Jack The Killer -
11 O Passado de Jack
– Doutor os batimentos cardíacos do paciente estão ficando mais fracos, desse jeito nós vamos perdê-lo! – Gritou uma enfermeira desesperada.
– Dêem a ele o medicamento, em alguns minutos fará efeito e os batimentos irão normalizar. – Disse o médico se mantendo calmo instruindo os enfermeiros e enfermeiras da sala.
Algumas horas se passaram e o médico saiu junto de sua equipe da sala, dentro do local estava o corpo falecido de um paciente que não teve tanta sorte. O paciente havia perdido uma enorme quantidade de sangue e alguns de seus órgãos vitais haviam sido perfurados.
– Papai. – Murmurou uma criança de aparentemente treze anos, possuía cabelos ruivos e olhos castanhos, a mesma possuía lágrimas em seus olhos olhando para o corpo do homem. – Você prometeu que nunca iria me deixar papai! Você disse que nós estaríamos sempre juntos! Você não pode me abandonar agora papai! –Gritou a criança de forma desesperada enquanto as lágrimas corriam por seu rosto. — E-Eu.....eu....Eu preciso de você. – Murmurou a criança abraçando o corpo de seu falecido pai.
– Foi nesse dia que eu descobri que estava sozinho. Não havia ninguém que me entende-se como o meu pai. – Murmurou Jack de cabeça baixa enquanto observava toda a cena enquanto finas lágrimas corriam por seu rosto.
Jack já havia relembrado aquela cena centenas e centenas de vezes, aquilo era a maior dor que o rapaz carregava em seu coração. Enquanto as lágrimas corriam pelo rosto de Jack um clarão de luz iluminou todo o local.
Ao abrir seus olhos novamente Jack percebeu que estava deitado em uma cama confortável, não conseguia reconhecer o quarto onde estava, tudo que o moreno lembrava era que havia desmaiado na noite anterior.
– Papai. – Murmurou Jack uma ultima vez tentando se erguer, mas logo sendo atingido por uma forte dor que percorreu todo o seu corpo.
A dor foi tão forte que Jack foi obrigado a se deitar novamente esperando que a dor diminuísse. Logo a porta se abriu e uma mulher de longos cabelos negros cacheados, olhos totalmente negros, a mesma vestia um vestido negro que cobria sua pele branca como a de Jack, a mulher carregava uma bandeja com um pote com frutas cortadas em cubos e um copo de suco de laranja .
– Não devia se esforçar tanto, seus ferimentos ainda não se curaram totalmente. Vai precisar de pelo menos uma semana de descanso até seus ferimentos estarem totalmente curados. – Disse a mulher se aproximando do jovem e se sentando em uma cadeira ao lado da cama. – Antes de mais nada, deixe-me eu me apresentar. Me chamo Jane The Killer, você deve ter conhecido meu marido Jeff. – A mulher sorriu de forma gentil.
Jack sentiu vontade de gritar e encher ela de perguntas, mas seu corpo estava cansado demais para obedecê-lo então o jovem decidiu na fazer movimentos negligentes que pudessem resultar em mais dor.
– Eu me chamo Jack. – Murmurou o moreno olhando para a mulher que pegava um pequeno espeto do pote e espetava um pedaço de maçã.
– Eu sei quem você é Jack, Jeff me falou muito sobre você. – Respondeu Jane de uma forma meiga estendendo o pedaço de maçã até a boca do rapaz para que esse pudesse comer.
Mesmo não querendo admitir, o rapaz estava com fome então aceitou a comida que era lhe oferecida. Aos poucos Jane alimentava o menor e sempre se mantinha com um sorriso gentil no rosto e mesmo que não quisesse admitir isso deixava Jack um pouco envergonhado.
– Obrigado pela comida. – Disse Jack se sentando na cama, a dor á havia amenizado e o rapaz conseguia se mover agora. – Eu tenho que sair agora, preciso encontrar o Jeff. – Disse o moreno, inicialmente ele desejava matar Jane, mas sabendo que ela era alguém importante para Jeff decidiu não fazer.
– Desista, seu corpo não está em condições de enfrentar o Jeff, se quer mesmo ter alguma chance sugiro que descanse um pouco. – Disse Jane impedindo que o rapaz tentasse se levantar.
