Notas iniciais
Um dos pontos autos da trama!

No dia seguinte, Adrien está novamente seguindo em direção à casa de Marinette. Ele está um pouco apreensivo desta vez. Muitas emoções borbulham dentro dele, e ele já não tem certeza de que quer vê-la hoje. A imagem de Ladybug molhada está tão nítida em sua mente, e impregnada em seu corpo, que ele não quer macular a impressão que ela deixara mais cedo. Era sempre fora sua grande paixão, e tinha medo de que, depois de tanto tempo mantendo-a num pedestal, o mesmo se espatifasse numa pilha de cacos cor de rosa.

“Boa noite dona Sabine… Marinette pode me receber?”

“Sim, sim querido, entre! Mari! seu amigo acaba de chegar!

Marinette sai da cozinha para recebê-lo. Ela está usando uma jardineira e uma camiseta vermelha, e os cabelos estão úmidos por ela ter saído ha pouco do banho. A boca de Adrien seca.

“Vamos subir. Quero ser rápida hoje, não dormi à noite passada, não me sinto bem…”

“Mari querida, eu e seu pai vamos àquela partida de pôquer na casa do seu tio. Voltaremos tarde! Posso confiar deixá-los sozinhos?”

Ela pergunta com um sorrisinho engraçado, que deixa Adrien levemente enrubescido e Marinette querendo que o chão se abra abaixo dos seus pés.

“Mãe, tudo bem. Ficaremos bem!”

“Tem croissants fresquinhos no balcão, caso sintam fome.”

Sabine se despede da filha com dois beijos e fecha a porta. Um silêncio paira no hall e Adrien decide finalmente quebrá-lo.

“Disse que não se sente bem? O que aconteceu? Está doente?”

Na verdade ele sabe o que acontecera, e estava surpreso por não ter sido o único com uma noite insone.

“Não é nada… só estou cansada. Vamos subir.”

Ela está distante. Ele não gosta da sensação vazia que o acomete e fica inseguro com a situação. Sempre estivera confortável com o fato de saber que ela tinha uma queda por ele… de repente, ela não o olhara nos olhos desde que tinha chegado.

Subem em silêncio e começam a conversar sobre a nova coleção. Lentamente o clima vai ficando mais relaxado e os humores vão se estabilizando. Depois de um tempo, ambos estão rindo de alguma gracinha que o outro fez, e Adrien sente uma amarra se soltando dentro de si. É a primeira vez que se sente de fato inseguro em relação a uma garota. Nem com Ladybug se sentia assim, porque, para ele, sua relação com ela tinha um viés platônico, como se ela fosse uma deusa e ele um pagão qualquer. Sim, porque não faz sentido amar uma pessoa que não se sabe quem é. Plagg vive jogando isso na sua cara. De qualquer maneira, aquele tempo com Marinette estava muito divertido, e por um momento ele se esquece de Ladybug.

“Aí eu falei pra Alya... amiga, o Nino tá caidinho por você! O que a louca faz? Começa a procurar pelo chão como se ele estivesse caído de verdade! Aiai... ela é tão conectada em tudo por causa daquele blog, mas não se liga em coisas tão óbvias debaixo do próprio nariz!”

Eles começam a gargalhar muito. Adrien sente-se tão feliz que uma letargia o acomete de repente. Num impulso impensado, puxa Marinette e tasca-lhe um beijo na boca.

A surpresa é tão grande pra ambos que eles quase caem da cama onde estão sentados. Adrien se levanta num supetão e começa a alisar a calça, enquanto Marinette fica olhando pra ele assustada.

“Mari… me desculpe. eu…”

“Cala a boca!”

Ela se assusta com o próprio tom de voz. Quem era aquela?

“Vamos terminar com isso. Olha aqui, eu fiz o recorte de algumas peças. preciso ver como ficam no seu rosto.”

Por que ela estava agindo assim?

“Eu… olha, eu…”

“Venha aqui, deixa eu encaixar isso na sua cabeça.”

Ele vai desajeitado na direção dela e permite que ela coloque um chapéu ridículo em sua cabeça. Acha melhor ficar calado e deixar o gelo derreter sozinho. Para ter uma visão melhor do próprio trabalho ela fica de pé sobre um banquinho à sua frente. Por causa disso seus seios estão bem na direção do rosto de Adrien, e ele fica com aquele branco na mente de novo. Ouve de longe ela falar sobre as peças de decoração fictícias do desfile, como chapéus, máscaras e paetês. Ele já tinha mesmo parado de pensar, então entra numa caixa dentro de si mesmo onde fica curtindo um mundo paralelo em que não existem morenas meio asiáticas com olhos gigantes e comportamento estranho.

