Itsumo Yakusoku
38 Capítulo 38 - Home Made Happy
Rápido, rápido! Vamos lá, se apresse
Teremos muito mais desse tempo de mel
Desfaça esse laço no seu coração e faça doces shooby-dooby!
O sonho irá começar
Quando você está comigo meus sentimentos caramelizam
Repentinamente minha energia e motivação aumentam
Com esse poderoso sentimento no meu coração, eu vou limpar essa área passo por passo
E alcançar o amor, aleluia! Sinal de coração
Especialmente nos momentos importantes, eu vou dar a você meu amor
O poder de acreditar e o sorriso são meus aliados
A recomendação de hoje é a "felicidade caseira"
Capítulo 38
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Home Made Happy
— Aqui está seu chocolate desse ano, Hotori-kun… — Amu colocou a pequena caixinha azul na mesa do garoto. Era ainda menor do que a do ano passado, mas Tadase reparou que dentro da sacola que ela segurava havia um pacote maior, verde-claro, cuidadosamente amarrado com fita branca. – Eu fiz no Chara Change com a Suu, seguindo a receita da Naddy…
— Pode comer sem medo, Tadase! – Miki, que voava ao redor de Amu com uma enorme cesta de chocolatinhos para distribuir entre os seus “alvos”, provocou. Amu a espantou como quem afasta uma mosquinha atrevida, mas ela já estava de olho em Kiseki.
— Ah, estão deliciosos, desu~ — Suu confirmou.
— Hm, muito obrigado, Hinamori-san! – Tadase se esforçou para parecer animado. O fato era que aquele seria o primeiro dia dos namorados que ele passaria com Nagihiko depois de tantos anos, mas ele acabou dizendo que sua mãe marcara um ensaio especial justo nesse dia e eles não poderiam se encontrar. Além disso, Tadase sabia de fontes confiáveis, e nesse caso, as fontes eram exclusivamente Yaya, que as garotas da escola estavam planejando dar chocolates a ele esse ano de novo, e isso seria muito problemático de se evitar.
— Eu estava pensando… já que é São Valentim… e todo mundo deve ter algum plano para hoje… será que não daria para pular a reunião do Conselho depois da aula? – ela arriscou, como quem não queria nada. Tadase sorriu, entendendo rapidamente onde a garota queria chegar.
— Você marcou um encontro com o Sanjou-san?
Amu corou até a raiz dos cabelos, apertando a sacola nas mãos. Ran, Miki e Suu riram alto, e teriam entregado a dona imediatamente, se ela não tivesse sido mais rápida.
— E-eu quero surpreendê-lo na saída da escola dele, m-mas, se a reunião não acabar mais cedo, n-não teria como…. – ela balbuciou, tendo que fazer muito esforço para conseguir falar tudo.
— Eu entendo… bem, acho que os outros também têm compromissos para hoje, então não me importo de ficar e terminar o trabalho que temos até o final do semestre sozinho. – Ele assentiu, forçando um sorriso.
— Você não vai mesmo ver o Nagi hoje, não é? – Amu entoou em um sussurro para que ninguém ouvisse, solidária com a situação, enquanto tomava assento a frente dele, no seu lugar.
— Não. A mãe dele deve ter marcado esse ensaio de propósito, eu aposto. – ele enterrou a cabeça na mesa — e o pior é que eu sei que ele vai receber uma tonelada de chocolates lá na escola dele, e eu não vou poder fazer nada! – ele resmungou em um tom de voz arrastado e lamurioso. Ele sempre ficava meio parecido com o Chara Change quando estava irritado, e essa era definitivamente a ocasião.
— Fica tranquilo, Hotori-kun, tenho certeza de que o Nagihiko dá um jeito de sair dessa e salvar o dia dos namorados de vocês dois… — otimista, Amu sorria animadamente, mas Tadase não tinha vontade de acompanha-la nessa alegria toda, não hoje.
A conversa nada estimulante dos dois foi interrompida por um ruído na porta, sendo aberta em um rompante. Rima surgia por ela, e tentava manter uma postura digna, mas era evidente que ela viera correndo até ali, pois seu cabelo estava uma bagunça, a roupa completamente amarrotada, as bochechas vermelhas e um olhar vacilante e inquieto. Ela marchou até a sua mesa como se nada estivesse acontecendo.
— Conseguiu entregar os chocolates para o seu namorado secreto, Rima-chan? – Amu provocou, assim que ela chegou perto o suficiente para escutar.
