Notas iniciais
Oioi!
Capítulo 10 aqui, aproveitem!
- Duda

No jantar não ocorreu nada de extraordinário. Quer dizer, monstros ou algo do gênero, ainda bem. Todos nós comemos tranquilamente. Após as oferendas aos deuses, era hora do caça a bandeira.

***

Nunca em minha vida pensei em usar uma armadura grega; agora reconhecia o quanto ela era pesada. Como eles conseguem lutar com isso?

Pus o elmo com plumagem vermelha e saí em direção ao grupo de campistas da minha equipe. Quíron citou as regras:

"Não é permitido aleijar, matar ou ferir seriamente outro participante;

Todos os objetos mágicos são permitidos;

Os participantes podem manter reféns ou prisioneiros;

Objetivo: encontrar a bandeira adversária e trazê-lá para seu campo."

Lunna estava parada ao meu lado, com cara de tédio, como se já houvesse ouvido aquelas regras várias vezes. Perguntei-me há quanto tempo ela estaria ali no acampamento.

- Você trouxe sua lança? — Sussurrou ela, para não interromper a explicação.

- É claro. — Respondi.

Lunna sorriu.

- O chalé de Atena irá montar toda a estratégia, é claro. Mas posso garantir que você ficará no ataque; a lança é uma arma muito melhor para atacar.

- Por mim, tanto faz. — Respondi. De repente, toda a multidão se dispersou gritando. Corri atrás da minha equipe até um ponto bem no meio da floresta, até uma menina loira que estava à frente do grupo bater uma palma para chamar a atenção de todos. Lembrei dela bem fácil; era Annabeth, namorada de Percy (não é? Não lembrei de ele ter falado isso nem uma vez, mas ela me deu motivo suficiente para achar isso) e provavelmente amiga de Thalia.

- Ok, gente, a bandeira será escondida ao norte... — ela mostrou um mapa do acampamento e fez um pequeno X no local. — Bem aqui. Filhos de Apolo, escondam-se nas árvores ali por perto, observando qualquer movimento. E... — ela se virou para um grupo de campistas que estava sussurrando algo e dando risadinhas. — Filhos de Afrodite, fiquem amontoados um pouco mais a oeste, a intenção é fingir que ali há uma bandeira falsa. Os chalés de Zeus, Atena, Poseidon e Íris ficarão no ataque por aqui... — ela riscou uma linha no mapa. — Acho que eles esconderam a bandeira...

- Ao sul — Lunna falou de repente, dispersando toda a atenção dos campistas para si. — A-acho que eles esconderam a bandeira ao sul.

Annabeth pareceu confusa, mas depois sorriu.

- Os chalés 1, 3, 6 e 14 atacarão na direção sul. Os campistas de Nêmesis ajudarão as filhas de Afrodite defendendo a bandeira falsa, que ficará bem aqui. — Ela apontou para um ponto no mapa. — Façam uma barreira; de maneira nenhuma, deixem que descubram que a bandeira não está aí de verdade. Os filhos de Íris, Niké, Dioniso e Hebe podem se espalhar e desorientar ou impossibilitar qualquer um da equipe adversária. Todos entenderam?

Berramos em afirmativa e cada um correu para a sua respectiva posição. Lunna me desejou boa sorte e correu floresta adentro; eu segui Annabeth e seus irmãos, além dos campistas de Íris e Percy (que era o único filho de Poseidon no acampamento) até um ponto bem perto do território do time azul, e então nos escondemos por entre as árvores até o início do jogo.

Deslizei o dedo pelo anel, preparando minha lança.

- Pronta? — Annabeth perguntou. Assenti com a cabeça. Ouvi um som vindo de longe, o sinal para que comecemos.

Começamos andando devagar pelas árvores, até estar completamente no território azul. Então começamos a correr.

- Vamos nos separar! — disse Annabeth, ao meu lado. — Campistas de Íris e Jade, para lá. Percy, venha conosco.

Nos separamos. Corri junto ao chalé de Íris em direção ao riacho, com a lança em punho. Me sentia bem naquele jogo. Já me sentia pertencente àquele lugar.

- Está muito quieto... — comentou uma filha de Íris, quando paramos perto do riacho.

