Jade
4 Capítulo 4
Notas iniciais
De repente, ela olha pra janela...
Consigo abaixar a tempo, um arrepio percorre meu corpo todo: quase.
Eles começam a conversar:
X: O que foi?
April: Nada, pensei que alguém estivesse na janela, mas pelo jeito foi só impressão.
Eu não consigo acreditar. Não me preocupo com o fato de minha tia sair com um cara, isso é super normal, mas tem algo que certamente não se encaixa.
Tenho isso desde sempre. Senso de apocalipse. Percebo pelas expressões. Quando algo não está certo, sinto de longe.
E uma coisa o tal homem deixou bem claro quando nos chamou de idiotas: ele obviamente não gosta de nós.
Começo a pensar que tia April gosta muito dele, pois ela sempre batalhou por nós, pela nossa guarda, por poder sempre estar perto de nós, até quando papai estava vivo, e qualquer um que nos chamasse de idiotas não seria poupado.
“Ou talvez, ele tenha algo contra ela.” – Penso.
Descarto totalmente essa possibilidade. Titia sempre foi tão boa, não é possível que algo de tão sério possa ter acontecido para virar motivo de chantagem.
Posso apenas estar paranóica.
O jeito que eles se beijam também me prova o contrário. Nunca que uma mulher acuada demonstraria tanto afeto, tanto amor, pelo seu perseguidor.
Escuto um barulho de motor e vejo tia April entrar no carro do tal homem. Ela não irá voltar tão cedo.
Decido ir para o quarto dela, procurar por algo que me de pistas sobre ele. Juro que, se ela tiver ao menos uma foto com ele, ou apenas uma anotação em um diário que me diga quem ele é, eu deixo minha tia viver em paz.
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Ao entrar no quarto, vou direto a uma gaveta que é fechada com chave. Pego dois clipes de papel, os estico e insiro na fechadura. Nessas horas agradeço ao meu pai, que me ensinou esses truques, ele dizia que um dia eu poderia ficar trancada, e tinha que ter uma saída.
Não era bem esse o caso, mas com minha prática, abro facilmente a fechadura.
Encontro uma caixinha de alumínio, com uma foto da Torre Eiffel na tampa. Abro-a e encontro um envelope cheio de cartas, laudos médicos e fotografias.
Entro em um dos quartos novamente. Preciso de privacidade e o fato de dividir um quarto não é útil nessas horas. Agradeço pela quantidade exagerada de cômodos.
Tranco a porta, sento na cama e distribuo os papéis sobre o colchão.
Certidões de nascimento, documentos da nossa custódia que titia havia conseguido, uma foto dela e do meu pai, com dedicatórias na parte de trás: “ Mas que uma irmã, eu tenho uma amiga, na qual eu posso sempre contar e encontrar um colo pra chorar, ouvidos atentos para escutar e lindos sorrisos para dar. Feliz aniversário April!”
Fico surpresa por ela ter escondido essas coisas. Acho que, como eu, ela também deve estar sofrendo pela morte de papai, eles eram muito unidos, desde crianças.
Acho uma papelada com o nome de um hospital, com laudos médicos da mamãe, Sra. Marina Barbosa, Leucemia Mielóide Aguda.
Mais fotografias, recados, cartas, mas nada sobre o tal sujeito.
Até que vejo uma carta que estava grampeada à outra. Quem mandou se chamava Oliver, e fazia muitas declarações de amor, e junto com elas, havia uma foto dos dois.
Oliver era o cara que acabou de levá-la embora num carro.
Ponto para mim.
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Após minhas descobertas sobre Oliver, vou para meu quarto.
Beannie estava dormindo. Deposito um beijo em sua cabeça e deito em minha cama. Coloco meus fones de ouvido e começo a ouvir Shades of Cool, Lana Del Rey. Não sei por que, mas há algo na melodia que me faz gostar dela.
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São 5:00h da manhã e ainda não consegui dormir. Estou acostumada a essa rotina de dormir pouco. Sempre tive insônia.
Decido levantar da cama e ir para a cozinha tomar café da manhã.
Em cima da mesa, algumas correspondências a serem abertas. Vou até lá e descubro que há uma em meu nome. Abro-a:
“I'm sure you've heard it all before
But you never really had a doubt
I don't believe that anybody
Feels the way I do about you now
And all the roads we have to walk are winding
And all the lights that lead us there are blinding
There are many things that I would like to say to you
But I don't know how
Because maybe
You're gonna be the one that saves me
And after all
You're my wonderwal
Joshua”
Fico parada, sem reação. Isso certamente foi uma declaração. Amo essa música, e como fã do Oasis, ele deve ter escolhido essa justamente por não saber como se declarar. Se ele estivesse aqui, juro que não saberia o que fazer.
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