Itsumo Yakusoku

42 Capítulo 42 - Dream Eating Monochrome Baku


Notas iniciais
Dream Eating Monochrome Baku - Vocaloid http://letras.mus.br/vocaloid/1946594/traducao.html#legenda

De onde é que eu venho?
Qual é a aparência que tenho?
Ninguém sabe
Sim, eu sou o monocromático comedor de sonhos baku

Esta jovem está
Com problemas para dormir durante a noite?
Nesse caso, que tal eu
Te lançar um feitiço?

... Anda, vamos juntar os nossos dedos e fazer uma promessa

Você teve algum pesadelo? Deixe que eu cuido disso
Eu vou comê-los completamente
Não há mais preocupações, agora você pode dormir tranquila
Esquecendo todas essas coisas horríveis

Bem, quando a lua cheia chegar, o meu trabalho estará terminado
O pagamento será... você está bem ciente disso, certo?
Dentro desses teus olhos, esses sonhos vividos,
Devo tirar tudo, tudo que te pertence

Capítulo 42

~

Dream Eating Monochrome Baku


Alguns dias se passaram e, embora tenham sido poucos, para algumas pessoas eles pareciam muitos, já que significava que a viagem dos pais de Tadase estava chegando ao fim e, consequentemente, sua vida feliz e tranquila ao lado de Nagihiko também. Logo o dançarino teria que deixar a residência dos Hotori e retornar para sua casa, voltando de sua "viagem de acampamento do clube de teatro" do qual ele nem fazia parte na verdade, e a doce e feliz vida de recém-casados dos dois chegaria ao fim. Esse fato entristecia ambos, no entanto, quem mais parecia triste com isso no momento era Tadase. Tanto que, até mesmo seus amigos conseguiram notar isso durante uma reunião do Conselho Estudantil naquela tarde:


– Qual é o seu problema afinal, hein Tadase? — Rima indagou sem nenhuma delicadeza, como sempre, já cansada de tanto ver o amigo suspirar tristemente — Desse jeito você vai perder todo o ar em seus pulmões de tanto suspirar, hein?
– Eh? D-Do que está falando, Mashiro san?! — o loiro despertou bruscamente de seus devaneios com o comentário, encarando-a surpreso
– Sutil como sempre, hein, Mashiro... — Kukai ironizou com uma gota na cabeça — Mas sabe, ela tem razão de certa forma... qual o problema com você, hein, Tadase?
– Ah, nenhum... e-está tudo bem, é sério... — Tadase tentou disfarçar inutilmente, escondendo o rosto atrás dos documentos que deveria estar revisando
– Mentiroso — Rima acusou — Se estivesse tudo bem você não estaria com essa cara de cachorro que caiu da mudança
– Ahh céus, pare de ser tão insensível, Rima! — Amu repreendeu — Mas, sabe, ela até que está certa... o que aconteceu afinal, hein Tadase-kun? Até poucos dias atrás você estava todo feliz, curtindo a sua vida de "recém-casado" com o Nagihiko... por que parece estar tão deprimido agora? Não me diga que vocês brigaram de novo?!
– Ahh não, claro que não! — o garoto negou prontamente — É só que... os meus pais vão voltar depois de amanhã... então, o Nagihiko terá que voltar pra casa dele quando eles chegarem...
– Ah, então é isso... a sua vidinha feliz e tranquila está chegando ao fim... bem, mas não é motivo pra ficar assim todo deprimido, vocês vão apenas voltar a viver do modo como era antes afinal — a loira deu de ombros, voltando a assinar os documentos diante dela que Rima nem ao menos se dava ao trabalho de ler
– Bom... ao menos não é algo assim tão sério... pense por esse lado, pelo menos vocês não brigaram nem nada — até mesmo o mais velho tentou ser menos indelicado do que Rima
– Sim, mas... eu estava tão feliz vivendo dessa maneira que não queria que acabasse... é como se o sonho da minha vida estivesse prestes a se tornar um pesadelo ou algo assim... já que teremos que voltar àquela rotina de sair escondidos, mantendo segredo dos nossos pais, e todo o resto — Tadase queixou-se, parecendo uma criança mimada — Tantas pessoas me ajudaram a conseguir esses poucos dias de felicidade ao lado do Nagihiko... não apenas nossos Shugo Charas, mas também o Tsukasa-san, e até mesmo o Hideyoshi-kun nos acobertou, eu simplesmente não queria que acabasse... — o loiro lamentou-se, quando então, de repente, seus pensamentos tomaram um rumo completamente diferente.


