Ive Never Been Anywhere Cold as You.
8 Capítulo 7
Sete
“You doing that thing you do, breaking my heart into a million pieces
Você fazendo aquelas coisas que você faz, quebrando meu coração em milhões de pedaços
Like you always do.
Como você sempre faz.
And you don’t mean to be cruel, you never even knew about heartache
E você não pretende ser cruel, você nunca soube sobre a dor no coração.
I’ve been going through”
Pela qual tenho passado.
That thing you do! – The Wonders.
Ryan acordou de novo com um susto terrível – o que já era inevitável toda noite – suava frio, sua respiração estava desritmado, mantendo seu corpo espasmante e gélido. Era meio da madrugada, basicamente três a quatro e meia da manhã, no máximo. Era Peter de novo, atormentando seus sonhos, dilacerando sua capacidade de descansar. Pôs a mão em sua testa, contastando – meio duvidoso – que tinha uma febre alta e suspirou.
Coçou os olhos com brutalidade e rosnou para si mesmo com o que fez. Pegou seu roupão e desceu as escadas atrás de Brendon para alertá-lo da febre, e como era Urie quem guardava seus remédios, ele não sabia muito bem onde estava. Quando chegou ao sofá, sorriu largamente. Brendon tinha o poder de fazê-lo sorrir, mesmo estando dormindo. Ao seu oposto, a respiração dele era calma, sem espasmos fortes, seus lábios grossos curvados em um leve sorriso provavelmente devido ao sonho feliz que estava tendo. Encarou seu rosto jovial e sentou-se na mesa de centro, para inclinar um pouco o corpo e tocar a pele macia de Brendon com as pontinhas dos dedos gélidos. Urie se mexeu, ajeitando melhor a série de cobertores, Ross recolheu a mão, reprimindo sua vontade.
“Brendon!” Chamou.
“Mhmm” Resmungou Urie. “Já tá na hora de fazer o café?” Soava infantil, preguiçoso e adorável.
“Não, estrupício.” Suspirou pesadamente. “Eu tô com febre e não acho os remédios.”
Brendon Boyd Urie abriu os olhos mais que depressa, livrando-se das cobertas. Esticou a mão até a testa dele, descobrindo que não estava com tanta febre assim, mas era melhor não deixar subir tanto.
“Não quer que te leve ao pronto-socorro?” Murmurou preocupado, sonolento e cansado. “Eu levo você.”
“Não precisa.” Negou com a cabeça, mordendo o lábio. “Eu só preciso saber do remédio.”
“Eu ajudo você procurar.” Sorriu, voltando a encostar na testa de Ryan e a febre ainda parecia estável. Os dois foram ao quarto e reviraram o mesmo atrás do remédio por alguns minutos. Quando acharam, Ross engoliu em seco um dos comprimidos e se deitou na cama. “Bom, agora eu vou dormir.”
“Pode ficar no meu quarto, comigo, se quiser.” Brendon sorriu, assentindo de forma infantil e aminamada. Ele sequer queria – desde o começo – ter ido pro sofá, gostara de estar perto de Ryan e fazê-lo dormir em seus braços.
“Tem certeza?” apesar de toda sua vontade de estar perto de Ryan, de sua necessidade de dormir agarrado ao seu chefe, era preciso mais do que vontade para que o outro não achasse algum tipo de abuso ou coisa parecida, embora estivesse um pouco cansado de ser apenas um cumpridor de ordens nas mãos de Ryan. “Quero dizer, o sofá é confortável e eu não quero invadir seu espaço...”
“Eu não vou expulsar você, prometo.” Um vestígio de sorriso – do qual ele não conseguiu esconder – ficou preso no canto de seus lábios finos. Brendon assentiu, andando em pequeninos passos para a cama do seu querido Ryan Ross. “Você tem me dado provas de caráter e amizade, Brendon. Eu sei recompensar quem é bom pra mim.”
“Me lisonjeia falando assim.” Os dois se deitaram, fazendo Ryan dar de ombros.
