Itsumo Yakusoku

8 Capítulo 8 - Ano Hi Ni


Notas iniciais
Ano Hi Ni - Megumi Hayashibara http://letras.mus.br/video-girl-ai/532255/traducao.html

Desculpe, mas mesmo agora deixo meus sentimentos de lado dessa forma.

Se tudo sobre nós está nesta luz,

Ainda posso rebobinar àquele dia?

Conto nos dedos memórias em que acreditava,

Conto-as de novo e de novo,

Mas ainda não passo além de meu dedo mínimo.

Por favor esteja ao meu lado,

Diga "Não é verdade!" e envolva meu coração.

Se tudo sobre nós desaparecer,

Imediatamente quero rebobinar àquele dia.




Capítulo 8


~


Ano Hi Ni

O show de Utau tinha terminado, porém as lembranças daquela noite ainda estavam gravadas na memória de Tadase, como se fosse um filme que ele ficava voltando e voltando em sua cabeça, para que nunca acabasse. As palavras de Nagihiko, aquele beijo... só a lembrança daquilo era suficiente para fazer seu coração bater forte outra vez, como se tivesse ficado adormecido durante esses três anos, e só agora estivesse voltando à vida. E mesmo sabendo que não poderiam ficar juntos como gostariam agora, apenas a esperança de um dia voltar para os braços calorosos de Nagihiko, apenas o fato de saber que ele também ainda o amava, já era o suficiente por enquanto. Eles ainda tinham muitos obstáculos para enfrentar e superar antes de poderem de fato ficarem juntos afinal... e Tadase estava prestes a enfrentar um deles.


Como Nanami adquirira o hábito de sempre acompanhá-lo até a escola, Tadase decidiu falar de uma vez com ela e contar-lhe a verdade para tentar romper aquele noivado sem sentido. Assim que colocou o uniforme, pegou sua maleta e comeu qualquer coisa no café da manhã, com tanta pressa que nem sequer olhou para o que tinha comido, e saiu apressado de sua casa para a rua. Assim como esperava, Nanami estava no portão, aguardando por ele. A garota sorriu e deu bom dia, e o loiro respondeu, sem dizer mais nada, ocupado demais pensando em como diria aquilo para ela. Assim que viraram uma esquina e a casa dele desapareceu de vista, Tadase decidiu que não adiantava de nada ficar enrolando afinal, e achou melhor ir direto ao ponto.


– Nanami-san, precisamos conversar — ele falou, parando de andar e respirando fundo para tomar coragem
– Sim? — ela parou também, sorrindo educadamente para ele, levemente curiosa — O que foi?
– Eu... bem... — Tadase começou a gaguejar, pensando em como dizer aquilo. Não queria magoar Nanami, por mais que não gostasse dela, ele ainda era terrivelmente contra a idéia de ferir os sentimentos de uma garota. Mas também não poderia continuar mentindo para ela, eles eram noivos afinal, ele deveria ao menos respeitá-la. Sem falar que a sensação de culpa que o corroía por dentro era tão terrível que ele não conseguiria suportar aquilo por muito mais tempo, então precisaria fazer isso de um jeito ou de outro. Respirou fundo, tentando reunir coragem novamente e, tentando ser o mais delicado possível, continuou — B-Bom, como você sabe, o Fujisaki-kun voltou ao Japão. E eu, bem... v-você sabe sobre meus sentimentos por ele... e-eu achei que ficaria tudo bem se eu pudesse ao menos voltar a ser apenas amigo dele, mas... isso não basta pra mim. Eu quero mais do que apenas a amizade dele, eu... eu o amo. Eu sempre amei, nunca deixei de amá-lo, e nunca vou conseguir deixar de ter esse sentimento por ele. Ontem, durante o show, eu... b-bem, eu c-conversei com ele... e o Fujisaki-kun disse que... t-também sente o mesmo por mim. Então, eu... q-quero poder lutar por ele, lutar pelo nosso amor... mas não acho certo fazer isso enquanto estou comprometido com você. Eu nunca te amei de verdade, mas você é minha noiva afinal, e eu devo respeitá-la... m-mas eu realmente quero ficar ao lado da pessoa que eu amo de verdade, por isso... eu vou falar com meus pais, e pedir pra cancelarem nosso noivado. Mas achei que seria melhor... falar com você primeiro. E pedir também... para que você fale com seus pais, para eles desmancharem esse nosso noivado sem sentido.


