Notas iniciais
Eu realmente sinto muito por ter demorado tanto, mas aconteceu alguns imprevisto. Falta de tempo, inspiração... Bem, mas aqui está. Espero que ainda estejam acomponhando.

Do outro lado da cidade, Vivian se encontrava num galpão escuro e assustador. Ela estava ali para mais uma de suas reuniões, com ele. O nome? Nem ela mesma sabia. Mas era conhecido como Víbora. E era exatamente com ele que Vivian Scarlet se reunia agora.

– Com tem passado, minha querida? – surge uma voz da escuridão, lentamente uma luz se acende e a mulher consegue focalizar um pouco as feições do home. Terno branco, gravata vermelha e cabelos negros como a noite. Era somente isso que Vivian via, e era somente isso que todos sabiam sobre ele.

– Estou muito bem, obrigada – ela disse já sentada numa cadeira de metal, daquelas que se encontram em bares de esquina –, mas creio que não foi para saber de minha saúde que me chamou aqui.

– E é ai que você se engana. Estou muitíssimo preocupado com sua saúde, na verdade, para ser mais exato, estou preocupado com a sua vida. – mesmo sem poder vê-lo, Vivian sentiu que o homem sorria de uma forma nada convidativa

– Minha V-vida?- disse ela gaguejando – Me desculpe senhor, mas não consigo entender.

– É claro que não. – ele riu. Até mesmo sua risada dava medo – Alguém estúpido como você não consegue entender nada que esteja além de sua compreensão. – Vivian engoliu em seco – Você não consegue perceber quando corre perigo, desconhece a hora de avançar ou recuar. Mas claro, o erro não fora seu. – Vivian soltou a respiração, nem havia percebido o quanto estava tensa. – O erro foi meu. Sim, querida. Meu erro foi tê-la contratado.

Vivian sabia muito bem o que viria em seguida. Já conseguia imaginar seu corpo ensangüentado numa viela escura. Ou talvez fosse torturada antes, para depois ser descartada. A Víbora não havia nem começado a falar, mas Vivian já tremia de medo. Às vezes sua imaginação consegue ser seu pior inimigo.

As luzes se apagarão de uma só vez, enquanto a Víbora ria da desgraça da mulher. Agora mãos estranhas a tocavam, batiam, socavam. Vivian estava perdida. Já poderia ser considerada uma mulher morta. E foi com um fio de força que ela viu a Víbora da meia volta e sair do galpão. Depois disso, ela apagou.

Zoe estava parada num sinal vermelho, pensando em como seria esta estranha noite. Dali a poucos minutos ela estaria na companhia de Henry e de seu pai. Duas pessoas que ela simplesmente detestava, mas ela era Zoe Parker, o que significava que para ela, as aparências valiam mais do qualquer outra coisa.

Enquanto esperava o sinal abrir, ela se olhava no espelho. Ela estava linda, parecia mais uma pintura do que uma pessoa. Os ruivos cabelos estavam presos num coque diferente, meio solto, meio preso e uma leve maquiagem repousava em seu rosto, apenas com um batom mais vermelho para chamar atenção. Vestia uma blusa branca de botões e uma saia azul marinho, meio rodada, que ia até metade de suas coxas. Nos pés um salto preto, no pescoço sua correntinha de ouro com um pingente em forma de chave.

O sinal abriu e Zoe acelerou. Dirigindo com calma, ela percorreu o centro de New York. Se por fora ela parecia calma e confiante, por dentro tudo que mais queria era dar meia volta e fugir. Mas ela não podia. Nunca poderia.

***

Heloise estava deitada na cama de Jack, brincando com uma mecha de seu cabelo que se soltara de sua trança quando ele chegou, bateu a porta com força e suspirou. Ela, por sua vez, largou o livro que instantes antes lia com tanta avidez e correu até a sala. Lá estava ele. Jogado no sofá. Como sempre.

A menina se aproximou e, se sentando ao seu lado, pôs-se a observá-lo. Ele trazia uma expressão cansada, meio perdida. Heloise já vira esta expressão antes, há anos atrás, quando ainda era uma pequena garotinha. As lembranças daquele dia lhe trouxeram dor e uma lágrima lhe escapou, Jack se virou para menina e seu coração se partiu assim que a viu chorar.

– O que foi pequena?

– Quem foi? – ela disse entre um soluço e outro

– Quem foi o que?

– Quem você matou?

Jack suspirou. Estava tão na cara assim? Não. Era apenas Heloise que tinha o poder de lê-lo. Ela o conhecia como ninguém e vê-la daquele jeito doía mais do que qualquer outra coisa. Lentamente ele se aproximou dela e abraçou. A menina deixou que ele a trouxesse mais pra perto e relaxou a cabeça em seu peito. Aos poucos, ela foi se acalmando.

– Diga de uma vez! – falou com mais calma. Jack nada respondeu apenas a colocou no colo e a embalou como uma criança. Foi só quando ele começou a cantar uma antiga cantiga de ninar que ela adormeceu. Ele tirou uma mecha do loiro cabelo do rosto dela e, com ela ainda no colo, se levantou e a colocou em sua cama. Apenas quando já estava no corredor outra vez, foi que ele se permitiu chorar.

Minutos se passaram, talvez horas, Jack não sabia. Quando por fim Jack se levantou, já passava da meia noite. Ele então tomou um longo banho e depois de pegar uma roupa qualquer, suas chaves, saiu da casa.

Corria ferozmente pelas ruas da cidade, agora molhadas devido a chuva que caia. As cenas daquele dia passavam em sua mente e corroíam sua alma. Por mais que eles estivesse acostumado a matar, aquilo sempre o perseguiam, como um fantasma. Um terrível fantasma que o perseguia em seus sonhos.

