JARDINS

2 Donos da Noite 🍸✨️


Notas iniciais
"São Paulo nunca dorme, mas isso você já sabe. O que talvez não saiba é que existem pessoas que acreditam que a cidade gira em torno delas. E, para ser justa, às vezes parece mesmo. Cobertura nos Jardins, champagne francesa, convites impossíveis, sobrenomes que abrem portas... Mas a minha parte favorita de tudo isso? Descobrir o que acontece quando alguém esquece que toda coroa pode cair!" Xoxo, GG. 💋

SOUNDTRACK DE ABERTURA:

Video Games by Lana Del Rey.


São Paulo brilhava. Do alto, parecia um oceano de luzes douradas se espalhando até onde os olhos conseguiam alcançar. A Marginal serpenteava pela cidade como uma corrente luminosa; Helicópteros cruzavam os céus com uma velocidade incrível; Carros importados deslizavam suaves pelas avenidas; Restaurantes serviam os últimos clientes e, atrás de fachadas impecáveis, pessoas bonitas escondiam verdades feias.

Era uma sexta-feira e a noite só estava começando.


◇ THEO MONTENEGRO

A cobertura dos Montenegro ocupava os três últimos andares de um edifício discreto nos Jardins. Discreto para os padrões dos bilionários; Imponente para qualquer pessoa normal. Theo Montenegro estava sozinho, como quase sempre preferia estar.

A cidade se estendia diante dele através das paredes de vidro que cercavam o terraço. Em uma das mãos, uma taça de Krug. Na outra, um pequeno frasco de perfume. Ele observou o líquido âmbar por alguns segundos com genuíno interesse. Um Oud raro, obtido meses antes em uma viagem ao Oriente Médio. Pouquíssimas pessoas entenderiam a diferença; Theo entendia.

Perfume era memória, era identidade, era presença, assim como as pessoas. E pessoas sempre deixavam rastros.

Seu celular vibrou sobre a mesa de mármore.

Helena.

Ele ignorou. O aparelho vibrou novamente. E outra vez... Theo suspirou.

— Você nunca desiste?

Atendeu.

— Finalmente.

A voz dela veio acompanhada do som distante de uma festa.

— Você sabe que existem outras formas de cumprimentar alguém, não sabe?

— Você sabe que existem outras formas de atender o telefone, não sabe?

— Eu estava ocupado.

— Uhum... Admirando seu próprio reflexo na janela?

Theo sorriu. Helena o conhecia bem demais. Ponto para ela.

— O que você quer?

— Nada.

Pausa.

— Mentira. Quero champagne e fofocas.

Theo riu.

— Boa noite, Helena.

E desligou.


◇ HELENA ALBUQUERQUE

O salão do Palácio Tangará parecia retirado de uma revista: Lustres de cristal, arranjos gigantescos de orquídeas, vestidos de alta-costura e homens fingindo se importar com arte contemporânea.

Helena Albuquerque circulava pelo evento como uma rainha em seu território. Vestia um vestido preto Saint Laurent de corte impecável, uma clutch Chanel vintage na destra — uma taça de Veuve Clicquot gelado na outra — e brincos discretos que adornavam o rosto de pele alva. Porque elegância não precisava gritar, de acordo com ela mesma.

Ela observava. Sempre observava. Quem estava acompanhado, quem chegou sozinho, quem estava sorrindo demais, quem estava mentindo demais. O mundo era muito mais interessante quando as pessoas acreditavam que ninguém as estava observando. Ela era uma caçadora nata e se orgulhava disso.

Após Theo desligar o telefone na sua cara, ela sorriu e comentou mais para si do que para qualquer outro:

— Como uma pessoa normal faz diariamente.


◇ NOAH SAAD

O problema com Noah Saad era simples: Ele se divertia demais e pessoas que se divertiam demais, costumavam causar problemas. Essa era a sua sina.

O bar em Pinheiros estava lotado, como sempre. Música alta, luzes baixas, gente bonita, como sempre. Exatamente como Noah gostava. Ele levantou seu copo e propôs um brinde, ainda que não tivesse mencionado tal ato.

— Eu tenho uma teoria.

Os amigos à mesa suspiraram. Mau sinal.

— Toda decisão ruim começa com essa frase, Noah.

— Falso.

Ele sorriu e afirmou veemente.

— Algumas decisões ruins começam com tequila.

As risadas explodiram. Ele adorava aquilo. Adorava pessoas, adorava histórias e adorava a sensação de que a noite ainda tinha infinitas possibilidades. Mesmo quando não tinha mais nenhuma.


◇ DANTE VASCONCELLOS

Dante Vasconcellos observava a cidade através da janela de seu escritório, localizado em um ponto estratégico da enorme Faria Lima. O relógio marcava quase meia-noite, mas o trabalho ainda não havia terminado.

Sobre a mesa, encontravam-se contratos, documentos, segredos. A maioria das pessoas achava que poder era dinheiro. Dante sabia que estavam erradas. Poder era informação e informação era a única moeda que nunca perdia valor — e nunca pederia.

Seu assistente apareceu sorrateiramente na porta.

— Posso deixar isso para segunda-feira...

— Não.

— Tem certeza?

— Absoluta.

O assistente assentiu com o olhar baixo e desapareceu sala afora. Dante voltou o seu olhar para a cidade. São Paulo era fascinante, se era, especialmente quando ninguém percebia que estava sendo observada.


◇ KIRAN ALVES

Enquanto a elite ocupava coberturas, hotéis e escritórios luxuosos, Kiran caminhava pelas ruas da Zona Oeste: Sem segurança, sem motorista, sem sobrenome influente. Apenas ele. E a cidade. E para ele, isso bastava.

Os fones de ouvido abafavam parte do barulho dos carros. O vento da madrugada bagunçava seu black cuidadosamente alinhado, mas ele não se importava. Pelo contrário, gostava daquele horário. Era quando São Paulo parecia mais honesta: Menos maquiagem, menos máscaras, mais verdades.

Seu celular vibrou. Mensagem da mãe.

"Chegou em casa?"

Ele sorriu.

"Quase."

"Não esquece da entrevista segunda-feira."

A entrevista! Oportunidades. Mudanças. Talvez um futuro diferente.

Kiran guardou o telefone, sem imaginar que aquela simples entrevista o colocaria no caminho de pessoas que mudariam sua vida para sempre.


A cidade continuava iluminada. Theo observava os prédios; Helena observava as pessoas; Noah observava as oportunidades; Dante observava segredos e Kiran, por sua vez, observava o futuro.

Nenhum deles sabia, mas a contagem regressiva já havia começado.

Notas finais
"A melhor parte das histórias não é o começo, também não é o final. É aquele momento em que tudo parece perfeitamente normal, pouco antes do desastre." XOXO, GG. 💋