quinze vassouras se ergueram no ar.

James elevou-se acima dos outros jogadores; imediatamente ouviu a narração:

– E a goles foi imediatamente rebatida por Marlene McKinnon, da Grifinória – Alex, um estudante corvino do sexto ano, narrava a partida – Devo acrescentar, que é uma ótima artilheira, essa aí. E bonita também.

Mesmo aquela distância, Lily viu o sorriso de Marlene enquanto ela voava ladeada por Katie e James.

– Um passe lindo para Katie Jones. Boa jogadora, essa. Katie, da Grifinória, com a posse da goles, voa em direção as balizas Lufanas... Ai. Katie foi levou um balaço no braço. A goles agora na posse de Marco Jackson da Lufa-Lufa e passa para Frank Moran... parece que vai tentar arremessar... Uma ótima intervenção do goleiro da Grifinória David Marsh, James Potter com a goles, o caminho está livre à sua frente e lá vai ele, realmente voando, desvia-se de um balaço veloz, as balizas estão à sua frente...O goleiro Adriano Wadcock mergulha, não chega a tempo... PONTO PARA GRIFINÓRIA!

A torcida da Grifinória enche de berros o ar frio, e a lufana de lamentos.

– Lufa-Lufa com a posse da goles – Alex continuou narrando – o artilhero Keitch se desvia dos dois balaços, da artilheira McKinnon e voa para cima... Ai... Essa realmente deve ter doído. Keitch levou um balaço na nuca, rebatido por Jack Slooper...

Lily não conseguia prestar atenção completamente na narrativa, seus olhos completamente concentrados nos jogadores vestidos de vermelho que voavam a sua frente. Suas mãos seguravam com força a beirada da arquibancada a sua frente, deixando seus dedos esbranquiçados.

Maggie, a apanhadora da Grifinória, subitamente se inclinou sobre a vassoura, e Lily pode ver que ela perseguia uma minuscula bolinha dourada, e o apanhador da Lufa-lufa, Amos Diggory, se aproximar dele também. Ela estendeu a mão...

Kneen, um dos batedores da Lufa-lufa, bloqueou o caminho de Maggie, sua vassoura perdendo o controle e ela segurando-se para não cair

Kneen, era um rapaz do sexto ano. Mas era gigante. E feio. Tinha os olhos pequenos e pretos, e um nariz achatado. Claramente tinha problemas dentários, mesmo com a boca fechada.

– Falta! — gritou a torcida de Grifinória.

Madame Hooch dirigiu-se aborrecida a Kneen e em seguida deu a Grifinória um lance livre diante das balizas. Mas na confusão, é claro, o pomo de ouro desaparecera de vista outra vez.

Alex Kanbara estava achando difícil se manter neutro.

— Então, depois dessa desonestidade óbvia e hedionda...

— Kanbara! – alhou a Professora Minerva.

— Quero dizer, depois dessa falta clara, inominável e revoltante...

— Kanbara, estou lhe avisando...

— Muito bem, muito bem. Kneen quase matou o apanhador da Grifinória, o que pode acontecer com qualquer um, tenho certeza, portanto uma penalidade a favor de Grifinória, Jones bate, para fora, sem problema, e continuamos o jogo, Grifinória ainda com a posse da bola.

Lily respirou fundo irritada. Desonestidade tinha sido pouco para aquilo! Era quase como quando um sonserino tinha jogado Emma, que estava no ultimo ano dela, para fora da vassoura. Ela praguejou, e sentiu Mary segurar seu braço.

– Será o pomo? – ouviu Alex dizer

Maggie descia vertiginosamente em direção a bolinha dourada, enquanto Diggory tentava desesperadamente lhe alcançar, mas, com um último impulso, ela agarrou-a. Lily gritou, junto com os grifinórios ao lado dela, e agarrou Mary enquanto elas pulavam e gritavam ainda mais.

James carregava Maggie nos ombros. Ela era pequena e surpreendentemente leve, e não parecia pesar nada enquanto ele a carregava para o vestiário. Ele e seus colegas gritavam alegremente os resultados: cento e setenta pontos a sessenta.

James trocou de roupa; colocou suas vestes vermelhas em um cabide e pendurou-as, o grande “sete” em suas costas brilhando logo abaixo das letras “POTTER”.