Nanami escutou pacientemente e em silêncio até que ele terminasse de falar, embora já tivesse uma idéia de onde aquela conversa iria dar. Depois que ele enfim concluiu o que queria dizer, baixou a cabeça, encarando os próprios pés, e olhando de vez em quando para ela, receoso, esperando para ver a reação da garota. Nanami suspirou, pensando em tudo o que ele disse, depois desviou os olhos para o lado, e falou:


– Bem, devo admitir que não estou surpresa. Eu imaginei que isso aconteceria uma hora ou outra com o retorno do Nagihiko-kun... você nunca deixou de amá-lo afinal — ela deixou escapar um sorriso triste — Devo dizer que é uma pena... de todos os candidatos que meus pais selecionaram para serem meu futuro marido, você era o melhor. Mas, eu também devo admitir que nunca te amei de verdade... então não tem problema desmanchar nosso noivado, pelo menos pra mim. Difícil vai ser convencer nossos pais a aceitarem isso, mas... darei um jeito, pelo menos à respeito dos meus pais
– N-Nanami-san, você... n-não está brava comigo?! — Tadase indagou incrédulo, mal conseguindo acreditar que a garota tivesse aceitado isso tão facilmente
– Bem, estou um pouco triste, mas... eu já imaginava que isso acabaria acontecendo — ela deu de ombros — Sempre soube que você nunca deixou de amá-lo afinal... como se pudesse, não é? Nagihiko-kun é tão bonito e atraente, e tão gentil com todo mundo... não é à toa que você se apaixonou por ele — ela sorriu, corando levemente, e Tadase sentiu uma onda de ciúmes apoderar-se dele, mas conseguiu se controlar, lembrando-se da situação em que se encontravam — Eu agradeço por ter sido sincero comigo e por ter me contado a verdade antes de falar com seus pais ou com qualquer outra pessoa. Nós nunca nos gostamos mesmo, então... não tenho realmente nada contra em romper nosso noivado — ela falou, finalmente encarando-o — Falarei com meus pais quando chegar em casa. Mas, agora, acho melhor nos apressarmos e irmos logo pra escola, ou vamos nos atrasar
– Ah, sim... a escola — Tadase murmurou, completamente esquecido de que tinha aula — T-Tem razão, melhor irmos logo ou vamos nos atrasar — ele concordou, recomeçando a andar — Aliás, obrigado Nanami-san, de verdade
– Sem problemas — ela respondeu, andando ao lado dele, porém sem encará-lo, com uma repentina dúvida surgindo em sua cabeça — Nee, Tadase-san... você e o Nagihiko-kun... v-vocês realmente só conversaram ontem, ou... fizeram mais alguma coisa...?
– Ehh?! — Tadase parou de andar bruscamente, pego de surpresa com aquela pergunta, quase tropeçando nos próprios pés com o susto — E-Eu... bem... q-quero dizer, nós... err...
– Esqueça. Não quero saber — ela recomeçou a andar à passos apressados, decidida a não encará-lo nem mais uma vez. Tadase recuperou-se o mais depressa que pôde e a seguiu, e os dois continuaram seu caminho para a escola, sem dizer mais nada.