“Apenas dou a César a honra que é de César.” Deu de ombros, ajeitando a coberta. Inclinou seu corpo e pressionou os lábios finos e delicados nas bochechas de Urie que fechou os olhos instantaneamente, como se aquele beijo valesse muito mais do que parecia. E valia, mesmo.
“B-boa noite, Ryan.” Murmurou gaguejando. O sorriso bobo estava presente nos lábios de Brendon que ainda sentia os efeitos do gesto singelo de Ryan. Ele e seus efeitos devastadores na vida de quem só deseja serví-lo. Com esse sorriso no rosto, Urie deu um beijo na testa de Ryan e virou-se de costas para seu chefe, feliz em fechar os olhos
“Boa noite.” Respondeu. “De novo.” Suspirou pesadamente após murmurar quase sem som algum, entrelaçando os dedos aos de Brendon, porque percebeu que ele já dormia, embora esse toque fosse suficiente para acordá-lo e fazê-lo sorrir novamente, como um tolo, um idiota, um adolescente apaixonado e completamente encantado pela frieza daquele homem ao seu lado.
Brendon, então, percebeu o propósito daquilo. Ryan não estava com tanta febre assim ao ponto de delirar ou de precisar de um remédio urgente. Brendon Urie percebeu, que na verdade, Ryan estava com medo. Não sabia do quê ele tinha medo, mas isso lhe lembrou na madrugada do hospital, em que Ryan uniu as mãos por causa dos resultados que a doutora viria lhes trazer. Sorriu mais ainda para si próprio com todos aqueles pensamentos, sabendo que o mais velho jamais admitiria seu medo, sua confiança ou mesmo a segurança que sentia ao lado dele, mas as manias e defeitos de George se revelavam diariamente aos olhos de um Brendon Urie apaixonado. Brendon passou a desejar totalidade na vida de Ryan, isso poderia ser um problema.
Naquela noite não houve mais pesadelo. Brendon abraçou seu chefe, com cuidado, na tentativa – correta – de protegê-lo de quem tanto lhe fazia mal em sonhos. Por mais que ele imaginasse que Ryan o quisesse expulsá-lo de vez da sua cama, dos seus braços, continuava a apertá-lo levemente em seus braços, tentando – ainda que dormindo – dar algum tipo de cuidado a ele. Quase amanhecendo o dia – por volta das cinco e quarenta e cinco da manhã – Brendon percebeu que Ryan tentava desfazer o abraço e que começava a resmungar estranhamente. Abriu os olhos, notando que este ainda dormia. Levou as mãos aos cachinhos mal distribuídos dele e o acariciou com doçura e começou a cantar baixinho em seu ouvido:
“You’ll never know how much I really love you. You’ll never know how much I really care. Listen, do you want to know a secret? Do you promise not to tell? Closer, let me whisper in your ear, say the words you long to hear, I’m in love with you.” Estava difícil esconder a atração da pele branca que começara a beijar a fim de acalmá-lo e conseguiu, eles dormiram de novo.
Pela manhã Ryan tateou a cama e não achou ninguém. Coçou seus pequenos olhos esverdeados e os abriu, notando que realmente estava sozinho na cama. Foi ao banheiro em seguida tomar um banho e se vestir – dessa vez com roupas diferentes de pijamas que era com o que ele passava o dia, mas agora sentia necessidade de se arrumar melhor. Para o Brendon. Escolheu uma calça jeans – que era de Peter – e uma camiseta – que era de Brendon – com listras pretas e vermelhas [n/a: essa camiseta: http://twitpic.com/1lca01 ]. Na verdade, ele não sabia sequer como aquela camiseta tinha ido parar em seu armário, mas já tinha visto aquela camiseta com Urie algumas vezes.
Penteou os cachos molhados, sem realmente modelá-los com definição. Suspirou e desceu as escadas ao sentir o cheiro vindo da cozinha. Brendon provavelmente estava lá fazendo algo decente pra comer. Ao chegar na cozinha, notou a animação de Urie ao cozinhar, notou que tinha algo diferente naquele ser tão jovem e doce. Ficou ali parado no batente da porta enquanto observava o pequeno – e encantador – Brendon Urie.