Estava quieto demais até para mim, uma novata que não entendia nada daquilo. Se a intuição de Lunna estivesse correta, já devíamos estar próximos da bandeira, e por que não haveria ninguém por aqui?

E ela estava.

Um grupo de campistas saiu de cima das árvores, nos cercando.

- Boa tentativa, babacas — disse uma garota alta e musculosa, musculosa demais para ser uma garota.

- Clarisse. — Rosnou a mais velha das filhas de Íris ao meu lado, acredito que a líder do chalé. — E os filhos de Ares. Acreditamos que vocês estariam no ataque.

Clarisse riu.

- Pelo jeito, não são apenas os filhinhos da deusa da sabedoria que sabem montar estratégias, não é?

Eu sabia que Ares era o deus da guerra; e que os filhos de Íris perderiam a batalha muito rápido.

- Ganhem tempo. — Sussurrei para o menino de Íris ao meu lado, e me afastei discretamente da multidão, na tentativa de contorná-los para encontrar a bandeira.

Enquanto andava discretamente, me escondendo pelos troncos, ouvia o bater de espadas e gritos. Me senti um pouco egoísta por os ter deixado, mas tinha esperanças de que meu ato ajudaria a equipe.

Atravessei o riacho com cuidado, alerta a qualquer movimento. A bandeira tinha de estar por ali.

Não avistei qualquer sinal de algum outro campista, então me surgiram duas hipóteses: ou a bandeira não estava ali, ou eles investiram mais no ataque, deixando somente os filhos de Ares na defesa.

Mesmo assim, continuei procurando.

Um conjunto de árvores, lado a lado, se encontrava a minha direita, dificultando minha visão do que estava além. Ali me parecia um bom lugar para esconder a bandeira.

E era.

A bandeira azul estava logo atrás, sem ninguém por perto. Aquilo me pareceu suspeito, mas não hesitei.

Peguei a bandeira no mesmo instante em que Haley surgiu de trás de uma rocha.

- É claro que a espertinha se desviou da luta. — Ele disse, em tom de deboche, sacando uma espada tão brilhante que meus olhos arderam. Imediatamente, como um reflexo, toquei meu anel. Não precisei contornar todo o raio dessa vez, apenas deslizei o indicador pela parte de cima e senti ele crescer em minha mão. Infelizmente, eu não tinha um escudo, mas Haley também não.

Em alguma parte da minha mente, eu podia processar alguns gritos de vitória dos filhos de Ares e os ruídos fracos de metal contra metal. A batalha estava no final, e logo todos eles viriam pra cima de mim. Minha luta com Haley seria rápida.

Mais até do que eu imaginei. Assim que ele correu na minha direção, larguei a bandeira e estendi a lança. Ele prendeu meu pulso com a mão esquerda e encostou a lâmina da espada na minha garganta.

- Entregue a bandeira. — Pediu, quase como um sussurro, bem perto do meu ouvido.

- Nunca. — Rosnei, e apertei seu braço que segurava a espada com a minha mão esquerda. Não coloquei tanta força, apenas o suficiente para lhe dar um choque. Ele me largou, espantado.

- Como você faz isso? — Perguntou, esfregando o braço. Dei de ombros; aí está, uma habilidade que eu gostava. Eletrocutar inimigos ?! Muito útil.

Dobrei minha atenção. Dessa vez, eu aparava os golpes de sua espada com minha lança. Os gritos da outra batalha cessaram, e eu já estava ficando cansada. Por fim, consegui derrubar Haley no chão e imobilizá-lo. Encostei a ponta da lança em um ponto entre seus olhos.

- A bandeira é minha. — Falei, e me levantei. Quando já estava com a bandeira em mãos, pronta para correr, Haley falou.

- Você fica bonita quando está lutando.

Isso me desorientou o suficiente para deixar a bandeira cair outra vez. Haley foi rápido em correr e segurá-la.

- MALDITO! — Gritei, e corri para ele com as mãos estendidas. Agarrei seus ombros com força; o choque deveria ser forte o suficiente para fazê-lo desmaiar, mas apenas seus joelhos enfraquecerem. Ele continuava com o sorriso travesso no rosto.

Arranquei a bandeira de suas mãos e disparei para o meu território, mas não antes de ouvi-lo mais uma vez.

- Não era mentira!