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Enquanto isso, em um colégio um pouco distante dali, Nagihiko enfrentava seus próprios problemas, talvez um pouco maiores do que desmanchar um noivado indesejado. Ele teria aula de Educação Física no primeiro tempo de aula e, enquanto trocava o uniforme normal pelo de Educação Física no vestiário masculino, ouvia alguns garotos próximos à ele conversando, aparentemente sem se importarem com o fato de estarem falando tão alto que o vestiário inteiro podia ouvir:


– ... então, o Tarou-kun me contou que viu ele se agarrando aos beijos no banheiro, naquele show que passou ontem na TV, daquela cantora Hoshina Utau!
– Ehh?! Mentira!!
– Não acredito que ele perdeu tempo fazendo uma nojeira dessas ao invés de aproveitar o show da Hoshina-sama!!
– Ahh, e eu que queria tanto ter visto o show ao vivo... por que aquele pervertido não foi fazer isso em outro lugar e deu o ingresso pra mim?!
– Mas, não me diga que foi mesmo... ele?– um dos garotos falou mais baixo, apontando de um jeito que ele achava que seria discreto para Nagihiko
– Sim, sim, exatamente! — o garoto que narrava a história confirmou, baixando um pouco o tom de voz, mas ainda assim Nagi podia ouví-lo — E com outro garoto, ainda por cima!!
– Eca, que nojo!!
– O que um pervertido como esse está fazendo aqui afinal?! Um cara sujo como esse não devia ter o direito nem de pisar em uma escola prestigiada como essa!
– Pois é! — o garoto que contava a história continuou, mais empolgado do que nunca — Depois, parece que ele se irritou por ter sido interrompido ou coisa assim, e bateu no Tarou-kun!
– Ehh?! Além de ser um pervertido, ele ainda por cima é violento??
– É mesmo um cara sujo sem salvação!
– Sim, sim, foi o que eu disse ao Tarou-kun!! — o primeiro garoto que narrava a história concordou — Parece que ele bateu tanto no Tarou-kun que ele desmaiou... e, quando acordou, estava em uma espécie de enfermaria improvisada, parece que um dos seguranças o encontrou desacordado e o levou para lá ou algo assim... e o coitado perdeu metade do show por causa disso!!
– Escutem aqui — Nagihiko intrometeu-se na conversa nada discreta deles, cansado de escutar tudo aquilo em silêncio — Se vão ficar fazendo fofocas maldosas dos outros por aí, por que não falam logo na cara, hein? Ou será que não têm coragem suficiente pra isso, e por isso preferem ficar aí fofocando pelos cantos como um bando de garotinhas?
– Wahhh, cuidado pessoal, é ele!! — o garoto que tinha contado a história e, aparentemente, era amigo do garoto em quem Nagihiko tinha batido durante o show de Utau, exclamou, fingindo estar com medo — Melhor terminarmos de nos vestir logo antes que ele resolva nos atacar também, como fez com aquele loirinho anão!
– Ahh, tem razão! Deus me livre de ser atacado por esse safado louco!! — outro garoto entrou no jogo dele, e apressou-se a terminar de colocar o uniforme de Educação Física, já que tinha ficado só de cueca esse tempo todo enquanto conversava com os demais
– Não precisam se preocupar com isso, eu jamais tocaria em pessoas imundas e nojentas como vocês — Nagihiko respondeu, fechando os punhos com força e tentando controlar sua raiva para não espancar cada um daqueles garotos ali mesmo. Estava pouco se lixando para o fato de estar em completa desvantagem, já que eram vários garotos contra ele sozinho afinal, ou sobre o que sua mãe diria se soubesse que ele arranjou briga na escola, mas a lembrança de como Tadase tinha ficado assustado e lhe pedido várias vezes para ele não sair arrumando confusões desnecessárias por aí foi o suficiente para ele se segurar — Só existe uma pessoa de quem eu gosto, e eu jamais a trairia com gentinha de mente suja e fechada como vocês
