Itsumo Yakusoku
57 Capítulo 57 - Slow
Notas iniciais
Ah, nas noites que penso em você, uma doce brisa sopra
E uma forma confortável de gentileza passa por mim
Eu podia ouvir quando você estava lá,
O riso que se transformou em uma canção,
Não houve palavras elaboradas,
O tempo pára, e está fluindo lentamente
Agora que eu me afastei da liberdade chamada solidão
Eu sei o quão doloroso é
Se a conversa é interrompida, é triste
Agora nós nos afastamos da vida chamada vazio
Ah, nas noites que penso em você,
Uma doce brisa sopra
Vestígios de você a partir do momento
Em que nos tocamos me salvam
Ah, se você cantar,
Ele será transportado para mim,
Envolto no vento distante
E uma forma confortável de gentileza passa por mim
Capítulo 57
~
Slow
Depois de retornar para a Nyanderful, Nagihiko entregou para Tadase algumas de suas roupas para que o namorado ao menos tivesse o que usar durante esse tempo, muito embora as roupas de Nagihiko ficassem grandes demais nele. Também lhe contou que seus amigos estavam ficando preocupados com o repentino sumiço do loiro e estavam começando a lhe perguntar se ele sabia do motivo disso tudo, então Tadase disse apenas que conversaria melhor com todos depois e explicaria tudo ele mesmo.
Depois de algum esforço, Nagihiko conseguiu convencê-lo a sair um pouco para espairecer, ainda que não fosse naquele dia. Decidiram então sair no dia seguinte que, felizmente, era uma sexta-feira, portanto eles não teriam hora para voltar.
E na tarde do dia seguinte, antes da hora marcada, Nagihiko foi até o colégio Koyama no horário em que terminaram as aulas para dar o recado de Tadase, e aproveitar para apresentar Christopher aos outros, já que o próprio rapaz parecia ansioso para conhecer os amigos de quem Nagihiko tanto falava quando viviam na Inglaterra.
— Yahoo~ Nagi! Há quanto tempo! — Yaya foi a primeira a se pronunciar, escandalosa como sempre — Você está sempre se encontrando só com o Tadase, se esquece até dos amig... ué? — ela interrompeu-se ao notar o garoto que vinha ao lado dele — Quem é esse garoto, Nagi? Ah! Não me diga que você trocou o Tadase por ele?! Que cruel, depois de tudo que vocês passaram!
— Acalme-se Yaya-chan, deixe as outras pessoas falarem também — Nagihiko pediu, já acostumado com o monte de besteiras que sua amiga vivia dizendo.
— Então essa é a menina escandalosa de quem você falou, Nagihiko? Ela parece ser cheia de energia mesmo — Chris apenas riu, sentindo que poderia mesmo se divertir com aquelas pessoas e esquecer um pouco dos seus próprios problemas.
— Sim, ela mesma — Nagihiko passou a mão pelos longos cabelos, ficando cansado só em ver o estado energético em que Yaya sempre se encontrava — Pessoal, esse é o Christopher. Eu o conheci enquanto vivia em Londres, ele estava no mesmo grupo de dança e interpretação que eu — ele apresentou, falando então os nomes de cada um para o amigo, embora não tivesse certeza se ele fosse decorar tantos nomes de uma só vez.
— Olha só, então você tinha amigos lá em Londres afinal... eu jurava que você passou todo aquele tempo deprimido por causa do Tadase-kun — Amu comentou surpresa — Prazer em conhecê-lo, Christopher-kun!
— Quem diria, você tem um amigo estrangeiro, Fujisaki... etto, você fala japonês? — Kukai, que não estudava mais lá mas vivia visitando o local como na época dos Guardiões, indagou incerto — Ahn... I'm Souma Kukai, nice to "mit"... digo, meet...
— Não precisa tentar falar em inglês, ele conhece nosso idioma, Souma-kun — Nagihiko o interrompeu.
— É uma surpresa um amigo seu vir para o Japão assim tão de repente... por que não nos avisou? — Rima indagou para Nagihiko com um ar meio desconfiado.
— Bem, o Chris também me pegou de surpresa, eu não sabia que ele vinha — ele respondeu, embora Rima continuasse a olhar de modo suspeito para ele.