Colocou as vestes da escola e subiu para o castelo, com o cachecol ondulando atrás. Estava com fome.

*** *** *** *** *** *** ***

Lily tinha evitado James com muito cuidado nos últimos dias. Ignorado-o, estando onde ele não estaria ou em horarios que ele não estava. Mas parecia que ela não poderia fazer aquilo para sempre.

Ela estava na Torre, procurando sua mochila, que não estava em nenhum lugar aparente. Ela foi eté o dormitório: sua mochila estava aberta, sem nenhum livro dentro

– Por Merlin... – murmurou.

– Acho que Merlin não vai te ajudar muito agora – disse uma voz atrás de si, divertida.

Lily se virou. James estava apoiado no umbral da porta, sorrindo.

– Me devolva os meus livros – disse estendendo a mão. James suspirou.

– Merlin, garota! Me deixe terminar de falar! – James suspirou – Então você tem duas opções: esquecer os livros por hoje e sair comigo; ou olhar pela janela – mas Lily já estava na janela.

Abaixo da janela, uma espécie de fogueira era alimentada por livros.

Ela se virou para James. Ele parecia culpado, triste e decepcionado. Estava de costas para ela, descendo as escadas calmamente. Lily ainda queria saber como ele conseguia subir ali sem as escadas virarem uma rampa.

– Volte aqui Potter! Ela saiu correndo atrás dela e o pegou pela manga das vestes. Ele se virou para ela, sem olha-la nos olhos – O que é aquilo ali em baixo, Potter? – ela disse baixo

– Fogo, Evans. Parece fogo de livros também – ele deu um sorrisinho frio e debochado.

Lily sacou a varinha e a colocou próxima do pescoço dele, prensando-o na parede.

– Você queimou os meus livros, Potter – afirmou com raiva.

– E você queimou meu coração. O que é fisicamente impossível – ele desviou os olhos dos dela, com as bochechas levemente avermelhadas — é assim tão difícil sair comigo?

Lily estava surpresa. James não estava tentando fugir, estava relaxado, mesmo com ela o segurando pelo ombro contra a parede e com uma varinha apontada para o pescoço. Ele tinha o olhar longe, como se não estivesse ali completamente.

Ela soltou o ombro dele e desceu para a Sala Comunal, pisando duro.

Mais tarde, quando Lily subiu para o dormitório, na esperança de que James tivesse esquecido algum livro, ela viu, sobre sua cama, um envelope pardo, com um bilhete dobrado por cima, junto de uma rosa.

Para Lily Evans, por ocasião de receber uma cópia de Vathek para leitura:

Califa Vathek e sua sombria horda

São destinados ao Inferno, não vai se entediar!

Sua fé em mim há de se restaurar –

A não ser que esta lembrança não queira aceitar

E meu pobre presente resolva ignorar

James

Lily riu, em seguida pôs a mão na boca. Maldito James, por sempre conseguir fazê-la rir, mesmo quando ela não queria. Ria por ter reconhecido o poema de um livro que já havia lido. Príncipe Mecânico. Ela estava surpresa. James lia? Ia colocar o poema copiado por James de lado, quando viu que mais coisas estavam escritas no verso do pergaminho.

Espero que realmente leia este livro, e que me perdoe pelo que fiz aos seus.

Na verdade, seus livros já estão na sua mochila.

Peço que considere meu pedido de desculpas, mesmo sem ter porque fazê-lo. E que se lembre que “A virtude dos anjos é que eles não podem deteriorar; o defeito é não poder melhorar. O defeito do homem é que ele pode deteriorar; e sua virtude é poder melhorar”

James

*** *** *** *** *** *** ***

O Natal se aproximava rapidamente. Certa manhã em meados de dezembro, Hogwarts acordou coberta com mais de um metro de neve. O lago congelou e as poucas corujas que conseguiam se orientar no céu tempestuoso para entregar correspondência tinham de ser tratadas por Hagrid para recuperar a saúde antes de voltarem a voar. James mal conseguia esperar as férias.

Embora a sala comunal da Grifinória e o salão principal tivessem grandes fogos nas lareiras, os corredores varridos por correntes de ar tinham se tornado gélidos e um vento cortante sacudia as janelas das salas de aulas. As piores eram as aulas do Professor Slughorn nas masmorras, onde a respiração dos alunos virava uma névoa diante deles e eles procuravam ficar o mais próximo possível dos seus caldeirões.