—Namorado secreto? – Tadase indagou a ela, surpreso.
— Bem, a Naddy e a Utau sabem quem é, mas não me dizem! – a rosada balbuciou, e Tadase estranhou a menção do nome de Nadeshiko, mas resolveu não se ater a esse detalhe, já que parecia assunto de garotas.
— E ele não é meu namorado! – Rima bradou, passando os dedos pelos cachos para coloca-los em ordem. A verdade é que viera até a escola correndo mesmo, desde a loja de Ikuto, para conseguir chegar a tempo na aula, já que não poderia pedir carona à sua mãe para um lugar daqueles afinal. Ela não era nada atlética, diga-se de passagem, então estava já morrendo por dentro apenas no esforço de se manter em pé.
— Eu me pergunto se a Utau teve tempo de entregar o chocolate dela… — Amu comentou com os outros dois – Parece que a agenda dela estava cheia de compromissos, e ela ia participar de um programa de tv… e o Kyouharu-kun tem a faculdade… será que eles vão ter tempo de…
Ninguém teve tempo de comentar mais nada, pois logo o professor apareceu e a aula teve início. Os charas deixaram seus donos ali e saíram para fazer aquilo que sempre faziam quando estavam juntos, fosse isso o que fosse. Kusu-kusu parecia animada para espalhar novidades.
Tadase não prestou muita atenção na aula, que não tinha realmente muita coisa importante visto que as provas já haviam passado e só restava esperar o semestre escolar ter um fm. Ele não estava com motivação alguma para nada. Conseguia presumir que pelo menos três garotas naquela sala tentariam dar chocolates para ele no intervalo. Isso não era presunção ou qualquer coisa assim, mas elas eram realmente obvias. Durante a aula, ficavam olhando na direção dele, e então, colocavam a mão embaixo da classe, onde estavam os embrulhos coloridos e bem feitos. O padrão de comportamento era o mesmo em todas. Tadase pensava sinceramente que elas deveriam se dedicar a fazer isso por alguém que pudesse realmente corresponde-las. Era tão triste que elas estivessem se esforçando tanto por alguém como ele, que jamais poderia corresponder ás suas expectativas de forma alguma.
Ele tinha a certeza de que se qualquer uma daquelas garotas que pareciam tão esperançosas agora soubesse a verdade sobre ele, se sentiriam decepcionada, talvez até enojadas. E no entando, Tadase estava se sentindo tão amargo com o dia dos namorados por não poder passa-lo com Nagihiko, que imaginou-se contando a elas a verdade, quando fossem se confessar, e então, sentiu-se imediatamente mais leve. Sim, tudo seria tão mais fácil se ele pudesse somente dizer a verdade…
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O intervalo enfim chegou. Tadase já estava pensando se deveria ir ao telhado ou apenas se esconder no banheiro masculino até todo o frenesi de São Valentim passar, quando viu uma figura familiar surgir pela porta, timidamente, ao mesmo tempo em que algum outro garoto a abria para sair. Era Nanami, e ela vinha sorridente, com um bonito embrulho vermelho nas mãos.
Ele se levantou, notando o burburinho agitado de garotas comentando que começava a se formar, e então lembrou-se da sua rota de escape desse maçante dia, que havia sido formado há alguns anos atrás. Utilizando-se do seu noivado, Tadase usava isso como desculpa para rejeitar as garotas e seus chocolates, todos os anos. Estava tão frustrado com seu dia dos namorados que não havia dado certo que não se lembrava mais desse detalhe.
— Aqui está, Feliz dia dos Namorados, Hotori-kun. Obrigada por sempre me ajudar, você é um ótimo amigo – Nanami cumprimentou Tadase da forma usual, entregando a ele o pequeno pacote com um sorriso tímido. Tadase aceitou.
— Obrigado… — ele tentou parecer grato também, e realmente apreciava a atenção de Nanami, mas não estava com humor para demnstrar isso da forma correta. Olhou de relance, e viu que as garotas da sala ainda o fitavam com atenção. Suspirou, sabendo que deveria fazer alguma coisa logo, ou seria importunado por elas durante o resto do dia. – Com licença, Nanami-san. – ele pediu, e abraçou a garota. Foi rápido e impessoal, apenas um breve abraço e então eles se afastaram. Nanami parecia surpresa, mas nada perturbada pelo ato repentino, mas foi o suficiente para todas as garotas soltarem exclamações de admiração ou desagrado. Tadase esperava que fosse o suficiente.