“O que você tá fazendo?” Andou um pouco em direção ao pequeno balcão da cozinha e se debruçou nele. “Parece ovo...”
“Tô cozinhando pra você, Ryan.” Sorriu gentilmente. “Ovos mexidos com couve e bacon.”
“E é bom?” Franziu o cenho. “Eu não como muitas coisas verdes.”
“É por isso que tá anêmico.” Brendon resmungou, de brincadeira, fazendo o outro torcer os lábios e preparar um xingamento que foi logo interrompido por Urie que disse “Quer café?”
“Eu sempre quero café, B.” Sorriu com os lábios, de forma doce e fazendo com que o outro sorrisse grandemente. Endireitou seu corpo, seguindo em direção ao telefone. “Eu vou ligar pra Starbucks, qual café é seu preferido?”
“Se quiser, eu faço pra você.” Brendon tirou os omeletes meio esverdeados do fogo, separando um pouco em cada prato e depois colocou a frigideira na pia. Mordeu o lábio, reparando então que Ryan vestia sua camiseta e que a calça estava um pouco larga, mas bem presa por um cinto de couro, mas era a sua camiseta que ele gostava de ver no corpo de Ryan Ross que lhe negou com a cabeça. “Ao menos, você economiza um bom dinheiro.” Encolheu os ombros.
“Não se preocupe, eu não gosto de café feito em casa.” Torceu os lábios. “E você tem que parar dessa mania de não me responder, Brendon.”
“Bobo.” Sorriu docemente. “Latte, Ryan. Meu favorito é o latte.”
“Okay.” Assentiu. “Vou pedir os cafés.”
“Não demora que o omelete tá esfriando.” Brend disse em tom maternal, fazendo o outro sorrir – já que estava de costas para seu estagiário – contra o telefone. Urie arrumou a bancada e serviu suco de laranja em dois copos grandes. Seus olhos grandes continuavam em Ryan que desligava o telefone devagar. Andou em passos curtos até o balcão e sentou-se em um dos bancos. “Demorou.”
Ryan riu de leve, encolhendo os ombros. Fora um riso, cansado, sem vontade e continuava inexpressivo. Comeram devagar, em silêncio, e o maior contornava a beirada do suco com o indicador, meio pensativo.
“Por que--” Brendon engoliu a pergunta, arrebatando para si aqueles pequeninos olhos esverdiados. Meio com medo, suspirou descontente por ter deixado aquilo escapar e recebeu um aceno em troca, para que prosseguisse. “Por que me odeia tanto? O que eu fiz pra você?”
“Porque eu gosto de estar sozinho sempre.” Respondeu de forma impensada, fazendo Brendon imitar o gesto de circundar o copo com seu dedo indicador. “Eu gosto de ficar em casa, de curtir minha solidão, de me entupir de café... Viver sem ter que dar satisfações pras pessoas e, principalmente, eu gosto das minhas regras pra mim mesmo.”
“E eu estraguei isso?” Brendom murmurou, mantendo os olhos em seu copo de suco ainda cheio.
“Eu odiei você porque você soou como uma ameaça a minha vida perfeita.” Respondeu Ryan. “Porque você parecia buscar intimidade, mas você jamais abriu a boca para me perguntar coisas que eu achei que fossem ameaças. Você me obedeceu o tempo todo – com exceção do hospital – comprou meus remédios, está cuidando de mim... Eu sei quando é a hora de ser grato.”
“Desculpa?” Murmurou. “Eu estou bem no meio de sua vida perfeita, acabando com sua rotina.”
“É, você acabou com minha rotina solitária.” Torceu os lábios e bebeu um gole do suco. “Por outro lado, me deu várias demonstrações de que eu poderia deixar você fazer isso.”
