Izvor - Interativa
6 Capítulo 6
Notas iniciais
O Vor seguiu Dust para dentro do sobrado e logo encontrou uma grande sala de jantar ao lado de uma escada branca, que se conectava com um mezanino de mesma cor, possibilitado pelas altas paredes pálidas. Seus olfatos captaram perfumes doces, que pareciam esquentar seus corações, vindos de flores postas em um recipiente na mesa bege. Atrás desta, com seis cadeiras de estofado branco, portas de vidro exibiam parte do quintal: com piso de mármore liso, algumas espreguiçadeiras que lembravam palha marrom, vasos de plantas altas e um pedaço do que parecia ser um pergolado de madeira. Na área livre do lado da escada, havia uma pequena sala de estar com outro cômodo, mas incapaz de ser visto devido à porta encostada.
– Isso é um belo exemplo de arquitetura e design para interiores... — Luna suspirou distraidamente ao observar o ambiente.
– Bem legal, né?! — Python comentou entusiasmado.
– Adoro pés direitos duplos... — continuou, com um brilho nos olhos.
A ruiva virou e percebeu que o garoto estava com uma expressão de confusão e curiosidade.
– Ah, é que faço curso de arquitetura... E pretendo fazer de design depois — explicou.
Enquanto ouvia sua equipe conversar, Dust andou à direita pelo assoalho claro, descobrindo uma bancada que separava a sala da cozinha, que contava com utensílios domésticos e aparelhos em aço inox, como torradeira, além de alguns aparentemente desnecessários, como diversas fôrmas para biscoitos; as laterais dos armários, que circundavam o local quadrado, eram de madeira de nogueiras, enquanto suas faces frontais eram cor de creme; a geladeira metálica era grande, desviando qualquer problema possível com a falta de espaço para o grupo — os desafiantes veriam como Dust podia sentir fome rapidamente.
– Uau, é bem bonito aqui — Feluriel descia a escada enquanto falava. — Vejam a vista ali de cima — sinalizou com o polegar para o mezanino.
O pessoal logo o imitou e verificou o cenário através das janelas largas e transparentes, que ficavam em cima das portas de vidro, avistando uma parte da cidade. Nessa área de cima, uma sala com televisão de cinquenta polegadas e estantes de livros se apresentavam na frente de sofás e pufes de tons neutros, com um extenso tapete felpudo cobrindo a área. Essa superfície suspensa se estendia para o outro lado da escada, criando um pequeno corredor com três portas — a primeira ficava logo no começo da subida e parecia ter o maior cômodo.
– Ah, devem ser os quartos. Vamos! — Python seguiu para a porta mais próxima.
Ao entrarem, depararam-se com um ambiente decorado com azul e tons ligeiramente amarelados. A madeira clara do piso e as paredes brancas permaneceram no quarto — assim como no resto da casa -, que possuía uma plataforma no fundo com três camas, tendo pequenos tapetes beges arredondados na frente de cada uma. As colchas eram listradas de azul e branco e enfeitadas por almofadas da primeira cor, misturadas com outras vermelhas. Na entrada, uma mesa estreita e longa, que parecia ser iniciada na parede, foi posta lateralmente junto com dois violões, sendo um deles bastante desgastado, e várias malas de viagem. Algumas estantes brancas de livros enfeitavam as áreas livres perto da plataforma e em frente à porta.
– Violões? — Feluriel olhou curioso para os objetos.
– Ah, aquele é meu — o garoto platinado apontou para o mais novo, de cor preta, e depois encarou o outro. — Esse é seu, Tsunaime-san?
– É — balançou a cabeça. — Era do meu pai, então não quero me desfazer dele — após um tempo em silêncio, perguntou confusamente: — Você fala em japonês?
– Não, só o básico. Aprendi quando fui para lá no ano passado — sorriu. — Fui para perto de Senóvia, lembrando agora.
"Esse garoto não é pobre...", Dust pensou. O que um rapaz com este nível econômico veria como motivo para entrar no Izvor? Suspirou mentalmente por não ter essa folga financeira.
Enquanto os rapazes continuavam a excursão com a varanda larga, que tinha visão de todo o quintal, Luna e Ann saíram em busca de seus quartos. A Rainha conversava com os primeiros quando percebeu a ausência das garotas, sugerindo que continuassem a explorar a casa.