— Hm… era isso… — Nanami sorriu mais uma vez, e vendo o estado das garotas dentro da sala, e ainda algumas que passavam pelo corredor, compreendeu totalmente as ações súbitas do garoto – Bem, espero ter ajudado. – ela se inclinou para sussurrar – Se quiser, eu posso falar com algumas garotas sobre não gostar que você ganhe chocolates, talvez elas acreditem e parem, o que acha?
— Isso seria de muita ajuda, Nanami-san – Tadase sentia-se aliviado por Nanami ser tão compreensiva algumas vezes – Bem, muito obrigado.
— De nada~ — ela cantarolou e foi saindo – Ah, desculpe, mas hoje não vou poder voltar para casa com você…
— Tudo bem, eu ia ficar na escola até tarde mesmo… — ele respondeu, sem questionar os planos da garota. Depois disso, cada um foi para um lado. As garotas da sala tinham fervorosas discussões, provavelmente dando um jeito de revisar seus planos para aquele dia.
— Pelo jeito, esse vai ser um longo dia… — Rima murmurou, assistindo á agitação de todas as garotas, e os semblantes preocupados dos garotos, tentando adivinhar se ganhariam alguma coisa. Amu engoliu em seco, visivelmente preocupada.
— Longo, longo dia… — Tadase apenas suspirou, largando-se da sua classe com o presente de Nanami. Ela havia sido tão cuidadosa em fazer isso… e todos os anos, o chocolate dela era formidável. Mas… definitivamente, não era o chocolate que ele queria ganhar.
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O céu dava os primeiros sinais do entardecer, tingindo-se de rosa, laranja e lilás. A neve parara de cair já, mas o vento frio era forte, e Amu tinha que se encolher no seu pesado sobretudo vermelho-escuro, com os cabelos agitando-se ao vento. Havia se despedido de suas charas minutos atrás, e depois de todos os gritos de incentivo por parte das quatro, sentia-se confiante para continuar. Ela tinha certeza de que aquele seria um dia dos Namorados memorável. Tinha que ser.
Quando chegou ao portão da escola ginasial onde Yaya e Kairi estudavam, manteve-se perto do muro, tentando ocultar a face com a boina xadrez que usava. Se Yaya a visse, seria um completo desastre, afinal, ela não tinha capacidade real de ser discreta. Mas por sorte, logo que os estudantes começaram a sair, metidos em seus uniformes negros, com gravatas verdes para os garotos e os vestidos com detalhes vermelhos para as garotas, ela percebeu que Yaya saia toda saltitante, ainda mais feliz do que o usual, para a direção oposta, conversando animada com suas colegas de classes. Sorte. Aquele era seu dia de sorte, mesmo, assim como dizia o horóscopo de Nobuko-sensei no noticiário da manhã. Um dia de esperadas mudanças e avanços.
Finalmente, o motivo por Amu ter vindo até ali surgiu pelo portão. O mesmo andar ereto e rígido, os olhos impassíveis por trás dos óculos espessos, os cabelos negros e lisos, impecáveis, refletindo o tom alaranjado do sol poente. Amu sentiu seu coração dar um pulo no peito, e sentiu também felicidade por sentir-se assim. Era o certo, e ela não se arrependeria disso.
— K-k-kairi-kun…. – ela chamou, saltando do muro onde estava escorada. Kairi ofegou, quando finalmente a visualizou, ajeitou os óculos nervosamente.
— H-h-hinamori-san, e-eu não esperava q-que você viesse… h-hoje… — ele gaguejou. Amu andou até ele, repentinamente consciente de que ainda estavam em frente à escola dele, e sendo ela alguém que costumava chamar atenção pelas suas roupas, óbvio que comentariam.
— Eu já pedi para não me chamar assim… — ela resmungou, aproximando-se dele – Só Amu já está bom.
— E-então… A-amu-san… — ele arriscou, e ela balançou a cabeça mais uma vez – Amu-c-c-chan?
— Hm, está bom assim – ela assentiu, sorrindo. Kairi corou até as orelhas, visivelmente nervoso – Aqui… seu presente de dia dos namorados… — ela puxou o último pacote, o maior e mais bem arrumado, e entregou para o garoto. Ele parecia sem reação. Ergueu a mão para aceita-lo, e quando foi pegar, seus dedos roçaram um no outro, por um breve momento. Ele quase deixou cair a caixa, mas felizmente, tinha bons reflexos. Amu sorriu, nervosa. – Podemos… ir a algum lugar mais calmo, para conversar?
