James Alcer e o Novo Herói

1 Uma Mulher Morcego Tenta Me Matar


Os primeiros raios solares do dia bateram no meu rosto e os fizeram doer, eu não havia dormido a noite inteira pois estava lendo livros sobre as pirâmides do Egito, o que de fato é bem interessante. Entender como os Egípcios fizeram todas aquelas construções era fascinante. Mas o dia já estava começando e eu precisava colocar os meus pés no chão novamente. Não que fosse pior dia da minha vida, mas as aulas no orfanato estavam para começar e eu não me sentia nem um pouco entusiasmado.
Não me entenda mal, estudar é minha paixão. Mas é minha paixão fazer isso sozinho. Pois quando se tem professores que te perseguem loucamente, alunas charmosas que tentam te matar ou causar danos dolorosos na tua pele ou até mesmo um zelador novo que joga em você vassouras flamejantes, bem... Você não iria querer ir a escola por um bom tempo. Sem mencionar que ninguém acredita no que conto ou faço, mesmo aqueles que viram os acontecimentos.
O pior em morar em um orfanato, é já ser o terceiro orfanato em que você mora e ter sido devolvido várias vezes. Normalmente, eu não teria uma fama muito boa, e com esse currículo? Aí sim que não tenho.

PRIIIIIIM!!!

Uma barulheira vinha de uma sineta no meio do prédio fez todos nos dormitórios acordarem. Aquele barulho doía mais a cada segundo que passava, penso que o prédio é tão antigo que esse som deveria ser usado para torturar as pessoas na segunda guerra mundial. A parte boa disso tudo? Esse sinal queria dizer que era hora do café da manhã.

Eu estava saindo do dormitório junto com os outros garotos quando escutei um rosnado enorme vindo da porta, ao abrir me deparei com o novo órfão, Evan. E estava ao lado de um cão negro e maior do que o tamanho que deveria ser.

— A flor do dia acordou, não é mesmo Maximus? – Disse Evan alisando a cabeça do cão. Ele rosnou mais alto.

— Será que não podemos passar um dia sem você me perseguir?

— Ora, ora James. E me diga, qual seria a graça disso? – Com um sorriso maléfico e pálido ele prosseguiu – Uma perseguição maior ainda está por vir!

Então ele atiçou o cão para cima de mim, mas ao mesmo tempo o novo zelador, Ted, apareceu (o ultimo sumiu após me caçar com vassouras flamejantes no bosque perto do orfanato). Ele usava um chapéu enorme e redondo sobre sua cabeça, vestia um uniforme cinza e as calças pareciam ter sido feitas para o dobro de seu tamanho, pois eram muito folgadas.

— Está perseguindo este moleque novamente, Evan? Não vê que ele é bem menor do que você?

Eu não sabia se agradecia ao Ted ou me sentia ofendido, mas ele estava falando a verdade. O Evan tinha pelo menos uns 15 cm a mais do que eu, era bem forte também. Analisando pela primeira vez desde que ele chegou aqui, não entendia como ele estava naquele lugar. Pois parecia ter mais do que 18 anos.
Ao ouvir as palavras do zelador, o cão perdeu a atenção em mim e começou a se lamber olhando para ele. Talvez imaginando em qual prato o Ted iria servir melhor.

— Mas o que você tem haver com isso, bode? – Por algum motivo que desconheço, Evan chamava o zelador por bode.
— Muito mais do que você imagina. – Ele ergueu o seu espanador um pouco mais, como se fosse arremessar a cabeça do Evan para o mais longe possível.

Por um momento vi os olhos do Evan vibrarem como chamas, mas ele revirou os olhos e disse:
— Ainda temos muito tempo a sós, James Alcer. – E saiu em caminhada para o salão de alimentação.
Ia me virar pra agradecer ao Ted, mas ele já havia sumido.

O resto do dia seguia bem normal, passei por aulas de história, línguas e biologia. Mas sempre sem prestar atenção em nada, somente lendo meus próprios livros.
Eu senti o medo quando entrei para a aula de Geografia, pois vi que Evan estava sentado na ultima cadeira, com um olhar mais perverso e maligno do que qualquer momento que se passara. Essa aula era a única em que eu via na mesma sala que ele. O único lugar vazio era também em uma das ultimas cadeiras, mas felizmente, do outro lado da sala.
A aula se passou e o Evan não tirava aquele olhar ameaçador de mim, ao escutar a sineta meu coração se sentiu aliviado. Ainda sem saber que a partir daquele toque minha vida mudaria para sempre.

Todos saíram da sala antes que eu conseguisse juntar todos os meus livros, ao me virar para a porta vi que o Evan ainda estava lá.

