J. S. Potter

1 Capítulo Único.


Notas iniciais
Como eu já estou preparando uma short-fic sobre a morte do Harry, pensei em fazer uma "sequel" sobre a vida de James depois da morte de seu pai. Espero que gostem!

Ali estava ele.

Sentado no meio de um montão de gente, encarando-os como se fossem estranhos — que na verdade eram pessoas que deveriam conhecê-lo mais do que qualquer um -, encolhido, acanhado.

Como sempre, não sorria, mesmo sabendo que logo iriam estranhar a falta de sua participação. Largou os talheres e encostou-se na cadeira, cruzando os braços, passando os olhos por todos da família que conversavam entre si, nenhum deles fazendo o menor esforço para incluí-lo no papo.

Não que fizesse questão, é claro. Não queria conversar sobre Quadribol com Albus, Fred II e Lorcan ("Andei treinando muito essa semana, digo, quero estar bem preparado para os jogos lá em Hogwarts" dissera Albus, orgulhoso por ser o capitão do time da Grifinória), muito menos ouvir algo sobre o novo albúm da bandinha gótica e punk que Dominique, Rose e Lily curtiam ("Sim, ele escreveu essa música para o amigo que morreu, fiquei muito chocada quando ouvi, quase chorei!" Dominique dissera com uma voz exasperada e emotiva, balançando as mãos freneticamente). Nem mesmo conversar sobre algo do ministério com os outros adultos. E sequer se imaginava conversando, mais para discutindo, sobre os direitos dos homossexuais com tia Hermione e Hugo ("Achei que você não fosse assim, mãe!").

Era como se fosse deslocado; como a peça de um quebra-cabeça errado tentando se encaixar em outro completamente diferente. Como se o Batman fosse para a Marvel, coisa assim. Ou o Deadpool na Liga da Justiça. Não que James fosse tão legal quanto dos dois super-heróis trouxas citados anteriormente.

Na maior parte do tempo, James Sirius Potter era descrito como um babaca egocêntrico que mantinha sempre o nariz empinado, cheio de piadas e comentários sarcásticos (ok, talvez aqui eles não estivessem errados), por ser filho do falecido Harry Potter e idêntico ao avô e o padrinho de seu pai, da qual herdara os nomes. Mas... A maioria que dizia isso estava apenas, digamos, vinte por cento certa.

James Sirius Potter já tivera uma fase egocêntrica e babaca, mas, a primeira imagem que ficara. Durante seus nove à treze anos, ele fora um babaca completo. Quase como um sonserino. Coisa que ele seria, se não tivesse implorado para ir para a Grifinória, com medo (ótimo grifinório, não?) do que seus pais pensariam. Mas, com a morte de seu pai, Harry, no dia de seu aniversário de quatorze anos, ele percebera que ser um babaca apenas o afastara do pai por quatro anos de sua vida e, o abalara mais do que esperava.

Ficara dias sem comer, dias sem falar com ninguém, sem dormir, sem viver. Apenas trancafiado em seu quarto, deitado na cama, encarando o teto, esperando o tempo passar e ouvir seu pai bater na porta falando que já estava na hora de dormir e que se precisasse de alguma coisa, ele só precisava aparecer em seu quarto, ou gritar bem alto.

E ao que James esperou que as coisas fossem amenizar e que a sensação de uma poder imensa em seu peito fosse desaparecer, sua namorada terminara com ele e o título de capitão da equipe de Quadribol fora dado para Albus, ao que os jogadores o achavam inútil de mais para um cargo como aquele. Seus amigos foram se afastando porque ele não queria mais zoar com os primeiranistas, ou atacar Scorpius Malfoy no corredor, nem mesmo sair para tomar alguma bebida com pouco alcool sem que nenhum professor ficasse sabendo.

Como se James tivesse se aposentado da vida.

Guardara o Mapa do Maroto, não o considerando útil mais, pedira desculpas para Teddy por todas as besteiras que dissera durante vários anos, até mesmo pensara em deixar Hogwarts. Parara de atazanar Scorpius e constantemente matava aulas importantíssimas apenas para passar a tarde observando o lago negro até o anoitecer.

— James, querido, está tudo bem? — ouviu a voz de sua mãe, Ginny, o que o fez erguer o rosto, vendo-a preocupada, com as sobrancelhas franzidas. Como James, Ginny sofrera bastante com a morte de Harry e mesmo depois de um ano, ainda usava a aliança.

— Estou... Só um pouco cansado. — mentiu, sentindo um bolo se formar em sua garganta. Ginny segurou sua mão com delicadeza e a apertou, reconfortante.

— Sabe que pode contar tudo para mim, certo? — ela sorrira de lado, aquele sorriso triste que sempre dava quando conversavam. E James sabia por quê: ele era a cara de Harry, com os olhos de sua mãe.

— Sei. — murmurou, meio rude e afastando sua mão da dela. Rose o encarou, assim como Fred II, os dois esperando por algum surto (que aconteciam sempre que se reuniam desde a morte de Harry. James não aguentava vê-los rindo e gritava, dando motivos para os primos detestá-lo ainda mais. "Estraga prazeres" Albus geralmente comentava para seu melhor amigo Scorpius Malfoy). — Mas não quero. — e James se levantou, fazendo barulho desnecessário antes de subir para seu quarto.

Ele era tão diferente.

Detestava quadribol, música bruxa, Hogwarts, as pessoas, tudo. Mas continuava ali por medo do que seu pai diria se estivesse vivo. As vezes, gostava de apenas observá-los, felizes e, pensando, como seria se ele fosse "normal" assim, se soubesse, se entendesse tudo o que diziam. Ele não se interessava por nada de seu mundo.

Gostava dos trouxas. Das antigas histórias em quadrinhos (era apaixonado por heróis, ah, vocês não tinham ideia, James poderia falar deles o tempo inteiro, mas seu coração sempre seria domado pelo Deadpool, melhor antiherói que já lera sobre!), filmes, livros antigos. Era simplesmente fascinado por sagas como Star Wars ou livros chamados de Maze Runner. Tudo naquele mundo era mágico, o seu era apenas... Aquilo.

Harry era o único que o entendia. As vezes, um trocava livros trouxas com o outro e liam em menos tempo possível, mandavam cartas (quando James estava em Hogwarts) ou se reuniam antes do jantar para falar sobre os personagens, o universo e enredo. Era tão divertido!

Mas o que podia fazer? Harry estava morto. Seu pai. O escolhido. O que todos amavam. Morto. E nenhum feitiço pudera salvá-lo. Bruxos eram inuteis, James pensava, meio raivoso.

Entrou em seu quarto e bateu a porta com força, encarou a foto de seu pai e ele na mesa ao lado de sua cama e suspirou, deixado os ombros caírem. Sentou-se na cama e pegou o quadro, sentindo seus olhos marejando.

Os dois sorriam abertamente. Usavam os mesmos óculos, os cabelos negros bagunçados. Harry o abraçava, os olhos verdes brilhando. O James da foto também sorria, mais feliz do que nunca. Fungou, deixando uma lágrima cair.

— Acabou, papai. — disse para si, colocando o quadro de volta e deitando-se na cama, encarando o teto, perdido em uma realidade onde seu pai estava vivo. James não queria mais nada além de seu pai de volta.

Notas finais
Quis deixar James mais emotivo, já que em meus one-shots ou fanfics ele é sempre um babaca. Eu o amo demais e, tinha que escrever. Espero que tenha gostado e se você chegou até aqui, por que não deixar um review? Bjs.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!