Ive Never Been Anywhere Cold as You.
10 Capítulo 09
Notas iniciais
Nove.
I can’t fight this feeling any longer.
Eu não consigo mais lutar contra esse sentimento.
And yet I’m still afraid to let it flow.
E no entanto, eu tenho medo de deixá-lo fluir.
What started out as friendship has grown stronger.
O que começou com uma amizade se tornou mais forte.
I only wish I had the strength to let it show.
Eu só queria ter a força pra demonstrar isso.
Ao amanhecer do dia que completaria uma semana sem Brendon Urie, foi quando Ross deu por si que ele realmente o menor não voltaria. Ryan levantou após o terceiro pesadelo de toda aquela noite e foi tomar um banho longo e logo após se agasalhou. Desceu, passou na Starbucks e comprou um latte e um frapuccino, para viagem e seguiu para o endereço que Shane lhe havia deixado. No banco do carona, dessa vez, estava a camiseta de Brendon, o café e o notebook dele, as demais coisas que estavam lá, Brendon que fosse buscar.
Quando chegou, conferiu várias vezes para ter certeza se aquela era mesmo a casa de Bden. Pegou seus pertences – o notebook e a camisa em uma mochila, segurando os cafés com as mãos – e foi até a porta da casa do estagiário. Chutou a mesma por impossibilidade de tocar a campainha, e foi atendido por um par de olhos azuis só com uma camisa que ele já tinha visto Brendon Urie vestido. Era uma colorida, com azul, marrom sem brilho, branco e vermelho fosco [n/a: essa — http://twitpic.com/1t5qln]. Seu coração quase parou.
“Pois não?” Disse o que estava na porta.
“O B-Brendon está?” Perguntou, meio atordoado. Jamais imaginou que Brendon Urie tinha alguém, muito menos que fosse alguém tão íntimo como aquele ser que vestia sua camisa.
“Está sim.” Sorriu. Um sorriso grande e encantador. “Entre, ele está no quarto.”
“Oh, obrigado.” Sorriu pequeno. “Pode abrir a porta pra mim?” Levantou os copos plásticos da Starbucks, sinalizando ao loiro que sorriu novamente, grande, doce. Os dois caminharam até o quarto e Spence pôs a mão na fechadura e quase abriu, Ross o impediu com o pé. “Brendon, é o R-ryan. Eu..?”
Antes que Ross terminasse sua frase, Brendon abriu a porta do quarto, meio desacreditado. Spencer deu um sorriso grande ao amigo que sorriu de volta. Deu espaço para Ryan entrar em seu quarto simples e bagunçado, e este entrou devagar, com cuidado, sem soltar os copos.
“O que traz você aqui?” Brendon bem que tentou morder o lábio, mas o sorriso grande e bobo já estava em sua face desde que os seus olhos cruzaram com os do arquiteto logo na porta. O medo estava dos dois lados.
“Trouxe pra você.” Esticou o copo do frapuccino e Brendon pegou, tomando um gole longo.
“Frapuccino.” Sorriu. “Boa pedida!”
“Oh, era o outro copo.” Torceu os lábios infantilmente, coçando a nuca de forma embaraçada. Brendon tentou – apenas tentou – segurar para si um novo sorriso abobalhado, mas não deu. Ryan era adorável confuso. “O seu era esse.” Esticou. “Latte.”
“Não tem problema.” Brendon pegou o copo e pôs o com o frapuccino e o latte em cima de seu criado-mudo. “E eu tenho certeza que você não me procurou para me dar café.”
“Alexander esteve lá em casa.” Explicou. “E levou seu pagamento, mas como você não tem aparecido por lá, nada mais justo que vir trazer, assim como o seu notebook e a camiseta que eu tava usando quando--” Abaixou os olhos, tirando da bolsa o notebook e a camiseta. “Aqui.” Brendon assentiu, suspirando frustrado. “Se eu soubesse que você estava ocupado com seu namorado, não teria vindo.” E soou, possessivinho, parecendo ter ficado chateado com aquela situação.
“Spencer não é meu namorado.” Torceu os lábios, cruzando os braços frente ao peitoral. Bden estava apenas de pijamas e com aquela cara de sono. Ele tinha acabado de acordar – embora seus olhos estivessem cheio de olheiras -, pois finalmente havia conseguido. Essa semana sem Ryan foi... Quase impossível de ser vivida. “Ele é meu melhor amigo e a gente divide as despesas.” Explicou.
“Mhmm.” Resmungou, esticando o cheque de Bden. “Você ainda tem trabalho pra fazer lá em casa, senão, não vai receber a outra parte.”
“Não se preocupe.” Brendon Urie pegou o cheque e pôs de qualquer jeito em cima da cama. “Eu vou ligar para o Alex e dizer que não trabalhamos mais juntos.”