— Ano nee, Nagi... ele é realmente apenas um amigo seu ou você andou tendo algum caso secreto enquanto estava fora do Japão, longe de todos nós pra não haver testemunhas, hein? — Yaya indagou, ainda mais desconfiada do que a loira — Esse garoto parece ser menos tímido e desinibido do que o Tadase, mas também tem cabelos loiros... ah, já sei! Você tem algum tipo de fetiche por rapazes de cabelos loiros, não é?! — ela apontou acusadoramente para Nagi, seus pensamentos ficando cada vez mais mirabolantes e sem sentido.
— Hey, hey, se você é mesmo amiga do Nagihiko então deveria saber que esse cara ama o Tadase-kun mais do que tudo no mundo, não? — Chris respondeu pelo amigo, já pré-avisado por Nagi que seus amigos sabiam sobre ele e Tadase e os apoiavam — Não se preocupe, garota, somos apenas amigos mesmo. E eu também... ahn, já gosto de outra pessoa.
— Ah... bem, se é esse o caso, tudo bem então! — Yaya trocou repentinamente seu olhar desconfiado pelo sorriso exagerado e o ar de agitação que apresentava antes — Waaah~ é a primeira vez que a Yaya conhece um estrangeiro! Que legal! Nee, como é Londres? Faz mesmo muito frio lá? A comida de lá é boa? E quem é a pessoa que você gosta? Por que ela não veio com você? — ela começou a rodear Christopher, enchendo-o de perguntas.
— Acalme-se, vai deixar o garoto tonto com tantas perguntas — Kairi a repreendeu, puxando a garota pelo braço para longe do estrangeiro.
— Então quer dizer que você sabe sobre o Nagihiko e o Tadase? — Rima indagou, já que o próprio Christopher havia mencionado o relacionamento deles antes, e o rapaz confirmou com um aceno de cabeça — Ehh, quem diria... não sabia que os ingleses tinham uma mente tão aberta para esse tipo de coisas.
— Aliás, falando do Tadase-kun... o que aconteceu com ele afinal, Nagihiko? — Amu indagou.
— É verdade! Já faz quase uma semana que o Tadase não aparece na escola, isso não combina com ele! — Yaya exclamou.
— Ele nem sequer deu uma justificativa, ele não é de faltar por qualquer coisa, até ia pra escola resfriado na época do primário... você sabe o que aconteceu com ele, Fujisaki? — Kukai acrescentou, também preocupado.
— Bem, sim... mas é um assunto meio pessoal, então vim apenas para trazer um recado: O Tadase disse que quer explicar tudo pessoalmente para vocês. Ele está meio... ahn, ele não está bem, e não quer sair pra lugar nenhum agora, mas eu consegui convencê-lo a sair amanhã. Eu falei com a Utau-san, e ela disse que podemos ir para o apartamento dela, o lugar é bem grande, e o Tadase virá comigo pra conversar com vocês. Então, todos podem ir?
— Mas é claro! Há dias que queremos saber o que aconteceu com o Tadase afinal! — Yaya exclamou, falando mais por si mesma do que pelos outros — Nee, você vai também, Chris-kun?
— Of course (É claro)! — Christopher respondeu prontamente com ar animado — Também estou preocupado com o que aconteceu com o Tadase-kun... e também quero conversar mais com vocês! É realmente incrível encontrar tantas pessoas que aceitem numa boa esse tipo de relacionamento, não é muito fácil encontrar gente assim na Inglaterra, sabem...
— Como assim? — Yaya indagou, seu "instinto" para esse tipo de coisas começando a se aguçar — Ehh... Chris-kun, não me diga que você...
— Ah, bem... se vocês sabem sobre o Nagihiko, acho que não tem problema contar... — Chris falou incerto, mais para si mesmo, coçando atrás da cabeça meio sem jeito — Na verdade, eu também... hmm, sou como o Nagihiko. A pessoa que eu falei que gosto... é um rapaz.
— Kyaah~ eu sabia! — a ruiva exclamou em tom agudo, completamente maravilhada com aquela informação — Um novo amigo estrangeiro que gosta de garotos... e já está apaixonado por um menino... kyaaah~ Yaya está tão feliz! Feliz em dobro!
— Uau, sua amiga realmente gosta desse tipo de coisas, hein Nagihiko... achei que você estava brincando quando me contou isso — Christopher comentou, meio surpreso com aquele exagero de reação da garota — Quem me dera ter mais pessoas assim em Londres...