Ryan jamais diria que simpaziva com Urie, não diria também que existia algo na beleza de Brendon, no sorriso dele, que o fazia perder as estribeiras, perder os motivos para odiá-lo e ganhar um mais forte ainda. Sem pedir para ser íntimo, Brendon conseguia intimidade, porque todas as manias e defeitos do maior, se desvendavam com o tempo.
“Você é maluco.” Disse sorrindo, sem intenção de onfender. “Completamente maluco.”
“E mesmo assim você não me deixou em paz.” Encolheu os ombros, tomando um pouco do suco de laranja. “E depois eu que sou o louco.”
“Como você vive dizendo, eu sou um idiota.” Ryan arqueou a sobrancelha, segurando pra si uma gargalhada, porque Brendon não era idiota e porque Brendon não tinha notado o real significado de suas palavras.
A fim de acabar com a tristeza dos olhos de Brendon – que talvez pensasse seriamente em sair da vida de Ryan – ele molhou seu incador no suco e lambuzou o rosto do outro, apenas em uma das suas bochechas. Brendon sorriu ao sentir os dedos magros de Ryan tocando sua face, doce. Molhou seu indicador e o roçou pelos lábios finos do rapaz. Com a mesma doçura do sorriso, Brendon tocava os lábios do arquiteto com o dedo, este fechou os olhos devagar e Urie afastou o dedo.
“Você sabe ser grato?” Brendon murmurou e Ryan assentiu. “Então me agradeça.”
“Como quer esse agradecimento?” Ryan reabriu os olhos, curioso, enquanto o outro tinha um sorriso travesso brotando no canto dos lábios. “Eu posso desistir de agradecer...”
“Você não vai...” Murmurou bem baixinho. “Eu espero que não.”
Num impulso, Brendon levantou do banquinho e chocou os lábios nos de Ryan. Colocou uma das mãos em sua face e acariciou para que ele se acalmasse. O arquiteto mantinha os olhos arregalados com a audácia de Urie, mas não se afastou. Sentiu o menor pressionar os lábios aos seus e sua língua macia circundá-los, mas Ryan não deu passagem. A campainha tocou, fazendo Brendon se afastar logo e manter o olhar baixo. Ele tinha feito o que queria, mas fez tudo errado. Não tinha prestado atenção: Ryan não queria intimidade. Não era a hora certa para beijá-lo.
“Você tem razão, Brendon.” Ryan murmurou muito baixinho, quase não havia som nos murmúrios abalados do maior. Brendon manteve o rosto baixo, tentando descobrir do que Ross falava. “Você é um idiota e eu sou mais ainda por ter caído no seu golpe baixo.”
“Foi só um beijo, Ryan.”
“Beijos fazem parte de intimidade” Resmungou Ross, irritado. “Você acabou de me dar um motivo real para eu te odiar.”
“E o que você achou que eu ia fazer?” Brendon enfiou as mãos pelos cabelos, em sinal evidente de desespero. Ryan continuava frio olhando pra ele, com um sorriso malvado no canto dos lábios. “Você me--” Engoliu para si sua declaração de amor.
“Achei que você fosse me pedir pra ter mais, sei lá, mobilidade no projeto.” Arqueou a sobrancelha para Brendon que puxou seus cabelos com força. “Pára!” Ordenou.
“Eu acho melhor eu ir pra casa, Ryan.” Falou após um tempo em silêncio. “Finalmente conseguiu o que você queria.”
Em passos rápidos e entristecidos, cabisbaixo, Brendon saiu do campo de visão de Ryan, deixando o café – que chegou exatamente enquanto Brendon abria a porta para ir embora da vida de Ryan Ross – em cima do criadinho que ficava ao lado do sofá. Deu uma gorjeta ao entregador e saiu, triste. Ryro tinha conseguido o que queria.
E Ryan sorriu. Embora não fosse mais tão gostoso assim ser livre de Brendon. O jogo estava completamente acabado, Brendon Urie estava atraído por um mal jogador que se sentiu péssimo quando ouviu a porta se fechando.
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