Sim, seus dias vivendo feliz ao lado de Nagihiko estavam chegando ao fim, era verdade, mas... ainda assim, eles voltariam a se encontrar escondidos como antes, e um dia dariam um jeito de realmente morarem juntos e serem felizes em algum lugar que realmente fosse apenas dos dois. No entanto, ainda haviam pessoas que, mesmo que os estivesse ajudando, ainda não tinham nem mesmo isso. Não tinham nem começado a experimentar dessa aconchegante sensação de ficar ao lado da pessoa amada, na verdade. Recordou do que Nagi lhe contou algum tempo atrás, sobre Hideyoshi gostar de Nanami, e não ter a menor ideia do que fazer, já que a garota já estava comprometida. Ela estava presa em um noivado forçado com Tadase, era verdade, mas... nenhum dos dois pretendiam de fato se casar no final. É claro que Tadase sabia que o garoto sentia-se no mínimo desconfortável e constrangido quando estava perto dele e de Nagihiko, mas não os julgava nem criticava, como a maioria das pessoas haviam feito até agora, parecia simplesmente não saber como lidar com isso. E, desde que soube da verdade sobre eles, o garoto sempre ajudou a acobertá-los como pudesse, mesmo estando na maior parte do tempo embaraçado com essa situação. Tadase gostaria de poder retribuir todo o esforço e ajuda dele de alguma forma... e não conseguia pensar em outra maneira que não fosse ajudando ele a ficar com Nanami. Ele não tinha a menor pretensão de se casar com a garota, e se ela começasse a se interessar por Hideyoshi, talvez ele também pudesse se livrar daquele noivado incômodo... sem falar que, de quebra, caso Nanami ainda tivesse uma queda por Nagihiko, como tinha quando eram mais novos e se conheceram, ela também deixaria enfim seu namorado em paz. Talvez aquilo soasse um tanto egoísta, pensando dessa maneira, mas... ele realmente gostaria de poder retribuir a gentileza de Hideyoshi ajudando-o.


O único problema era que Tadase não tinha a menor ideia de como fazer isso. Tecnicamente, nunca havia se declarado para ninguém antes, já que fora Nagihiko quem se declarou pra ele, e os dois começaram a namorar desde então. E, além do mais, ao contrário dele, Hideyoshi gostava de uma garota... ele não tinha muita certeza, mas achava que isso poderia ser um pouco diferente quando um rapaz gostava de uma garota. Por mais que quisesse ajudar, ele realmente não sabia nem por onde começar.