“Você vai ser demitido, se fizer isso.” Ryan se apressou em dizer. “Ele me disse que não vai mais separar a gente, pois gostou do que você fez pelo projeto.” E explicou, encolhendo os ombros. “Você tem que voltar pra casa.”
“Achei que você fosse um homem capaz de terminar aquela maquete sem minha presença.” Brincou, sem reprimir o sorriso quando percebeu que estava fazendo falta para seu amado ídolo, mas logo desfez a expressão feliz. “Eu não vou voltar para onde o dono não me quer bem ou por perto. Tenho meu orgulho, Ry.” Brendon dizia, entristecido.
“Mas...” Tentou, e Brendon interrompeu.
“O que importa pra mim, Ryan, é você querer que eu fique ao seu lado. Não adianta em nada eu praticamente residir em seu loft e continuar sendo mal-vindo, continuar sendo o chato que te faz comer verde, ou que regula seu café. Eu não quero ser lembrado por você como quem estragou sua vida pefeita.” Mordeu o grosso lábio, dando uns passos até o arquiteto. “Você simplesmente conseguiu, Ryro. Eu desisti de ter você perto.”
“Fui eu quem pediu para o Alex te deixar comigo.” Confessou bem baixinho. “Certas coisas sobre mim, eu não estou pronto pra enfrentá-las, por favor, tente me entender.”
“Eu te amo, Ryan Ross!” Confessou as palavras que estavam travadas em sua garganta, como um lamento, não exatamente da forma que ele tinha imaginado que aconteceria. Imaginou aquele momento romântico, após um beijo romântico, mas não foi assim. “Eu te amo tanto que seus xingamentos eram como pequenas traquinagens pra mim, seu mau-humor, sua teimosia, seu olhar frio jamais me ofenderam ou me incomodaram. Eu te amo e por isso eu beijei você, por isso me arrisquei, por isso eu disse que eu não tinha nada a perder, além de você... E eu te perdi.”
“Você sabe que não perdeu.” Encolheu os ombros. “E-eu já vou. Já fiz o que tinha que fazer.”
“Então você veio aqui só pra isso?” Brendon franziu o cenho. “Não faz seu gênero vir aqui pra me entregar às coisas e trazer café.”
“Você não me conhece tanto quanto pensa que conhece, Brendon.” Respondeu irritado, virou-se de costas e pôs as mãos nos bolsos. “Seu lugar está intacto na minha casa, B. Eu ainda estarei te esperando.” E começou a andar em direção a porta e Urie mais que depressa, segurou o braço de Ryan e o puxou para perto de si.
“Então me deixa voltar pra casa como seu e não como seu empregado.” Brendon praticamente implorou num murmúrio adocicado. Ryan Ross conseguiu ver um amor completamente puro nos olhos de Brendon Urie quando este encostou sua testa na dele. “Por favor, Ryan. O que você tem a perder se eu tentar?”
“Se veste e vem pra casa, comigo.” Murmurou após um silêncio constrangedor. “A gente tem coisas pra fazer.”
“Tá.” Suspirou contrariado, soltando Ryan aos poucos e com relutância. “Desculpa pelo beijo, Ry. Por um momento eu esqueci das roupas do seu namo--”
Ross segurou Bden pelo pijama que usava, o calando de forma rápida com um beijo. Um beijo discreto, doce, rápido e sem profundidade. Bden sabia que a partir dali seria diferente, porque Ryan Ross o havia beijado e o deixado com um sorriso idiota estampado na face. Deveria mesmo ter esperado, deveria tê-lo persuadido com palavras e não ter agido impulsivamente. Tudo se misturava em sua cabeça, mas era uma confusão boa.
O arquiteto era diferente dos outros homens, não porque ele tinha as emoções congeladas, tudo está sempre medido, de uma forma que soava como insensibilidade, mas Ryan era o oposto, assim como muitos dos frios, afinal, toda frieza de sentimentos tem um ponto de partida, um motivo. Ninguém coloca pedras no lugar do coração sem um bom motivo, uma grande decepção.
Ross saiu do quarto e Brendon tomou um banho longo. Spencer entregou gentilmente uma xícara de café, na sala onde estavam e o menor agradeceu com um aceno doce. Ryan fixou os olhos na televisão ligada, mas sem interesse.
“O Brendon estava meio cabisbaixo desde que saiu da sua casa.” Spencer falava, apenas para fazer conversa. Ryan virou-se pro maior e mordeu o canto do lábio antes de deixar uma pergunta escapar:
“Ele contou algo?” Perguntou, bem baixinho. Spencer franziu o cenho e moldou mentalmente a pergunta do outro. Tomou um gole de café – pra fazer suspense -, mas sacudiu a cabeça positivamente logo depois, fazendo o outro corar, meio sem muito motivo.
“Por isso eu sei que você não nega café.” Spencer sorriu. “Não se preocupe, eu sou confiável.”
