JANELAS PARA O ENTARDECER
6 O altista
O silencio paira
Não consigo ver nada
Além das formigas no chão
Um vazio permanece
Dentro de mim
Eu queria ser alguma delas
Ao menos por alguns momentos
Para sentir a liberdade do mundo
Profundo em que vivemos
É triste não saber se estaremos vivos até amanha
È triste tentar saltar do próximo degrau
O grau da sanidade racional é insano
Mas a insanidade é racional
Basta analisar os fatores da realidade
E viver em função de construção,
E sentir o terremoto dos pés humanos,
E ver a explosão das coisas mínimas
Seres lógicos que vivem
Em uma sociedade não ideológica,
Que não crescem,
Apenas conhecem o lugar em que habita,
Não desista de permanecer até aqui
O tempo realmente não para,
O tempo apenas recomeça
E lembranças não se guardam em gavetas
Guardam apenas na memória
Da época em que eu corria contra os segundos
Neste mundo de almas frias e vazias
Nosso crime não compensa, recompensa
Pagamos por aquilo que não devemos
Somente os sóbrios choram,
Por aquilo que não tem
E não convém para si próprio
Apenas digo como é difícil,
Se desprender deste cotidiano
Monótono em que vivemos
Em meio de poetas e loucos
Por um mundo pior,
Pior do já somos
E continuamos a viver
Tenho um encontro marcado
Igual a todos na terra
O encontro dos desencontros,
Que todos temem como se fosse
A primeira paixão platônica
Tudo aquilo que você crê,
Pode se tornar realidade,
Tudo o que você entende ser
Como um homem
Que habita as mentes alienadas,
Pode ser uma falha em seus sistemas,
Entenda, releve, pense
Seja sincero com a sua mente
Não a desconheça
O nada não é nada
Pois nada é alguma coisa
Que já existiu
E desistiu de ficar neste
Mundo de memórias
E esta viajando pelas
Paisagens imaginarias
Eu não nasci ontem,
Nem antes de ontem,
Eu nasço a cada dia
Pois cada dia me leva a ter
Uma surpresa diferente
Em todos os sentidos,
E então eu me pergunto:
Quem nunca sonhou?
Não chore,
Tudo fica bem
Nas horas vagas do além,
Só respire e corra como o inferno
Talvez assim você neutralize
Todas as situações
Corra, corra, corra
Respire, respire, respire
Você esta recomeçando
A ser o que você não foi
Não tenha medo de questionar
A sua vinda até aqui,
Todas as perguntas
Possuem respostas,
Basta pensar e analisar
Os sentidos que veio
Buscar no paraíso,
Se é que é paraíso
Preciso retornar a minha casa
Para renovar minhas energias
Que perdi na corrida contra o tempo
Pouco a pouco
Sempre louco
Eu sei que existem
Possibilidades de felicidade
Mas é preciso paciência
Para reencontrá-las
Em todas as escaladas
Na selva de pedra
Mas sei que estou chegando lá
É muito complexo
São muitos reflexos
Que se concentram
Em minha mente introspectiva
Já estou a decolar
E consigo ver o portal
O medo me consome
O meu estado físico some
Uma voz me diz:
Sonhe, você esta prestes
A encontrar as instruções
Que o seu livro não pode te dar
E assim sendo eu me entreguei
Com toda a minha luz
Que não me iluminou
Enquanto eu permaneci aqui
E este não é o fim
O fim será quando
Eu me estranhar, pensar
E me perguntar:
Existe mais alguma resposta ?
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