— Você não iria querer conviver com alguém tão escandalosa e problemática como ela, acredite — Kairi falou sabiamente, pois era o que mais sofria com os ataques histéricos da ruiva.
— Bem, de qualquer forma, combinamos de nos encontrar às seis da tarde, no apartamento da Utau-san — Nagihiko interrompeu o que certamente seria um longo surto escandaloso de Yaya — Eu preciso ir pra casa agora e avisar minha mãe que vou ter que sair. Ainda preciso inventar alguma desculpa pra ela, aliás... bem, de qualquer forma, vejo vocês lá.
— See you later (Vejo vocês depois!)! — Christopher despediu-se também, dando meia-volta e seguindo na direção contrária à deles, junto com Nagihiko.
—-----------
Mais tarde, quando todos já estavam reunidos no apartamento de Utau, enfim havia chegado a hora de Tadase aliviar a preocupação de seus amigos devido ao seu repentino desaparecimento. Até mesmo aqueles que não eram seus amigos tão próximos assim, como Kyouharu, Nanami, Hideyoshi e Christopher (que ele tinha acabado de conhecer aliás) estavam presentes, tanto por também estarem preocupados com o loiro quanto para evitar possíveis confusões futuras.
Nagihiko havia conseguido dar um jeito de convencer sua mãe a lhe deixar sair, embora só pudesse passar algumas horas fora, dizendo que iria visitar Kukai para conversar algumas coisas sobre a faculdade, já que o ruivo era um ano mais velho e, tecnicamente, deveria entender melhor sobre esse assunto. Ao invés de fazer isso, ele foi direto até a loja de Ikuto para acompanhar Tadase até o apartamento de Utau, os dois indo juntos com Christopher e o próprio Ikuto, é claro. Lá, encontraram seus amigos já esperando por eles. Depois de alguma dificuldade para convencer a todos a ficarem em silêncio e apenas escutarem com atenção sem fazer interrupções, Tadase explicou o mais brevemente que pôde sobre sua verdadeira origem.
A maioria dos ali presentes permanecerem em silêncio depois de ouvir aquilo, mais por causa do choque com aquela revelação do que qualquer outra coisa. No entanto, sempre havia alguém que acabaria com aquela tensa situação com algum comentário escandaloso:
— Ehh?! Então quer dizer que, no fim das contas, você é mesmo filho do Tsukasa-san, Tadase?? — obviamente Yaya foi a primeira a cortar o silêncio.
— Tá certo que você é mesmo a cara dele, mas... daí a ser filho dele?! — Kukai acrescentou, também com o tom de voz elevado.
— Cara, nós deveríamos ter notado isso há muito tempo... o Tadase é praticamente uma cópia do Tsukasa-san, é como se fosse uma versão mais jovem dele! Não sei como não percebemos isso antes! — a ruiva exclamou, elevando a voz algumas oitavas.
— Pois é, foi exatamente o que eu disse! — Ikuto exclamou, apontando para a garota, parecendo feliz que alguém ali tivesse concordado com ele — o Tadase é como se fosse... sei lá, uma versão quinze anos mais jovem do Tsukasa, não sei como não notamos isso antes!
— Vocês dois, parem de fazer escândalo já, seus insensíveis! — Utau exclamou em tom de repreensão, dando um tapa na cabeça de Yaya e Ikuto, que soltaram uma exclamação de dor ao mesmo tempo.
— Demo nee... por mais que vocês dois sejam parecidos fisicamente, ainda é difícil de acreditar — Kukai comentou, ainda assombrado com aquela informação — Você tem certeza mesmo disso, Tadase??
— Tenho sim — Tadase confirmou de cabeça baixa, sem conseguir e nem ter vontade encarar ninguém — A minha própria mã... err...
— Ele me disse que a Mizue-san foi quem contou isso pra ele — Nagihiko completou a explicação do namorado, lembrando-se da dificuldade dele em parar de chamar Mizue de "mãe", bem como também não saber mais como chamá-la.
— E, pelo que ele me disse, o Tsukasa-san não negou, então deve ser verdade mesmo — Utau acrescentou.
— Tadase-san, eu... nem sei o que dizer... não faço ideia de como você deve estar se sentindo agora, eu sinto muito... — Nanami murmurou sem realmente saber o que falar numa situação daquelas. Oficialmente ela ainda era noiva de Tadase mas, depois dessa súbita revelação, a relação entre eles com certeza não demoraria para mudar. Porém, independente disso, ela havia se tornado amiga de Tadase, e queria saber como ajudá-lo, mesmo que não soubesse o que falar numa situação dessas.