Engasgado com as palavras que se amontoavam em sua garganta, Kairi apenas assentiu e acompanhou Amu em silêncio. Ela apertava com força a alça da mochila, enquanto caminhavam, lançando olhares de segundo em segundo para Kairi. Quando acontecia de seus olhos se encontrarem, ambos coravam furiosamente, e baixavam a cabeça. Ficaram nessa sequencia repetida de eventos até pararem no parque próximo a escola, que estava vazio àquela hora ainda maiscom aquela temperatura. Amu avançou para o pequeno quiosque na beira do lago, que tinha um telhado e ao menos ficariam a salvo do frio. Na primavera, aquele lugar ficava com suas pilastras repletas de rosas florescidas, mas agora no inverno tinha apenas galhos secos retorcidos formando uma parede. Ainda criava um efeito bonito.
Kairi sentou-se no banco, e Amu ficou ao lado dele. Os dois olharam para os próprios pés por mais de um minuto. Amu respirou fundo, reunindo toda a sua coragem. Agiria mais como as suas charas, que sempre falavam tudo o que queriam sem se preocupar, esse era o plano. Ela teria que ser animada como Ran, ousada como Miki, doce como Suu e tranquila como Dia. E tudo daria certo.
— Etto… K-kairi-kun…
— Muito obrigado pelos chocolates! – Kairi disse rápido demais, ao mesmo tempo em que ela tentou falar. Ambos se entreolharam, e ele se encolheu – D-desculpe, eu não quis gritar, e-eu…
— Está tudo bem…
Outro silêncio constrangedor. O vento soprou, assobiando, entre eles. As mãos de Kairi estavam cerradas sobre as pernas, e ele estava sentado de maneira mais rígida do que nunca. Amu se abraçava com os próprios braços, pensando em algo para dizer.
Quase cinco anos se passaram desde a primeira vez que Kairi se declarara para ela, e ela tinha confiança de que esses sentimentos não haviam mudado nesse tempo. Eles se aproximaram tanto, sobretudo, durante o tempo em que Nagihiko esteve na Europa, e Kairi se tornou uma pessoa muito importante na vida de Amu. Ele foi a pessoa que a amparou quando ela teve sua primeira desilusão amorosa, e ele a ouviu quando ela queria desabafar sobre qualquer problema. Amu não sabia exatamente quando seus sentimentos de gratidão e amizade evoluíram para algo mais, mas ela estava ciente de que esperava somente por alguma atitude de Kairi. Qualquer coisa, qualquer sinal de que a relação deles finalmente poderia avançar…
Sempre que eles saiam, para qualquer lugar que fosse, juntos, a iniciativa partia dela. Kairi parecia sempre desconcertado, surpreso por ter sido escolhido, com se não acreditasse de verdade nos sentimentos que Amu, apesar de todos os seus notórios problemas em demonstrar sentimentos, tentava fazê-lo entender. Ele havia crescido tanto naquele tempo – estava quase mais alto que Ikuto, e sendo que era o mais novo de todos, era um feito e tanto, mas ele sempre fora alto para a idade. O rosto, Amu gostava de notar, era bonito, mesmo com os óculos. Mas ela gostava principalmente dos olhos dele, verdes e sinceros, sempre dispostos a ajuda-la.
O único problema era que Kairi não tinha autoconfiança o suficiente para tomar a iniciativa e oficializar a relação dos dois. Em todos aqueles anos de amizade e companheirismo, ele nunca fez nada. Amu sabia que ele ainda esperava por um momento especial, quando ele fosse o “homem digno” que, no julgamento dele, Amu merecia. Mas quando será que esse momento seria? Amu cansara de esperar.
Com a história de Nagihiko e Tadase, ela aprendeu que não havia tempo algum para desperdiçar quando se tratava de amor. Nunca se sabia quando algo poderia acontecer, quando tudo poderia dar errado… o melhor era nunca hesitar. Ela queria tanto que tudo desse certo dessa vez… tanto…
— Kairi-kun! – ela bradou, fazendo o garoto sobressaltar e quase derrubar a caixa de chocolates – Quando é que você vai dizer alguma coisa!
