Enquanto Grissom atendia o telefonema de Catherine, o tenente Alan se aproximou de Sara, depois de se despedir de seu irmão.

_Vocês dois estão juntos? Quer dizer, como … como um casal?

_Não! Ele é meu supervisor!

_Não devem ter muita coisa pra fazer em sua cidade, enviei a cabeça, por insistência do legista, mas ainda insisto em atividade animal.

_É o que vamos ver!

_Você não é mesmo casada, é?

_Não!

_E não tem namorado, certo?

Grissom se virou para eles, com cara de poucos amigos, se pudesse acertaria o nariz daquele palhaço arrogante que estava dando em cima dela! Mal conseguiu prestar atenção no que Catherine dizia. E aquele sorrisinho sem graça que ela dirigia a ele, em vez de dizer que não estava nenhum pouco interessada! Droga, lidar com aquele sentimento na altura de sua vida era constrangedor. Ele encarou o tenente sem se importar que ela percebesse sua ira.

_Podemos ir?

_Quer me acompanhar?

_Não, ela não quer! — Grissom rebateu furioso.

Sara arregalou os olhos para ele. Não precisava de um defensor, sabia muito bem o que fazer em situações de desagrado, e não dar ouvidos era a melhor tática. Não queria e nem tinha disposição para cair em cantadas baratas de um homem que mal conhecia e por sinal, tinha uma péssima tática de aproximação. Ele até que era razoável, mas de boca fechada e sem deixar à mostra sua petulância. Era ridículo.

_Se não se importa, estou a trabalho … como é mesmo seu nome?

O tenente arregalou os olhos, ela podia ver facilmente o nome bordado em seu uniforme. Uma sensação de desafio tomou conta dele, ainda mais que percebera o interesse de seu chefe. Só um idiota não enxergaria que ele estava possesso. Mulheres difíceis desafiavam seu ego, e ele estava cansado da mesmice daquele lugar. Havia conquistado a maioria por quem se propôs a dar atenção e um novo foco seria divertido.

_Alan … — Ele esticou o bolso de sua camisa e sorriu com malícia, a despindo com os olhos. _ Peça ao seu … superior para me seguir ...

Ela deu meia volta e entrou na Denali o mais rápido que pôde e, viu quando Grissom batia os dedos no volante com impaciência.

_Ele pediu para se...

_Ouvi o que ele disse!

De repente ela se sentiu ultrajada, se ele estava impaciente, por sabe-se lá qual motivo, não descontaria nela.

_Por que a grosseria, posso saber?

Ele se arrependeu imediatamente, estava deixando suas emoções falarem mais alto e não era justo.

_Desculpe, não tive a intenção.

Ela colocou o cinto, cruzou os braços e não olhou mais em sua direção.

Assim que estacionaram montanha acima, ele se virou para ela.

_Eu já pedi desculpas … vai continuar com isso?

_Continuar com o quê?

_Sem falar comigo!

_E o que quer que eu diga? Tem alguma sugestão?

Ele não respondeu, em segundos estavam conversando com a proprietária do cão que havia encontrado a cabeça.

Sara olhou ao redor com seus olhos críticos e observadores, anunciando. _É uma cão pastor e eles não costumam percorrer uma área muito grande para a caça. São inflexíveis com seu peso, e cansam com facilidade. Se traçarmos um perímetro razoável, podemos ter uma noção delimitada deste local.

Grissom sabia que sua mente estava processando rapidamente todas as informações, o entorno e o modo de agir do cão. Ela sempre se interessou por comportamentos de animais e estava digerindo os dados com a precisão de um gênio. Ela era sua melhor CSI, mas havia uma cadeia alimentar naquela profissão e ele havia preterido Catherine por muitas vezes, exatamente por aquela razão.

Mas estava propenso a enxergar com bons olhos uma promoção. Ela merecia, se esforçava tanto! De qualquer maneira precisava pensar com a razão, destituir as emoções e analisar com profissionalismo. Catherine estaria à frente dela, por ter a frieza que ela não possuía. Seu agravante era que se envolvia emocionalmente com suas vítimas e por muitas vezes agia pelo coração. E as coisas não funcionavam daquela maneira.

_Conhece a expressão … cabeças vão rolar? Acho que podemos começar por … aquela direção.

Mesmo entediado, Alan estava começando a achar que a situação podia ser divertida. Que mulher era aquela, inteligente, linda e com uma curva perfeita na altura de seu bumbum que a fazia andar com graça e leveza!

