Notas iniciais
Espero que gostem :3

Luan está olhando para Jéssica.

Mas não há nada de especial nisso porque, na verdade, Luan está sempre olhando para ela.

Olha para ela quando ela entra na sala de aula e vai direto para a sua cadeira grudada na parede. Olha para ela quando ela franze as sobrancelhas procurando por algo no caderno. Olha para ela quando ela se entedia e acaba brincar com as pontas do cabelo. Olha para ela quando ela, quase que por engano, deixa que um sorrisinho escape por entre os seus lábios quando encontra algo divertido no celular.

Esses são os melhores momentos para Luan. Como se fosse uma visão especial, como a de um alpinista que, depois de uma longa jornada, pôde ver o mundo do topo.

Luan acha que ela deveria sorrir mais.

Mas isso parece não estar nos planos dela. Ela pode aparecer toda semana com o mesmo casaco escuro, com os mesmos fones de ouvido e com o mesmo cabelo colorido de uma cor diferente, isso é o que há de previsível nela. Os sorrisos, no entanto, são raros e difíceis de se prever.

Assim como Luan tem os blocos de notas e todos aqueles movimentos com os braços e as mãos, talvez seja essa tenha sido a forma que ela encontrou de falar com as pessoas – mesmo olhando sempre para ela, ele raramente a vê abrindo a boca.

Talvez, ao contrário dele, ela tenha escolhido o silêncio.

Ah, sim. Mesmo quando Luan se senta ao lado dela na biblioteca, armado com um aceno e uma revista em quadrinhos qualquer entre os braços, tudo o que ela faz é erguer o olhar para o rapaz por um breve momento.

Mas isso não é ruim. Longe disso. Ele reconhece a cumplicidade que está ali, brilhando em seus olhos.

Não é como quando os outros sorriem, sem graças, para ele. Nem mesmo com quando elas giram o mindinho no ar para dizer “oi”, “oi” e “oi” apenas, como se qualquer coisa além disso fosse difícil demais para eles. Tudo o que eles fazem é deixar claro o quão diferente Luan é.

Com Jéssica, quando tudo o que ela faz é olhar para ele, é como se o contrário acontecesse. Como se ela se despisse das camadas de melancolia e distanciamento que está sempre vestindo. Ele gosta disso nela.

Na verdade, gosta de muita coisa nela. Talvez até mais do que já tenha gostado em qualquer outra pessoa.

Mas ele não pensa muito nisso.

Por enquanto, o que ele sabe é que esses momentos que divide com ela na biblioteca, cada um deles envolto por seu próprio silêncio e seu próprio ruído, já fazem bem a ele – e isso para usar um eufemismo, porque apenas “bem” não parece ser o suficiente para definir o seu nível de felicidade nesses instantes.

E talvez isso possa ser apenas coisa de sua cabeça apaixonada, mas, quando olha para Jéssica desse ângulo, quando está sentado ao seu lado, acredita que isso a faz se sentir melhor também.

Notas finais
E então, o que acharam? :D
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!