De volta ao corredor, adentraram a segunda porta e encontraram um cômodo menor, porém tão bem iluminado quanto o anterior. Duas camas foram postas na parede lateral direita, separadas por uma cômoda e prateleiras brancas. O painel atrás delas exibia desenhos florais amarelos e azuis, deixando que as outras paredes fossem de um tom mais claro que o último. De frente para a entrada, uma grande janela coberta por cortinas sem cor e poltronas com listras vermelhas mais grossas, combinadas com as almofadas, ficavam centralizadas com uma mesa simples ao fundo. No lado contrário das camas, uma porta estava encostada, provavelmente escondendo um banheiro como ocorrido no cômodo direito.
– Gostei, bem organizado — Luna opinou satisfeita.
Dust sorriu e se dirigiu a porta, chamando-os para o último quarto. "Espero ter uma cama lá, ou dormirei no sofá por seis meses", disse distraidamente, mais para si mesma.
Diferente dos quartos até agora, este tinha um curto corredor no começo, com o banheiro perto da entrada. A passagem dava lugar a uma área larga encharcada por tons de bege: a cama, com uma cabeceira simples cinza claro, estava coberta por uma colcha branca e um cobertor cinza esverdeado dobrado, enquanto um recamier da mesma cor descansava aos seus pés. Em cima dela, um lustre digno da realeza pendia, mostrando todo seu encanto com a luz que entrava pela porta transparente e de correr da varanda. Nos lados do colchão, duas mesas finas brancas e com gavetas ficavam embaixo de prateleiras da mesma cor, com livros, embalagens de games e decorações aleatórias. Além desses, o cômodo contava com um tapete pouco estampado, um espelho pegando a área livre acima da cama, poltronas claras e uma televisão de plasma acompanhada por um Xbox 360. Dust se aproximou de uma das prateleiras e mirou os pacotes de jogos fechados.
– Wow, colocaram um Xbox aqui — Python sorriu com a visão e percebeu o olhar concentrado da garota na estrutura branca. — São seus?
– Não. Trouxe alguns na mala, mas esses... Parece que colocaram como presente — olhou para o console posto no raque, em frente a cama, e deu um sorriso fechado. — Esse eu trouxe.
Olhou por mais um tempo o local e sorriu mentalmente. O quarto a encantara. As paredes brancas contrastavam com a principal — onde ficava a cabeceira -, que foi conquistada por um papel de parede com listras azul-marinho.
– Quem decorou a casa deve ter uma queda por coisas listradas — Feluriel comentou.
– Pessoal, olha só — Tsunaime chamou a atenção para um envelope azul escuro que estava em uma das poltronas em frente a TV.
O grupo se aproximou e Dust recolheu o papel, lendo em voz alta após verificar o conteúdo.
"Missão: recolher o maior número possível de fotos com pessoas desconhecidas até o fim do dia.
Recompensa: conhecer seus novos vizinhos durante a tarefa.
PS: Lembrem-se, a Rainha pode optar sempre por participar ou não dos trabalhos.
Boa sorte nessa primeira batalha!
Organização Izvor."
– Então teremos que tirar foto com qualquer um...? — Luna questionou lentamente.
– Começou fácil — Python sorriu.
– Você irá participar, Rainha? — Feluriel a fitou gentilmente.
– Sim, quero ajudar sempre que puder — guardou o papel de volta no envelope e os encarou.
Só agora conseguira enxergar claramente as faces do Vor — não gostava de encarar ninguém, principalmente garotos, por estes terem interpretações erradas da atitude quase sempre. Descobriu que o asiático possuía heterocromia, com o olho direito castanho escuro destoando do esquerdo branco. Em Python, perdeu-se no âmbar que contornava as pupilas, diferente das de Feluriel, que pareciam se camuflar com as íris. Ann apresentava olhos verdes claros, que lhe davam um ar de boneca junto com a pele clara e a franja repicada.
– Vamos começar? — o rapaz de cabelos brancos sugeriu animadamente.
– Aham — Dust concordou com a cabeça.
– Mas se, por acaso, eu tiro foto com o idoso da casa da direita e a Rainha o fotografa também, serão válidas as duas imagens? — perguntou Ann, pela primeira vez, calmamente.
– Acredito que sim. Não citaram nada a respeito, então... — Feluriel deu de ombros e sorriu.
– Então vamos parar de ficar na espreita e ir à caça — Python abandonou o quarto e logo a equipe o seguia.
"Ficar na espreita...", Dust pensou na Torkness enquanto andava atrás do grupo. Eles realmente deveriam parar com isso.
Fale com o autor