– Ei Lily – James perguntara na semana anterior- Vamos ficar em Hogwarts para aproveitar nosso último ano. E você?

– Também – Lily na verdade, só queria ficar longe dos preparativos para o casamento de Petúnia.

James agradeceu em silêncio Petúnia Evans e seu casamento por manter Lily em Hogwarts.

Uma vez começadas as férias, James, Remus, Sirius, Marlene e Lily tinham o dormitório só para eles e a sala comunal estava muito mais vazia do que o normal e eles sentavam-se a toda hora para comer tudo que pudessem espetar em um garfo de assar: pão, bolinhos e marshmallows.

Hagrid, sozinho, já tinha feito a entrega das habituais doze árvores de Natal para o Salão Principal; guirlandas de azevinho e franjas metálicas enfeitavam os balaústres das escadas; velas perpétuas brilhavam por dentro dos elmos das armaduras e a intervalos grandes ramos de visgo pendiam do teto, nos corredores. Grupos de garotas convergiam para baixo dos ramos de visgo quando James e Sirius passavam, o que causava engarrafamento nas passagens; mas, por sorte, seus frequentes passeios noturnos tinham lhe dado um conhecimento excepcional dos atalhos secretos do castelo, e faziam com que pudesse, sem muita dificuldade, navegar entre as aulas por rotas em que não havia visgos.

Quando acordou cedo na manhã de Natal, não pode deixar de notar a pequena pilha de embrulhos aos pés das camas.

– Feliz Natal — disse a Remus que começava a se levantar. James pescou um embrulho de debaixo da cama e jogou-o para o outro garoto

– Para você também

James pegou um pacote de cima, e reconheceu a letra de seu pai Para James, de Charlus e Dorea Potter. Dentro tinha um novo cachecol e um suéter verdes-escuros. Ganhara também um livro de Remus, uma caixa nova de manutenção de vassouras de Marlene, doces de Peter, outro pomo de ouro de Sirius, um anel de seus pais e...

– Vamos abra esse – disse Sirius sonolento, apontando para o pacote fechado na mão de James.

– Depois eu abro – ele colocou o pacote dentro do malão, com seus outros presentes por cima.

Cem perus gordos assados, montanhas de batatas assadas e cozidas, travessas de salsichas, terrinas de ervilhas passadas na manteiga, molheiras com uva-do-monte em molho espesso e bem temperado e, a pequenos intervalos sobre a mesa, pilhas de bombinhas de bruxo. Na mesa principal, Dumbledore tinha trocado o chapéu de bruxo por um toucado florido e ria alegremente da piada que o Professor Flitwick acabara de ler para ele.

Pudins de Natal flamejantes seguiram-se ao peru e quando James saiu da mesa estava levando uma montanha de brinquedos das bombinhas, inclusive uma embalagem de balões luminosos e não-explosivos, um kit para cultivar capixingui, a planta símbolo de Hogwarts, e um jogo de xadrez de bruxo. Os camundongos brancos tinham desaparecido e Lily teve a desagradável sensação de que eles iam acabar virando jantar de Natal para Madame Nor-r-ra.

*** *** *** *** *** *** ***

Lily riu quando ela e Marlene saltaram em um pedaço de neve, voltando de uma rápida visita a Hogsmeade, fazendo-a girar e subir no ar. Ela inclinou a cabeça para trás, deixando os flocos de neve beijarem seu rosto enquanto derretiam. Elas caíram no cobertor fino de neve, ainda histéricas, suas bochechas rosadas e suas mãos dormentes, enquanto estavam deitadas no chão assistindo sua respiração dançando a sua frente.

Lily amava o inverno, ela adorava o jeito que os flocos de neve dançavam diante delas, o jeito como isso deixava Hogsmeade parecendo uma linda cidade de inverno, e ela amava vestir aqueles suéteres de lã. Ela adorava o jeito que a neve cair em seus dedos, mesmo que congelasse-os em poucos segundos. Ela amava tudo sobre ele

Ela se sentou, olhando para Marlene, pensando no quão idiota elas provavelmente pareciam para os outros alunos. Ela continuava rindo quando se levantou e estendeu a mão para Marlene, que a contragosto a agarrou, enrugando o nariz e botando a língua para fora. O que as fez rir mais uma vez.