– Ei, Tadase... no que está pensando agora, hein? — o ruivo indagou, reparando no silêncio repentino dele — Não adianta ficar se lamentando aí sozinho, viu?
– Ah não, não é isso... eu só... estava pensando que... bem... — ele fez uma pausa, receando contar aquilo para os demais. Não era o tipo de pessoa que saía por aí comentando sobre a vida pessoal dos outros, sabia muito bem o quanto isso errado, mas... ainda assim, se quisesse mesmo ajudá-lo, precisava no mínimo de algum conselho para poder começar — Bom, é que eu... tenho um amigo... que, bem, tem me ajudado ultimamente, e eu estive pensando em como retribuir... eu soube há algum tempo que ele... bem... gosta de uma g-garota, então estava pensando em ajudá-lo a ficar com a menina que ele gosta, mas... não tenho a menor ideia de por onde começar...
– Ei, Tadase... quando você diz que tem "um amigo", quer dizer um amigo de verdade, ou está dizendo isso só pra tentar disfarçar e tentar nos fazer pensar que não está falando de si mesmo, hein? — Rima arqueou uma sobrancelha desconfiada
– Pare de dizer besteiras, Rima, por que o Tadase-kun diria algo assim se ele já tem o Nagihiko afinal? — Amu lembrou, revirando os olhos — E é compreensível que você não saiba por onde começar, já que se trata... bem, de uma garota afinal... m-mas não se preocupe, Tadase-kun, nós vamos te ajudar! Podemos bolar um plano juntos pra juntar esses dois, certo pessoal?
– Bom... eu não entendo realmente muita coisa desse assunto, mas... se puder ajudar de alguma forma, pode contar comigo, Tadase — Kukai concordou, sorrindo meio sem graça
– Também não me importo em dar uma mãozinha — Rima acrescentou
– Assim que se fala! — Amu exclamou, como se os outros dois tivessem dado respostas tremendamente positivas e encorajadoras. Desde que finalmente se entendera com Kairi, ela andava com um ar definitivamente mais alegre e confiante, tanto que agora queria poder partilhar daquela imensa felicidade de se estar junto da pessoa amada com todos ao seu redor — Então, Tadase-kun, do que você precisa? De ajuda para colocar algum plano em prática? Bancar o cupido, talvez?
– N-Na verdade, de um pouco mais do que isso... já que se trata de uma garota, eu nem tenho ideia de por onde começar...
– Bem, então precisamos primeiro bolar algum plano de ação! — Amu exclamou, com uma aura de cupido quase visível envolvendo-a
– Humm... que tal aquela ideia que vemos de vez em quando nos mangás? Sabe, sobre a pessoa escrever uma carta de amor e entregar para a pessoa que ama... — Rima lembrou
– Isso! Boa, Rima! — Amu empolgou-se ainda mais ao ver que os outros estavam participando da conversa
– Não sei se isso funcionaria... e-eu mesmo já tentei fazer isso alguns anos atrás, antes de começar a namorar o Nagihiko, e... b-bem, não deu muito certo... — o loiro murmurou, corando um pouco ao se lembrar disso — S-Sem falar que meu amigo é muito tímido, duvido muito que ele conseguiria fazer algo assim...
– Bem, então... que tal armarmos um falso encontro para os dois, em um lugar divertido e, ao mesmo tempo, com um ar romântico, para ver se assim conseguimos despertar os sentimentos da garota pelo seu amigo? — Amu sugeriu
– Bem, talvez... mas, onde exatamente?
– Ah! Não sei quanto ao "ar romântico", mas... eu soube que logo vão inaugurar um parque novo perto da estação... eu dei uma olhada outro dia, e o lugar parece que vai ser realmente divertido! — Kukai lembrou-se
– Isso! Boa, Kukai! — Amu apontou vitoriosa para o mais velho — Definitivamente é um bom lugar! Assim, eles podem passar o dia juntos, se divertindo no parque e, no final, podem ir até a roda gigante, onde terão alguma privacidade, sem falar de uma vista linda ao pôr do sol... e então ele se declara pra garota! É perfeito!
– Bem... talvez... — Tadase murmurou, sem ter muita certeza se aquela era ou não uma boa ideia. Hideyoshi parecia ser tão ou mais acanhado do que ele, e sinceramente duvidava que o garoto pudesse fazer algo assim, mas... quem sabe, se ele falasse sobre esses protótipos de planos com Nagihiko primeiro, ele não poderia ajudar também? — Eu vou pensar nisso com mais cuidado, então decido com calma depois... arigatou, minna-san.


Depois daquilo, eles enfim voltaram a se concentrar nos documentos que deveriam estar revisando ao invés de ficar conversando e bolando planos amorosos e, pouco mais de uma hora depois, foram embora. Kukai e Rima foram os primeiros a irem para suas casas, ambos cansados de ver tantos papéis chatos na frente deles para assinar. Amu foi logo em seguida, agora muito feliz em poder dizer que ia sair com Kairi num encontro depois da reunião, e Tadase saiu por último, já que tinha ficado para trás pra trancar o lugar, como de costume e, logo depois, seguiu sozinho por uma rua para fora da escola, encontrando Nagihiko pouco antes de virar a esquina, como de costume.