– Do que está falando, seu porco?! O único cara imundo aqui é você!! — um dos garotos acusou, apontando escandalosamente para Nagihiko
– É isso aí, o Tarou-kun me contou como você estava dando uns amassos em outro rapaz lá no banheiro do show da Hoshina Utau! — o garoto que contou a história para os outros acusou
– E o único com cara de menina aqui é você, seu mulherzinha!!
– Ah, espere! Pelo que o Tarou-kun me contou, era ele quem estava agarrando o baixinho — o amigo de Tarou corrigiu — Então, acho que aquele loirinho é que seria a menina da relação, hahahahahaha!!
– Não me importa o que vocês falem de mim... mas não vou admitir que falem essas asneiras do Hotori-kun, ouviram bem, seus...!
– Nagihiko, não!! — Temari entrou na frente do dono, impedindo que ele socasse a cara do garoto que tinha rido dele e de Tadase — Lembre-se do que o Tadase-kun disse ontem!!
– Ela tem razão, Nagi! — Rhythm colocou-se ao lado da "irmã", ficando de frente para o dono — Por mais que eu ache que esses caras realmente mereçam aprender uma lição e levar uma bela de uma surra... o Tadase não iria gostar de saber que você arranjou uma briga na escola por causa dele!
– Tadase-kun se sentiria culpado se você fizer isso, e ficaria magoado — Temari continuou
– Ela tem razão — Rhythm milagrosamente concordou com ela — Melhor ignorar esses caras e deixar pra lá, gente assim não merece sua atenção. Sem falar que eles são vários, e você é só um... mesmo se fizesse o Chara Change, estaria em desvantagem
– Vocês... têm razão — Nagi murmurou, abaixando o punho que estava prestes a socar o garoto
– Eh? O que foi, Fujisaki? Perdeu a coragem, foi?! — o garoto que estava prestes a apanhar deu uma risadinha debochada, achando que Nagihiko tinha desistido da briga antes mesmo de ela começar, já que não podia enxergar Shugo Charas afinal, muito menos ouví-los
– Vocês não merecem que eu desperdice meu tempo com vocês — Nagi resmungou simplesmente, dando meia-volta. Já tinha se trocado afinal, então saiu do vestiário, seguido pelos seus Charas, e ainda ouvindo as risadinhas debochadas dos garotos que ficaram lá dentro
– Essa foi por pouco... mais um pouquinho e nós teríamos acabado ativando seu Chara Change — Temari comentou, suspirando, embora também pensasse que aqueles garotos mereciam levar uma bela de uma surra
– Ainda bem que interrompemos à tempo... imagine só o massacre se ele fizesse o Chara Change com você?! — Rhythm exclamou, imaginando a cena
– Ele provavelmente seria expulso da escola... — Temari respondeu, embora as consequências provavelmente seriam bem maiores caso isso acontecesse
– Não sabem como eu odeio quando vocês têm razão — Nagi resmungou — Mas... obrigado por me pararem. Mais um pouquinho e eu teria mesmo feito uma besteira
– Ei, somos seus Shugo Charas, é nosso dever cuidar de você! — Rhythm exclamou, sorridente, tentando animar o dono
– Mas, isso ainda é ruim — Temari comentou, ainda preocupada — Mesmo o Nagihiko não tendo batido neles, se esses boatos se espalharem...
– Não me importo do que falem sobre mim. Nunca gostei desse colégio, nem de ninguém aqui, pouco me importa o que falam ou deixam de falar sobre mim — Nagihiko respondeu — Mas, não posso admitir que falem mal do Hotori-kun, de jeito nenhum!
– Mas Nagihiko, mesmo que você possa aguentar isso, será muito ruim se essas histórias se espalharem e chegarem até os ouvidos da sua mãe! — Temari lembrou
– Urgh, não quero nem pensar no que aquela mulher faria se soubesse... — Rhythm murmurou, ficando repentinamente sério, e um tanto temeroso
– Isso é verdade... eu posso suportar os boatos, não importa o quão terríveis sejam — Nagihiko concordou com eles — Mas... não posso deixar que minha mãe saiba sobre isso, de jeito nenhum.


