Itsumo Yakusoku
70 Capítulo 70 - Yakusoku
Notas iniciais
Nos dias que nós não sabíamos nada sobre tristeza
E as bolas saltitavam na nossa frente
"Te vejo amanhã!"
Você acenou com sua mão no alto
Desde aquele dia nós paramos o tempo
Neste mundo vasto, eu me pergunto se você também está olhando pra mesma estrela, em algum lugar
O cenário do telhado, os rabiscos no caderno nunca desaparecerão, certo? Nunca
Nunca, sim, nunca esqueça da promessa que nós fizemos
Naquela noite, que ninguém estava lá
Tornando um adulto, nós nos lembramos das mentiras também
Será que é por que nós somos mais fortes agora do que naquele dia?
Com certeza é porque nos dias em que a luz se perdia, eu ouvia sua voz
Eu quero abraçar o sonho no qual nós falamos
Neste mundo extenso pra sempre, sim, sempre
Mesmo se o tempo passar, esta promessa continuará intacta
Este sentimento estará aqui sempre, sim, sempre
E pro futuro
O cenário do telhado, os rabiscos no caderno nunca desaparecerão, certo? Nunca
Nunca, sim, nunca esqueça da promessa que nós fizemos
Naquela noite, que ninguém estava lá
Não se esqueça, não se esqueça
Capítulo 70
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Yakusoku
Finalmente havia chegado o dia pelo qual Tadase tanto esperava: Depois de tantos anos e árduos esforços, ele enfim conseguiu terminar a faculdade. E, embora tivesse recebido uma oferta da empresa onde fazia estágio para continuar trabalhando nela, teve que recusar, pois, assim como a maioria de seus amigos e ele próprio suspeitava, Tsukasa o convidou para trabalhar na Academia Seiyo com ele, e substitui-lo mais tarde quando este se aposentasse. É claro que Tadase não pensou duas vezes em aceitar a oferta do pai.
Nagihiko tinha se formado antes dele, e agora era instrutor de dança. Não apenas ele estava feliz com isso, mas também suas alunas, que estavam obviamente muito mais felizes em tê-lo como professor do que terem que se submeter ao treinamento espartano da mãe de Nagi. Se todas aquelas meninas não fossem crianças, Tadase certamente morreria de ciúmes delas.
Seus amigos se formaram quase que ao mesmo tempo, alguns com apenas um ano de diferença. Kukai foi o primeiro, já que era mais velho, e agora trabalhava como professor de Educação Física. Ele sorrira e tagarelara por semanas sobre a sorte que tinha por ter estudado lá anos atrás e ter sido um Guardião quando Tsukasa lhe ofereceu um emprego na Academia Seiyo. Amu formou-se em Moda, e agora desenhava a maioria dos trajes usados nas apresentações das alunas de Nagihiko. Mesmo sendo um estilo de roupa incomum para ela, a garota se divertia muito, dizendo que era sempre bom ter novos desafios. Rima se formou no mesmo ano que ela e, por incrível que pareça, a previsão feita por Yaya anos atrás se concretizou, e agora a loira tinha seu próprio show de comédia, transmitido uma vez por semana na TV. Um ano depois disso, após se casarem, Hideyoshi e Nanami conseguiram concretizar o desejo o que haviam planejado anos atrás e abriram um pequeno restaurante juntos. Enquanto ele administrava o local, Nanami cozinhava. E, embora fosse um lugar modesto, começara a fazer sucesso com surpreendente rapidez, o que indicava que eles provavelmente precisariam fazer uma obra em breve para aumentar o local. Utau se casou antes deles, é claro, e em segredo, para não chamar a atenção da mídia. Desde então decidiu mudar um pouco seu estilo de música. Agora já não fazia tantos shows, mas cantava diversas músicas temas de aberturas, desde novelas até de animes.
Tadase estava mais do que feliz em ver seus amigos realizando seus sonhos e por ter finalmente se formado depois de tanto esforço.