— Eu também... nem imagino o quanto isso deve estar sendo difícil pra você, mas... bem, se precisar de alguma coisa, pode contar comigo, Tadase-kun — Amu acrescentou, também sem saber o que dizer após ouvir aquilo, assim como a maioria dos ali presentes.
— Também te ajudarei com o que puder, qualquer coisa é só dizer — Kairi acrescentou com o máximo de confiança que conseguiu transmitir em sua voz.
— O mesmo vale pra mim. Amigos servem pra isso, certo? — Rima completou, milagrosamente sorrindo.
— Muito obrigado pessoal, a todos vocês... obrigado de verdade — Tadase agradeceu sinceramente, tentando forçar um sorriso que acabou saindo inevitavelmente triste — Então, se puderem, eu... preciso copiar a matéria dos últimos dias, faltei às aulas praticamente a semana inteira afinal...
— Esse sim é o Tadase que eu conheço, até numa situação dessas ele ainda consegue se preocupar com as coisas da escola! — Kukai exclamou, dando um sorriso numa tentativa de animar o amigo — Mas você tem certeza de que não precisa de mais nada? Pelo que eu entendi, você fugiu de casa sem levar nada com você, não foi? — ele acrescentou mais sério, e Tadase confirmou com um aceno de cabeça.
— Eu emprestei algumas roupas minhas pra ele, mas não sei se é o suficiente — Nagihiko contou, também preocupado com aquilo.
— Eu duvido que sirvam, suas roupas ficaram enormes nesse baixinho! — Ikuto exclamou, apontando para as roupas que o loiro vestia agora, que pertenciam a Nagihiko e que realmente tinham ficado grandes demais nele. A calça arrastava no chão, e ele teve que dobrar duas vezes as mangas do casaco para que elas não engolissem suas mãos. Em seguida, Ikuto bagunçou os cabelos de Tadase com a outra mão, que não soube dizer se aquilo era uma tentativa de lhe fazer um cafuné ou se o mais velho estava só implicando com ele mesmo.
— Etto... então eu posso te emprestar umas roupas minhas, se quiser. Acho que temos mais ou menos o mesmo tamanho — Hideyoshi murmurou timidamente.
— Ah, sim... o Hideyoshi também não é lá muito alto, as roupas dele devem servir melhor no Tadase — Kyouharu comentou.
— Well, Tadase-kun... sei que acabamos de nos conhecer, mas sinta-se à vontade para falar comigo se estiver precisando de alguma coisa — Christopher falou com um sorriso solidário — Adoraria poder ajudar o namorado do meu amigo afinal.
— Arigatou, Christopher-san, de verdade — Tadase respondeu, tentando novamente forçar um sorriso, sem sucesso dessa vez.
— Ah, agora que você falou... esse garoto eu não conheço — Nanami comentou com ar curioso — Você conhece ele, Hideyoshi-kun?
— Sim... ele ele estava no mesmo grupo de dança e interpretação que o Nagihiko-kun quando vivíamos na Inglaterra — Hideyoshi respondeu — Mas nunca cheguei a conversar muito com ele na verdade, só o conheço de vista mesmo — ele sorriu meio sem graça.
— Ah sim, é verdade — Nagihiko concordou, estranhando de repente o fato de que um de seus poucos amigos na Inglaterra mal conhecia a pessoa que dividia o apartamento com ele — Então, para quem não conhece ainda, esse é o Christopher. Como o Hideyoshi-kun disse, ele estudava dança e interpretação junto comigo em Londres. Ele veio me visitar, apesar de ter me pego de surpresa também.
— Yoo, prazer em conhecê-lo, pirralho estrangeiro — Ikuto ergueu a mão no ar de qualquer jeito no que pretendia ser um aceno de cumprimento, com seu velho costume de chamar todo mundo de pirralho, mesmo os dois tendo poucos anos de diferença de idade.
— Prazer... apesar de já termos nos visto antes — Chris respondeu sorrindo.
— Hein? Nós já nos vimos? Quando? — Ikuto ergueu-se um pouco no sofá onde estava esparramado, como não havia se dado ao trabalho de fazer antes para cumprimentá-lo.