Elas voltaram a andar, passando a mão sobre os cabelos de terceiranistas que não tinham ido passar as férias em casa, e acenando para os professores sentados próximos as janelas, no Três Vassouras.

Os olhos de Lily examinaram o ambiente ao redor delas, mas quando seus olhos se encontraram um par de penetrantes olhos castanhos-esverdeados, atrás de largas lentes retangulares, ela parou abruptamente, subconscientemente fazendo Marlene voltar com força.

– Ei, Lily — ela murmurou — Por Merlim, o que foi iss-Oh

O sorriso estava evidente em sua voz, e Lily sentiu um calor subindo por suas bochechas, porque, de acordo com todos os alunos, era muito obvio que Lily Evans gostava de James Potter.

Rolando os olhos, Marlene apertou suavemente o braço de Lily

– Calma aí, Evans, eu não vou te segurar se você desmaiar — ela riu, ganhando um olhar feroz de sua amiga ruiva

O olhar não teve efeito algum porque no inverno, Lily sempre conseguia parecer angelical, sua pele pálida brilhando e suas bochechas quase sempre rosadas, que misturadas com seu cabelo vermelho-fogo, que parecia uma auréola quando nevava, fazia-a parecer absolutamente linda

Sacudindo a cabeça em direção aos amigos a frente, Marlene a cutucou com o cotovelo, um sorriso diabólico crescendo em seus lábios

– Vamos fazer essa viagem um pouco mais divertida?

– O que exatamente você está planejando?

Com suas varinhas escondidas nas mangas, as meninas secretamente levitaram um monte de neve na frente delas, e andaram nas pontas dos pés atrás dos quatro rapazes, tentando suprimir o riso atrás de suas mãos congeladas

– 3, 2, 1 — elas sussurram em uníssono antes de desenfeitiçar a pilha de neve

Os quatro garotos fizeram um som estrangulado e pularam surpresos, enquanto a pilha de neve caía sobre suas cabeças

As duas caíram no chão frio rindo e com lágrimas brotando nos olhos, sem se preocupar em fugir

Elas subitamente começaram a gritar, fazendo protestos incoerentes quando foram erguidas no ar.

– Você acha isso engraçado, não acha Lily? — uma voz perguntou enquanto mãos frias escorregavam por dentro do suéter dela, movendo-se por sua barriga e fazendo-a guinchar em surpresa.

– Me coloque no chão, seu idiota — ela ouviu Marlene gritar, batendo os punhos e chutando o ar num ato desesperado de se libertar

– Qualquer coisa por você, minha cara McKinnon — outra voz respondeu a jogou as duas garotas em um monte de neve

Rosnando, elas pularam para fora da neve para encarar os quatro garotos, que pensaram que poderiam se vingar das rainhas de lutas de bola de neve

– Oh, Potter, você está morto — Lily sibilou pegando suas mãos cheias de neve e jogando-as em James e Peter. Ela se virou triunfante para Marlene, que havia jogado nas calças de Sirius

Ela sentiu um abraço ao redor da cintura e caiu na neve. Ela engoliu em seco quando encarou, cara a cara, James Potter, que estava com um largo sorriso fixo, exatamente como o Gato de Cheshire. Ela sentiu o rosto queimar quando ele se aproximou mais.

– Acho que conseguiria fugir com essa, Evans? — ele sussurrou, sua respiração meio rouca

Ela deu uma risadinha, pegando outra mão de neve e colocando na blusa dele

– Claro que sim, Potter — ela disse atrevidamente quando ele pulou de cima dela para tirar a neve de dentro da camisa

Ela se levantou, de novo apenas para receber outra bola de neve na cabeça

Ela se virou para encontrar Marlene, inocentemente de pé atrás dela, evitando olhar nos olhos dela a qualquer custo

Lily apontou um dedo congelado para sua melhor amiga, ameaçadoramente

– Você, você me traiu — ela disse dramaticamente caindo de joelhos, fazendo-a receber outra bola de neve nas costas