– Oi, meu amor... fiquei com saudades — Nagihiko depositou um rápido beijo no rosto do menor, afastando-se logo depois, para que ninguém os visse
– Eu também... — Tadase murmurou com um sorriso bobo nos lábios, corando ligeiramente. Os dois viraram à uma esquina e começaram a caminhar lentamente, na direção da casa de Tadase — Sabe, Nagihiko... essa provavelmente é a melhor semana de toda a minha vida. Viver assim feliz, com você ao meu lado... como se... m-morássemos juntos, e estar o tempo todo ao seu lado... é como um sonho se realizando... — ele corou ainda mais ao admitir isso, sem conseguir evitar de corar um pouco mais intensamente — Demo nee... ao mesmo tempo, não consigo deixar de ficar triste ao pensar que toda essa imensa felicidade está prestes a acabar... já que meus pais logo voltarão de viagem
– Humm, é verdade... nós ficamos mesmo mal-acostumados, hein, Tadase... — Nagihiko comentou, num tom que pretendia soar despreocupado, mas que acabou soando meio triste também — Mas, sabe... essa semana vivendo junto com você parece mesmo como um maravilhoso sonho do qual eu não quero acordar. No entanto, quando seus pais voltarem, nós inevitavelmente teremos que despertar desse sonho. Mas, sabe... eu acredito que, um dia, seremos capazes de transformar esse lindo sonho em realidade. Como nós conversamos naquele dia, se lembra? Sobre um dia, quando formos mais velhos, e quando já estivermos trabalhando, talvez, nós... poderemos enfim ter um lugar só nosso, para vivermos juntos, sem ninguém para nos julgar... e poderemos viver esse sonho novamente, por muito mais tempo. Só que, quando isso acontecer, não será mais um sonho... nós o transformaremos em realidade
– S-Sim... eu também... acredito nisso — o menor sorriu, segurando de leve os dedos de Nagihiko, que os entrelaçou com os seus, e voltaram juntos para casa de mãos dadas.


Ao chegarem, deram alguma atenção à Hotosaki, que andava mais extasiado do que nunca ao ver seus dois donos juntos, como se fossem finalmente uma família reunida e, enquanto Tadase cuidava de alimentá-lo e trocar sua água, Nagihiko foi na frente tomar um banho para começar a preparar as coisas para o jantar. Tadase entrou logo depois, indo tomar banho também e trocar seu uniforme escolar por suas roupas comuns e, enquanto a comida cozinhava, os dois aproveitavam o pouco tempo juntos que ainda lhe restava, sentados juntos no sofá, com a televisão ligada diante deles, passando um anime de luta no qual nenhum dos dois prestava muita atenção no momento, já que ambos estavam inebriados demais pela simples presença um do outro ao seu lado, trocando beijos e pequenas carícias, que aquecia mais e mais o coração de ambos. Eles se amavam e estavam juntos agora, parecia ser a única cosia que importava... e, por mais que soubessem que este tão desejado sonho estivesse chegando ao fim, nenhum dos dois queria que ele terminasse.


Algum tempo depois, Nagihiko levantou-se, um tanto relutante, para terminar de preparar a comida, e jantaram juntos. Ultimamente, Nagihiko andava preparando os pratos favoritos de Tadase e, embora o menor reclamasse de vez em quando que ele poderia acabar engordando se continuasse comendo tanto desse jeito, não conseguia deixar de sentir-se internamente feliz com todo esse cuidado e dedicação de Nagihiko.


Depois de comerem e lavarem a louça, Nagihiko avisou que os ingredientes de comida estavam quase no fim e que teria que sair para comprar mais, para poder preparar o café da manhã no dia seguinte, o que não agradou muito o menor.


