Notas iniciais
Suspense básico. :) Deem uma olhada em outras histórias minhas, sim? :D

Querido James,

Recebemos uma carta de Hogwarts. Quando vimos o envelope, eu e sua mãe pensamos que você e Sirius tinham se metido em confusões de novo. Algo como explodir Bombas de Bosta em corredores, ou algo do tipo como sempre. Mas não. Bem pior, você tinha que meter a cabeça em uma árvore! Ah, você não consegue ficar quieto por um momento não, garoto? Bem, na carta, dizia que você estava em um “sono profundo”, e que quando acordasse, ele nos mandariam outra carta. Olha que outra surpresa! Você tinha perdido a memória! Parabéns.

Certo. Por isso, presumo que você não esteja reconhecendo o meu garrancho, você não sabe quem somos nós. Charlus Potter e Dorea Potter. Mesmo que isso não faça muito sentido a você, estamos lhe mandando uma fotografia. Várias, na verdade. Esperamos que você se recupere logo, filho.

Como está o Sirius? E o Remus? O pequeno Peter?

Bom, estou curioso para saber como anda você com Lily! Avanços, garanhão? Hahaha. Desculpe. Sua mãe não dá sinais de melhora, caso você esteja se perguntando. Eu não sei o que fazer.

Desculpe por não lhe escrever antes,

Abraços

Charlus e Dorea Potter

Aquela carta não saía da sua cabeça. Principalmente pelo fato de por ela, ele ter começado a se lembrar. Lembrava-se de escrever a resposta cerca de três dias depois.

Queridos Mãe e Pai,

Realmente agradeço pela carta e pelas fotos. Ajudaram muito. Agora comecei a me lembrar do passado. Realmente já me meti em grandes confusões, não? Desculpe.

Eu estou bem. Sirius parece ficar cada vez mais obcecado com algumas coisas. Principalmente em não ser obcecado por nada. Remus parece meio pálido no momento, mas deve ser a influência da Lua. Peter... Bem continua sendo Peter.

O que mais vocês gostariam de saber? É basicamente isso certo? Está tudo bem com todos, e Hogwarts continua sendo dividida em quatro casas, blá-blá-blá...

Mantenha-me informado sobre a mamãe. Você já a levou ao ST MUNGUS?

Mandem cartas.

Abraços,

James

Alguém que realmente prestasse atenção, perceberia que James não respondeu a pergunta do pai sobre Lily. James torcia para que o pai não perguntasse. Ele preferia não tocar no assunto.

Quando chegou as portas do Salão Principal, deu um encontrão em alguém. Suco de abóbora manchou a frente de sua camisa. De novo.

– Ah... Então... Você sempre cumprimenta as pessoas espalhando... suco de abóbora nas vestes delas? – Ele ergueu a sombrancelha.

E arregalou os olhos surpreso.

*** *** *** *** *** *** ***

Lily estava saindo do Salão Principal apressada. Tinha que terminar os deveres para segunda, que era depois de amanhã, e não queria se encontrar com James.

Azar o seu.

Deu um encontrão com ele. Exatamente do mesmo jeito que o outro dia. James claramente havia acabado de sair do banho. Os cabelos molhados, as mãos avermelhadas de água quente, as lentes dos óculos levemente embaçadas e parte do cachecol molhada na nuca. Ele tinha uma sobrancelha arqueada.

E fez exatamente a mesma pergunta.

– Ah... Então... Você sempre cumprimenta as pessoas espalhando... suco de abóbora nas vestes delas? – e então sua sobrancelha se abaixou e ele a encarou surpreso.

James sorriu e passou a mão nos cabelos, tirando com a outra mão a varinha das vestes e limpando a camisa.

– Ah... Alô, Lily. Como vai?

– Como se você nem tivesse me visto hoje. Ou ontem...

– Mas você nem andou falando comigo – protestou ele

– É. Talvez. Tanto faz. Agora me de licença, por favor? Tenho que terminar uns deveres – ela passou por ele batendo os pés.

*** *** *** *** *** *** ***

James sorriu. Lily não devia ter lhe dito onde iria.

*** *** *** *** *** *** ***

Lily subiu as escadas batendo os pés e se perguntando como o Potter poderia ser tão... Potter.

Suspirou. Era isso que ela temia.

Disse a senha à Mulher Gorda e entrou na Sala Comunal. Ela adorava o silêncio dos sábados.

Subiu a Torre Feminina, para buscar sua mochila.

Mas ela não estava em nenhum lugar aparente. Até que Lily procurou debaixo da cama.

Sua mochila estava jogada debaixo da cama, totalmente aberta, e sem nenhum livro dentro.

– Por Merlin... – murmurou.

– Acho que Merlin não vai te ajudar muito agora – disse uma voz atrás de si, divertida.