– GUERRA DE BOLA DE NEVE — Sirius declarou — CADA HOMEM POR SI

Lily se abaixou, cobrindo-se, enquanto bolas de neve passavam por cima dela, vindas de todas as direções. Rindo ela puxou a varinha e construiu para si um pequeno forte e começou a arremessar bolas de neve nas pessoas

Ela planejava acertar Sirius, quando alguma coisa, não, alguém, jogou-a rindo sobre o piso

– Trégua! Trégua — James gritou ao colidir com ela na entrada da mini-fortaleza

– Ei — ela disse indignada — Você está invadindo

– Trégua — ele disse de novo — Vamos formar uma aliança para acabar com esses otários

Examinando-o cuidadosamente, ela relutantemente acenou com a cabeça

– Tudo bem, soldado, mas mantenha em mente que eu estou te usando para todo o trabalho sujo

– Trabalho sujo, huh? — ele disse balançando as sobrancelhas de um jeito cômico — Eu posso fazer seu trabalho sujo a qualquer hora — ela rolou os olhos, tentando ignorar enquanto seu estomago dava cambalhotas

– Qualquer coisa que você diga, Potter

Ela espreitou para ver quem atacar agora, arrepiando-se um pouco quando uma brisa passou

Que não passou despercebido por James, que inclinou-se e sussurrou, fazendo uma fumacinha no ar entre eles

– Você está bem, Lily?

Suas respirações se misturaram e ela podia sentir a dele em seu pescoço

– Sim, tudo bem — ela disse fingindo olhar pela pequena janela

– Deus, Lily, você deve estar congelando — ele disse segurando as mãos sem luvas dela, com as dele, surpreendentemente quentes. Ele procurou nos bolsos e deslizou as próprias luvas para as mãos dela. Eram um pouco grandes demais, e estavam escorregando para fora, mas elas a esquentaram bem rápido

Ela soltou um suspiro de alivio

– Obrigada — ela murmurou massageando suas bochechas, numa patética tentativa de esquentar o rosto

Ela olhou para cima, para ele que se inclinava sobre ela, roçando os lábios em suas bochechas, imediatamente fazendo-as se aquecer

Olhando nos olhos dele, e engolindo em seco, Lily lentamente começou a inclinar-se para frente, seus olhos baixando para os lábios trêmulos dele, azuis pelo frio, e ela vagarosamente fecha os olhos.

As respirações se misturavam em uma nuvem de na frente deles.

Então, de repente, um grito de guerra foi ouvido e o forte despedaçou-se sobre eles.

Um grito estrangulado saiu de sua garganta enquanto ela se punha de pé na neve que alcançava seus joelhos; ela olhou para James, que permanecia sentado com neve até o peito

Ela se levantou e rosnou para Sirius e Remus que estavam rindo e dando soquinhos. Eles pareciam completamente alheios aos olhares demoníacos que recebiam

Ela se virou para James, que estava sorrindo com alegria, quando ele estendeu a mão para ela

– Feitiço de Calor — ele sussurrou inclinado para ela

Ele sorriu abertamente quando ela segurou sua mão e cobriu-a com a sua

– Um copo de cerveja amanteigada, Potter? — ela perguntou ignorando o olhar de satisfação no rosto de Marlene, e os outros meninos trocando galeões

O sorriso de James cresceu ainda mais; se é que aquilo era possível

– Quer saber? Eu adoraria

*** *** *** *** *** *** ***

– Você com certeza perderia para ela — Sirius sussurrou enquanto eles observavam Lily e Marlene jogando xadrez. Marlene era boa, mas Lily estava dando uma surra nela, seus olhos brilhando com orgulho. James sorriu

– Isso é uma aposta, Black? — Sirius sorriu diabolicamente também

– Sem dúvida

– Você sabe o que dizem sobre xadrez? — ele disse movendo uma peça e olhando pensativamente para ela

Lily desviou os olhos brevemente do tabuleiro para dar uma olhada nele, mas logo voltou sua atenção para o jogo, balançando a cabeça.

Ele sorriu e inclinou-se para trás

– "Amor verdadeiro é como jogar xadrez; o Rei joga e está sempre com medo de perder sua Rainha, e a Rainha arrisca tudo apenas para proteger seu Rei..."

Ele parou de falar, voltando sua atenção para o jogo, piscando algumas vezes antes de fazer o próximo comando.