— O Christopher-san já foi na sua loja antes, Ikuto-niisan — Tadase contou com voz monótona de tão deprimido que ainda estava.
— Ehh?! E quando foi isso? — o mais velho exclamou ainda mais alto.
— Ontem, quando eu fui ver como o Tadase estava. Christopher-kun estava comigo, mas você estava dormindo em cima do balcão, então não deve ter nem notado — Nagihiko respondeu — Pode olhar nas câmeras de segurança depois, se quiser... isto é, se você tiver câmeras de segurança.
— Ah sim, eu deveria comprar algumas mesmo... — Ikuto murmurou mais para si mesmo em tom pensativo, e Nagi revirou os olhos, ainda pensando em como era impressionante que ele ainda não tivesse sido assaltado — Bem, que seja. Então, vamos comemorar a chegada do seu amigo estrangeiro e fazer um brinde! — ele levantou-se num salto, parecendo desejar ter qualquer motivo para poder beber alguma coisa.
— Nada disso! Nosso único objetivo aqui é ajudar o Tadase a resolver esse problema com a família dele, já esqueceu? — Nagihiko falou em tom de repreensão, o que soava estranho, considerando que ele era mais novo e mais baixo do que Ikuto — Sem falar que não vamos beber nada que tenha sido trazido por você!
— Ehh?! E por que não? — Ikuto exclamou num tom manhoso que não combinava com ele.
— Porque tudo o que você traz pra gente beber é no mínimo suspeito e só causa desastres que me dá um trabalhão pra resolver depois — o mais jovem respondeu.
— Ora, vamos, vocês já são praticamente maiores de idade, não tem problema beber só um pouquinho! — Kyouharu insistiu, animando-se rapidamente também. É claro, sendo amigo de Ikuto, ele só poderia ter esse tipo de linha de raciocínio mesmo.
— Nada disso, Yaya ainda é só um bebê, Kyou-chan! — a ruiva bufou, zangada com aquela tentativa de argumento do rapaz — Mas a Yaya aceita beber um pouquinho assim mesmo!
— NÃO!!! — Amu, Kairi, Rima, Nagihiko, Nanami e Hideyoshi gritaram em uníssono como se tivessem combinado isso, o que transformou os gritos em um berro estridente.
— Você já causa problemas demais estando sóbria, nem pense em beber nada alcoólico, Yaya-chan! — Nagihiko exclamou irritado, sem conseguir deixar de notar que, se Tadase não tinha nem se dado ao trabalho de repreender Yaya, então ele devia estar mal mesmo.
Infelizmente, a maioria do grupo estava tão ocupado em fazer Yaya concordar a não beber nada que contesse álcool que não perceberam que os mais velhos tinham ignorado o apelo deles e agora começavam a brindar a chegada de Chris ao Japão. Quando se deram conta disso já era demasiadamente tarde, de modo que só puderam suspirar derrotados e torcer para que nada de grave acontecesse.
Mas é claro que de nada adiantava torcer para que o inevitável não acontecesse. Em pouco tempo Ikuto, Kyouharu e Utau já tinham bebido um tantinho demais da conta. E eles não eram os únicos pois, dessa vez, Christopher tinha se juntado à eles.
— Essa não... Christopher-kun, largue isso! Você sabe que não pode beber essas coisas! — Nagihiko exclamou alarmado.
— Ehh?! Mas por que, Nagi-kun? I'm grown-up now (Eu já estou crescido)! — o amigo exclamou de volta, começando a misturar os idiomas, o que só provava de que aquilo realmente não era bom.
— Qual o problema, Nagihiko? Você disse que ele já é maior de idade, não é? — Tadase indagou para ele no que deveria ser um tom curioso, porém não continha nada mais que desânimo em sua voz.
— Sim, mas... o Chris-kun é fraco pra bebidas, nada de bom acontece quando ele começa a beber álcool — seu namorado respondeu sério — É melhor ficar longe dele, Tadase.
— Humm, você está todo preocupado com seu namorado de novo, nee Nagi-kun? — Christopher se aproximou deles, falando num tom sugestivo que lembrava estranhamente o mesmo que Yaya usava quando se referia aos dois — Vocês realmente formam um casal muito fofo! Ainda não entendo como os pais de vocês podem ser contra um amor tão "rindo" como o de vocês — como se não bastasse os idiomas, Chris começou até a se atrapalhar com as palavras, dizendo "rindo" ao invés de "lindo" — Eles devem estar mais é para padrastos mesmo! — ele exclamou, mudando seu tom de voz de sugestivo para zangado de repente.