Ryan balançou a cabeça em concordância, tomando o café de uma única vez. Estava se sentindo deslocado, meio sem saber o que fazer, havia muitos anos que ele não fazia uma visita a nenhuma pessoa. Justamente por isso que Ryan estava tímido. Então, em busca do que fazer, Ryan olhou para um porta-retrato qualquer, onde Bden abraçava uma garota que tinha o mesmo sorriso gentil do Brendon e, mesmo assim, desviou os olhos, rápido.
“É a irmã dele.” Spencer explicou ao notar os olhos do Ryan para a foto.
“O Brendon tem... Alguém?” Ryan perguntou quase sem som e Smith teve dificuldades em escutar.
“O quê?” Franziu o cenho.
“Ele tem namorado?” Murmurou ainda baixo, mas dessa vez o maior conseguiu ouvir.
“Não.” Disse Spencer. “Bden não anda tempo muito tempo pra namoro. Ele até abandonou os estudos por você.”
“Não é algo que eu me orgulhe em saber.” Ryan falou constrangido e Spencer suspirou, voltando seu olhar para o aparelho de televisão. Foi então que Ryan sentiu as mãos grandes de Brendon Urie em seus ombros, logo depois começando uma mensagem e o maior relaxou completamente em suas mãos.
“Você tá tenso, Ryan.” Bden torceu os lábios e Spencer decidiu deixá-los a sós. A massagem continuou e o maior colocou sua mão sobre uma das de Brendon que parou o que fazia na hora. “Que foi? Tá ruim?”
“Não.” Sorriu de leve. “Eu quero falar com você, sério, antes de voltarmos.” Bden arqueou a sobrancelha, mas assentiu, indo para o sofá e se sentando ao seu lado. Ryan Ross abaixou a cabeça e então começou. “Por que não me contou que ainda fazia faculdade?”
“Porque você me expulsaria da sua vida.” Brendon então abaixou a cabeça. “Eu não poderia perder a oportunidade de estar com você.”
“E por que, ao menos, não me disse que eu teria que avaliá-lo?” Ryan suspirou. “Seu reitor foi lá em casa semana passada e me contou tudo isso. E eu quero que retome os seus estudos.”
“Por isso veio me ver, Ryan?” Aquilo parecia muito mais coerente que imaginar que o seu Ryan Ross sentiu sua falta por um momento sequer e aquele pensamento doeu, muito. “Por isso quer que eu volte com você?”
Ross não respondeu em palavras. Apenas levou uma das mãos grandes até o rosto de Brendon, acariciando-o com cuidado, apenas com as pontas dos dedos. Brendon sentiu as pontinhas geladas e se arrepiou, sem conseguir desfazer o sorriso bobo que estava em sua face brotava. Urie entendeu o recado e deu um beijinho demorado no canto dos lábios de Ryan que suspirou e fechou os olhos. Uns minutos após, Ryan murmurou.
“Me leva pra casa?”
“Claro.” Respondeu ao mesmo tom. “Você tá de carro?” Ryan assentiu. “Então vamos, pra eu cuidar de você.” E Ryan sorriu grande para Bden que considerou aquilo como sua maior vitória até aquele momento. Ross se sentia bem mais seguro, especial outra vez, como se sentia sempre na presença de Brendon. Despediram-se de Spencer e Bden foi dirigindo o carro.
Ryan estava completamente distraído olhando as paisagens pela janela. Bden esticou a mão e fez uma carícia na perna de Ross que sorriu, voltando os olhos para o menor. Este parou numa esquina e o outro entrelaçou os dedos deles, logo após, dando um beijinho na mão do universitário.
“Me dá um beijo?” Urie pediu, soltando o seu cinto e depois o de Ryan com a mão livre, inclinando o corpo em direção ao Ryan que arregalou os olhos, hesitante. “Por favor...”
“Vem cá.” Ross enroscou os dedos da mão livre na nuca do outro e encaixou seus lábios aos dele. Brendon sentiu seu corpo completamente arrepiado quando o beijo foi aprofundado de forma tímida, o maior mantinha uma carícia completamente doce no rosto do maior que deixou uma lágrima emocionada, feliz e solitária fazer o contorno de seu belo rosto. Segurou a face de Ross com as duas mãos, como se nunca mais quisesse soltá-lo – o que de fato agradava muito permanecer ali pra sempre -, acariciando-o também com os polegares. Nada poderia ser mais perfeito.
O amor ficava ainda mais forte entre os dois. O casal chegava a um ápice de felicidade juntos, mas ao se separar do Brendon, os olhos de Ross voltaram-se para a janela desfazendo qualquer expressão boba em Urie que voltou a dirigir.
Existia algo sobre Ryan que Brendon ia aprender na prática e isso machucaria.
Fale com o autor