– Por que você está me ajudando. Isso não faz sentido? – Questionou o menor confuso enquanto encarava Jane seriamente.
– Porque Jeff, gosta de você e quer ter uma luta de verdade com o você. Ele quer te enfrentar na sua melhor forma. – Respondeu Jane de forma simples. – Por que você acha que ele não te matou dois anos atrás? Ele viu em você o potencia de um assassino e ele quer te enfrentar pessoalmente para testar você. Agora descanse. – Terminou a mulher se levantando e saindo do quarto
Ao ouvir aquelas palavras o rapaz não pode evitar sorrir abertamente. A muito tempo ele não se sentia assim, tão calmo, relaxado e em paz, era com se um novo objetivo além de apenas matar surgisse na vida de Jack.
Algumas horas se passaram e Jane voltou para o quarto com uma bandeja em mãos, mas a morena se surpreendeu ao testemunhar a cena a sua frente.
– O que você está fazendo?! – Questionou Jane levemente aborrecida.
Jack estava fazendo algumas flexões se apoiando unicamente em seu braço esquerdo, o rapaz estava bastante suado aparentando estar fazendo aquilo a um bom tempo.
– Se eu não posso lutar contra o Jeff agora, então ao menos irei treinar para isso. – Respondeu o rapaz sem parar o seu treinamento.
Jane suspirou, sabia que não conseguiria mudar a mente do garoto, então pelo menos tentaria ajudá-lo para evitar que seus ferimentos abrissem novamente.
– Jack dê uma pausa para comer alguma coisa. Eu trouxe um lanche para você. – Disse a morena colocando a bandeja na mesa ao lado da cama do rapaz.
– Obrigado. – Respondeu o menor se sentando na cama e pegando um sanduíche que havia na bandeja logo começando a come-lo.
– Jack você poderia me contar sobre o seu passado? Digo, sobre antes de você conhecer o Jeff. – Pediu Jane com um sorriso gentil no rosto.
– Eu... – O rapaz possuía uma expressão triste em seu rosto.
– Bem se não quiser contar eu compreendo, todos nós temos alguma história que nos sentimos desconfortáveis em contar. – Disse a mulher afagando os cabelos do menor.
– Eu conto.....Acho que já está na hora de contar o que aconteceu. – Disse o rapaz se ajeitando melhor na cama se preparando para contar a história.
Jane ficou em silencio prestando atenção em cada palavra do jovem enquanto o mesmo se preparava para contar sua história.
Era uma noite de chuva, uma criança de cabelos ruivos, de aparentemente oito anos usando uma capa de chuva amarela corria pela calçada, o menor atravessou a rua correndo e após alguns minutos caminhando o mesmo havia chegado em uma pequena loja com a placa “fechados”, o menor abriu a porta com a chave de seu bolso e logo foi em direção aos fundos da loja.
– Papai trouxe o seu almoço! – Gritou a criança animada abrindo a porta da cabana.
Um homem de cabelos castanhos e olhos castanhos estava sentado em uma cadeira em frente a uma mesa trabalhando em sua marionete, mas logo parou ao notar a presença do menor.
– Olá Jack! Venha aqui, eu finalmente terminei. – Disse o homem mostrando uma marionete de um cachorro. – Esse aqui é Luppy, espero que vocês sejam grandes amigos. – Terminou o homem entregando o brinquedo para seu filho.
– Obrigado papai! – Disse o menor depois de depositar o cesto com a comida do homem encima da mesa e logo agarrando seu brinquedo com um enorme sorriso n rosto.
O pai de Jack era um excelente criador de marionetes, mas devido a sua arte não ser muito popular algumas pessoas se incomodavam que seus filhos fossem a loja do homem por muitos homens acharem as marionetes “assustadoras”, devido ao fato de as crianças evitarem o homem, logo elas começaram a evitar Jack também. Onde estava a mãe de Jack nisso tudo? Os pais de Jack eram separados e após um longo confronto na justiça pela guarda do filho o juiz perguntou a Jack com quem ele desejava morar e obviamente o ruivo escolheu seu pai.
Era um novo dia, o ruivo havia se arrumado para a escola e logo que chegou a mesma um grupo de crianças o cercou.
