Jackpot, Possibilidades!
7 Capítulo 7
Notas iniciais
_Sara? — Ela estava estática e sem reação. _Você ouviu o que eu disse?
_Não tenho certeza …
Ele suspirou, havia até perdido a coragem de ir adiante, ela já não estava mais interessada nele. Tinha que admitir que sua incapacidade em levar um relacionamento tinha minado o que ela sentia por ele. E ele merecia! Cada desprezo dela, cada palavra não dita, cada …
_Eu aceito!
E ele era um idiota …
Um egoísta que pensara apenas …
_Hã? — Ela tinha dito o que ele achou que tinha ouvido?
_Eu aceito – ela repetiu, mas não estava olhando para ele diretamente.
_Hum … você quer que … quer dizer … posso ir até seu quarto?
Não! Eles iam tomar vinho e conversar ali, com a grade dividindo suas conversas! Como ele podia ser tão avoado?
_Claro … — ela fechou mais seu robe como se quisesse proteger seu coração de mais uma decepção. Ele estava sendo gentil, também estava sem sono e não parecia querer ficar sozinho. Ela seria apenas uma boa companhia, e como estavam longe de Vegas, não haveria problema em serem mal interpretados!
Os dois voltaram para dentro e foi com uma surpresa enorme que ela ouviu alguma coisa fazendo barulho no meio da parede! E eram batidas! Depois ela ouviu a voz chamando seu nome.
Ela olhou com mais atenção e viu que ali havia uma porta compartilhada. Na verdade ela era bem disfarçada, com as listras do papel de parede, confundindo a visão. A maçaneta fazia parte de um conjunto de argolas decorativas, só mesmo um bom observador teria percebido! Ela abriu imediatamente, com os olhos arregalados. Era bom ou seria ainda pior? Saber que havia apenas uma porta dividindo seu contato daquele pedaço estonteante de mal caminho! Ou ela precisava implorar aos céus por controle ou arriscaria uma investida sem medo das consequências. Ela sabia qual seria a resposta dele!
_Posso?
Ele não havia nem se preocupado em vestir o robe. Ou ele não estava ciente de que era um homem extremamente delicioso ou ele estava tentando provocá-la! Mas a segunda opção foi descartada de imediato, ele não seria capaz …
A verdade é que ele estava tão nervoso que nem se lembrou de vestir algo mais decente, além de nunca se imaginar com o um homem sexy, ou que chamasse a atenção! Ele não entendia o que ela havia visto nele, quando se mostrou interessada. Ele tinha quinze anos à sua frente, era metódico, chato, introspectivo, de humor instável e ciumento!
Ciumento? De onde ele havia tirado aquele pensamento inoportuno? Essa coisa de ciúme não fazia parte de seu vocabulário! Mas por que então, a presença do tenente Alan o incomodava tanto, a ponto dele criar até uma certa coragem para 'tentar' se aproximar mais dela?
Era um mistério que ele não sabia como lidar!
Quando ele atravessou a porta com duas taças entre os dedos e uma garrafa de bourbon safra 1972, ela não resistiu uma olhadela em seu bumbum bem marcado pela calça clara.
Ele se virou de repente e ela não soube o que fazer para disfarçar sua indiscrição. Mas, caramba, ele era mesmo uma tentação que baixava a guarda de qualquer mulher na face da Terra! “Eu preciso de ajuda.... Forças, não me abandonem agora!”
Muito sem graça, ela apontou para a garrafa e tentou usar um pouco de bom humor.
_Onde conseguiu isso? Você costuma levar vinhos em suas bagagens?
Ele sorriu, evidenciando suas covinhas que enfeitavam suas bochechas, perceptíveis mesmo sob a barba.
_Não! Encontrei no frigobar … deve ter uma garrafa no seu também, acho que os quartos são … iguais!
_Ah … entendi e … você havia percebido esta porta de comunicação entre os dois quartos?
Claro que ele havia percebido … afinal ele mesmo aceitara a sugestão do gerente! Ele mentiria ou diria a verdade? Ainda era cedo para saber que reação ela teria. Talvez o achasse um pervertido com segundas intenções, ou na melhor das hipóteses, ela perceberia que ele estava tentando se aproximar mais dela!