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Felizmente, a mãe de Nagihiko não ficou sabendo de nada sobre os boatos, pelo menos não naquele dia. No entanto, na manhã seguinte, foi Tadase quem teve uma surpresa ao sair de casa para ir para a escola e dar de cara com Nanami esperando-o no portão com cara de enterro.


– Hãn... bom dia, Nanami-san — ele cumprimentou, um tanto curioso para saber porque ela estava com aquela cara — Etto... aconteceu alguma coisa?
– Bem... na verdade sim — ela respondeu, de cabeça baixa, enquanto os dois andavam lentamente na direção da escola. Seus olhos estavam vermelhos e inchados, como se ela tivesse passado muito tempo chorando — Eu... falei com meus pais ontem sobre desmanchar o noivado, como você pediu. Eles relutaram bastante em aceitar nosso rompimento, é claro... mas no fim, acabaram aceitando
– Verdade?! — Tadase exclamou, sem conseguir conter um sorriso. Seu coração deu um salto involuntário, mal acreditando que tinha sido tão fácil ultrapassar aquele obstáculo, e ansioso para contar isso para Nagihiko — Então, nós não precisamos mais...!
– Porém, em troca disso — Nanami o interrompeu bruscamente antes que ele se empolgasse mais ainda — Eles disseram que, se eu rompesse meu noivado com você, então teria que me casar com um outro candidato que eles escolheram. Eles me mostraram uma ficha e uma foto do outro rapaz, ele se chama Tarou "alguma coisa", não lembro o sobrenome... e eu simplesmente odeio aquele garoto! Ele tem fama de ser mulherengo e cruel... e algumas amigas minhas me contaram que há um boato sobre ele ter... t-tendências s-s-sádicas também... — ela baixou um pouco a voz e corou ao dizer isso — E-Enfim, ele é o pior candidato de todos os que meus pais escolheram... e-eles tinham outros candidatos em mente, mas deram preferência, ou à você, já que é conhecido de uma cantora famosa, a Utau-san, que é namorada do meu irmão, ou Tarou-san, que, apesar de ter uma fama e personalidade horríveis, vêm de uma família importante e extremamente rica... m-mas eu simplesmente não posso me casar com alguém assim!! Já me encontrei com o Tarou-san umas duas ou três vezes... e ele é definitivamente o pior cara que já conheci na vida! Ele é cruel, vive fazendo deboche dos outros, e falando coisas indecentes quando os pais dele não estão por perto... e ele me dá muito medo... eu não posso passar o resto da minha vida ao lado de uma pessoa terrível como aquele rapaz!! — ela soltou tudo de uma vez, sem mais conseguir suprir as lágrimas no canto de seus olhos, e deixando-as correr livremente pelos eu rosto. Seus ombros tremiam, e ela havia parado de andar, não conseguindo dar nem mais um passo — Então, Tadase-kun... e-eu sinto muito, mas não posso aceitar romper meu noivado com você. Pelo menos não ainda... e-eu sei que você gosta de outra pessoa... d-de outro g-garoto ainda por cima, mas... p-pelo menos seu amor por ele é puro e sincero, e não apenas diversão. E eu não me importo se você quiser... s-sair com ele às escondidas de vez em quando ou coisa assim... você o ama, é natural querer ficar ao lado da pessoa que você gosta afinal. Mas, por favor, Tadase-san... não termine seu noivado comigo ainda. Espere pelo menos até eu completar a maior idade e poder escolher por mim mesma com quem vou me casar... eu não ligo se você quiser namorar o Nagihiko-kun às escondidas enquanto isso, ou o que for, mas por favor, não termine comigo ainda! Se fizer isso... estará me condenando a uma vida inteira de sofrimento... e-eu sei que é muito egoísmo de minha parte te pedir isso, e que você não gosta de mim, nem nunca me amou, mas... s-se você realmente sente algum respeito por mim, pelo fato de termos sido noivos durante todo esse tempo, então, por favor... por esse tempo e por esse respeito, espere ao menos até eu completar dezoito anos, por favor!!


À essa altura, Nanami já estava aos prantos, segurando a gola da roupa dele de cabeça baixa, com a franja cobrindo-lhe os olhos, embora ainda fosse possível ver as lágrimas pingando pelo seu queixo, seu corpo inteiro tremendo. Toda a alegria e esperança que Tadase sentira evaporou-se instantaneamente, tão efêmera quando tinham surgido. Ele realmente desejava poder romper esse noivado o mais depressa possível, mas... não poderia condenar aquela garota à uma vida inteira de sofrimento afinal, ela não tinha culpa se os pais dela não sabiam escolher direito o futuro marido de sua filha e só tinham escolhas absurdas, como um garoto yaoi ou um mulherengo com gostos duvidosos ao invés de deixar a garota decidir sozinha com quem se casar. Tadase definitivamente não gostava dela, a única pessoa em seu coração era, e sempre seria Nagihiko afinal, mas ainda se sentia culpado por tê-la traído e beijado Nagihiko durante o show. Sem falar que não podia fazer aquilo com a pobre garota, ele estava lhe devendo essa afinal. Apoiou a mão no topo da cabeça dela e bagunçou um pouco seus cabelos, no que ele pretendia ser um cafuné.


