Jack The Killer -
3 O Encontro
Notas iniciais
As semanas de Jack seguiram da mesma forma que o primeiro dia de aula. Agüentar os abusos do trio de Nate e esconder os machucados que o grupo lhe fazia, isso se seguiu por um mês até Jack decidir começar a matar as aulas. O Jovem era um excelente aluno, mesmo que matasse todas as aulas poderia passar com a nota das provas, o rapaz ficava em um parque onde não havia ninguém naquele horário da manhã, ficava desde as seis horas da manhã até a hora da saída que era por volta do meio dia.
O ruivo levava seu estojo de marionetes e algumas peças e ficava reparando Lucy já que a pequena marionete sempre acabava sendo maltratada pelo grupo de Nate quando Jack os encontrava. Eram por volta de dez e meia da manhã, Jack estava sentado em um banquinho de pedra no parque e em frente ao banco havia uma mesa de pedra onde o ruivo havia deixado suas coisas, o rapaz estava mais uma vez concertando Lucy que estava sem um dos braços e com sua cabeça rachada.
– Não se preocupe Lucy, mais um pouco e você vai estar totalmente concertada. – O rapaz sorria limpando o suor da testa e logo voltando a trabalhar na pequena.
– Veja o que encontramos aqui, se não é a bichinha que brinca de bonecas e agora mata aula. – O ruivo ouviu aquela voz irritante que era sinônimo de problemas.
– Me deixe em paz Nate, eu já não vou mais a escola, vou apenas para fazer as provas. Por que vocês continuam me perseguindo? – Questionou o ruivo em um tom frio sem nem mesmo olhar para trás, apenas continuando a concertar Lucy.
– Por que é divertido ver sua expressão de raiva e incompetência sem poder fazer nada enquanto nós quebramos essa sua bonequinha. – Respondeu Nate olhando para Jack que nem mesmo se virou para encará-lo continuando a trabalhar em Lucy. – Eu já disse para olhar para mim quando eu falo com você! – Se irritou Nate pegando Jack pelos cabelos e o arrancando de seu acento o jogando no chão.
Jack tentou se erguer, mas antes mesmo de conseguir se apoiar em suas mãos para levantar, Nate sentou sobre o mesmo apontando uma faca para a garganta do ruivo.
– Sem movimentos espertinhos Jack, ou sua cabeça vai rolar. – Terminou Nate passando levemente a faca no pescoço do ruivo fazendo um pequeno filete de sangue escorrer pelo pescoço do mesmo. – Agora vamos. – Ao dizer isso Nate levantou Jack ainda com a faca apontada para sua garganta e começou a faze-lô andar. – Não esqueçam da bonequinha também! – Disse o rapaz para seus companheiros.
Lance pegou a boneca e começou a carregá-la. O trio levava Jack e a boneca até uma floresta um pouco afastada do parque e ao chegarem próximos a um rio que havia na floresta Nate sorri de forma cruel.
– Agora Lance, jogue a bonequinha no rio! – Disse Nate com um sorriso cruel no rosto enquanto segurava Jack.
– Não! Isso não, eu imploro. Podem bater em mim, mas não joguem a Lucy no rio! – O desespero na voz do ruivo era palpável.
– Lucy? Então a bonequinha têm nome? Vamos Lance jogue ela de uma vez nesse rio. – Disse Nate aumentando o sorriso.
Lance apenas sorriu segurando a marionete e a arremessando no rio, logo a frágil marionete foi arrastada pela correnteza. Jack olhava aquela cena com desespero no olhar enquanto o grupo logo se reunia e Nate largava Jack de qualquer jeito e indo embora com seus amigos. O ruivo caiu de joelhos no chão enquanto seus olhos se enchiam de lágrimas, o jovem chorava e amaldiçoava Nate e sua gangue. Muitos achariam que era um exagero da parte de Jack chorar apenas por uma marionete perdida, mas para Jack aquilo era como parte dele mesmo, Lucy fora a primeira marionete que Jack havia feito e fazer marionetes era a única coisa que o reaproximava de seu falecido pai o qual o ruivo admirava e adorava, Nate podia não saber, mas o ato que o mesmo fez naquele dia abalou drasticamente o psicológico já abalado de Jack.