Mas é claro que aquele não era o seu maior desejo.
— O que? Nos casar agora?! — Tadase e Nagihiko exclamaram ao mesmo tempo.
— É isso mesmo que vocês ouviram! E nem adianta tentarem arranjar uma desculpa, a Yaya já preparou tudinho! — a ruiva dizia, apontando um dedo na cara dos dois. Eles tinham ido até um luxuoso hotel, visitar Utau, mas, quando chegaram lá, descobriram que isso era apenas uma desculpa. Aquela não passava de mais uma das muitas armações de Yaya.
— Mas você não pode dizer uma coisa dessas assim do nada, Yaya-chan! — Nagihiko exclamou — Eu já estou cuidando disso, você não precisa...
— Você é muito lento, Nagi! — Yaya o interrompeu, lançando-lhe um olhar de reprovação — Você pediu o Tadase em casamento, mas a Utau-chi e o Kyouharu se casaram antes de vocês dois... até o Hide-kun e a Nanami-chan se casaram primeiro! Que espécie de noivo é você, hein?!
— M-Mas, isso é natural, Utau-chan é mais velha do que nós… Seria até estranho se nos casássemos antes dela… — Tadase tentou argumentar.
— E o Hideyoshi-kun e a Nanami-san fizeram onmiai quando ainda estavam no colegial, você sabe disso. E ele também é mais velho do que eu — Nagihiko lembrou — Você não pode decidir isso por nós.
— Mas você não pediu o Tadase em casamento? — Yaya rebateu — Então, quando pretende se casar com ele afinal, hein?
— Yaya-chan, você não entende… — Nagihiko passou a mão pelos longos cabelos, cansado — Claro que eu me casaria com ele agora mesmo, se pudesse. Mas a questão é que ambos somos homens. E, encontrar alguém que possa nos casar no Japão é…
— … complicado? Bem, não se preocupe, eu simplifico as coisas para vocês. Acabei de tirar uma licença de pastor, então estou oficialmente autorizado a casar vocês dois! — de trás de uma porta, surgiu Tsukiyomi Ikuto, trajando uma roupa preta que lembrava o hábito de um padre ocidental, com um crucifixo prata pendurado no pescoço.
— Ikuto… nii-san…? — Tadase o encarava em choque.
— Ai meu Deus — Nagi estava estarrecido — Não, absolutamente não. Eu me recuso a ser casado por você. E, pra início de conversa, como raios você conseguiu autorização para se tornar pastor?
— Não sabia? Eles vendem isso na internet — Ikuto respondeu com a maior tranquilidade do mundo — E qual é o problema em ter seu casamento realizado por mim, hein?
— É que é muito estranho ser casado por um padre pervertido dono de uma loja suspeita como a Nyanderful.
— Ei! Mais respeito, meu jovem! Agora eu sou uma autoridade! — Ikuto falou em tom de reprovação que não combinava com ele — Agora escutem aqui: Eu tirei essa bendita licença só para isso. E a tampinha ruiva ali teve o maior trabalhão para preparar tudo para o dia de hoje… bem, na verdade ela deve estar se divertindo com tudo isso, mas não vem ao caso. E a Utau também teve muito trabalho para conseguir alugar esse hotel ridiculamente caro para esta noite especialmente para vocês. E então, o que me dizem? Vocês querem se casar ou não, hein?
Tadase ergueu os olhos para Nagihiko, que o encarou de volta. Não precisavam de palavras para se comunicar. Estava claro nos olhos dele que aquele desejo era recíproco. Era o que os dois mais queriam na vida. Estavam felizes morando juntos, mas, serem unidos um ao outro oficialmente... tornaria tudo perfeito. Seria a concretização de um sonho.
— Sim — os dois disseram ao mesmo tempo, sorrindo.
— Ok, deixem para dizer isso quando estiverem sob o altar — Ikuto sorriu de volta, um sorriso que definitivamente não combinava com um padre.