– Está bem, Nanami-san. Se o seu outro pretendente é tão ruim assim, então não tem jeito... — ele abaixou a cabeça também, sentindo-se murchar como um balão em final de festa — Sabe, quando eu estava no primário, eu era uma espécie de Príncipe Encantado para as alunas, todas as meninas me tratavam assim... não foi muito diferente no ginásio, e nem agora, que estou no colegial. Então, eu não posso fazer uma garota sofrer desse jeito, muito menos vê-la chorar por minha causa — ele concluiu, com um sorriso melancólico ao lembrar-se da época em que estava no primário, quando tudo era mais simples e fácil, e desejando com todas as forças voltar àquele tempo, por mais que ele soubesse que era impossível — Eu esperei três anos pela pessoa que eu amo afinal... sem falar que ainda preciso dar um jeito de pensar em como fazer meus pais aceitarem isso, e também os pais do Fujisaki-kun... então, se eu aguentei esperar três anos, acho que posso esperar um pouco mais
– T-Tadase-san... obrigada!! — ela o encarou pela primeira vez, os olhos ainda molhados de lagrimas. Sentiu um impulso de abraçá-lo, mas se conteve à tempo, pensando que o garoto provavelmente ficaria desconfortável com isso, se segurou as mãos dele entre as suas. Tadase surpreendeu-se, e se remexeu, entre constrangido e incomodado com isso — Obrigada, de verdade!! Não sabe como fico aliviada em ouvir isso... e-eu não poderia me casar com aquele rapaz assustador, não mesmo...
– Está tudo bem, você não precisa casar com ele — Tadase lembrou, forçando com muita dificuldade um sorriso para tranquilizá-la e tentar fazer a garota parar de chorar — Mas, Nanami-san... c-como você bem sabe, eu amo o Fujisaki-kun. Então... mesmo que eu aceite ficar comprometido com você por mais algum tempo, eu... t-talvez eu não consiga me c-controlar às vezes, então...
– Já disse que não me importo — Nanami o cortou, soltando as mãos dele e enxugando as lágrimas com as costas das mãos — Apenas fingirei não saber de nada... e, por favor, não me conte o que vocês fazem ou deixam de fazer, eu realmente não quero saber — ela acrescentou, voltando lentamente a caminhar na direção da escola
– Ah, claro... c-combinado — Tadase concordou prontamente, duvidando que algum dia sentiria vontade de dizer à ela sobre as cosas que ele e Nagihiko faziam quando estavam sozinhos. Voltou a caminhar ao lado dela, em silêncio, perdido em seus pensamentos. Teria que falar com Nagihiko sobre isso... e, só de imaginar a reação do maior, já sentia um peso horrível no peito. Mas, o pior já havia passado... Nagihiko estava de volta ao Japão afinal, e eles poderiam pensar com calma em um jeito de como contar aos seus pais sobre eles enquanto isso. Sim, não importa o quanto demorasse, tudo acabaria bem um dia, e eles poderiam enfim ficar juntos sem a interferência de nada nem de ninguém... pelo menos era nisso que Tadase acreditava.

Notas finais
Yoo minna, Teffy-chan ~desu! Nossa, como tive que esperar pra conseguir postar isso... e vocês também pra ler, né... bem, foi difícil para todas nós, mas enfim, essa semana que mais pareceu uma tortura, pelo menos pra mim terminou, e o capítulo está postado! Deixem seus comentários, opiniões, críticas e sugestões nos reviews onegai~ O próximo é com a Shiroyuki-chan! õ/ Kissus^^