— Sim... eu realmente fui criado com um padrasto e uma madrasta de certa forma no fim das contas — Tadase acabou concordando com a parte menos importante da frase do mais velho devido aos problemas familiares que estava tendo agora, ficando ainda mais entristecido, se é que isso era possível.
— Ah, droga... pare com isso, Chris-kun! Você se lembra de como o Jamie sempre brigava com você quando insistia em beber álcool, não é? — Nagihiko exclamou com um mau pressentimento.
— Ah é... o Jamie... — o tom zangado de Christopher mudou de novo, dessa vez para triste — Ele... vivia brigando comigo, e discutindo por qualquer coisa. Eu sempre amei aquela personalidade reservada dele, as músicas que ele tocava, que pareciam transmitir uma gentileza e carinho infinitas em suas melodias, o sorriso discreto dele, tudo... eu amava tudo nele. Mas, mesmo assim, nós brigamos de novo. A nossa última briga foi feia... e nós terminamos — ele recordou, com cara de quem iria chorar a qualquer momento. No entanto, além da cara de choro, ele também começou a gritar, em tom de voz zangado novamente — Damn, that jerk Jamie (Droga, aquele idiota do Jamie)! Por que ele sempre tem que complicar tanto as coisas?! Ahh, eu queria que ele fosse um namorado mais compreensivo e carinhoso como você, Nagihiko... como eu gostaria de ter me apaixonado por alguém como você... — ele começou a falar num tom mais manhoso, curiosamente parecido com o de Tadase, agarrando-se ao braço do amigo.
— N-Não diga isso, Christopher, você sabe que o Jamie-kun te ama. E você gosta dele do jeito que ele é, então pare de falar essas coisas... é o álcool falando por você, pare com isso — Nagihiko pediu, seu mau pressentimento aumentando cada vez mais. Ele conhecia Chris muito bem e sabia que ele era uma ótima pessoa, mas... quando começava a beber álcool, suas palavras e ações tornavam-se completamente inescrutáveis.
— Não é nada! É a mais pura verdade, isso sim! — Christopher exclamou de volta ainda em tom manhoso — Aquele idiota teimoso do Jamie... ele bem que podia ser mais como você, Nagi-kun...
— Solte ele — Tadase falou de repente, sem aquela expressão depressiva na voz pela primeira vez em muitos dias — Tire as mãos dele agora! Eu já perdi muita coisa... não vou perder o Nagihiko, nem pra você e nem pra ninguém! Você que vá se entender com o tal Jamie, mas deixe o Nagihiko em paz! Ele é meu! — o loiro exclamou alto, empurrando Christopher para longe, que cambaleou para trás até cair sentado no chão, e abraçando o namorado de forma possessiva. Depois de alguns instantes, Nagihiko notou que Tadase não parecia estar agindo do modo mimado e ciumento como geralmente acontecia. Ele parecia mais alguém desesperado à ponto de fazer qualquer coisa para não perder a única pessoa que ainda lhe dava forças para viver.
— Tadase...? — Nagihiko chamou hesitante, ainda mais preocupado com ele do que antes.
— Quero ir embora... vamos sair daqui, Nagihiko — o loiro falou baixo e mais sério, puxando o namorado pela mão e arrastando-o pela mão para fora do apartamento de Utau, ignorando os chamados confusos dos outros. Ele não estava tendo uma crise de ciúmes exatamente, nem zangado com Nagihiko... estava exatamente do jeito que seu namorado concluiu: completamente desesperado e apavorado com a mais remota possibilidade de perder a única pessoa que ainda lhe restava, a pessoa que era mais preciosa e importante para ele em todo mundo, seu amado Nagihiko.
Já o próprio Nagi, apenas seguiu Tadase para longe dos outros, andando com ele pelos corredores desertos e deixando-se ser arrastado pelo menor, sem saber o que dizer ou como agir depois desse inusitado acontecimento. Tudo o que ele conseguia pensar no momento era que ele tinha razão no que dissera antes: Toda e qualquer coisa que Ikuto traga para os demais beberem só causavam problemas e desastres, que acabavam sobrando para ele resolver depois.
Fale com o autor