– Olha o que temos aqui, o filho do criador de bonecas. Por que você ainda vêm a escola? Ninguém gosta de você! Todo mundo acha que você é um esquisito que brinca de bonecas, assim como o seu pai! – Gritou uma das crianças para o ruivo.
– Não são bonecas, são marionetes. – Respondeu o garoto de cabeça baixa.
– Como é seu pirralho? Eu vou te ensinar a não bancar o espertinho. – Dito isso Jack foi atingido por um soco no estomago logo se ajoelhando.
Logo o grupo formado por um total de cinco crianças levou Jack para os fundos da escola começando a chutá-lo e socá-lo deixando o garoto fraco. Após se cansarem de bater em Jack o grupo saiu e foi para a aula, alguns minutos depois o ruivo se levantou com dificuldade e também foi assistir as aulas.
As semanas se seguiam assim, a loja do pai de Jack recebia poucos clientes, mas era o suficiente para a dupla viver em paz. O ruivo não possuía amigos, mas estar com seu pai lhe proporcionava os melhores momentos que o garoto poderia querer.
Em um dia durante as férias de meio de ano Jack ajudava seu pai com a loja, o rapaz já possuía treze anos, os garotos que batiam nele não o importunavam mais por Jack ter passado para uma excelente escola e todos os adolescentes pareciam gostar dele. Tudo estava indo muito bem na vida do ruivo. O rapaz estava nos fundos da loja, havia acabado de pegar a caixa que seu pai havia pedido e logo voltou para a frente da loja percebendo a presença de dois homens de terno, um era ato e com o corpo forte e o segundo era baixo e gordo e fumava um charuto.
– Me desculpem senhores, mas eu não irei vender a loja por dinheiro nenhum. Por favor não continuem insistindo. – Disse o pai Jack de forma educada.
O ruivo conhecia aqueles homens, eram membros de uma máfia que queria comprar o local onde estava a loja, provavelmente usariam o terreno para criar um local de venda e consumo de drogas. O rapaz sabia que seu pai não queria problemas, ele era um bom homem e um exemplo de ser humano, Jack nunca havia conhecido uma pessoa tão boa quanto o seu pai. Os homens logo se retiraram dando a promessa de voltar.
– Pai, por que aqueles homens sempre nos incomodam? Por que não existem pessoas tão boas como você. – Disse o rapaz um pouco irritado.
– Filho ninguém nesse mundo é perfeito. Apenas as marionetes, só elas são verdadeiramente perfeitas. – Disse o homem sorrindo gentil.
O ruivo ficou pensativo sobre as palavras de seu pai o resto do dia. Logo entardeceu e chegou a hora da loja fechar, a dupla fechou a loja e começou a caminhar para voltar a sua casa. Enquanto caminhavam o grupo passou por um beco e logo virando a esquina saíram os dois homens de antes.
– Eu disse que nós voltaríamos. – Disse o homem gordo e baixo estalando os dedos.
Após esse ato dois homens apareceram de trás do beco segurando Jack e seu pai com força. O homem gordo pegou do bolso de seu casaco um revolver e apontou para o pai de Jack.
– Já que não nos entrega a loja por bem, nós a tomaremos a força. – Disse o homem e logo Jack e seu pai foram levados para dentro do beco.
No beco Jack era segurado enquanto os homens batiam em seu pai até o deixarem totalmente machucado. Apos espancarem seu pai na frente de seus olhos os homens deram três tiros no peito homem.
– Chefe e esse aqui, vai matá-lo também? – Perguntou o homem que segurava Jack.
– Não, podem solta-lo. Ele não conseguiria fazer nada mesmo que quisesse. – Dito isso Jack foi solto e os homens saíram do local como se nada tivesse acontecido.
Após o ocorrido a policia encontrou Jack e o corpo de seu pai. Tudo ocorreu de forma extremamente rápida, seu pai foi dado como morto, sua mãe foi chamada e unto dela o menor se mudou. Para Jack tudo foi passando como um flash, seu mundo havia desabado, ele sabia que nunca mais poderia sorrir após perder a única pessoa que sempre o entendeu. A única coisa que restava em Jack era um enorme vazio e uma fúria incontrolável adormecida no peito deste.
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