— Mas, Ikuto-niisan… se é um casamento, nós não deveríamos nos vestir apropriadamente? — Tadase lembrou — Eu não quero me casar de calça jeans e moletom…
— Huhuhu… Deixem tudo por conta da Yaya! — a ruiva estalou os dedos e, como em um passe de mágica, Kukai, Kairi e Hideyoshi surgiram pela mesma porta de onde Ikuto tinha vindo, todos trajando ternos, Kairi de preto, e Kukai de marrom-escuro, realçando sus cabelos ruivos e Hideyoshi de cinza, aparentemente já preparados para a cerimônia.
— Eh? Mas hein? O q-que estão fazendo aqui…? — Tadase os encarava meio tonto enquanto os amigos se aproximavam na direção deles lentamente, como se fossem guardas vindo prendê-los.
— Meus fiéis seguidores, por favor, ajudem-me com a nobre tarefa de preparar este casal para que eu possa uni-los adequadamente na cerimônia — Ikuto fingiu um tom humilde.
— Deixa com a gente, pastor-san! — Kukai respondeu sorrindo, aparentemente, se divertindo com aquilo quase tanto quanto Yaya.
— Não se preocupe, apenas nos siga. E não tente resistir, se sabe o que é melhor para você — Kairi acrescentou. Claro que ele estava se referindo ao que Ikuto e Yaya poderiam fazer com ele, mas aquilo só deixou Tadase ainda mais nervoso. Ele e Kukai puxaram Tadase, cada um segurando-o por um braço, e começaram a guiá-lo na direção oposta de onde tinham vindo.
— Ei, esperem aí vocês dois! Para onde pensam que estão levando o Tadase? — Nagihiko ia segui-los, mas foi impedido quando sentiu Ikuto e Hideyoshi segurarem seus braços, um de cada lado.
— Não se preocupe, rapaz, eles só vão prepará-lo para cerimônia. Afinal, ninguém merece se casar usando jeans e moletom, né? — Ikuto tentou tranquilizá-lo — E nós faremos o mesmo com você, é claro — em seguida ele abriu um sorriso nada tranquilizador.
— Urgh… até você, Hideyoshi-kun? — Nagihiko o encarou com um olhar de quem havia sido traído.
— Considere isso como o troco pelo que você me fez passar anos atrás quando me obrigou a posar para aquela revista de moda feminina — ele respondeu apenas — Se bem que isso não chega nem perto do que eu passei, mas é melhor do que nada…
Os dois guiaram Nagihiko até a porta por onde tinham entrado e , virando pelo corredor, chegaram em um cômodo espaçoso que lembrava um vestiário. Haviam diversos tipos de ternos lá, de várias marcas, cores e modelos diferentes para Nagihiko escolher. Ele se surpreendeu que todos coubessem perfeitamente — Hideyoshi provavelmente sabia o tamanho dele — e tentou decidir sozinho qual seria a melhor escolha, apesar do palpites insistentes de Ikuto e Hideyoshi. Por fim, decidiu usar um terno branco, com uma camisa lilás por baixo e uma gravata cor de baunilha. Quando deixou o vestiário, os dois o guiaram até o que parecia ser o salão principal do hotel. O lugar era simplesmente maravilhoso. As janelas com vidraças em forma de caleidoscópio, o enorme lustre dourado acima deles, o tapete vermelho… tudo era tão belo que Nagihiko demorou alguns instantes para notar que de repente estava sozinho diante do que parecia ser um altar. Ikuto estava à sua frente dele — como um padre — e seu primo tinha ido para um canto à direita, perto do altar, onde geralmente ficavam os padrinhos de casamento. Era uma sorte que ele e Tadase já tivessem escolhido quem seriam seus padrinhos e madrinhas. Nagihiko escolhera Kukai e Hideyoshi como seus padrinhos, e Amu e Rima como madrinhas. Já Tadase, escolheu Ikuto e Kairi como padrinhos, e Utau e Yaya como madrinhas.