Lily se virou. James estava apoiado no umbral da porta, sorrindo.

– Me devolva os meus livros – disse estendendo a mão. James suspirou.

– Sempre objetiva, não é Lily? Mas os seus livros não estão aqui. E...

– Onde estão os meus livros, Potter?

– Merlin, garota! Me deixe terminar de falar! – James suspirou – Então você tem duas opções: esquecer os livros por hoje e sair comigo; ou olhar pela janela. Eu, particularmente, gostaria que você escolhesse a primeira opção... – mas Lily já estava na janela.

Abaixo da janela dela, tinha uma pequena fogueira acesa, sendo alimentada por seus livros. Seus preciosos livros.

Ela se virou para James. Ele parecia culpado, triste e decepcionado. Estava de costas para ela, descendo as escadas calmamente. Lily ainda queria saber como ele conseguia subir ali sem as escadas virarem uma rampa.

– Volte aqui Potter! Ela saiu correndo atrás dela e o pegou pela manga das vestes. Ele se virou para ela, sem olha-la nos olhos – O que é aquilo ali em baixo, Potter? – ela disse baixo

– Fogo, Evans. Parece fogo de livros também – ele deu um sorrisinho frio e debochado.

Lily sacou a varinha e a colocou próxima do pescoço dele, o prensando na parede.

– Você queimou os meus livros, Potter – afirmou com raiva.

– E você queimou meu coração. O que é fisicamente impossível – ele desviou os olhos dos dela, com as bochechas levemente avermelhadas.

Lily estava surpresa. James não estava tentando fugir, estava relaxado, mesmo com ela o segurando pelo ombro contra a parede e com uma varinha apontada para o pescoço. Ele tinha culpa e os dois sabiam disso, mas ele parecia estar em outro lugar. Bem distante.

Ele se empertigou. Lily sequer o estava segurando mais. Ele já estava solto há séculos.

– Bem senhorita, por mais que eu goste da sua companhia, devo dizer que eu tenho que ir. Permita-me acompanha-la até a Sala Comunal — ele parecia cansado.

– Não. Eu vou sozinha – ela disse desnorteada. James sorriu e inclinou a cabeça.

– Como quiser.

*** *** *** *** *** *** ***

James subiu para seu quarto. Ele se sentia culpado. Não sabia exatamente por que havia feito aquilo. Talvez uma influência do seu antigo eu? Uma pegadinha insana e de mau gosto?

Ele foi para o Dormitório Masculino. Iria mandar uma carta à loja “Floreios & Borrões”. Pediria os livros de Lily. Talvez alguns outros, de livrarias trouxas a seu pai, e se oferecesse ouro suficiente, tinha certeza de que os livros chegariam no correio da manhã de segunda. No máximo o de quarta-feira.

*** *** *** *** *** *** ***

Remus viu Lily chegar na Sala Comunal concentrada em alguma coisa. Ela mordia a parte interna da bochecha, e se sentou em uma poltrona perto do fogo.

Logo depois, viu James passar por ela, com uma carta na mão.

Remus suspirou. Sentou-se em uma poltrona, próxima a de Lily.

– Alô, Lily – ela pareceu se assustar com a voz dele.

– Ah. Oi Remus.

– Você sabe onde o James foi? – ele a examinava com atenção.

– Não – era verdade. No momento, Lily estava pensando no que havia acontecido.

Remus estreitou os olhos.

– O que aconteceu?

– Nada aconteceu. Ah. Você pode me emprestar seus livros?

– Cadê os seus?

– No momento eles são uma pilha de cinzas.

– Oh! James? – arriscou

– Exatamente

– Claro.

Eles ficaram em silêncio por um tempo, até que Remus não se aguentou e perguntou pela segunda vez naquele ano:

– Por que você acha que não gosta dele? Por que você não pode gostar dele?

– Já te falei, Lupin – Lupin. Lily estava realmente irritada.

– Por acaso você tem hipopituitarismo?

– Não

– Mas você devia ir ao psicólogo. Essa negação é... Estranhamente incomum – Lily suspirou.

– Não vou ao psicólogo, Remus.

– Que tal uma poção? – ele mexeu as sobrancelhas, sorrindo. Lily não pode evitar e riu.

– Não. É sério. Eu estou bem. Só preciso dos meus livros – Remus sorriu.

– É claro.

Remus saiu dali para continuar seus deveres.

*** *** *** *** *** *** ***

Certo. Vamos nos afastar um pouco do nosso casal problemático. Acredito, que algumas pessoas devem estar se perguntando onde estão Sirius, Marlene, Alice e Frank. Isso aqueles que não se esqueceram da existência deles.

Sirius, para começar, estava com uma lufana, em uma das várias salas de aula de Hogwarts. O que ele fazia lá? Não entrarei em detalhes. Mas eles torciam para que ninguém entrasse na sala.