Sua mente viajou para a tarde daquele dia, logo depois que o almoço com Sofia acabara. Ele havia saído do hotel e dirigia para a casa. Foi quando ele percebeu um carro logo atrás do seu, seus instintos se afloraram. Para qualquer um, aquele era um carro normal, mas Jack sentia que não. Ele então se pôs a entrar em ruas e avenidas e logo atrás aquele carro fazia o mesmo. Jack estava sendo seguido.

Por mais desconfortável que fosse a situação, ele sabia exatamente o que fazer. Fazendo um caminho já conhecido, Jack logo chegou numa viela sem saída, saiu do carro deixando-o ligado, como se ainda estivesse lá e se escondeu na escuridão da noite. Instantes depois um carro parou ali e um homem esguio saiu de dentro. Ele usava um terno preto e seus cabelos loiros estavam devidamente alinhados. Em suas mãos, uma arma brilhava a luz da lua.

O homem parecia perdido, procurando Jack e mal percebeu que ele estava logo atrás de si. Num golpe silencioso, Jack lhe deu uma cotovelada que fez o homem tropeçar, mas sem vacilar ele já estava em posição de combate. O desconhecido tentou-lhe dar um soco, mas rapidamente Jack conseguiu se esquivar, aproveitando para socar a barriga do adversário.

O homem vacilou para trás, mas revidou rapidamente cm um chute no joelho de Jack que, por sua vez, desequilibrou um pouco. Os dois seguiram lutando, socos, chutes e cotoveladas. Mas Jack levava a melhor, provavelmente teria ganhado a luta se mais dois homens não tivessem aparecido. Num golpe rápido, o segundo homem lhe esmurrou a cara, enquanto um terceiro chutou sua barriga. Jack caiu. Foi exatamente nesse momento que o primeiro homem lhe deu soco certeiro, fazendo Jack desmaiar.

***

Zoe estava deitada em sua cama, tentando sem sucesso dormir. Hoje o dia tinha sido desgastante. Tinha vivido tantas personagens que nem ao menos sabia quem era de verdade agora. Na verdade, ela nunca soube.

Revirando na cama, ela se lembrava de seu jantar com Henry. Um perfeito fracasso. Algo que não surpreendia a mulher. Ela não gostava da presença de Henry, na verdade sentia um incomodo tremendo apenas de vê-lo, mas este era um jogo de aparências e ganhava quem sabia fingir melhor.

– Zoe, querida – lhe dissera seu pai, horas atrás quando os dois estavam reunidos num luxuoso restaurante – prometa-me que não fará nenhuma de suas gracinhas esta noite. – a mulher riu

– Eu não faço gracinhas, pai. – ela sorriu falsamente – Apenas discordo do ponto de vista de Henry. Não tenho culpa se entendo melhor sobre determinados assuntos do que ele.

– Zoe ele é Henry Miller. Seja qual for o assunto, ele entenderá perfeitamente.

– Talvez, se o senhor se referir à economia ou à política. Mas quando falamos de caráter, temo que tão afirmação não seja correta.

O homem iria responder, mas exatamente nessa hora Henry apareceu. Como todos ali, ele estava igualmente elegante. Seus cabelos negros estavam bem alinhados e ele sorria de uma forma superior. O mesmo sorriso que Zoe odiava.

– Boa noite. – disse Henry, se juntando à eles. Os dois o cumprimentaram e Zoe passou a sorrir. Enquanto ouvia Henry falar de trabalho, ela apenas concordava e fazia uma pequena observação. Seu pai, toda vez que via sua filha falando, temia que ela falasse algo que os colocassem numa situação ruim. Zoe normalmente era alguém de gênio ruim, que tinha suas próprias convicções e não aceitava críticas. Surpreendentemente, ela hoje preferiu não se utilizar disso.

O jantar passou de forma agradável, somente com a chegada da sobremesa que as coisas começaram a mudar. Os três escolhiam sua sobremesa. Henry pediu mousse de maracujá, acompanhado por Mr. Parker. Zoe preferiu de chocolate.

– Sabe me lembro que sua sobremesa favorita quando pequena sempre fora essa. – observou Henry. – Vejo que você não mudou tanto assim.

– Ai é que você se engana – ela sorri -, a Zoe que você conheceu era apenas uma garota. Eu cresci Henry.

– Tem razão. – ele concordou e comeu um pedaço de sua sobremesa – Lembro-me bem de suas idéias fantasiosa. – disse rindo, sendo acompanhado por Mr. Parker, embora este ultimo tenha tomado uma expressão nervosa.

– Idéias fantasiosas? Não me lembro disso – disse ela tomando um pouco de água – Poderia me refrescar a memória.

– Não se lembra. Quando éramos mais novos você tinha o sonho de ser fotógrafa. Imagine só. – ele riu. Zoe apenas comeu mais um pedaço de sua sobremesa e limpou sua boca com um fino guardanapo. Por fora estava calma, mas por dentro uma tempestade se iniciava.

– Me desculpe Henry. Acho que você não consegue separar idéias fantasiosas de sonhos. Fantasias não são reais, são contos de fadas, algo que não se deve levar a sério. Sonhos são ideais, devem ser mantidos e realizados. Mas creio que você não consiga diferenciar por sua personalidade, digamos... falha. Você não tem sonhos, Henry. Logo você não tem ideal. Pessoas que não possuem sonhos são vazias. –ela se levantou e apanhou sua bolsa – Sinto muito, mas eu me despeço. Adeus. – e sem olha para trás ela saiu de lá.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.