JUNKO: O Jogo Maldito
15 Itadakimasu!
Notas iniciais
– O que aconteceu? — perguntou Sophia.
– Aconteceu que a gente conseguiu terminar o quebra-cabeças, mesmo com você destruindo parte dele. — disse Gabriel. — A uma hora dessas eu quero te matar, mas infelizmente é contra a lei.
– CALA A BOCA!
– Ela nunca aprende. — disse Gaby pondo o álcool e o algodão sobre a mesinha ao lado do sofá.
– Então, quem vai agora? — perguntou Gabriel.
– Bem, eu... — mas a menina foi interrompida.
– Eu vou! — disse Gustavo agora mais confiante.
– Oi??? Desde quando o gordo ficou corajoso?
Gabriel sentiu vontade de dar mil tapas na cara dela.
– Você tem certeza, Gustavo? — perguntou Gaby.
– Tenho! — disse já pegando os dados e os lançando. — Oito!
O bonequinho andou as oito casas e o gordinho retirou o cartãozinho. Quanto “inho”.
– “Desafio da Comida: na sala de jantar há uma mesa cheia de comida. Somente Gustavo deverá comê-la em até quarenta minutos ou todos serão comidos por canibais.” O QUEEEEEEEEEEEEE!?
Eles foram correndo até a mesa e viram comidas e bebidas de todos os tipos. Frutas diversas, legumes, massas, doces, salgados, vinhos, sucos...!
– WOW! Acho que nunca vi tanta comida na minha frente! — disse Gabriel.
– Pobre. — disse Sophia jogando o cabelo para o lado.
– Na minha casa todos os dias é assim. — disse Gustavo.
– Sério? — perguntou Gabriel.
– Sério! Bom, vou começar.
Gustavo foi direto no peru e começou a comer (não pensem besteira, por favor!). Cerca de meia hora depois ele havia acabado com mais da metade da comida.
– Não aguento mais. — disse Gustavo pondo as mãos na barriga. — Eu não deveria ter comido tantas batatinhas e o bolo inteiro.
De repente eles ouviram um barulho no lado de fora da porta. O chão tremia e um canto primitivo podia ser ouvido. Gabriel olhou para os outros e foi até a porta. Porém, quando colocou o olho no Olho Mágico...
– AI, CARALHO! — Gabriel caiu no chão.
– O que foi? — perguntou Gaby correndo para ver também.
– Parecem homens das cavernas. Estão dançando, cantando, devorando um corpo humano...
– O QUE!? — perguntou Sophia.
Gaby também olhou através do Olho Mágico e viu o corpo do porteiro sendo devorado com a maior naturalidade. De repente um dos homens colocaram o rosto bem em frente a pequena lente e a menina desmaiou, caindo nos braços de Gabriel.
– GABY! — gritou o rapaz.
De repente começaram a empurrar a porta, tentando arrombá-la.
– SÃO OS CANIBAIS! GUSTAVO, VOCÊ TEM QUE COMER ISSO LOGO! — gritou a loira.
– Eu não consigo! Se eu comer mais eu vou vomitar!
Gabriel e Sophia se entreolharam. Não havia outra forma de vencer aquele desafio se não o gordinho comendo tudo. E o pior, ainda faltava bastante coisa.
– Gustavo, eu duvido você comer tudo. — disse Gabriel.
– O que?
– Eu também duvido! Um balofo fracassado como você não pode vencer esse desafio.
Gustavo ficou com raiva e seus olhos se acenderam como duas chamas.
– NÃO DUVIDEM DE MIM! — e ele voltou a comer como um louco.
– “Acho que nossa última conversa ajudou muito. Ele está com a autoestima lá no topo.” — pensou Gabriel tentando reanimar Gaby.
Os dois continuaram o provocando enquanto o rapaz devorava toda a comida que restava sobre a mesa. Gabriella acordou, mas ficou quieta sem dizer nada. O susto que havia tomado há minutos tinha mexido muito com ela. Faltava um minuto e uma uva. A porta estava quase sendo arrombada. Mais um chute dos canibais e viria abaixo.
– VAI, GUT! — gritou o negro.
E finalmente a última uva foi para a boca, rolou entre os dentes, deslizou pela garganta e puff! O desafio estava concluído. Gustavo virou o rosto para o lado e vomitou tudo o que tinha para vomitar.
– Boa, Gustavo! — disse Gabriel todo sorridente.
De repente o barulho na porta parou. Os canibais deveriam ter ido embora.
– Graças a Deus... — disse Gaby com a voz fraca.
– Acho que ele não vai querer saber de comida por um bom tempo. — zombou Sophia.
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