— Senti seu cheiro a quilômetros de distancia meio sangue, estava aguardando o momento certo para lhe pegar, mas agradeça ao seu protetor por eu estar adiantando meus negócios aqui. – A voz do Evan mudara, agora parecia que eram cinco vozes falando ao mesmo tempo. Seus olhos realmente estavam em chamas, o que me fez tremer ainda mais.
— Do que você está falando Evan? O que houve com seus olhos e sua voz? – Respondi, ainda sem saber o que estava acontecendo.
— Não vamos enrolar, sua idade já está próxima. Realmente já está na hora de você saber. Mas não viverá o suficiente para ISSO! – Ao terminar sua frase, o seu corpo explodira. Não era mais O EVAN, era A EVAN. Se tornara uma mulher, mas não uma mulher normal, e sim uma com asas negras com pontas de ossos em cada as pontas, os cabelos e os olhos eram fogo vivo e suas partes intimas estavam cobertas por roupas pequenas de couro. Suas mãos eram longas e com unhas afiadas, dentes a amostra e chifres.
— O... O que... O que é você? Mulher Morcego? – Meu coração batia forte, não sabia o que fazer.
— Eu sou uma empousa, aquela que causará a sua morte!
Ao ouvir isso, corri em direção a porta o mais rápido que pude. Mas ela já estava lá. Ela veio em minha direção, com as unhas a frente prontas para arrancar o meu pescoço. Em um choque de adrenalina pulei e agarrei uma cadeira para me defender. Joguei uma, duas, três contra ela e ela apenas as ricocheteou de volta. Pelo menos eu me esquivava bem, consegui pensar. Vi uma janela aberta e corri para lá. A empousa assoviara. O cão negro, Maximus, entrou pela janela e ao mesmo tempo começou a crescer. Ele crescia cada vez mais, suas patas eram do tamanho de uma poltrona, sua boca e dentes afiados podiam estraçalhar cinco de mim de uma vez só. Deduzi que fosse um cão infernal ou algo do tipo. Eu estava cercado e certamente estaria morto em alguns segundos.

Então foi quando ouvi a porta se abrir, e o Zelador entrou, foi quando eu quis gritar pra que ele corresse e procurasse ajuda que percebi que ele não era o Ted normal, ele estava sem as calças e sem o chapéu. Da cintura pra baixo tinha pelos e cascos no lugar dos pés. Na cabeça havia grandes chifres, nas mãos dois espanadores.
— Sr. Ted... também quer me matar? Com espanadores? – Perguntei, indeciso do que estava vendo. Estava de frente a três criaturas mitológicas, que não deveriam existir. Mas por alguma razão, depois de tudo o que eu passei, consegui absorver aquilo sem nenhum problema.
— Não estou aqui para mata-lo, estou aqui para salvá-lo! E isto? – Erguendo os cabos — Não são simples espanadores. E meu nome não é Ted, me chame de Sr. Ammos! – Então, percebi que ele apertara os espanadores com mais força, se realmente fossem normais eles já estariam quebrados nesse momento. Mas em um piscar de olhos se transformaram em espadas, uma com a parte de cima dourada e a de baixo, cor de prata e a outra ao contrário. Ele correu em direção a empousa e atacou, vi vários golpes de ambos os lados, mas então percebi que não poderia ficar só olhando.

O cão infernal estava rosnando e babando atrás de mim e então atacou. Desviei quatro ou cinco vezes, mas deduzi que não poderia ficar nisso o dia todo, em algum momento eu iria cansar e seria devorado. E foi na ultima esquivada que fiquei costa com costa com o Sr. Ammos, ele me entregou uma de suas espadas e a segurei muito firme.
Nesses segundos eu pensei em uma tática:
— Deixe-os atacar. – Sussurrei para o Sr. Ammos. – Confie em mim.
Então os monstros nos atacaram e gritei: AGORA!
Em uma perfeita sincronia, deslizamos por baixo deles e eles se chocaram. A empousa foi parar dentro da boca do cão infernal e sem pensar duas vezes os ataquei. Em um simples movimento, eles viraram literalmente pó. A adrenalina ainda tomava conta de mim, meu corpo não conseguia ficar parado.
— Você se saiu bem, James. Com um treinamento certo, será um grande herói!
— Herói? Do que você está falando. E... O que é você?
— Eu sou um sátiro, viajo pelo país a procura de semideuses.
— Semideuses?
— Sim, espero que saiba o que significa. Meio humano, meio...
— Meio Deus! Eu sei o que significa, mas... Mas eu não posso ser um.
— Você não só pode, você é! Precisamos sair daqui, vamos para o Acampamento Meio Sangue. No caminho posso te explicar tudo o quye precisa saber.
— Acampamento? Tipo com casas pra garotos e garotas, piqueniques e competições?
— Não, garoto. Acampamento Meio Sangue, o local onde você vai aprender a lutar!

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.