– Ehh? Você vai sair logo agora, Nagihiko?! — o loiro queixou-se, fazendo um adorável biquinho — Mas, já está quase na hora de dormir... se a comida estava acabando, você poderia ter me avisado antes, assim nós poderíamos ter passado no mercado juntos no caminho de volta para a escola...
– Gomen nee, Tadase, é que eu só percebi agora... acabo esquecendo de tudo quando estou junto de você, sabe.. — Nagi desculpou-se, acariciando o rosto do menor — Mas, não se preocupe, pode ir deitar primeiro se quiser, eu não vou demorar. E prometo recompensá-lo por isso quando voltar... — ele tomou os lábios do loiro para si sem aviso e, logo depois de se recuperar do susto, Tadase o abraçou, correspondendo ao beijo inesperado. Desejava poder prolongar aquilo, já que ultimamente não conseguia mais se contentar com apenas um beijo, no entanto, Nagihiko o soltou mais rápido do que ele desejava — Continuaremos com isso quando eu voltar, pode deixar. Então, Itekimasu — Nagihiko despediu-se com uma piscadela, saindo logo depois
– Iterashai... — Tadase respondeu, sorrindo tolamente.


Já ia subir as escadas que levavam até seu quarto para esperar por Nagihiko, quando o telefone tocou. Tadase receou por um instante em atendê-lo, temendo que pudesse ser o tal perseguidor que o andava seguindo, e que foi a verdadeira causa de Nagihiko ficar tanto tempo na casa dele. Mas, pensando bem, o perseguidor desconhecido não dava sinal de vida desde que Nagihiko foi até lá... sem falar que também poderia ser seus pais, avisando que voltariam antes do que o esperado de sua viagem e, se fosse o caso, Tadase teria que tomar providências imediatamente para que eles nem sequer desconfiassem de que ele andou morando junto com Nagihiko durante os últimos dias. Respirou fundo, como se isso pudesse lhe dar coragem, e atendeu o telefone:


– A-Alô...?
– Oi, Tadase. Como andam as coisas por aí? — uma voz despreocupada soou do outro lado da linha, e o loiro suspirou aliviado ao reconhecer a voz de seu tio
– Oi, Tsukasa-san... está tudo bem, não se preocupe
– Mesmo? Não está precisando de nada? — o homem indagou — Como está se virando com a comida e tudo o mais?
– Ahh... n-na verdade, não sou eu quem tenho cozinhado, mas... m-mas sim...
– O Nagihiko-kun? — Tsukasa adivinhou, como já era de costume — Então, ele passou mesmo por aí, não é?
– Ahn... a-acertou como sempre, tio... — Tadase murmurou sem jeito, embora deixasse escapar um sorriso
– Bem, eu imaginei que ele faria isso. Afinal, é raro vocês terem algum tempo juntos, precisam aproveitar mesmo — o mais velho comentou, parecendo feliz com isso — Mas, fico feliz que ele esteja aí cuidando de você. Desculpe não ter aparecido antes como prometi, eu tive alguns... imprevistos...
– Ah, está tudo bem, não se preocupe! — Tadase exclamou — O senhor já nos ajuda bastante, não precisar se preocupar, Tsukasa-san
– Sabe que eu sempre me preocupo com você, Tadase. Você é meu único... sobrinho afinal... — Tsukasa respondeu e, ou Tadase estava muito enganado, ou tinha notado um leve tom de tristeza, ou talvez preocupação na voz do mais velho — Além do mais, se os seus pais não lhe dão o apoio de que você precisa, alguém precisa fazer isso por eles, não é? — ele acrescentou em um tom mais animado, o que deixou o mais novo confuso, se perguntando se não teria apenas imaginado aquilo. No entanto, esqueceu rapidamente disso quando teve a impressão de ouvir uma voz desconhecida chamando Tsukasa ao longe, do outro lado da linha — Ahn, eu... preciso ir agora, então... aproveite ao máximo esse tempo que lhe resta com o Nagihiko-kun, Tadase. Ah, e não se esqueça de "limpar a bagunça" depois, afinal, seus pais não podem nem desconfiar do que vocês andam "aprontando" por aí, viu?
– H-Hai, pode deixar... então, até logo, Tsukasa-san... sim, boa noite, e se cuide o senhor também. Tchau — Tadase desligou o telefone, sentindo-se constrangido até mesmo quando o tio falava em "códigos". Subiu então para seu quarto e se jogou na cama, pensando em quando Nagihiko voltaria do mercado para poderem fazer como Tsukasa havia "sutilmente sugerido" que aproveitassem ao máximo o tempo que tinham juntos.