— O q-que? Me desculpe, Hin… Amu-chan, eu não… eu…
— Eu vou responder à sua declaração, agora! – ela disse, com certeza. Kairi quase engasgou.
— M-mas eu ainda não… eu… Amu-chan, eu… deveria fazer isso… e… quando me tornasse…
— Cansei dessa história de se tornar um homem! Eu não vou esperar tanto tempo, você já parece muito adequado para mim, se quer saber! – ela replicou. Parecia que sua antiga natureza cool and spice havia retornado, no meio daquela hesitação toda, para dar um empurrãozinho nela. – Eu também gosto de você! Durante todos esses anos, eu esperei que você se declarasse para mim de novo, mas você continua a ser somente meu amigo‼ Isso é mesmo o suficiente para você? – ela se ergueu de pé, com as mãos na cintura. Kairi parecia assustado.
— Amu-c-chan… eu pensei que… pensei que você estivesse feliz sendo apenas minha amiga, e que… se eu me declarasse de novo, estragaria tudo, então… então… bem… — ele baixou os olhos, corando – Eu pensei que você pudesse ainda gostar do Hotori-san, depois de tudo…
— Eu entendo que você queria respeitar meus sentimentos, mas custava muito perguntar para mim? – ela diminuiu o tom de voz, arrependendo-se por ter explodido tão de repente – Eu não gosto mais do Tadase… acho que nunca gostei dele de verdade… eu só fiquei encantada com o ar de príncipe que ele emanava, assim como todas as garotas… mas… gostar de alguém de verdade, assim… eu acho que foi por você que eu me apaixonei…
— Isso… — Kairi se levantou, em choque. Ajeitou os óculos com as mãos trêmulas, parecendo processar cuidadosamente cada palavra de Amu. Ele costumava agir com cautela, pensar muito antes de qualquer coisa, por isso os atos impulsivos da antiga Coringa o pegavam completamente desprevenido nesse instante. Ele não sabia o que fazer – S-se você estiver incerta, ou apenas se deixando levar pelo clima da data, eu posso esperar…
— Não tem nada para esperar, Kairi! Eu gosto de você, entendeu? Você pode ser sério demais, e as pessoas dizem que você é chato, mas para mim, você é uma pessoa gentil, compreensiva, inteligente, madura, e eu realmente, realmente, quero estar do seu lado! Não apenas como uma amiga!
— Hinam…
Kairi nunca chegou a terminar de dizer o que quer que quisesse dizer naquele momento, pois Amu o segurou pelo colarinho, com uma expressão extremamente irritada, e selou seus lábios nos dele, com força deixando bem claro quais eram as suas intenções. Não era a declaração fofa e cheia de emoção que ela planejara… mas francamente, ela era Hinamori Amu! A Joker Cool and Spice! Coisas fofas e bonitinhas decididamente não combinavam com ela.
O beijo durou menos de alguns segundos. Apenas o tempo de Kairi entender o que estava acontecendo, e quando ele enfim se recuperou, e abraçou Amu de volta, ela se afastou. Ele segurou o rosto dela delicadamente, afeição transbordando dos olhos esverdeados por trás dos óculos tortos, e a trouxe para perto mais uma vez, agora com um beijo de verdade.
Havia sido tolo por esperar tanto tempo, e sentia-se patético por ter permitido que Amu tivesse que tomar uma atitude para que ele finalmente acordasse para o que esteva bem evidente o tempo todo. Quando enfim se afastaram, Amu suspirou, descansando a cabeça no peito de Kairi. Podia sentir o coração dele quase saltando no mesmo lugar, e ele ainda estava corado até as orelhas. Muito fofo.
— V-você quer ser minha namorada, Hinamori Amu-san? – ele indagou, erguendo a cabeça e arrumando os óculos com a mão livre. Amu sorriu, afastando-se para encará-lo diretamente.
— Sim! – Amu afirmou com certeza, mesmo que estivesse envergonhada e com o rosto em brasas. Esperou por aquilo tanto tempo que mesmo que estivessem no meio da sala de aula, com todos assistindo, ela não recuaria – Eu quero!
Finalmente. Assim como Nobuko-sensei previra, aquele seria o ano de sorte de Libra, no amor. Ela não tinha mais por que hesitar, queria ser feliz, e não iria mais desistir disso. E quando ergueu os olhos e viu Kairi, tinha uma certeza maior ainda no coração – queria fazer aquele garoto feliz, também. E, além disso, nada mais importava.
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