Lily era boa no jogo, tinha que admitor, mas ela não tinha absolutamente nenhuma paciencia com as peças, que ficavam dando opiniões sobre o que ela deveria fazer, e ele se perguntou o quão melhor ela se sairia se aquele fosse um tabuleiro trouxa. Ele sorriu para ela novamente, ajeitando os óculos

– Sabe Lily, acho que nós também devemos fazer uma aposta, e seguir com as regras do Natal — ela ergueu a sobrancelha

– Você? Seguindo regras?

Seu sorriso se alargou quando ela mordeu a isca

– Ah, sim. Natal significa apostas Evans — ela apostava com eles, o tempo inteiro, aquela era só mais uma — E eu aposto como eu venço você nesse jogo

Ela ergueu as duas sobrancelhas, e depois as franziu, desconfiada, depois desafiada. Por fim, cruzou os braços, tentando esconder um sorriso que insistia em aparecer em seu rosto

– Se eu ganhar...?

– Você escolhe — ele disse e rapidamente acrescentou — Mas eu também posso escolher meu premio

Ela não hesitou

– Feito

James recostou-se no encosto. Seus amigos já tinham ido e vindo, observando a partida deles, e no momento, apenas os dois estavam na Sala Comunal, e James segurava uma xícara de chá, sorrindo para Lily por cima da borda

– Xeque — Lily afastou uma mecha de cabelo do rosto e franziu a testa. Ele colocou a xícara de lado a analisou o tabuleiro novamente — Xeque-mate

Ela olhou para ele com os olhos brilhando de raiva e divertimento, enquanto a rainha dele esmagava o rei dela

– Você venceu, Potter — ela olhou em volta — e onde diabos eles se meteram?

– Salão Principal, eu acho — ele disse se levantando e caminhando em direção ao buraco do retrato

Eles andavam próximos um do outro, mas sem se tocarem. Lily podia até sentiu a satisfação que emanava de James em ondas, e um cheiro de pinheiro no ar, e ela se perguntou se não eram vinham das árvores espalhadas pela escola

*** *** *** *** *** *** ***

James estava puxando o time como nunca fizera antes. Até mesmo as chuvas intermináveis que substituíram as nevadas não conseguiam esmorecer a sua animação.

Marlene reclamava que James estava se tornando fanático, mas os outros garotos lhe apoiavam. Se ganhassem a próxima partida, contra Corvinal, passariam a frente da Sonserina no campeonato das casas.

Lily estava particularmente mal-humorada em uma quinta-feira. Depois de passar seu horário livre na biblioteca estudando, foi praticamente marchando para as masmorras para a aula de Poções.

–Preparei algumas poções para vocês verem, apenas pelo interesse que encerram, entendem? São o tipo de coisa que deverão ser capazes de fazer ao fim dos N.I.E.M.s – disse o Professor Slughorn — Alguém pode me dizer qual é esta aqui?

O professor indicou o caldeirão mais próximo à mesa da Sonserina. James levantou ligeiramente da cadeira e viu algo que lhe pareceu água pura em ebulição. A mão que não apoiava o rosto de Lily levantou rapidamente da mesa a sua frente; Slughorn apontou para ela.

— É Veritaserum, uma poção sem cor nem odor que força quem a bebe a dizer a verdade — respondeu Lily sem humor na voz.

— Muito bem, Lily, muito bem! — elogiou o professor, feliz. — Agora — continuou, apontando para o caldeirão mais próximo da mesa da Corvinal —, essa outra é bem conhecida... Quem sabe...?

Lily levantou a mão novamente, e James viu Snape, na mesa da Sonserina, fazer o mesmo.

— É a Poção Polissuco, senhor – ela respondeu fuzilando Snape. James sufocou um riso.

— Excelente, excelente! Agora, esta outra aqui... sim, minha cara?

— É Amortentia, a poção de amor mais poderosa do mundo — disse a garota, olhando-o como se todos soubessem disso

— Certo! E você a reconheceu, presumo, pelo brilho perolado?

— E o vapor subindo em espirais características – disse Lily indiferente — e dizem que tem um cheiro diferente para cada um de nós, de acordo com o que nos atrai.

Ela piscou e enrubesceu ligeiramente, quando o vapor chegou até ela. Menta e pinheiro, pergaminho e chocolate.

Notas finais
Reviews? Sugestões?