Marlene, por outro lado, andava pela escola, atraindo olhares dos garotos que passavam por ela.

Frank e Alice estavam sentados na biblioteca, juntos, Alice fazendo os deveres, enquanto Frank a observava.

Peter estava assaltando a comida.

Agora posso continuar com a história.

*** *** *** *** *** *** ***

James foi até o Corujal, levando sua carta, apertada na mão. Esperou por sua coruja, Al. Apelido de Alpiste. Certo, agora só faltava os livros chegarem. Sua coruja, Al, era uma Coruja das Neves, que se destacava memoravelmente entre as outras corujas de plumagem em geral acastanhada.

– Sabe, Al... Acho que nós dois estamos fadados a ficar sozinhos, não é amigão? – Mas sua coruja, foi voando rapidamente até um dos muitos ninhos ali.

James se aproximou cuidadosamente, seguindo sua coruja branca por entre outras corujas, ninhos e manchas esbranquiçadas fétidas.

Al tinha ido de encontro com um ninho. Cheio de ovos.

O primeiro pensamento de James foi: “Acho que o Al vai fazer um lanchinho...” até que ele percebeu que os ovos eram de Al.

Ele andou de volta para o lugar onde estava e esperou novamente por Al. Ele veio voando ao seu encontro, e James prendeu sua carta na perna estendida da coruja.

– Bom garoto... – A coruja bicou afetuosamente seu dedo e voou, distanciando-se de Hogwarts.

James suspirou.

– Bem garoto... Na verdade, acho que só um de nós vai permanecer sozinho... Seu traidor... Agora não somos mais uma dupla perfeita. “A coruja e seu menino caminham solitários...”. Pelo menos um de nós se deu bem.

James fechou a porta do Corujal e desceu daquela torre.

*** *** *** *** *** *** ***

Lily terminou de fazer sua tarefa usando os livros de Remus. Talvez ela realmente tivesse hipopituitarismo. Mas sabia que não era isso.

Por que você acha que não gosta dele? Por que você não pode gostar dele?

Por que você acha que não gosta dele? Por que você não pode gostar dele?

Por que você acha que não gosta dele? Por que você não pode gostar dele?

Ela queria que as palavras de Remus saíssem de sua cabeça. E os acontecimentos com James.

James. O grande problema na sua curta vida em Hogwarts. Sempre aparecendo para importuná-la.

Lily checou as horas. Ainda não eram nem três horas da tarde. Ela suspirou e se espreguiçou. Levantou-se e foi até a janela.

O dia estava horrível. O céu estava cheio de nuvens escuras, que variavam de cinza-claro até um tom quase arroxeado. O vento açoitava sem piedade as árvores da Floresta Proibida, arrancando poucas folhas. Lily gostava de dia assim. Ela meio que odiava dias de verão.

Suspirou e subiu para o seu dormitório. Talvez encontrasse algum livro que James não tivesse queimado.

Lily abriu a porta do quarto. Sobre sua cama, havia um pacote enrolado em um papel pergaminho. Por cima, tinha uma rosa vermelha e um bilhete:

Para Lily Evans, por ocasião de receber uma cópia de Vathek para leitura:

Califa Vathek e sua sombria horda

São destinados ao Inferno, não vai se entediar!

Sua fé em mim há de se restaurar –

A não ser que esta lembrança não queira aceitar

E meu pobre presente resolva ignorar

James

Lily riu, em seguida pôs a mão na boca. Maldito James, por sempre conseguir fazê-la rir, mesmo quando ela não queria. Ria por ter reconhecido o poema de um livro que já havia lido. Príncipe Mecânico. Ela estava surpresa. James lia? Ia colocar o poema copiado por James de lado, quando viu que mais coisas estavam escritas no verso do pergaminho.

Espero que realmente leia este livro, e que me perdoe pelo que fiz aos seus.

Peço que considere meu pedido de desculpas, mesmo sem ter porque fazê-lo. E que se lembre que “A virtude dos anjos é que eles não podem deteriorar;o defeito é não poder melhorar. O defeito do homem é que ele pode deteriorar; e sua virtude é poder melhorar”

James

Lily olhou surpresa para o papel. Por fim, sacudiu a cabeça e guardou o livro e o bilhete dentro do malão. Colocou a rosa em um copo com água no parapeito da janela.

Teria sido isso, um inicio de uma possível mudança em James?

Notas finais
Aviso: Eu provavelmente não vou postar até dia 28/11 (provas) Se vocês não estiverem gostando, me avisem, que eu posso tentar mudar alguma coisa. Eu não consigo ver o que vcs pensam do outro lado da tela, pessoal. Okay? Reviews são importantes. Reviews?