Nagihiko deu alguns passos na direção do altar e, enquanto caminhava lentamente, viu vários outros rostos conhecidos. Viu que suas amigas já estavam posicionadas na área onde ficam as madrinhas. Yaya acenava escandalosamente para ele, trajando um longo vestido cor de rosa com alças de pérolas e um discreto laço no decote, assim como as demais garotas. Seus pais também estavam lá. Nagihiko não podia conter o espanto ao ver que sua mãe viera. Sabia que seu pai tinha finalmente aceitado Tadase, mas Kaoruko… bem, talvez ela finalmente tivesse mudado afinal. Os pais de Tadase também estavam lá, é claro. A felicidade estava estampada no rosto de Tsukasa. Haruka também tinha ido, com roupas femininas, provavelmente para não criar nenhuma confusão desnecessária. Até mesmo Yui estava lá. Nanami e Kyouharu também estavam entre os presentes. E o que mais o surpreendeu: Christopher, Jamie, e pequeno filho deles, Greg, também estavam entre os convidados. Nagihiko mal conseguia acreditar que os amigos realmente haviam se deslocado da Inglaterra para irem até lá. Chris mencionou uma vez que fazia questão de ir ao casamento deles, mas Nagihiko não imaginou que o rapaz estivesse falando sério.
Mas a surpresa logo foi substituída por um sentimento muito mais forte quando viu Tadase surgir à porta. Ele também tinha escolhido um terno branco, com uma camisa azul-clara por baixo e gravata-borboleta azul-marinho. Estava obviamente nervoso, as mãos tremendo, o rosto terrivelmente corado. Mas, ao encarar Nagihiko nos olhos, a coragem pareceu retornar. Ele respirou fundo e caminhou a passos decididos em direção ao noivo.
— Desculpa pela demora. Ele não sabia qual roupa vestir — Kukai falou baixinho ao passar por Nagi, rindo, mas ele pareceu não ouvir. Kukai e Kairi se juntaram a Hideyoshi, enquanto Tadase colocava-se ao lado de Nagihiko.
— Você está lindo — Nagihiko sussurrou para ele, fazendo Tadase corar novamente.
— Ei, deixem isso para a lua-de-mel — Ikuto falou baixo para que apenas os dois ouvissem, fazendo Nagihiko corar também. Em seguida, pigarreou e começou a falar mais alto para que todos ali ouvissem — Meus caros. Estamos aqui reunidos para unir estas duas pessoas em sagrado matrimônio. Agora, eu faria um longo e belo discurso sobre como é uma honra para uma dama se casar com o Ex-Rei da Academia Seiyo e meu irmão caçula, mas a noiva em questão parece ter aposentado as saias e resolveu vir vestida de homem, então…
— Vá direto ao que interessa, Ikuto — Nagihiko lhe lançou um olhar mortal.
— Certo, certo — Ikuto decidiu deixar as piadas para mais tarde — Então, Fujisaki Nadeshiko… não, espere, você é o Nagihiko agora… enfim, você aceita Hotori Tadase em sagrado matrimônio, na alegria e na tristeza, na riqueza e na pobreza, na saúde e na doença, até que a morte os separe?
— Aceito — Nagihiko encarou o loiro com ternura, segurando sua mão.
— E você, Hotori Tadase, aceita Fujisaki Nagihiko… credo, que nome comprido… bem, você o aceita em sagrado matrimônio, na alegria e na tristeza, na riqueza e na pobreza, na saúde e na doença, até que a morte os separe?
— Claro que sim — Tadase sorriu de volta para Nagi, entrelaçando seus dedos com os dele.
— Parem com esse olhar meloso, já disse para deixarem isso para a lua-de-mel — Ikuto os trouxe de volta à realidade — Muito bem, tragam as alianças!
