A estrada estava escura, mas podia-se notar que a paisagem era mesmo impressionante. O que mais chamava a atenção era o reflexo da lua sobre o lago. O tom prateado iluminava uma faixa enorme, em uma imagem de calendário!

_Puxa … muito bonito!

Grissom deu um meio sorriso e se virou para ela, sem desviar demais a atenção na estrada.

_É uma paisagem impressionante mesmo.

_Olha o reflexo nas águas do lago …

_Tire uma foto, querida.

Era a segunda vez que ele usava aquele termo carinhoso, e bem que ela poderia mesmo ser exatamente aquilo para ele. Doce ilusão.

Ele desacelerou e ela clicou várias vezes, depois ficou impressionada em como ficaram lindas!

_Ficou bom?

_Perfeitas.

_Sara?

_Hum?

Ela estava prestando atenção na pequena tela de seu celular ultramoderno e mal respondeu.

Grissom ficou mudo. Ia dizer que a companhia dela estava agradável mas perdeu a coragem. COVARDE!

_O que foi? — Desta vez ela se virou para ele. _o que ia dizer?

Ele tentou um tom firme em sua voz, mas não teve muito êxito.

_Gostaria que me enviasse, por favor.

_O.k. Eu faço.

Um pequeno sorriso e o coração dele derreteu.

_Obrigado.

Mais um longo caminho sem que eles trocassem uma palavra, cada um com seus pensamentos.

Sara estava imaginando por quanto tempo estaria com ele naquele cidade, o quanto teria que resistir sua presença marcante e aquele cheiro que a fazia ter uma fantasia atrás da outra.

Como seria deslizar as mãos no peito largo, as unhas em sua nuca linda, com o cabelo prateado, quase encaracolado. Como seria a textura de sua barba, o gosto de seu beijo. Que tipo de amante ele seria?

Grissom, por sua vez, tentou imaginar como daria o primeiro passo. Ela ainda estaria interessada nele? Tudo indicava que sim, porém, ele podia entender se ela o rejeitasse.

Rejeição.

Ele ia sentir na pele o que havia feito com ela. Precisava esperar para saber o momento certo. Tinha uma curiosidade imensa de saber se ela pensava nele, ainda.

Como seriam aquelas mãos maravilhosas em torno dele? Os cabelos que pareciam macios e de um cheiro delicioso.

Precisava ter cautela e prudência. Não sabia como seria seu sentimento se ela realmente o repelisse.

_Deve faltar menos de uma hora, não é?

_Sim, logo chegaremos.

_Você sabe quem procurar?

_Sim, o xerife Alan. Ele ajudou o legista a enviar a cabeça.

_Pode me responder uma coisa?

_Claro, o que você quiser.

_Onde vamos dormir, se precisar pernoitar?

Ele mal sabia as condições da cidade para receber visitantes, como ia responder a ela? E por que a pergunta? Será que estava preocupada? Resolveu arriscar.

_Por que?

_Como assim, por quê? Você deveria saber, fez um planejamento, não fez?

Foi a deixa para ele entrar no mérito da questão.

_Por que está tão preocupada, Sara?

_Eu … eu … — Como ia dizer que tinha sangue nas veias, um coração bobo que lutava para se desligar dele e um desejo que estava a enlouquecendo? Ela precisava resistir, de todas formas e maneiras que pudesse. Se enfraquecesse e abrisse a guarda, sabia que seu sentimento ia acreditar em coisas que não deveria. Ele não sentia nada por ela, tinha deixado bem claro.

“Não sei o que fazer com isso”, ele dissera e quebrara em mil pedaços, seu coração desavisado.

_Você? ….

_Deixa pra lá!

_Eu quero saber …

_Eu não tenho essa resposta.

De repente, uma coisa lhe ocorreu. Ela estava com medo dele? Mas por quê? Então ela sentia alguma coisa e estava lutando contra. E ele viu uma barreira muito maior que estava imaginando e doeu, de verdade. Mas ele precisava criar uma tática convincente.

_Tudo bem, você é quem sabe … quando chegarmos vou tirar todas as informações possíveis, se isso te deixar mais tranquila, o.k.?

Ela apenas concordou com a cabeça, decidiu colocar os fones de ouvido e apertar seu proprio botão de standy by, e ignorar o alerta de sua consciência. Aquilo tudo era um perigo iminente, prestes a explodir e espalhar consequências para todo lado, principalmente o dela!

Ela sentiu alguma coisa bem estranha em seu rosto e abriu os olhos devagar, se assustando com a proximidade dele. Estava sonhando, delirando, ou surtando? Aqueles olhos azuis de muito perto, eram ainda mais incríveis e sedutores!

_Grissom?

Ele sorriu de lado e tocou seu rosto, mais uma vez. Não era um delírio.

_Chegamos, você adormeceu.

_Oh … eu … eu …

O que ele ia fazer? Beijá-la? Por que estava tão perto? Podia sentir seu hálito passeando em seu nariz e era delicioso. Uma profusão de imagens nada inocentes se projetaram em sua mente, lençóis macios, uma brisa entrando pelo quarto, os braços dele a segurando como se quisesse que ela nunca mais saísse deles. Ela podia ouvir um gemido rouco em sua orelha, seu peito ofegante, os seios gritando para serem tocados, beijados, acariciados. O calor subindo pelas pernas e atacando suas entranhas, como um fogo tão intenso que ela achou que fosse desmaiar. Ela queria gritar para ele não fazer aquilo, ela não era de ferro, ia se entregar e se machucar ainda mais, mas não tinha forças. Aqueles olhos, aquela boca … o sorriso de quase desdém, sua masculinidade pulsante, pedindo por ela ...

Ela quis implorar para que acabasse com aquela tortura e a possuísse com força e profundamente, que acabasse logo com aquele sofrimento insano que esmigalhava sua razão, sua sensatez e seu orgulho. Que se danasse se ele a rejeitasse depois, ia querer agarrar, sorver, tomar para si a luxúria de uma paixão desenfreada e proibida. Que tudo se explodisse! Fosse pelos ares, desde que ele a pegasse de jeito, e fizesse com ela tudo o que quisesse, ela não ia mais lutar, nem tampouco protestar. Não confiava nele, sabia que ia se machucar ainda mais, mas ela se levantava depois, pelo menos teria suas lembranças e não aquela coisa que a deixava sem vida. Tinha que subtrair o que pudesse dele, mesmo que fosse muito pouco! Ela precisava … se alimentar daquela droga poderosa chamada Gilbert Grissom!

Ela viu sua cabeça se aproximando lentamente …