Grissom olhou para ele e percebeu a direção de seus olhos. Caramba, será que precisaria ter uma conversa de homem para homem com aquele descarado maldito?

O tenente percebeu que se tratava de pessoas altamente qualificadas, com uma paciência que ele estava longe de ter.

_Hei Einstein? Não temos o dia todo …

Sara estava sentada em uma das enormes pedras, há uma distância razoável do corpo encontrado poucos metros acima. A visão era assustadora, mas nada do que já não tinha visto. Por observação, sabiam que a vítima havia sido ferida no rosto para atrair predadores e, com toda certeza, havia sido drogado. Algumas informações já haviam sido repassadas à Catherine e eles esperavam o legista para liberar o corpo.

_Vamos aguardar o legista, apenas ele poderá nos liberar.

Na verdade o legista era um médico veterinário, muito sério e de aparência infeliz, que chegou logo depois.

Mesmo com ordens expressas de como deveria ser feita a escavação, os policiais agiam de maneira inadequada, trazendo um suspiro de desgosto de seu supervisor.

Em dado momento ela quis rir da expressão dele, mas se conteve. Não havia nada de engraçado naquela cena. Muito pelo contrário.

Todos os procedimentos foram tomados e assim que estavam livres, Grissom manifestou o desejo de almoçarem juntos. A tarde já estava bem avançada e seu estômago doía.

O corpo já estava a caminho de Las Vegas para uma perícia mais elaborada e complexa. Logo eles teriam informações mais concretas e poderiam avançar na investigação. Um bilhete de compras pela internet de livros acadêmicos, comprovou que se tratava de um estudante.

_Onde podemos encontrar um restaurante?

_Depois da delegacia, duas quadras à esquerda!

Assim que eles se sentaram, foram atendidos imediatamente.

_Queria pedir desculpas mais uma vez, por minha grosseria.

_Não é necessário!

_Ainda parece zangada comigo.

_Já esqueci o ocorrido, acredite. Está tudo bem.

Sara levantou os olhos para ele e seu coração diminuiu dez tamanhos. Aquela expressão de garoto abandonada, os olhos ainda mais azuis por conta da temperatura quase escaldante, e aquela camisa no tom perfeito para combinar com eles. Ele era espetacularmente lindo e irresistível. Sem que ela percebesse um sorriso discreto surgiu em seus lábios.

_Assim está melhor. -Ele olhou para o cardápio e torceu o nariz, fazendo Sara rir discretamente. _De repente senti falta de onde paramos para tomar café, aqui não me parece muito agradável. As opções são mínimas. Acho que você não deve aprovar … a maioria das refeições tem algum tipo de carne.

_Sério?

_Dê uma olhada você mesma.

Quando ele passou o cardápio a ela, suas mãos se tocaram e os olhares se encontraram. Era um toque suave, macio e eletrizante. Foram segundos de extrema energia canalizada e que precisava ser liberada. A vontade dele era puxá-la para seus braços e lhe dar um beijo explosivo, da maneira que vinha sonhando ultimamente, bastava fechar os olhos que a imagem dela vinha com uma força estupenda. Sua mente estava enviando uma mensagem através de seu olhar, apelando para seu desejo que estava começando a ficar insano. “Quer dormir comigo?” Ele se lembrava daquela frase há muito tempo, quando ele a acusou de se envolver emocionalmente com as vítimas! Se ela perguntasse de novo, ele esqueceria tudo e a levaria para cama no mesmo instante.

_Já escolheram?

Os dois se viraram assustados para a garota de olhos pretos e uma franja muito estranha. Não era um bom momento para serem interrompidos, mas não podiam ter controle sobre aquilo!

_Vai escolher a salada, Sara?

A única coisa que restava a ela era concordar, parecia a melhor opção para uma vegetariana.

_Pode ser e gostaria da salada de frutas também.

_E para o senhor?

_O frango com purê de batatas e sala de frutas também.

_O.k.! E vão beber o quê?

Para uma primeira refeição juntos e sozinhos, ele havia imaginado uma gastronomia mais sofisticada e um bom vinho francês!

_Quero uma soda com limão.

_O mesmo para mim!

Assim que a garota saiu, ele se virou para ela novamente, mas ela estava olhando em outra direção e pela sua expressão, não parecia muito feliz.

_Posso lhes fazer companhia?

Grissom olhou para o alto e deu de ombros, queria dizer um sonoro não e assim não seria necessário presenciar um outro homem cortejando sua bela Sara.

_Fique à vontade, tenente!

_Me chame apenas de Alan, doçura!