— Hai, hai! Deixa comigo! — Amu se aproximou sorridente, carregando uma almofada vermelha contendo duas alianças douradas.
— Agora repita comigo, Nagi — mandou Ikuto — "Com essa aliança".
— Com essa aliança.
— "Eu o desposo".
— Eu o desposo — Nagihiko colocou a aliança no dedo anelar da mão esquerda de Tadase.
— Ok, sua vez, Tadase. Repita comigo: "Com essa aliança".
— Com essa aliança.
— "Eu o desposo" — completou Ikuto.
— Eu o desposo — Tadase concluiu, colocando a outra aliança no dedo anelar da mão esquerda de Nagihiko.
— Muito bem! E agora, pelo poder investido em mim pelos caras da internet, eu vos declaro casados! — Ikuto exclamou como se estivesse anunciando a estréia de um muito esperado filme de cinema — Anda, podem se beijar, eu sei que vocês só estavam esperando por isso mesmo — ele abanou a mão, deixando a pose de lado.
Nagihiko estava tão feliz que nem deu atenção à piada de Ikuto. Enlaçou Tadase pela cintura e selou seus lábios com os dele, dando seu primeiro beijo como um casal oficial. Finalmente haviam cumprido verdadeira e definitivamente a promessa de tantos anos atrás. Estavam unidos em matrimônio, suas vidas estavam entrelaças, e nada nem ninguém poderia separá-los agora. Eles ficariam juntos, como prometeram há tantos anos atrás.
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Dez anos depois…
— Kotarou! Vamos logo, vai se atrasar para a escola! — Nagihiko chamava pela terceira vez. Já estava se virando para subir até o segundo andar da casa, quando um menino de cabelos castanho-escuros e olhos cor de caramelo desceu pelas escadas sonolento, trajando o uniforme escolar da Academia Seiyo.
— Ohayou… — o menino murmurou, esfregando os olhos ainda com sono — O que tem para o café?
— Você demorou tanto pra se arrumar que provavelmente não vai nem ter tempo de tomar café… — Nagihiko provocou.
— O que? Não faz isso! Eu estou acordado, veja papai! — o menino pareceu despertar magicamente ao escutar aquilo.
Kotarou era um menino que ele e Tadase haviam adotado há sete anos atrás. Os três agora viviam a apenas algumas quadras da Academia Seiyo, já que Tadase e Nagihiko conseguiram, depois de muitos anos juntando dinheiro, comprar uma casa só para eles.
— Estou brincando, você sabe — Nagihiko sorriu para ele, fazendo-lhe um cafuné, e o menino suspirou aliviado — Mas você precisa se apressar.
— Nagihiko tem razão. Hoje é o primeiro dia do novo ano letivo, você não pode chegar atrasado! — Tadase concordou, enfiando apressadamente alguns documentos em sua pasta de trabalho.
— Mas a Misaki-chan e a Rin-chan chegavam atrasadas quase todo dia na escola no ano passado… e eu aposto que vai ser assim esse ano também — Kotarou reclamou com a boca cheia de comida.
— Não fale de boca cheia — Tadase repreendeu — Acontece que não pega bem o filho do diretor chegar atrasado no primeiro dia de aula. Então coma depressa porque precisamos sair daqui a pouco, entendeu? — o loiro explicou. Ele enfim havia se tornado o diretor da Academia Seiyo. Tadase imaginou que seria uma tarefa difícil, mas, na verdade era bastante parecido com o que ele fazia em sua época de Guardião. Só era mais trabalhoso — Mas, realmente… a Amu-chan e o Sanjou-kun devem ter muito trabalho cuidando de três meninas. Não é a toa que elas quase sempre se atrasam.
— E a filha mais nova deles ainda é muito pequena para frequentar Seiyo. Imagina quando ela também tiver idade… Amu-chan vai enlouquecer — Nagihiko riu só de imaginar — E pensar que a Misaki-chan se tornaria a Coringa da nova geração de Guardiões… bem, era de se esperar. É a filha da Amu-chan afinal.