Ao se acalmar um pouco o ruivo se ergueu limpando suas lágrimas, pegando sua mochila que o grupo teve a “bondade” de levar e saiu daquele local, afinal não se sabia que tipo de animal se escondia naquela floresta.
Ao chegar em casa Jack cumprimentou sua mãe e foi em direção as escadas querendo chegar logo em seu quarto.
– Jack, não vai comer nada filho? – Perguntou a mãe do garoto preocupada com o mesmo.
– Não obrigado, eu quero apenas descansar um pouco mãe. – Disse o garoto subindo as escadas.
Ao chegar em seu quarto o ruivo abriu o armário e de lá retirou uma grande caixa retangular, a mesma era bastante cumprida porem não era muito larga. O rapaz abriu a caixa e de lá retirou um braço de marionete do tamanho de um braço humano, podia-se perceber que o braço era repleto de detalhes em articulações. Jack não havia contado a ninguém sobre esse projeto.
– A única coisa que me restou foi isso. – Disse o ruivo colocando o braço em sua mesa e sentando-se na cadeira em frente à mesa começando a trabalhar no mesmo.
O jovem ficou a tarde toda reparando, aprimorando e analisando o braço que havia feito, ele queria que ficasse perfeito.
– Jack quer comer alguma coisa? – Perguntou a mãe do garoto adentrando o quarto do mesmo.
Assim que ouviu o barulho da porta abrindo o ruivo se lembrou do ocorrido com Lucy, sempre que ele estava trabalhando em suas marionetes e alguém aparecia, suas marionetes eram zombadas e maltratadas. As pessoas não entendiam a arte de Jack e o ruivo não permitiria que seu trabalho fosse destruído novamente.
– SAIA DO MEU QUARTO, EU QUERO FICAR SOZINHO! – Bradou o jovem assustando um pouco sua mãe.
A mulher olhou para seu filho com receio, mas saiu do quarto o deixando a sós novamente.
O tempo foi se passando e a noite havia chegado, mas o ruivo estava ocupado demais para se preocupar com isso. Para o rapaz tudo que importava no momento era continuar com seu trabalho, o jovem ignorou todas as outras coisas ao seu redor que o pudesse distrair, como os passos de alguém andando no corredor, o som de gemidos de dor vindo do quarto de sua mãe, e novamente os passos no corredor. O ruivo só teve sua concentração interrompida quando ouviu o som da porta de seu quarto abrindo.
– Eu já disse para.....- Jack se virou para gritar com o individuo que havia adentrado o seu quarto, mas silhueta que se formava em frente a sua porta não o permitiu continuar.
Naquele instante o coração de Jack subiu pela garganta o impedindo de continuar sua frase. A pessoa a sua frente tinha olhos negros que observavam Jack de forma tão intensa que parecia que o ser a sua frente não piscava, sua pele era branca como um lençol, seus cabelos negros desciam até os ombros, ele vestia um casaco branco que agora estava manchado de vermelho e sua boca, sua boca era horrenda, a mesma estava cortada de um lado ao outro mostrando um eterno “sorriso”.
Em seu completo desespero Jack queria gritar, mas as palavras não se formavam enquanto o ser que agora Jack percebia que era um homem se aproximava do mesmo. O homem segurava uma faca ensangüentada e ao chegar bem próximo de Jack sussurrou em seus ouvidos.
– Shhhhhhhhhhhh.....Go To Sleep [Vá dormir]
– N-não! – Em seu maior desespero Jack pegou uma chave de fenda que estava em sua mesa acertando o ombro do homem e o empurrando para então tentar fugir.
