I've Already Lost You
1 No. You've Already Lost Me Once
A exasperação era palpável no ar.
Ele não entendia.
Ela, muito menos.
Ziri estava sentado onde eles se apresentaram pela primeira vez. Ela estava atrás dele. Parecia uma cena de filme, no final, os papeis de invertiam. Mas aquilo não era a droga de um filme: eles eram dois centésimos de um batalhão de deuses que teriam de matar criaturas gigantescas que se alimentavam de energia positiva. E aquilo não era a droga de um filme de romance
Ziri amava Liraz e Liraz amava Ziri, mas a serafim tinha medo, algo que a muito tempo ela negara ter. A morte estava mais perto do que nunca, e ela ja estivera muito perto, e Liraz não queria cantar de novo. Não queria que ele morresse e que ela sentisse o desespero de, talvez, não conseguir pegar a linda alma dele de volta.
"Você tem que me deixar entrar", dizia ele.
Ela chorava.
Ele implorou, de costas para ela, a vista os observando.
"Me deixe entrar".
As asas de fogo crepitavam. As de morcego estavam imóveis. Não por muito tempo. Ela se abaixou e o abraçou, a cabeça entre a curva do pescoço e do ombro, os braços dela em sua cintura, as lágrimas caindo nas costa dele. Ela não se arrependeria, sabia jamais se arrependeria, mas ela tinha medo. Nunca fora fraca, e se entregar para alguém era loucura: os segredos dela eram sombrios demais. As cicatrizes dela eram demais.
Ziri se virou e segurou o rosto dela entre suas mãos e beijou suas lagrimas, perguntando-se quando ela abriria os olhos. Liraz se levantou, os olhos fechados, as tranças desfeitas, e os cabelos até o quadril, era um pouco mais alta do que o Kirin, que estava sentado nas rochas, de costas para uma queda gigantesca, olhando para ela.
Ela abriu os olhos.
O primeiro sussurro: "Desculpa".
A repetição incessante:
"Desculpadesculpadesculpadesculpadesculpa".
Ele segurou sua mão. Ela segurou o rosto dele.
"Eu te amo".
Ele sorriu.
"Eu sei".
Ela também sabia –mas ele não a conhecia.
"Eu não posso te contar". Ele fechou os olhos e as mãos dela seguraram o rosto dele com urgência. Ele tinha que saber que era verdade. "Eu não posso te perder".
Pausa.
"O que você disse?", indagou o Kirin, se levantando. "Liraz", ele a segurou pelos ombros, "você não vai me perder".
Mas ela se soltou dele, assustada com o sentimentos, e levantou voo. Ziri foi atrás. Quando ela sentiu as batidas das acima de si, parou.
"Você já morreu: eu já perdi você. Eu nunca morri, você não sabe como é. Eu cantei Ziri – o nome soando bem em seus ouvidos, a voz cheia de raiva surpreendendo ele -, eu não sabia o que fazer". E ela repetiu: "Eu já perdi você".
"Não. Você ja me perdeu uma vez. Eu estou aqui agora."
E ele repetiria aquilo muitas vezes. "Quantas vezes fossem necessárias", era o que dizia à ela. Por que ela ja havia perdido ele uma vez, e não queria se aproximar para não sofrer mais na segunda. Mas ela queria se aproximar. Na verdade, só queria que ele realmente quisesse isso, para não ficar sozinha naquele romance complicado.
Ele ficava exasperado pela batalha interior: não entendia ela. E ela também não entendia, até que ele descobriu o que ela queria, e ela aprendeu também.
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