— Qual a graça de ser a Coringa afinal? Eu sou o Rei, é um posto muito mais legal! — Kotarou exclamou de boca cheia.
— Ele é igualzinho a você, Tadase — Nagihiko riu.
— Bem… parece que é de família assumir o posto de Rei. Até o meu pai ocupou esse posto afinal — Tadase não pôde evitar de rir também.
— Nesse caso, o mesmo vale pra Yaya-chan. A filha mais velha dela acabou ocupando o posto de Às. Sem falar que é uma pestinha, igual à mãe quando era pequena — Nagihiko lembrou — E pensar que ela já grávida do quarto filho… acho que é uma espécie de "tradição" da família Souma ter muitos filhos.
— É… mas eu nunca imaginei que a filha da Utau-chan se tornaria uma Guardiã! — Tadase exclamou — Utau-chan parece ter adiado ao máximo o momento para ter filhos por causa da carreira, então a Irumi-chan acabou tendo a mesma idade que os nossos.
— Irumi-chan é uma verdadeira Rainha, igual à mãe. Com toda aquela pose… — Nagihiko brincou — Só continuo achando uma pena que nem o Hideyoshi-kun e nem a Nanami-san possam enxergar o Shugo Chara do filho deles.
— Hajime-kun é um ótimo Valete. Mas nenhum dos dois jamais tiveram Shugo Charas quando eram pequenos, então não tem como — Tadase colocou a mão no ombro de Nagihiko, confortando-o — Bem, mas você é praticamente tio dele. Hideyoshi-kun pode não ser capaz de enxergar Shugo Charas, mas você pode ensinar ao Hajime-kun sobre eles, não é?
— Tem razão — Nagihiko sorriu de volta — Mas sabe o que mais me surpreende?
— O que?
— A Rima-chan — respondeu Nagi — Francamente, já se passaram dez anos e ela realmente não se casou com o Ikuto! Até mesmo a Yaya-chan, que vivia dizendo que era um bebê, admitiu que gosta do Souma-kun, já está até no quarto filho… mas a Rima-chan sequer admite que está namorando, ou tendo um caso, ou sei lá o que com o Ikuto, quando todos nós já sabemos disso!
— Bem, o Ikuto-niisan não é o tipo de pessoa que se casa afinal — Tadase mencionou aquele fato inegável, deixando Nagihiko sem ter como discutir.
— Ei, papai! — Kotarou gritou lá da mesa — Quem é que ia se atrasar para a escola, hein? Eu já terminei de comer faz tempo, e vocês estão aí recordando o passado, olha só a hora! — ele apontou para o relógio.
— Ai meu Deus, está tarde! Precisamos ir, anda! — Tadase agarrou a pasta com uma das mãos e puxou Kotarou pelo braço com a outra.
— Espera, papai! Minha mochila! — o menino gritou.
— Iterashai — Nagihiko abriu a porta para eles, sem conseguir deixar de rir. Ele só começaria com suas aulas daqui a uma hora, então ainda tinha tempo para se preparar.
— Itekimasu! — Tadase e Kotarou exclamaram ao mesmo tempo. O menimo conseguiu se desvencilhar de Tadase para pegar a mochila, enquando este dava um rápido beijo de despedida em Nagihiko. Em seguida, os dois adentraram o carro e desapareceram ao virar uma esquina. Nagihiko fechou a porta, sem conseguir deixar de pensar na enorme felicidade que sentia. Estavam vivendo assim já fazia dez anos, mas, tinham passado por tantos problemas, tantas dificuldades, que poder vivenciar aquele simples cotidiano ao lado de Tadase e do filho deles era como um verdadeiro milagre. Não havia felicidade maior do que poder cumprir todos os dias sua promessa.
~*~ THE END ~*~
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