Passou tanto tempo pensando nisso que acabou adormecendo sem perceber, e suas fantasias se transformaram em doces sonhos com seu amado. Eles estavam em uma casa desconhecida, que não era a casa de Tadase, e nem a de Nagihiko, e sim uma espécie de apartamento pequeno, que pertencia somente a eles dois. Ambos pareciam um pouco mais velhos no sonho, e haviam se tornado, como Amu e os demais disseram, "recém-casados" juntos e felizes. Eles se amavam, tinham um lugar só deles, sem ninguém para criticá-los, julgá-los ou tentar separá-los... eles estavam juntos, e isso era tudo o que importava. Era de noite no sonho, as luzes do quarto estavam apagadas, e o cômodo agora era iluminado apenas pela lua cheia que reluzia no céu ao longe pela janela. Estavam enfim desfrutando de sua tão almejava vida tranquila juntos, se amando e tornando um só de corpo e alma. Tadase gemia cada vez mais alto no sonho, agora sem precisar se conter, já que não havia mais ninguém ali para lhe ouvir além de seu amado, enquanto o maior distribuía beijos por seu tórax, descendo lentamente até o abdômen, acariciando seu corpo com as mãos velozes, sem nem se preocupar em tirar de vez a camisa completamente levantada do loiro. Sem se dar conta disso, Tadase deixou que seus gemidos escapassem para fora do sonho, e realmente começou a gemer enquanto dormia. Sua mente começou a despertar vagarosamente, confundindo sonho com realidade.


A parte de sua mente que ainda permanecia adormecida agora via seu doce sonho transformar-se lentamente em algo amargo e assustador. O pequeno apartamento havia se transformado em um lugar escuro e desconhecido, onde Tadase não estava morando, e sim aprisionado. O amor e felicidade que antes sentia transformavam-se em tristeza e pavor. E a única pessoa que estava ali com ele não era mais seu amado Nagihiko, e sim um vulto encapuzado desconhecido e assustador. E então, todo o medo que sentia há quase uma semana atrás, as lembranças assustadoras sobre o desconhecido que o perseguia, retornaram, estourando como uma bomba.


Tadase enfim despertou de vez, ofegante e confuso com aquela estranha mistura de felicidade, carinho, tristeza e desespero dentro dele. Olhou ao redor e, quando seus olhos sonolentos se viraram na direção da janela trancada, viram a luz da lua cheia e brilhante, como no começo de seu sonho. Isso o tranquilizou um pouco, e ele começou ao olhar em volta, com uma sensação estranha, como se ainda estivesse dentro do sonho. Ao olhar para baixo, deu-se conta de que sua camisa estava realmente levantada quase até seu pescoço, e que havia de fato alguém perto dele, tocando-o. Inicialmente concluiu que Nagihiko havia finalmente retornado do mercado, e quis lhe fazer algum tipo de surpresa, até que seus olhos sonolentos finalmente focalizaram o rosto da pessoa em seu quarto.


O sonho inicialmente bom acabou se transformando realmente em um pesadelo. Pois aquela pessoa não era Nagihiko.

Notas finais
Yoo~ minna! Teffy-chan falando! o/ Pois é, o capítulo começou lindo e fofo, com pessoinhas intrometidas querendo bolar planos mirabolantes para juntar mais um casal nessa fic, e terminou... bem, desse jeito nada fofo que vocês acabaram de ler. Quem aqui acompanhou minha fic Loveless levanta a mão! o/ Pois é, pra quem leu, a inspiração pra escrever esse capítulo saiu mais ou menos daí... só que não foi nada tão drástico, viu gente, por favor não tenham um ataque do coração porque não aconteceu nada tão sério.... ainda *foge* O próximo é com a Shiroyuki! o/ Deixem reviews onegai e façam não apenas uma, mas duas autoras felizes!!! *o*