Ele levantou um dos ombros como se aquele detalhe fosse sem importância e estendeu uma taça a ela, a enchendo logo em seguida! Depois fez o mesmo com a sua taça e lhe ofereceu um brinde.
_À tentativa de uma boa noite de sono!
Eles ouviram o tilintar do cristal, com seus olhos se encarando.
Sara teve que admitir que fantasiou sobre a quele momento.
Eles degustariam do bom vinho, uma boa conversa ao pé do ouvido e fariam amor!
Quem dera ela pudesse se dar ao luxo de dormir com ele, com toda certeza, seria a mulher mais feliz do mundo. Mas e depois? A realidade bateria com força à sua porta e ela descobriria que seria apenas uma noite sem juízo, que a bebida fizera o favor de encorajar. Não! Ela queria muito mais que sexo em uma cama longe de todos. Ela queria paixão, carinho, cuidado, amor!
Não era mais uma adolescente sonhadora, vivia um inferno astral de ser rejeitada, além do mais, se sentia desmotivada e sem atrativos!
Grissom se sentou na poltrona e ela bem de frente a ele, na cama.
_É bom … parece bem suave com uma nota amadeirada.
_Você gosta de vinho?
Ela pensou em responder que sim, principalmente em ocasiões especiais, mas não teve coragem. O bom líquido fazia seu corpo relaxar, mas acendia sua libido, não para deixá-la descontrolada, e sim leve e porque não dizer, sexy! Mas ela tomaria cuidado com 'aquela ocasião especial'. Era uma via de mão dupla, e não sabia se queria tomar coragem para dirigir naquela estrada tão perigosa!
_Sim … meu pai foi amante de vinhos!
_Sério? O que ele fazia?
Sara viu quando ele parecia se ajeitar melhor na cadeira, depois relaxou também. Seus músculos estavam tensos e ela precisava fazer algo a respeito. Talvez eles até conseguissem manter uma conversa amigável e agradável.
Ela contou que ele era um bom homem, tinha sido um excelente professor universitário e muto dedicado à família até se apaixonar por uma aluna e fazer a vida deles virar de cabeça para baixo. A mãe sofrera um bocado e se tornara uma mulher amarga e desesperançosa. Ela se apegara ao irmão. Assim que ela entrou em Harvard, na primeira visita, o irmão e a mãe se envolveram em um acidente de carro e não resistiram aos ferimentos. Tinha sido um tempo muito difícil, mas ela se entregou aos estudos e acabou superando aquela tragédia! Ela pouco falava com o pai, havia anos que eles não se viam.
_Você tinha muitos amigos na faculdade?
_Bem poucos, eu era meio reclusa, mas costumava ter uma pequena turma de nerds!
Ele queria saber sobre seus relacionamentos, mas não deixaria sua curiosidade chegar a tanto. Incomodava saber que outros homens tiveram o que ele estava prestes a tomar para si.
_E você? Sei que tem sua mãe, mas e o seu pai?
_Ele se foi quando eu tinha nove anos … infarto fulminante. Ele era botânico e vivíamos bem.
_Deve ter sido muito difícil, você era uma criança …
_Minha mãe não costuma falar muito no assunto e eu me fechei também em meu mundo, fui muito bem-criado por ela, mas às vezes, sentia falta de conversar, de matar minha curiosidade em muitos assuntos. Então, decidi que descobriria por mim mesmo!
De repente ela percebeu a razão dele ser uma pessoa tão diferenciada. Eles tinham muito em comum e, descobrir uma parte da vida dele, que não envolvesse o trabalho, mesmo que bem pequena, tinha sido incrível.
Quando perceberam, a garrafa estava vazia e foi ela quem se manifestou em explorar o frigobar.
_Pronto para uma nova rodada?
Grissom levantou seu copo bem animado e se sentou na cama, desta vez. Ele estava se sentindo bem, a conversa estava deliciosa e ele não queria voltar ao seu quarto.
Sara se sentou ao lado dele e quase derrubou a garrafa no colchão. Ele foi mais rápido e segurou sua mão para evitar o acidente.
_Acho que não vai ser uma boa ideia … continuarmos com essa bebedeira … — Ela riu, sentindo que não queria, na verdade, concordar consigo mesma. Ela ia continuar na companhia dele e não estava mais racionalizando tanto com as consequências. A mão dele ainda estava sobre a dela e a sensação de bem estar estava crescendo a cada segundo.
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