Jackpot, Possibilidades!
3 Capítulo 3
A estrada estava escura, mas podia-se notar que a paisagem era mesmo impressionante. O que mais chamava a atenção era o reflexo da lua sobre o lago. O tom prateado iluminava uma faixa enorme, em uma imagem de calendário!
_Puxa … muito bonito!
Grissom deu um meio sorriso e se virou para ela, sem desviar demais a atenção na estrada.
_É uma paisagem impressionante mesmo.
_Olha o reflexo nas águas do lago …
_Tire uma foto, querida.
Era a segunda vez que ele usava aquele termo carinhoso, e bem que ela poderia mesmo ser exatamente aquilo para ele. Doce ilusão.
Ele desacelerou e ela clicou várias vezes, depois ficou impressionada em como ficaram lindas!
_Ficou bom?
_Perfeitas.
_Sara?
_Hum?
Ela estava prestando atenção na pequena tela de seu celular ultramoderno e mal respondeu.
Grissom ficou mudo. Ia dizer que a companhia dela estava agradável mas perdeu a coragem. COVARDE!
_O que foi? — Desta vez ela se virou para ele. _o que ia dizer?
Ele tentou um tom firme em sua voz, mas não teve muito êxito.
_Gostaria que me enviasse, por favor.
_O.k. Eu faço.
Um pequeno sorriso e o coração dele derreteu.
_Obrigado.
Mais um longo caminho sem que eles trocassem uma palavra, cada um com seus pensamentos.
Sara estava imaginando por quanto tempo estaria com ele naquele cidade, o quanto teria que resistir sua presença marcante e aquele cheiro que a fazia ter uma fantasia atrás da outra.
Como seria deslizar as mãos no peito largo, as unhas em sua nuca linda, com o cabelo prateado, quase encaracolado. Como seria a textura de sua barba, o gosto de seu beijo. Que tipo de amante ele seria?
Grissom, por sua vez, tentou imaginar como daria o primeiro passo. Ela ainda estaria interessada nele? Tudo indicava que sim, porém, ele podia entender se ela o rejeitasse.
Rejeição.
Ele ia sentir na pele o que havia feito com ela. Precisava esperar para saber o momento certo. Tinha uma curiosidade imensa de saber se ela pensava nele, ainda.
Como seriam aquelas mãos maravilhosas em torno dele? Os cabelos que pareciam macios e de um cheiro delicioso.
Precisava ter cautela e prudência. Não sabia como seria seu sentimento se ela realmente o repelisse.
_Deve faltar menos de uma hora, não é?
_Sim, logo chegaremos.
_Você sabe quem procurar?
_Sim, o xerife Alan. Ele ajudou o legista a enviar a cabeça.
_Pode me responder uma coisa?
_Claro, o que você quiser.
_Onde vamos dormir, se precisar pernoitar?
Ele mal sabia as condições da cidade para receber visitantes, como ia responder a ela? E por que a pergunta? Será que estava preocupada? Resolveu arriscar.
_Por que?
_Como assim, por quê? Você deveria saber, fez um planejamento, não fez?
Foi a deixa para ele entrar no mérito da questão.
_Por que está tão preocupada, Sara?
_Eu … eu … — Como ia dizer que tinha sangue nas veias, um coração bobo que lutava para se desligar dele e um desejo que estava a enlouquecendo? Ela precisava resistir, de todas formas e maneiras que pudesse. Se enfraquecesse e abrisse a guarda, sabia que seu sentimento ia acreditar em coisas que não deveria. Ele não sentia nada por ela, tinha deixado bem claro.
“Não sei o que fazer com isso”, ele dissera e quebrara em mil pedaços, seu coração desavisado.
_Você? ….
_Deixa pra lá!
_Eu quero saber …
_Eu não tenho essa resposta.
De repente, uma coisa lhe ocorreu. Ela estava com medo dele? Mas por quê? Então ela sentia alguma coisa e estava lutando contra. E ele viu uma barreira muito maior que estava imaginando e doeu, de verdade. Mas ele precisava criar uma tática convincente.
_Tudo bem, você é quem sabe … quando chegarmos vou tirar todas as informações possíveis, se isso te deixar mais tranquila, o.k.?
Ela apenas concordou com a cabeça, decidiu colocar os fones de ouvido e apertar seu proprio botão de standy by, e ignorar o alerta de sua consciência. Aquilo tudo era um perigo iminente, prestes a explodir e espalhar consequências para todo lado, principalmente o dela!
…
Ela sentiu alguma coisa bem estranha em seu rosto e abriu os olhos devagar, se assustando com a proximidade dele. Estava sonhando, delirando, ou surtando? Aqueles olhos azuis de muito perto, eram ainda mais incríveis e sedutores!
_Grissom?
Ele sorriu de lado e tocou seu rosto, mais uma vez. Não era um delírio.
_Chegamos, você adormeceu.
_Oh … eu … eu …
O que ele ia fazer? Beijá-la? Por que estava tão perto? Podia sentir seu hálito passeando em seu nariz e era delicioso. Uma profusão de imagens nada inocentes se projetaram em sua mente, lençóis macios, uma brisa entrando pelo quarto, os braços dele a segurando como se quisesse que ela nunca mais saísse deles. Ela podia ouvir um gemido rouco em sua orelha, seu peito ofegante, os seios gritando para serem tocados, beijados, acariciados. O calor subindo pelas pernas e atacando suas entranhas, como um fogo tão intenso que ela achou que fosse desmaiar. Ela queria gritar para ele não fazer aquilo, ela não era de ferro, ia se entregar e se machucar ainda mais, mas não tinha forças. Aqueles olhos, aquela boca … o sorriso de quase desdém, sua masculinidade pulsante, pedindo por ela ...
Ela quis implorar para que acabasse com aquela tortura e a possuísse com força e profundamente, que acabasse logo com aquele sofrimento insano que esmigalhava sua razão, sua sensatez e seu orgulho. Que se danasse se ele a rejeitasse depois, ia querer agarrar, sorver, tomar para si a luxúria de uma paixão desenfreada e proibida. Que tudo se explodisse! Fosse pelos ares, desde que ele a pegasse de jeito, e fizesse com ela tudo o que quisesse, ela não ia mais lutar, nem tampouco protestar. Não confiava nele, sabia que ia se machucar ainda mais, mas ela se levantava depois, pelo menos teria suas lembranças e não aquela coisa que a deixava sem vida. Tinha que subtrair o que pudesse dele, mesmo que fosse muito pouco! Ela precisava … se alimentar daquela droga poderosa chamada Gilbert Grissom!
Ela viu sua cabeça se aproximando lentamente …
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