Já Marinete tinha ligado algum botão de pânico dentro de si que a fazia agir como uma perfeita iditota. Por quanto tempo esperara por aquilo? Um ano, talvez? E quando finalmente acontece o tão sonhado primeiro beijo, ela simplesmente não consegue processar, porque o vulto de um gato preto passa debaixo da sua escada! Por que ele tinha aparecido no seu quarto na noite passada? Por que tinha transformado uma simples devoção adolescente num dramático triângulo amoroso?

Precisava quebrar o clima chato. Resolveu brincar um pouco com as fantasias nele, talvez assim conseguissem rir de novo, e tudo não passaria de uma reação impetuosa criada pela brincadeira. Marinette resolve colocar uma máscara em si e enfia outra na cabeça de um distraído Adrien. Ao descer do banquinho ela enrosca acidentalmente o pé no fio do abajur e derruba-o, espatifando a lâmpada.

Ela dá um passo pra trás e pisa com o pé descalço num caco. “Ai, droga! cortei meu pé!” O quarto está escuro e só um brilho suave das luzes da cidade entra pela janela. Adrien se agaixa perto de Marinette e a levanta do chão, com cuidado pra não pisar em mais cacos. Ele a leva para o outro lado perto da janela. “Onde está o interruptor? “ Ele começa a procurar.

“Ai… Ai” Marinette começa a resmungar, na tentativa de tirar o caco do pé. Preocupado Adrien se abaixa novamente em frente a ela pra dar uma olhada, e aos poucos os olhos de ambos começam a se acostumar com a escuridão. Eles estão se olhando agora… fixamente. Ambos estão usando máscaras. E é nessa hora que as máscaras caem.

AGORA

Ele devora seus lábios. Chega a machucar, mas ela não se importa. Era como se sentir viva novamente. Ele sente sangue em sua boca, e recua um pouco. Tem uma fome dentro de si, como se um buraco tivesse sido aberto e estivesse tragando tudo ao redor. Lembra-se de um sentimento devastador assim de outrora, e isso o ajuda a se controlar. Segura-a pelos cabelos e olha seus grandes olhos azuis. Lágrimas molham seu rosto.

“Minha pequena Lady…”

“Cat… Adrien… eu não sabia, eu…”

“Achou que eu estivesse morto?”

Ela o olha novamente com muita intensidade, como se quisesse guardar aquele rosto antes que evaporasse.

“O que aconteceu com você?”

“Eu não morri… não do jeito clássico, pelo menos."

Ladybug toca no brinco e reverte a transformação. Agora é M novamente. Apenas M. Por que? Porque era o que sobrara dela. Um pequeno pedacinho de quem fora. Aquela garota fofa, radiante e gentil havia desaparecido há muito tempo.

“Eu não entendo… eu mesma o vi cair!”

Seus olhos ficam nublados novamente, e lágrimas quentes e grossas molham seu rosto. Interessante… fazia três anos que não chorava, fazia três anos que esperara para chorar a sua morte… e ele está ali, vivo, diante dela.

Adrien beija o rosto molhado e passa as mãos pela extensão dos seus cabelos. “Ficou bom assim. Você está muito… diferente!” Aos poucos as emoções estão se estabilizando, e sentimentos latentes como dúvida, medo, mágoa e ressentimento começam a arranhar a superfície frágil que estão tentando sustentar.

Ela não quer isso agora. Não quer falar. Não podiam deixar aquilo pra depois? Ela se aproxima de forma ousada e passa os lábios em seu rosto levemente áspero pela barba a despontar. “e você está muito… homem!” Ela usa a língua em seu pescoço e morde o lóbulo de sua orelha.

Aquele branco invade a cabeça de Adrien e empurra os sentimentos de volta pra algum lugar obscuro lá dentro. Aquilo realmente podia ficar pra mais tarde, não? Muito provavelmente eles falariam coisas que iria feri-los, talvez de modo irreversível. Não queria discutir a relação agora. Ele precisava dela, precisava estar dentro dela, e logo!

Ela está usando um vestido curto de malha, completamente preto. Ele senta-se no chão puxando ela pra baixo, e ela o envolve com as pernas. Ele afasta sua calcinha e invade sua intimidade com os dedos. Ela geme e mais lágrimas descem por seu rosto.

“Lady… estou machucando você?”

“Não… não, por favor! Não pare agora. Eu choro de desespero por você! Me faça sua, já!”

Ele abre o zíper e se liberta, em seguida é abraçado por sua intimidade pulsante. Eles começam a se mover, desesperados, angustiados, enlouquecidos. Rapidamente eles chegam ao auge e permanecem abraçados, perfeitamente encaixados, como sempre deveria ter sido.

Notas finais
Amei essa parte, espero que gostem também!