A tentativa do menor fora inútil, pois o homem o agarrou pela perna o puxando para si e com sua faca atacou Jack na direção do pescoço, porem por um rápido reflexo de desvio o ruivo conseguiu chegar para o lado escapando da facada mas tendo seu ombro acertado. Ao invés de simplesmente puxar a faca o homem sorriu ainda mais e continuou o corte fazendo o menor gritar de dor, ao terminar o corte o braço direito de Jack não se encontrava mais ligado ao seu corpo e logo o homem se colocou a gargalhar de forma sádica e cruel.
Aquelas risadas, o ruivo agora havia se lembrado, todos sempre riram dele, sempre o humilharam, agora ele estava prestes a ser morto por um homem que também achava engraçado zombar do menor. Jack estava cheio disso, o ódio que ele vinha tentando controlar finalmente havia tomado conta do menor e em um impulso de raiva Jack acertou os olhos do homem usando seu braço restante. O homem caiu para trás com a mão em seus olhos deixando a faca cair.
– Então você acha engraçado rir de mim? – Questionou o menor se levantando e pegando a faca caída. – Vamos ver se você vai gostar quando agora ser você o caçado! – Um grande sorriso insano podia ser visto na face do ruivo, a expressão do mesmo era digna de um psicopata, o menor finalmente havia liberado seu verdadeiro “eu”. – Sua face é interessante, eu adoraria transforma-lô em uma marionete, te abrindo e rasgando. – O ruivo sorria cada vez mais a cada passo que dava na direção do homem.
O homem que agora havia se levantado olhava para Jack se aproximando deste e logo um estranho sorriso se formou nos lábios deste. Jack atacou o homem e o mesmo apenas segurou o pulso de Jack e lhe desferiu um forte chute no estomago e então uma cotovelada na cabeça. Mesmo com tanto ódio o homem ainda era mais forte que o menor e o mesmo acabou por desmaiar.
Quando acordou, o ruivo estava amarrado a uma cadeira e uma substância de cheiro forte havia sido derramada por todo o corpo deste, o jovem julgou ser álcool e ao direcionar seu olhar mais para frente ele viu o homem de antes, o mesmo estava derramando o restante do líquido no chão da casa, ambos estavam no primeiro andar agora.
– Vejo que já acordou. Deixe eu me apresentar, eu ma chamo Jeff, Jeff The Killer. – O homem sorriu largamente após pronunciar o próprio nome. – Eu gostei de você garoto, gostei mesmo. Me lembra a mim quando possuía a sua idade, você é como eu.
– Eu me chamo Jack, mas por que você não me matou? – Diferente de antes o ruivo agora parecia confuso.
– Sabe que esse mundo é injusto e nojento, por isso estou lhe deixando vivo. Para que você se torne um verdadeiro “Killer” e quando você tiver chegado a um nível próximo ao meu me procure. Eu irei lhe mostrar um “mundo” inteiramente novo a você. – Ao dizer isso o homem acendeu um isqueiro. – Agora vamos terminar a sua transformação.
Ao ver o isqueiro na mão de Jeff o ruivo que até o momento se mantinha calmo arregalou seus olhos.
– Espere! Eu estou coberto de álcool se você fizer isso eu vou ficar em chamas! – Disse o jovem desesperado.
– Essa é a intenção. – Respondeu Jeff deixando o isqueiro cair no álcool fazendo com que a combustão fizesse o corpo de Jack começar a pegar fogo. – Nos vemos por ai Jack. – Dito isso o homem se preparou para pular a janela.
Jack sentia a pior dor de sua vida, era como se sua pele vira-se cinzas, sua carne fosse devorada e seu sangue evaporasse de suas veias. O ruivo estava sentindo o verdadeiro inferno em sua pele.
Ao ouvir os berros desesperados do menor Jeff apenas colocou um dedo sobre os lábios dizendo sua ultima frase.
– Shhhhhhhhhhhh.....Just Go to Sleep [Apenas vá dormir] . – Dito isso o maior pulou pela janela se retirando do local.
O ruivo não agüentou a dor por muito tempo, a ultima coisa que ouviu antes de desmaiar foram sirenes de ambulância e de caminhões de bombeiros.
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